Tintas e revestimentos: Copa e eleições esquentam o clima dos negócios com pigmentos sustentáveis

Sem chumbo – Eliminado das tintas decorativas, o chumbo ainda resiste nas linhas automotivas e industriais, mas tende a ser banido destes segmentos também. “As tintas podem ser formuladas sem a necessidade de usar cádmio, chumbo ou cromo, pois os pigmentos orgânicos os substituem”, disse Peres. No caso das tintas automotivas, como as grandes fabricantes de tintas originais (OEM) já baniram os metais pesados, estes continuam sendo usados por pequenos fabricantes das linhas de repintura, exatamente na situação em que os danos à saúde laboral são mais evidentes.

Para conferir cores azuis, por exemplo, a Clariant indica as ftalocianinas, bem conhecidas dos formuladores de tintas. “Algumas famílias orgânicas apresentam uma variação de disponibilidade por temporada, às vezes faltam os violetas, às vezes outra cor”, comentou. Na virada de cada ano, as pressões de custos crescem, mas o mercado resiste aos aumentos de preços, considerou. “É melhor produzir aqui do que importar, temos mais flexibilidade e não precisamos esperar 60 dias para receber o material, como acontece com os importados”, disse.

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Os pigmentos de óxido de ferro também se apresentam como alternativa para substituir o cromato de chumbo em tintas. “O óxido de ferro apresenta elevada resistência ao intemperismo e à luz, com alta estabilidade térmica, sendo inerte aos seres vivos”, explicou Tânia Regina Moreno, técnica de aplicação de pigmentos inorgânicos da Lanxess. “Apesar disso, ele não apresenta a mesma tonalidade e o mesmo brilho obtidos com os metais pesados, mas pode compor um fundo adequado para ser complementado por orgânicos, reduzindo a sua dosagem.”

Segundo Taíse Ayres Mendes, o segmento de tintas absorve mais de 30% das vendas da divisão no Brasil. “Desse percentual, quase 60% é direcionado para tintas decorativas imobiliárias”, afirmou. O maior consumidor dos pigmentos de óxido de ferro, não muito distante das tintas, é a coloração de concreto em construções.

Os óxidos de ferro apresentam cores que variam de amarelo a vermelho, obtidos em processos industriais adequados. No Brasil, a fábrica de Porto Feliz-SP se especializou nos pigmentos amarelos, exportando-os para outros países, enquanto importa os vermelhos de outras unidades fabris da companhia. A unidade nacional também produz alguns tipos pretos (com subtons amarelados a azulados) e marrons, dentro da linha Bayferrox.

Tânia Moreno comentou que os pigmentos de óxidos de ferro e de cromo são perfeitamente compatíveis com todos os orgânicos, permitindo compor com eles um resultado final adequado, com alta estabilidade. “Temos parceiros que produzem os orgânicos e eles fazem as misturas para suprir os clientes do segmento de tintas”, explicou.

Produção asiática – Embora defenda fabricação local, Peres aponta a Ásia como a atual “Meca” dos pigmentos, o lugar onde se fazem presentes todos os produtores mundiais relevantes. “Em setembro, a Clariant comprou a JMC, de Jaingsu (China), detentora de ampla linha de orgânicos de alto desempenho, com ênfase nos violetas, e reforçou sua presença na região”, informou. Ele salientou que essa fábrica atenderá o mercado asiático, sem afetar os negócios na América Latina, ao menos por enquanto.

A Lanxess constrói em Ningbo, China, uma fábrica para produzir 28 mil t/ano de óxido de ferro vermelho pelo processo Penniman, mediante investimento de 55 milhões de euros, para iniciar a produção em 2015. As unidades de produção na Alemanha e em Porto Feliz usam o processo Laux. “O processo Penniman gera um vermelho muito limpo, ou seja, puxando para o amarelo, enquanto o Laux dá um vermelho azulado, classificado como sujo”, explicou Tânia Moreno. Segundo explicou, os vermelhos limpos são os mais desejados pela indústria de tintas e seu uso é crescente no mundo, por isso a importância de contar com uma unidade Penniman na companhia.

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