Tintas e Revestimentos: Estaleiros pedem alternativas para aumentar produtividade

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Richter: investimentos para ampliar capacidade produtiva

A brasileira Weg aumentou a capacidade produtiva do parque de Guaramirim-SC, inaugurou escritório comercial e centro de distribuição no Rio de Janeiro, voltados especialmente para os mercados naval e de óleo e gás. “Além disso, compramos a Indústria de Tintas e Vernizes Paumar S/A, de Mauá-SP, cuja capacidade de produção será ampliada e abrirá mais espaço em Guaramirim para a produção da linha anticorrosiva”, comentou Richter.

A PPG reforçou sua equipe e a estrutura produtiva. “Iniciamos há quatro anos a fabricação local dos produtos da linha PMC e, hoje, quase 90% do nosso portfólio é feito por aqui, contando com nossa expertise mundial”, salientou Akiko.

“Temos capacidade instalada para atender a 100% da demanda do mercado de construção naval na América do Sul, resultado de investimentos realizados durante os 87 anos de presença da International no Brasil. Investimos até mesmo na década de 90, durante a recessão da indústria naval”, informou Machado, da AkzoNobel.

Inovação é essencial – Exigências maiores de desempenho e de adequação a regulamentos de proteção ambiental mais restritos estimulam a continuidade dos esforços para pesquisar e lançar produtos inovadores no setor naval. No caso da pintura externa dos cascos, são muito procurados os revestimentos que impedem a fixação das cracas (antifouling), moluscos que conseguem aderir firmemente à superfície, aumentando a resistência ao deslocamento na água. Dependendo da quantidade, as cracas provocam aumento significativo do consumo de combustível pelos navios, por efeito de arrasto.

Química e Derivados, PPG, Akiko Ribeiro, silicone elastômero reduz a fixação das cracas
Akiko: silicone elastômero reduz a fixação das cracas

Durante décadas foram usadas tintas com ingredientes tóxicos, metais pesados em geral, capazes de envenenar as cracas e manter o casco limpo. Porém as normas internacionais mais recentes vetaram o uso dessas substâncias e colocaram prazo para sua substituição. As tecnologias mais usadas atualmente visam impedir a fixação das cracas por meio da formação de superfícies antiaderentes, dispensando a adição de venenos.

“A Sherwin-Williams firmou uma parceria mundial com a Nippon Paint que prevê a transferência de tecnologia em tintas antifouling e também nos shop primers com zinco, produtos nos quais eles têm grande experiência internacional (track records)”, afirmou Jeferson Silva. A companhia já dispunha de uma linha antifouling, mas ele admite que a da Nippon é superior, usando tecnologia de silicone. O especialista salienta que as especificações de antifouling para plataformas não são iguais às usadas nos navios, pois aquelas têm velocidade de deslocamento diferentes destes, e é a passagem da água em velocidade que desprende as cracas, no caso dos sistemas com silicone.

Segundo Juarez Machado, em 2013, a AkzoNobel International lançará dois produtos para controle de incrustação na área submersa de navios, plataformas e equipamentos submarinos, o Intersleek 1100SR e a linha Intercept, ambos sob patente. A Weg, por sua vez, relatou que seus anti-incrustantes têm histórico positivo de utilização, impedindo a fixação das cracas sem gerar contaminação no ambiente marinho.

A PPG oferece a linha Sigmaglide para impedir a fixação das cracas. “Ela usa sistema de silicone elastômero, cuja baixa tensão superficial reduz a força de fixação das cracas, fazendo com que elas se desprendam assim que a embarcação se movimente”, explicou Akiko Ribeiro. Esses produtos apresentam alto teor de sólidos, reduzindo a emissão de VOC, além de proporcionar camada espessa e maior desempenho.

No campo dos anti-incrustantes tradicionais, a PPG lançou no começo deste ano o Ecofleet 690, formulado com 70% de sólidos, com resina patenteada, e indicado para ambientes extremamente agressivos, caso das águas brasileiras e dos navios costeiros com baixa taxa de operação, oferecendo garantia de eficiência de 60 meses entre docagens, com taxa de polimento linear e regular.

Química e Derivados, Jeferson Silva, Sherwin-Williams, pigmentos opticamente ativos aceleram as inspeções
Silva: pigmentos opticamente ativos aceleram as inspeções

Primers protetivos – A primeira camada aplicada sobre a superfície metálica é a que responde pela proteção contra a corrosão. Os produtos mais modernos aposentaram os metais pesados, como o chumbo, o cromo e o estanho, e buscam agregar funcionalidades.

Jeferson Silva explica que a preparação da superfície, no passado, era feita com jateamento a seco com areia ou outro abrasivo, prática proibida pelos danos à saúde dos trabalhadores – principalmente por causar silicose, danos aos pulmões. O uso de areia também passou a ser controlado, porque essa extração mineral era feita de forma ambientalmente agressiva. A tecnologia atual é de jateamento úmido, com água sob alta pressão. “Isso exigiu desenvolver tintas compatíveis com a pintura de superfícies molhadas, pois a pintura precisa ser feita imediatamente após o tratamento inicial”, explicou. “Lançamos, de forma pioneira, o Duraplate 301, com teor de sólidos de 100%, exatamente para isso.”

Silva comentou que tanto a área marítima quanto a protetiva (usada em refinarias, por exemplo) preferem os primers com alto teor de sólidos e os de base água, atestando a crescente preocupação ambiental. “A Petrobras, por exemplo, exige tintas com pelo menos 80% de sólidos”, informou. A aplicação de tintas com essa característica exige tecnologia específica. “É preciso ter certeza de que o aplicador está capacitado para usar esses produtos, sob o risco de não se obter uma pintura adequada”, salientou.

A seleção do primer depende do projeto em execução. Em geral, são preferidos produtos multifuncionais, capazes de conferir secagem rápida, aceitar aplicação sobre superfície úmida e proporcionar elevada aderência ao substrato. “O mercado prefere primers de alta espessura de camada e que tolerem qualquer tipo de tratamento superficial”, considerou Silva.

Química e Derivados, PPG, Marine Drydock. Pintura nova é realizada em doca seca e oferece longa vida útil ao navio
Pintura nova é realizada em doca seca e oferece longa vida útil ao navio

Ele também explicou que o primer precisa cobrir uniformemente toda a superfície a ser protegida, inclusive as quinas, pontos considerados críticos, pois a tendência é que a camada de tinta aplicada fique muito fina. “Temos uma tinta edge retentive, que garante pelo menos 75% da espessura da camada nas quinas, dispensando as operações complementares para arredondar os cantos para segurar a tinta; isso acelera muito a execução do serviço”, comentou.

A Sherwin-Williams também desenvolveu o Macropox 80, um epóxi especialmente formulado para curar sob baixas temperaturas. “A cura abaixo de 10°C é problemática para os epóxis, mas conseguimos ter bons resultados a -18°C, permitindo que estaleiros possam funcionar mesmo durante invernos rigorosos”, explicou Silva.

Machado, da International, informou que a companhia retirou de todas as fórmulas de seus produtos anticorrosivos os metais pesados. “Além disso, reduzimos o teor de solventes orgânicos em algumas formulações, caso do Intershield 300HS, padrão de mercado no segmento”, comentou. Também foi introduzido no mercado brasileiro o Interplate Zero, shop primer base água. A AkzoNobel vai investir cerca de € 2 milhões para montar em São Paulo um laboratório central analítico de polímeros para atender à demanda de todas as suas unidades. “Esse laboratório terá capacidade para realizar testes e pesquisas que só podem ser feitos nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa”, informou. A empresa também estuda parcerias de P&D no Rio de Janeiro para trazer novos benefícios a seus clientes.

Richter, da Weg, ressaltou que a definição dos esquemas de pintura é feita por quem contrata o projeto, variando conforme o grau de agressividade do meio ou a utilização da embarcação. “Há muito diálogo entre o Cenpes da Petrobras, a Transpetro e os fabricantes de tintas, com o objetivo de tornar os produtos mais eficientes, menos agressivos ao ambiente e também melhorar seu rendimento e aplicação”, comentou.

Richter apontou vários desenvolvimentos recentes, a exemplo das tintas de acabamento feitas de poliureia, que aliam proteção ao intemperismo à proteção anticorrosiva. Também a tecnologia epóxi-novolac oferece proteção química e anticorrosiva superior à dos epóxis tradicionais. “A adição de elementos, como flocos cerâmicos ou de vidro, à formulação aumenta significativamente a impermeabilidade do filme, aumentando a proteção ao substrato”, explicou. A Weg investe no desenvolvimento de produtos base água. Já estão disponíveis o Wegpoxi Hidro ERP 303, primer epóxi com as mesmas características do conhecido N2630, e o Wegzinc Hidro HPH 905, shop primer rico em zinco e com resistência à solda.

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2 Comentários

  1. Como anticorrosão eu sugiro a quitosana, vários trabalhos tem utilizado a quitosana como um inibidor de corrosão poderoso e “green” como queremos mesmo, ecológico. Além disso a quitosana é um polissacarídeo abundante encontrado nos exoesqueletos dos crustáceos e até da barata (argh). Vale a pena, afinal de contas, não é a toa que os crustáceos ficam lá imersos naquela água salina e ainda com diferentes pressões dependendo do lugar e a quitina resiste sem deixar os bichinhos peladinhos rs – Monica, Eng. Quimica.

    1. Monica, achei muito interessante seus comentários!!
      Me diga onde encontro a Quitosana ?? Qual a porcentagem recomendada e sobre que matéria prima ??
      Muito obrigado pela atenção !!

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