Tintas e revestimentos: Copa e eleições esquentam o clima dos negócios com pigmentos sustentáveis

Os amarelos fabricados no interior de São Paulo são originalmente ocres, bem fechados, com tonalidades que vão do esverdeado ao avermelhado. O pigmento Bayferrox 910 LOM (baixa absorção de óleo e micronizado) é o mais limpo da linha, segundo Tânia. “Essa é a demanda atual, ajudando a substituir outros pigmentos como cor de fundo”, explicou. Foi lançado na Abrafati 2013 e encontra boa procura no Brasil e no exterior, para onde vai cerca de 60% da produção de Porto Feliz.

Para atender a demanda por laranjas, a empresa oferece o Bayferrox 943, óxido especial amarelo avermelhado (de hidro-hematita), o único laranja do portfólio da Lanxess. “Além dele, pode se obter essa cor pela mistura de pigmentos vermelhos e amarelos”, explicou.

Além de serem mais resistentes que os orgânicos, os pigmentos de óxido de ferro não migram para a parte superior da película seca, onde poderiam sofrem lixiviação. “Todos os contaminantes que poderiam causar eflorescência são removidos no processo de produção por meio de lavagens e do controle operacional apurado”, explicou a especialista. Os vermelhos também resistem muito bem à umidade, sem alterar a cor.

A linha de pigmentos da Lanxess pode ser utilizada em todos os tipos de tintas, mesmo as curáveis sob alta temperatura. Os vermelhos Laux são estáveis até 600ºC. Além disso, a companhia oferece a linha Colortherm para aplicações mais exigentes em temperatura, porém elaborada com ferrita de zinco e óxido de manganês.

Química e Derivados, Tânia: linha de inorgânicos atende a todas as aplicações
Tânia: linha de inorgânicos atende a todas as aplicações

Sustentabilidade – Na indústria de tintas, os pigmentos são conhecidos pelo consumo de energia e de tempo na sua preparação. Alguns tipos podem ficar horas a fio na moagem para atingir a granulometria adequada, que lhe permitirá a máxima expressão da cor. Essa é a chamada etapa de “abertura” do pigmento. No esquema clássico de produção, os moinhos eram o gargalo das fábricas de tintas, limitando acréscimos de capacidade.

“As tintas decorativas usavam muito pigmento em pó, hoje ninguém quer mais isso”, disse Peres. “Quem mudou para produtos de fácil dispersão ou pré-dispersos, não volta mais.” A Clariant oferece aos seus clientes a linha ED (de easily dispersible), proporcionando a eles economia de tempo e de energia, ao dispensar a etapa da moagem. Segundo o gerente, a linha ED ainda precisa ser mais divulgada no Brasil, porque os fabricantes de tintas possuem moinhos e resistem a deixar de usá-los. “A alternativa mais sustentável para o setor são os produtos secos de fácil dispersão”, confirmou.

“As demandas atuais dos clientes quanto aos pigmentos podem ser resumidas em dispersão e umectação”, resumiu Tânia Moreno. Atualmente, os fabricantes de tintas fazem as suas dispersões ou as compram dos grandes dispersadores, categoria de cliente que está em fase de crescimento no Brasil. “Quando um cliente encontra problemas de dispersão, contactamos o laboratório da Alemanha para orientá-lo a resolver o problema”, disse.

A Lanxess entrega seus pigmentos na forma de pó, ou moídos ou micronizados. Os marrons nacionais da empresa, por exemplo, só são fornecidos micronizados. “Os óxidos de ferro apresentam dispersão muito mais fácil que a dos orgânicos, alguns tipos podem até mesmo dispensar a moagem”, disse Tânia. Em compensação, a forma moída é a preferida na América Latina. “Estamos colocando aos poucos o micronizado na região”, salientou.

Em outra abordagem de negócios, a Clariant reforçou sua atuação no fornecimento de concentrados de cor para sistemas tintométricos. Aliás, a companhia também passou a oferecer equipamentos para esses sistemas, desde a compra da fabricante italiana Italtinto. “Somos o único produtor totalmente verticalizado de pigmentos e colorantes, isso nos permite fazer alguns ajustes em todas as etapas do processo para alcançar o resultado desejado pelo cliente”, afirmou.

Com mais de 30 bases coloridas, a companhia consegue elaborar uma paleta com milhares de cores, conforme as necessidades de mercado. “Produzimos um conjunto de concentrados adequado às tintas de base fabricadas pelo cliente e o software do equipamento tintométrico gerencia a elaboração da cor desejada”, explicou. Alterações que venham a ser feitas nas tintas de base precisam ser informadas e avaliadas pela Clariant, para que o resultado final seja idêntico ao esperado.

Para evitar erros de manipulação, a Clariant entrega os concentrados aos clientes em embalagens com capacidade volumétrica adequada para colocação direta nos equipamentos.

Segundo Peres, a aceitação do sistema tintométrico fornecido pela Clariant foi grande em toda a América Latina, incluindo o Brasil. “Na região, o consumo de tintas feitas nas fábricas é de 80% e das preparadas nas lojas é de 20%, mas estas tendem a crescer”, considerou. “Na Europa, 80% das tintas são misturadas nas lojas e nos Estados Unidos essa participação chega a 90%.” Ele admite que as tintas coloridas custam mais caro, pela adição dos pigmentos, mas defende que os preços entre os produtos batidos nas lojas e os feitos em fábricas tende a se aproximar.

Atenta à evolução da demanda, a Clariant abriu em Frankfurt (Alemanha) seu centro de inovação, reunindo estudos de todas as áreas de negócio da companhia. “A ideia é pensar no futuro, olhar à frente, não só em pigmentos, mas de forma ampla para identificar necessidades e soluções”, finalizou.

A Colormix está se preparando para lançar, ainda em 2014, sua linha de dispersões pigmentárias base água, cuja fábrica está em fase final de construção, como informou Cristine Lopes Camargo. “Em março, mudamos para uma nova sede, com estrutura mais adequada para oferecermos suporte total aos clientes, com técnicos especializados nas diferentes aplicações e novos equipamentos de laboratório”, destacou.

Também neste ano, a Colormix firmou contrato para ser o braço comercial no Brasil da fabricante de dióxido de titânio Titanos. E está colhendo os frutos das parcerias anunciadas no ano passado, durante a exposição da Abrafati: a linha de pérolas naturais da Ruicheng, pigmentos orgânicos de alta performance da Synthesia, entre outros, que completam seu portfólio e ampliam seus negócios.

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