Calor Industrial

Tintas e Revestimentos – Mesmo sem normas nacionais, uso de tintas de proteção passiva contra incêndio registra avanço

Marcelo Fairbanks
22 de janeiro de 2013
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    Proteção estrutural – Estruturas metálicas contam com a proteção de tintas intumescentes para que o calor dos incêndios não as aqueça acima de 500ºC, comprometendo a sua resistência. Diferentemente dos Estados Unidos e da Europa, as construções prediais no Brasil usam com mais frequência estruturas de vergalhões de aço recobertas de concreto. Talvez pelo custo das vigas de aço, a técnica de construção em frame (molduras) demorou a ganhar espaço por aqui, mas está sendo cada vez mais empregada nos prédios novos.

    Química e Derivados, Gabriel Esteban Zenobi, AkzoNobel, tintas com base em resina acrílica

    Zenobi: tintas intumescentes conquistam aplicações onshore

    Além disso, as estruturas comerciais e industriais usam com mais frequência elementos metálicos. Isso inclui uma gama ampla de modalidades construtivas, dos shopping centers aos complexos petroquímicos, passando pelas plataformas de exploração de petróleo offshore. É preciso dividir esse mercado em duas categorias, conforme o tipo de carga combustível presente.

    A primeira delas se ocupa de materiais como madeira, cartonados, tecidos e papéis, formadores do chamado “fogo celulósico”. A outra se afirma quando há presença majoritária de derivados de petróleo, gerando o “fogo de hidrocarboneto”. É preciso diferenciá-las porque a velocidade da segunda para atingir a temperatura máxima de incêndio é muito mais elevada do que no fogo celulósico, exigindo proteção compatível.

    Em ambos os casos, o modo de ação das tintas intumescentes será o mesmo (veja box), mas o tipo de espuma desejado e a capacidade de suportar a severidade das diferentes situações terão influência direta nas formulações. “Diria que 99% das tintas para fogo celulósico são feitas com base em resina acrílica, enquanto 99% das usadas contra fogo hidrocarboneto são epóxis. Ninguém usa acrílicos nessa situação”, comentou
    Gabriel Esteban Zenobi, gerente de proteção contra fogo para a América do Sul da AkzoNobel, divisão International. Ele avalia que a queima de hidrocarbonetos atinja a temperatura final do incêndio em apenas quatro minutos, contra 20 minutos dos celulósicos.

    Jefferson Silva, gerente global da conta Petrobras na Sherwin-Williams divisão Sumaré, informa que o uso de tintas intumescentes para fogo celulósico é recente no país e não conta com o estímulo de uma legislação eficaz para alastrar seu uso. “Não há clareza normativa, há recomendações dos bombeiros, que aceitam as certificações internacionais das tintas”, comentou.

    Química e Derivados, Jefferson Silva, Sherwin-Williams Sumaré, falta de legislação eficaz

    Silva: 2 mm de tinta substituem 50 mm de concreto

    Ambos preveem um aumento na demanda por esse tipo de produto para satisfazer exigências de segurança nas construções que estão sendo erguidas para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016. Berto, do IPT, informa que as diretrizes da Fifa, por exemplo, não impõem esse tipo de exigência, aceitando as normas locais existentes (inexistentes, no caso). Zenobi também avalia que os estádios usarão muito mais concreto do que aço exposto, mas também haverá uma demanda atraente por revestimentos anticorrosivos.

    O especialista da Sherwin-Williams acredita que locais com grande circulação de pessoas devem contar com esse tipo de proteção estrutural, para garantir tempo suficiente para a saída dos eventualmente presentes e permitir a entrada segura das equipes de combate ao incêndio.
    Zenobi, por sua vez, considera que o mercado de produtos para fogo celulósico não tem o mesmo grau de exigência requerido no caso do fogo de hidrocarbonetos, permitindo a presença de muitos players, nem sempre capazes de satisfazer as necessidades reais sob fogo.

    Ele explica que, embora várias aplicações já estejam normalizadas e os produtos tenham certificação internacional, ainda há riscos descobertos. “As normas exigem ensaios para uma situação de tempo e temperatura crítica, completando a tabela das demais situações por interpolação”, informou. “Se as normas forem seguidas, geralmente dá tudo certo.” Há exceções, explica. Em alguns casos, a carga real de incêndio – quantidade e tipo de material combustível presente – pode ser maior que a projetada. Então, o revestimento falhará. “Cada caso precisa ser avaliado por um especialista que determinará a proteção passiva adequada”, recomendou.



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