Tintas e Revestimentos

Tintas e revestimentos: Fusões e aquisições agitam mercado do pigmento branco enquanto os preços sobem

Marcelo Fairbanks
26 de junho de 2017
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    Marino informa que, em 2015 e 2016, houve sensível retração das indústrias de tintas e de plásticos, os maiores consumidores locais do insumo. “Os plásticos sofreram muito com a queda de atividade do setor automobilístico e também da indústria de eletroeletrônicos, especialmente a da chamada linha branca”, afirmou. Nas tintas, houve retração nos segmentos de pintura de imóveis novos e nas tintas para automóveis novos, mas a pintura de edificações existentes foi menos afetada, assim como a repintura automotiva. “A nossa produção local está mais voltada para tintas decorativas imobiliárias e para primers e tintas de repintura automotiva, além dos plásticos, então não chegamos a sofrer tanto, a importação supre a pintura OEM”, explicou. Ele também apontou o bom desempenho do setor calçadista nacional, especialmente nas sandálias de borracha.

    Com o objetivo de suprir adequadamente os seus clientes brasileiros, a Cristal começou neste ano a pedir que eles elaborem uma programação de compras firme para os produtos nacionais (para 30 dias) e importados (60 dias, mínimo).

    Atualmente, a fábrica da Bahia se concentra na fabricação do RKV2, muito usado nos plásticos. Segundo Marino, esse tipo tem elevada durabilidade, mas deve evoluir para aprimorar a brancura (cor). “A produção precisa equilibrar durabilidade, opacidade e cor no ponto desejado pelos compradores”, comentou.

    No atual cenário, a indústria tende a reduzir o número de tipos oferecidos para poder ampliar as campanhas de produção e reduzir custos. “Em 2012, fazíamos dois grades para plásticos, o RFKD e o 242, mas, ouvindo os clientes, preferimos aumentar o volume e reduzir custos concentrando a produção no 242”, lembrou Marino. “Agora não temos como reduzir o portfólio, que já é enxuto.” Ele salientou que a Cristal importa vários grades de suas outras fábricas espalhadas pelo mundo, inclusive grades obtidos pelo processo cloreto (a fábrica baiana opera pela via sulfato).

    Química e Derivados, Importações e preços de TiO2 voltam a crescer

    A meta da companhia é rodar a fábrica brasileira com a máxima capacidade disponível, descontando as paradas de manutenção. “Operamos três linhas de fabricação, uma delas está parada apenas em maio para reparos e atualização, mas não há previsão de outras paradas até dezembro”, informou. A redução de frequência de navios para o Brasil, resultado da crise econômica, prejudicou a Cristal por representar atrasos na importação de resíduos metalúrgicos (slag), usados como matéria-prima.

    Dentro do plano de negócios da companhia, a compra de um fabricante chinês há alguns anos representava a possiblidade de trazer semiacabados para Camaçari. Isso permitiria ampliar a oferta local de produtos finais. “A unidade chinesa não registra excedentes exportáveis, infelizmente”, disse.

    A unidade baiana é alimentada por minas próprias, na Paraíba, com capacidade para suportar a atividade pelos próximos cinco anos. “Estamos estudando alternativas de suprimento futuro de ilmenita ou de outros recursos”, explicou Marino.

    A extinção de alíquotas favorecidas para uma cota determinada de importação de TiO2, em dezembro de 2015, não revelou grandes mudanças. “A alíquota de 2% era restrita a uma cota de 100 mil t/ano, mas só isso só aumentava a disponibilidade de produtos, pela redução do custo tributário, mas afetava pouco o preço; o mercado fica mais transparente com a alíquota de 12% igual para todos os importadores”, afirmou.



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