Tintas e Revestimentos: Estaleiros pedem alternativas para aumentar produtividade

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Aplicação de tintas protetivas requer equipamento adequado e pessoal qualificado

Tintas multiuso – Como a praticidade, a redução de inventário e a aceleração de operações estão na pauta do setor marítimo, cresce a procura por tintas que possam ser aplicadas em vários lugares, sem prejuízo do desempenho final. “Um dos maiores desafios para os formuladores é desenvolver produtos multiuso, que possam ser aplicados da quilha à chaminé”, confirmou Juarez Machado, da AkzoNobel International. Com isso, é possível simplificar as especificações de pintura e, consequentemente, o processo de compra, armazenamento e aplicação. “Quanto menor o número de produtos envolvidos em uma especificação, menor a possibilidade de erro em todas as fases do projeto”, afirmou. A companhia desenvolveu o Intershield 300HS, que pode ser usado em qualquer área do navio, incluindo tanques de lastro e de água potável, contando com aprovação IMO/PSPC para tanto.

Outro produto multiuso é o Interbond 998PB – as letras PB indicam ter sido desenvolvido para a Petrobras. “A estatal tem questões bem específicas que nos abrem oportunidades. Neste caso, trouxemos ao Brasil a tecnologia de epóxi-cetaminas, no escopo da norma N-2680”, explicou. Essa tinta é indicada para tanques de lastro e também para os de água potável, detendo a certificação IMO/PSPC, sendo totalmente isenta de solventes orgânicos voláteis.

A PPG também tem buscado soluções que atendam às necessidades das mais diversas áreas das embarcações. “Com isso, nosso cliente pode lidar com um número menor de produtos no seu projeto”, comentou Akiko. A manutenção a bordo conta com o sistema Sigmacare, da companhia.

Indicado para ambientes agressivos, o Sigmashield 880 promove um revestimento de elevada espessura e que pode ser imerso após 30 minutos da aplicação. A cura continua dentro da água, sem problemas. Por sua vez, o PSX 700, com base em siloxano-epóxi, com durabilidade estendida, apresenta baixas reduções de brilho e cor, segundo a gerente de negócios da divisão PMC.

Inovações – A necessidade é a mãe da invenção. A conhecida expressão reflete exatamente a pressão pelo desenvolvimento de tintas para o setor marítimo, expressa nos campos de durabilidade, facilidade e rapidez de aplicação, respeito ao ambiente e à saúde e à segurança dos trabalhadores.

A proteção contra fogo, oferecida pelas tintas intumescentes, entra no pacote disputado pelos fornecedores. “De cinco anos para cá, a demanda por essas tintas protetivas cresceu muito, em especial nos projetos de óleo e gás”, comentou Jeferson Silva, da Sherwin-Williams. Todos os fabricantes consultados possuem produtos específicos para uso em fogo com hidrocarbonetos, atendendo aos requerimentos da Petrobras.

A pintura das áreas internas dos navios e plataformas também atende a regulamentos específicos, devendo, atualmente, evitar componentes que possam prejudicar a saúde da tripulação. Richter, da Weg, cita produtos indicados para tratamentos dos tanques de água potável, tanques para combustíveis, e até linhas com propriedades antimicrobianas (Weg Nobac), usadas para pintar cozinhas, banheiros e dormitórios.

“Os esquemas de pintura são baseados na agressividade definida pela norma ISO 12944 para os diversos microambientes encontrados nos navios e plataformas. Buscamos sempre a solução mais eficiente, usando sempre que possível os mesmos produtos em diversos desses microambientes, para garantir a eficiência do projeto”, explicou Akiko, da PPG.

A Sherwin-Williams, como informou Silva, forneceu tintas especiais, dotadas de pigmentos opticamente ativos, para um estaleiro chinês que desenvolveu um projeto para a Petrobras. Trata-se de uma tinta de alta tecnologia, aplicada em camada única de grande espessura, apresentando secagem rápida, inferior a três horas. “Quando incide sobre a película uma luz negra, é possível enxergar os defeitos existentes; isso dispensa o trabalho demorado da inspeção tradicional”, explicou. O produto pode ser usado também em tanques de armazenamento de refinarias. Como o projeto precisava ser acelerado, compensou importar a tinta de uma fábrica da companhia situada nos EUA. Ela pode ser aplicada na parte interna ou externa das embarcações. “Não custa muito mais que os produtos convencionais”, afirmou Silva.

Ele acredita que a proteção dos cascos já tenha sido bastante desenvolvida, restando pouca coisa a ser criada, muito embora as pesquisas continuem sendo feitas. “Há algumas especialidades, a exemplo das tintas para cascos de navios quebra-gelo, com elevadíssima resistência ao impacto e à abrasão. Existem produtos disponíveis, mas o período de proteção poderá ser ampliado com novos desenvolvimentos”, avaliou.

Silva explicou que os projetos novos exigem uma garantia de durabilidade do revestimento aplicado, geralmente fixada em cinco anos para os cascos. A Petrobras, em alguns casos, vai além, podendo chegar a 15 anos. “Fora a garantia, existe uma expectativa da vida útil da pintura do casco, que é o tempo de serviço até a primeira grande manutenção de um navio, estimado, em geral, entre 20 e 25 anos”, informou.

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2 Comentários

  1. Como anticorrosão eu sugiro a quitosana, vários trabalhos tem utilizado a quitosana como um inibidor de corrosão poderoso e “green” como queremos mesmo, ecológico. Além disso a quitosana é um polissacarídeo abundante encontrado nos exoesqueletos dos crustáceos e até da barata (argh). Vale a pena, afinal de contas, não é a toa que os crustáceos ficam lá imersos naquela água salina e ainda com diferentes pressões dependendo do lugar e a quitina resiste sem deixar os bichinhos peladinhos rs – Monica, Eng. Quimica.

    1. Monica, achei muito interessante seus comentários!!
      Me diga onde encontro a Quitosana ?? Qual a porcentagem recomendada e sobre que matéria prima ??
      Muito obrigado pela atenção !!

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