Insumos para tintas com alto desempenho e mais sustentáveis

Tintas e revestimento: insumos aliam desempenho alto ao cuidado ambiental

Há muito tempo, ser sustentável deixou de ser um atributo apenas desejável para se tornar uma obrigatoriedade. Além disso, hoje, aliar o custo competitivo ao alto desempenho dos produtos se configura como o grande desafio das companhias. Sendo assim, neste contexto, produtos à base de água, livres de alquilfenol etoxilado e com um conteúdo renovável têm forte apelo na indústria.

Com demandas ambientais mais rígidas e a consequente necessidade de inovações compatíveis às atuais exigências do setor, um grande volume de investimentos se volta às matérias-primas de fontes renováveis e amigáveis ao ambiente, assim como para soluções que agreguem valor para o produto final, seja por reduzir o tempo de processo, a quantidade de pigmentos no sistema, ou por permitir menor dosagem de solventes com consequente aumento de sólidos do sistema.

Este é o caso da Basf, segundo Camilo Alvarado, da Basf. Ele explica que os principais desenvolvimentos da companhia seguem tais critérios, sem comprometer requisitos como a adesão a substratos metálicos e resistência ao teste de névoa salina, por exemplo.

A atenção também se volta para a competitividade, com a redução de custos, sem a perda de performance.

Insumos para tintas com alto desempenho e mais sustentáveis ©QD Foto: iStockPhoto
Alvarado: polióis derivados de óleos naturais são eficazes

“O custo-benefício segue como ponto importante”, comenta.

Mercado pede insumos para tintas com alto desempenho e mais sustentáveis

No mercado de resinas para tintas, um aspecto particularmente notável é a crescente demanda por produtos com impacto ambiental reduzido, segundo Leandro Lemos Alves, da Syensqo.

Ele observa que o setor está passando por uma intensificação dos esforços para aumentar a eficiência: mais produção de tintas e emulsões sem aumentar proporcionalmente a planta, por exemplo.

“Esse movimento é especialmente visível em clientes que já operam com instalações de alta eficiência e grande volume”, explica.

Ainda que parte significativa do portfólio de muitas empresas contenha produtos com alta emissão de compostos orgânicos voláteis (VOCs), inflamáveis e provenientes da cadeia do petróleo, estratégias para a redução do uso de resinas com alto conteúdo de solventes derivados de petróleo têm se intensificado significativamente nos últimos anos.

Alves aponta que esse viés sustentável não está sendo guiado por imposições legislativas mais rigorosas, mas pela mudança na percepção de valor por parte dos consumidores e pela busca por soluções que sejam ecologicamente responsáveis e economicamente viáveis.

“Reconhecemos que os consumidores estão se tornando mais críticos e exigentes, optando por escolhas mais responsáveis”, reforça.

insumos para tintas com alto desempenho e mais sustentáveis: cresce demanda por resinas acrílicas à base de água

Neste contexto, as resinas acrílicas à base de água têm avançado em diferentes áreas e a tendência é de a demanda crescer ainda mais, segundo prevê Alvarado.

Não por acaso, entre os destaques da Basf está o Acronal PRO 1763, uma resina acrílica desenvolvida localmente para o mercado de tinta protetiva à base de água e livre de alquilfenol etoxilado.  “Foi projetada para oferecer proteção intermediária e atender às demandas do setor”, comenta.

Do portfólio de resinas com conteúdo renovável, Alvarado cita o Sovermol, um poliol livre de solvente que pode ser produzido a partir de diferentes óleos naturais, como óleo de colza, de rícino, de soja e de palmiste. Segundo o fabricante, é indicado para revestimentos industriais, proporcionando excelente resistência química, aos raios UV e às intempéries. Em resposta a quaisquer objeções à performance deste tipo de insumo, ele pontua que produtos de base biológica podem ser tão eficazes quanto seus contratipos com fonte fóssil.

Para Alves, existe ainda um movimento para mitigar os VOCs, tanto por meio do aumento do teor de sólidos em tintas base solvente, quanto pela transição para sistemas à base de água. Aliás, ele considera esta uma das tendências mais marcantes da atualidade. Por isso, a empresa vem se destacando pelo portfólio de monômeros e surfactantes especiais.

“Estes produtos são projetados para ajudar os formuladores a desenvolverem emulsões e resinas à base de água que mantêm a qualidade e a resistência dos similares base solvente”, afirma.

Ele reforça, no entanto, que a companhia está comprometida com o desenvolvimento de soluções que não apenas minimizam o impacto ambiental, mas que se alinham harmoniosamente com as necessidades e expectativas globais do mercado.

Sendo assim, no portfólio da Syensqo destacam-se os surfactantes aniônicos Rhodapex BSA e Rhodapex BSA 300. Desenvolvidos e fabricados no Brasil, estes produtos substituem os surfactantes que contêm alquilfenol etoxilado e foram pensados para o mercado sul-americano.

Na Syensqo, um dos meios para agregar competitividade vem de uma cadeia de suprimentos robusta e da verticalização de muitos processos.

“A capacidade de controlar amplamente a produção e o fornecimento nos ajuda a manter os custos em cheque, mesmo ao produzir opções mais verdes e eficientes”, diz. Segundo Alves, hoje, a diferença de custo entre os produtos sustentáveis e os tradicionais nunca esteve tão pequena.

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Desafios

Embora a sustentabilidade seja uma prioridade, a realidade é que ela não funciona como uma bala de prata. Não há uma única solução que resolva todos os desafios de uma vez só. Para Alves, a aceitação de produtos sustentáveis tem sido encorajadora, sinalizando uma mudança positiva nas preferências de mercado. No entanto, para que a transição para práticas mais sustentáveis seja bem-sucedida e amplamente adotada, é essencial que outros aspectos críticos, como desempenho, custo e conveniência também sejam atendidos.

Sem dúvida, ainda há entraves nesta trilha verde. Moura aponta que é necessário trabalhar na educação dos consumidores para compreensão dos requisitos técnicos e de diferenciação que podem trazer economia a longo prazo.

“Embora a frente dos pintores tenha sido engajada e a qualidade dos produtos disponíveis no mercado tenha melhorado como um todo, ainda falta uma parcela importante: os compradores das tintas”, afirma.

Segundo ele, são dois os grandes desafios no desenvolvimento de insumos para tintas com alto desempenho  e  mais sustentáveis e de alto desempenho: a dobradinha custo/performance e a regulamentação. Ele ressalta que as matérias-primas para produtos mais sustentáveis geralmente têm um custo inicial mais elevado em comparação com as alternativas tradicionais.

“No mercado brasileiro, o menor preço, muitas vezes, é um fator determinante na decisão de compra, mesmo que um outro produto ofereça mais benefícios e economia a longo prazo”, diz.

A outra questão dá conta da conformidade com regulamentações ambientais e normas de qualidade como algo essencial para o desenvolvimento e comercialização de produtos mais sustentáveis. Ele explica que o acompanhamento das mudanças regulatórias, bem como a garantia de que os produtos atendam aos padrões exigidos, pode ser complexo e necessitar investimentos adicionais em testes e certificações.

De qualquer forma, para Moura, o movimento de substituição de sistemas tradicionais de resinas alquídicas à base de solvente por alternativas à base de água é uma tendência positiva. “Enxergamos essa mudança como uma resposta necessária às demandas crescentes por soluções mais sustentáveis”, diz.

Um exemplo fica por conta da Maincote HG-100, resina acrílica base água projetada para substituir resinas alquídicas de cadeia curta, em uma variedade de aplicações. Segundo a Dow, formulado para atender aos requisitos de baixas emissões de VOCs, este insumo é livre de alquilfenol etoxilado e oferece benefícios como elevado brilho, rápido tempo de secagem e durabilidade superior em comparação com as alternativas alquídicas tradicionais.

Na Dow, aliás, assim como a inovação, a sustentabilidade é parte da ambição da companhia. Prova disso está no compromisso assumido de alcançar a neutralidade de carbono até 2050, eliminar o desperdício de plástico e aumentar os impactos positivos na sociedade. De qualquer forma, independentemente do DNA de cada empresa, a sustentabilidade continua sendo uma forte tendência do setor como um todo.

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