Tintas e revestimentos: Consumo OEM volta a crescer

Consumo OEM volta a crescer enquanto setor se prepara para o desafio dos carros elétricos

O volume de vendas de tintas automotivas originais (OEM, consumidas pelas montadoras) deverá crescer entre 6% e 7% em 2023, acompanhando a projeção do aumento da produção de veículos.

A fabricação de tintas para ônibus poderá avançar um pouco mais de 2%, já que não se prevê neste ano uma demanda mais forte por veículos de transporte urbano.

O segmento de repintura segue o crescimento da frota circulante, devendo ter uma expansão próxima de 2,5%.

Esse panorama do mercado das tintas automotivas no Brasil é traçado por Francisco Rácz, sócio da consultoria Rácz, Yamaga & Associates.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de veículos em 2022 teve alta de 5,4%, com 2,37 milhões de unidades fabricadas.

Para 2023, contudo, a entidade especula que o cenário será desafiador no campo dos ônibus e caminhões.

Rácz pondera que as projeções de crescimento de vendas de tintas OEM são mais otimistas que a expansão projetada para a economia nacional.

Tintas e revestimentos: Consumo OEM volta a crescer ©QD Foto: iStockPhoto
Rácz: demanda por carros novos ainda está reprimida no Brasil

“Ainda há uma demanda interna reprimida por veículos de períodos próximos e anteriores à pandemia, além da gradual recuperação das exportações. As vendas de tintas OEM estão projetadas com um crescimento de 6% ao ano para os próximos 5 anos. A repintura seguirá o aumento da frota (entre 2% e 2,5% ao ano). Mais a longo prazo, a repintura deverá crescer menos que a frota, devido à diminuição da sinistralidade no trânsito. A pintura de ônibus deve se expandir cerca de 3%, puxada pela gradual renovação das frotas urbanas”, estima.

Washington Yamaga, sócio da consultoria, avalia que a preferência do consumidor pelo glamour do veículo, aparência e cores personalizadas, vai continuar.

“Cabe à indústria de tintas oferecer a tecnologia certa para melhorar o visual e a durabilidade. No caso da repintura, a busca é sempre pelo reparo invisível e durável. A natureza química das diversas plataformas pode variar, mas muito importante como tendência tecnológica é servir modelos mais avançados de mercado produzidos localmente ou importados, com o uso intenso de máquinas preparadoras de tintas, em detrimento das cores prontas de fábrica, com óbvios ganhos de produtividade, qualidade e redução do desperdício e menores danos ambientais. A resposta da rede de reparação com serviços e tecnologia é fator de confiabilidade”.

Por falar em danos ambientais, Yamaga frisa que a crise climática é um aspecto prioritário da sustentabilidade também na indústria de tintas.

“O setor se posiciona globalmente entendendo que esta é uma oportunidade de crescimento e uma forma de reduzir riscos”, salienta.

Nos novos tempos que se avizinham, os carros elétricos ou híbridos terão impacto no desenvolvimento de tintas, seja para as montadoras, seja na reparação, ressalta Yamaga:

“O importante é lembrar que as tintas têm a habilidade de pintar diferentes substratos em cores diferentes e com performance funcional”, diz.

Desafios e oportunidades já despontam no horizonte.

“A necessidade de reduzir o peso dos veículos para aumentar a autonomia das baterias pode exigir tintas pintáveis em estruturas mais leves e com menor espessura”, exemplifica Yamaga.

E haverá demanda por tintas que possam proteger os componentes elétricos e eletrônicos dos veículos contra a corrosão, a umidade, o calor e as interferências eletromagnéticas.

“Buscam-se tintas que possam melhorar a eficiência energética dos veículos, como as que possuem propriedades termorreguladoras, fotovoltaicas e outras funções, dando preferência para tintas que sejam sustentáveis e ambientalmente amigáveis, como as que utilizam sistemas base água, materiais reciclados ou biodegradáveis”, aponta.

Tintas e revestimentos: Consumo OEM volta a crescer ©QD Foto: iStockPhoto
Yamaga: carro elétrico precisa de outras formas de proteção

“A tendência de personalização e diferenciação dos veículos pode estimular o uso de tintas com cores e efeitos especiais, como as que mudam de cor, brilham no escuro ou imitam texturas. Também haverá necessidade de adaptar as tintas às novas formas e materiais dos veículos, como os que possuem superfícies curvas, transparentes ou flexíveis em diferentes substratos”.

Yamaga considera ainda que a evolução das tecnologias de aplicação das tintas pode tornar o processo mais rápido, preciso e sustentável, como os sistemas de pintura compactos, a eletrodeposição catódica multisubstrato ou os vernizes sem solventes ou água.

Quando o assunto são as tintas preferidas no base coat e top coat OEM e repintura (PU, alquídicas, poliéster etc.), Yamaga reforça que as diversas plataformas de tintas originais e de repintura continuam evoluindo para tecnologias mais sustentáveis.

“A preferência segue em direção à sustentabilidade que implica a modificação da tecnologia e serviços”, diz.

Empresas – Diretor de tintas automotivas da Basf para a América do Sul, Marcos Fernandes afirma que o setor automotivo foi um dos mais impactados pela pandemia e vem apresentando uma curva de recuperação mais lenta do que a prevista anteriormente.

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Fernandes: consumo de energia na aplicação precisa baixar

“Acreditamos que, no Brasil, ainda levará pelo menos mais um a dois anos para retomar o nível de produção que tínhamos em 2019. O cenário de inflação e taxa de juros certamente impacta a dinâmica das transações e é um ponto de atenção para todos”.

A Basf atua no segmento OEM, fornecendo tintas para os principais fabricantes de veículos e caminhões no país, como Volkswagen, Stellantis, GM, Mercedes-Benz, e para diversos fornecedores de peças plásticas e metálicas.

Produz mais de 2.300 cores para a pintura de automóveis em todo o mundo e a cada ano desenvolve cerca de 400 cores novas.

O gerente de desenvolvimento de negócios da Axalta Brasil, Sérgio Pereira, observa que o comércio começou se recuperar gradualmente no segundo semestre de 2020 e os sinais de melhoria continuam, impulsionados pela retomada gradual das vendas de veículos.

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Pereira: demanda quer tintas mais duráveis e sustentáveis

“Além disso, há demanda por tecnologias avançadas, como as tintas de alta durabilidade e as com menor impacto ambiental. As empresas estão investindo cada vez mais em pesquisa e desenvolvimento para atender às necessidades dos consumidores em relação à qualidade e sustentabilidade das tintas”. Uma das principais fornecedoras mundiais de tintas líquidas e em pó, a Axalta tem “papel fundamental na pesquisa de tendências e compromisso de ser fonte em pesquisas e no desenvolvimento de tecnologias avançadas em tintas automotivas”.

O diretor de revestimentos automotivos (OEM) da PPG, Marcelo Zanete, projeta um dígito de crescimento.

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Zanete: cadeia robusta de suprimentos apoia produção

“Tanto para a comercialização de comerciais leves quanto de pesados, o cenário permanece desafiador, principalmente pela falta de componentes, e impactado pelas taxas de juros mais elevadas”.

Ele observa, no entanto, uma crescente demanda para o desenvolvimento de soluções sustentáveis, fortemente conectadas com redução de consumo de energia e água, além da descarbonização, para atender a cadeia produtiva automotiva de ponta a ponta.

A corporação dispõe de tecnologias para todas as camadas de pintura, incluindo adesivos e selantes, tratamento e proteção dos substratos (pré-tratamento e eletrodeposição), cores e vernizes.

Exibindo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), a gerente regional de negócios – repintura automotiva (VR) para América do Sul da AkzoNobel, Viviane Martins, informa que o comércio de tintas automotivas cresceu apenas 1% em 2022.

“Em contrapartida, vem mostrando sinais de maior crescimento e busca de tecnologias melhores na área de reparação de veículos, motivados, principalmente, pela valorização do usado devido ao alto custo do carro zero.”

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Viviane: carros autônomos exigirão cuidados especiais

“Toda vez que o custo de aquisição do carro novo fica mais alto, o seminovo valoriza demais, o que traz mais oportunidades para a repintura, já que renovar o carro e cuidar dos pequenos reparos é melhor, mais vantajoso do que trocá-lo. Quanto ao transporte público, o retorno das atividades presenciais também ajuda o ramo de repintura”, argumenta.

Com as marcas Sikkens, Wanda e Autocoat BT, a AkzoNobel é uma das líderes mundiais no fornecimento de tintas e serviços para reparação de veículos.

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Santos: repintura pode contar com sistemas curáveis por UV

A percepção do diretor técnico e de novos negócios da SQ Química, Rafael Santos, é de que, “desde o final de 2022, há uma preocupação e um pessimismo bastante crescentes na repintura. Há uma notável queda no consumo e isso se estende também para os diversos tipos de aplicações. Por isso, 2023 será de grandes desafios para a indústria de tintas de uma maneira geral. Estamos tendo um primeiro semestre retraído e com grandes dificuldades nas mais diversas áreas de distribuição de produtos químicos para tintas”.

A SQ trabalha na distribuição de produtos químicos, buscando inovações e tendências no comércio mundial.

Para Viviane, o ambiente comercial no Brasil para o setor varejista deverá seguir desafiador.

A inflação continuará pressionada, forçando os juros e impedindo um crescimento econômico robusto.

Fatores externos, como a guerra na Ucrânia, também jogam contra, sem contar o alto endividamento das famílias, que contribui para segurar o consumo.

Em contrapartida, a AkzoNobel alimenta boas expectativas para a repintura automotiva, uma vez que os altos juros e restrições de peças dificultam a aquisição de veículos novos, motivando os consumidores a investir na manutenção dos usados.

Olhando mais no longo prazo, Fernandes está otimista com o futuro do mercado nacional, pois vê “um grande potencial a ser explorado, inclusive com a retomada de investimentos, entrada de novos fabricantes e introdução de novas tecnologias, como a eletromobilidade”.

Zanete afirma que o objetivo a curto e médio prazo é retomar a rentabilidade, fortalecer ainda mais as parcerias com clientes e fornecedores, bem como acompanhar a recuperação dos negócios globais e o impacto no ramo automotivo.

“Nesse sentido, pelo fato de a PPG estar presente em mais de 70 países, desenvolvemos uma cadeia integrada de suprimentos robusta e estamos preparados para atender as demandas nos diferentes mercados; no longo prazo, acredito em uma retomada do segmento automotivo acima dos dois dígitos”.

Com expectativas conservadoras a curto e médio prazos, Santos se mostra bastante confiante no longo prazo:

“A SQ Química acredita no país e nos avanços que teremos depois desse período de turbulência. Prova disso é o nosso constante avanço em investimentos, mesmo em um cenário negativo como o atual. Nossos patamares de crescimento nos últimos cinco anos foram muito positivos e, mantendo nosso nível de trabalho e dedicação, temos a certeza de que continuaremos a crescer e a oferecer inovações para tintas”.

“A Axalta trabalha de acordo com as informações e projeções do mercado e, principalmente, das entidades e associações do setor. Nesse cenário macro de inflação e altas taxas, entendemos que tudo é uma questão de planejamento, e estamos seguindo com as produções dentro da capacidade instalada”, expõe Pereira.

Crise climática – Fernandes, da Basf, declara que o segmento de tintas para automóveis vem buscando reduzir a geração de VOC, com fortes investimentos na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias e soluções voltadas à diminuição do uso de solventes orgânicos, substituindo-os por água.

Os produtos à base de água ou à base de solvente com baixo VOC estão entre as principais inovações.

Além de contribuírem com a redução da emissão de solventes para a atmosfera e, consequentemente, menor toxidade, apresentam também melhores condições de aplicação, pois apresentam rendimento superior quando comparados aos sistemas convencionais, devido à maior quantidade de sólidos (cargas e pigmentos) presentes.

“A redução do consumo de energia no processo de aplicação é fundamental. O Processo Integrado II, por exemplo, reduz investimentos e custos operacionais, economiza material e energia, e melhora a balança ecológica, além de aumentar a produtividade. Primers e basecoats são aplicados conjuntamente para eliminar os ciclos de estufa, mantendo os padrões de qualidade. O Processo Integrado II traz vários ganhos de eficiência na linha de pintura, como: redução de energia primária de até 20%; redução de emissões de CO2 até 20%; redução de resíduos até 25% e redução de consumo de tinta até 25%”, acrescenta o executivo da Basf.

A AkzoNobel desenvolve diversas iniciativas para contribuir no combate aos efeitos da crise climática, como o tratamento de toda a água usada no processo de produção, que é reutilizada ou devolvida ao meio ambiente, indica Viviane.

“A organização também mantém trabalho constante de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e uso de matérias-primas. Foi a primeira do ramo de repintura automotiva da América Latina a remover o chumbo dos produtos; tem pesquisas para uso de solventes de fontes renováveis; oferece sistema de pintura à base de água, que apresenta um aspecto sustentável para as oficinas devido à baixa emissão de solventes para a atmosfera. Há também oferta de produtos de secagem mais rápida no processo em estufa, com o ciclo de reparo feito em menor tempo, reduzindo o consumo de energia”, salienta.

Em fevereiro, lançou a Academia de Repintura Automotiva, uma plataforma de conteúdo on-line aberta a todas as oficinas e profissionais, adiciona Viviane.

Pereira manifesta que “a Axalta tem uma estratégia clara para reduzir seu impacto ambiental, desde a gestão de resíduos até a redução do uso de água e energia nas instalações. Também se dedica a fornecer soluções de pintura mais sustentáveis, como tintas de alto desempenho e baixo VOC, que oferecem maior durabilidade, resistência a riscos e corrosão, e menor impacto ambiental, ajudando as oficinas a reduzir o próprio impacto ambiental”.

A Axalta definiu uma série de metas para alcançar até 2030. “Redução de 10% nas emissões de VOC, resíduos de processo e uso de água nas operações da empresa. Além disso, está trabalhando para alcançar uma redução de 35% nas emissões de CO2 na cadeia de valor até 2024 e uma redução de 50% até 2030. Para alcançar essas metas, está investindo em tecnologias inovadoras, como a pintura em pó com cura UV, que reduz significativamente as emissões de VOC”, sublinha Pereira.

Zanete explica que cada cliente tem um processo específico, que pode ser impactado de forma distinta no quesito sustentabilidade.

“Os processos compactos, combinados com as tecnologias base água e baixa cura, proporcionam reduções significativas de investimentos nas instalações, de custos operacionais e no tempo de ciclo. As tecnologias automotivas OEM da PPG, se combinadas, podem reduzir, em média, 25% do consumo de energia no processo dos clientes. E essa é uma porcentagem bem expressiva”.

O diretor de repintura automotiva e revestimentos protetivos e marítimos da PPG, Fabrício Vieira, adiciona que se investe muito em sistemas de alta tecnologia para repintura.

“A sustentabilidade tem desempenhado um papel importante. A companhia é pioneira na introdução de produtos com baixo teor de VOC, estando à frente no desenvolvimento de tecnologia à base de água, uma opção segura para o meio ambiente, para o profissional e que proporciona produtividade e ganho financeiro para todos os mercados”.

Santos divulga que “a SQ Química nasceu com um conceito forte no desenvolvimento de produtos sustentáveis. Somos dedicados a tecnologias livres de solventes e emissão de VOC. Prova disso são as resinas sólidas livres de solventes, os diluentes reativos e, principalmente, os aditivos. Outra linha bastante importante no quesito sustentabilidade são os pigmentos anticorrosivos, que promovem melhor performance e substituem produtos largamente utilizados que agridem o meio ambiente e os operadores, tanto na produção quanto na aplicação”.

A companhia está investindo em qualificação profissional e no desenvolvimento e inovação tecnológica de produtos. No início deste ano, o laboratório de aplicação ganhou mais espaço, técnicos e máquinas para testes avançados. Mas, há uma aplicação que Santos julga ser muito promissora para os próximos anos: a repintura automotiva curada por luz UV-LED.

“Uma das principais vantagens a destacar nessa aplicação é a agilidade dos reparos, uma vez que a cura de cada camada sai de horas, no sistema convencional, para segundos/minutos no sistema UV-LED. Isso porque a cura completa é praticamente instantânea, o que reduz o gargalo operacional necessário para secagem completa quando o sistema é solvente ou mesmo base d’água. As vantagens não param por aí. Não são gerados VOC, nem liberados solventes na atmosfera por se tratar de um sistema 100% sólido e sem perdas. Caso seja aplicada uma camada de x micrômetros, serão encontrados no substrato os mesmos x micrômetros, sem qualquer perda do produto”.

Tecnologias – A AkzoNobel trouxe para o Brasil o sistema de pintura à base de água Autowave 2.0, tecnologia utilizada mundialmente que atende à rigorosa legislação de VOC (compostos orgânicos voláteis) da Europa.

“Há ainda uma nova geração de primers e vernizes que visam menor consumo de material e tempo de secagem mais curto, que em breve estarão disponíveis. Para o futuro, há a pesquisa de acabamentos para os carros com novas tecnologias, como os veículos autônomos, que devido aos sensores mais modernos e sensíveis, exigirão cuidados especiais na reparação”, informa Viviane.

Como aduziu, também há ferramentas digitais para busca de cores automotivas, que trazem contribuições significativas.

“A acuracidade das cores é um ponto chave em repintura; a seleção rápida e correta é fundamental para não impactar a produtividade da oficina e contribuir para uma reparação de qualidade. Com o programa Mixit e o espectrofotômetro Automatchic Vision a seleção é mais precisa, poupando material na preparação e ajuste, e reduzindo o tempo total necessário para o processo, quando comparado ao sistema convencional”.

Zanete enfatiza que, para o setor automotivo OEM, a PPG desenvolveu tecnologias que oferecem redução de consumo de água, energia e emissão de VOC, permitindo a compactação dos processos de pintura para novas instalações (green field) ou instalações existentes a serem modificadas (brown field).

Além disso, cita o sistema de pintura over-spray free para aplicações em veículos bicolores, que possibilita ganho de tempo e otimização do processo.

“O grupo tem apresentado globalmente os revestimentos funcionais ao mercado de veículos elétricos a bateria (BEV). O objetivo é melhorar a segurança e o gerenciamento térmico destes equipamentos. Recentemente, lançou o primeiro programa de produção para revestimento de proteção contra incêndio de baterias. Exemplo: o PPG CoraChar SE 4000 é um revestimento intumescente, sem solventes em sua composição, que funciona como um escudo para o substrato da bateria, colaborando para minimizar os riscos internos. Ajuda a atender às crescentes regulamentações de segurança contra incêndio de veículos elétricos e de requisitos específicos de clientes, incluindo a otimização da espessura do revestimento, temperatura e taxa de queima”, complementa.

Tintas e revestimentos: Consumo OEM volta a crescer ©QD Foto: iStockPhoto
Vieira: precisão do MoonWalk reduz desperdício do produto

Na área de repintura, Vieira destaca o MoonWalk como o mais avançado misturador de tintas. “Ele oferece mais autonomia, agilidade e assertividade no processo de desenvolvimento das cores, além de reduzir significativamente o desperdício de produto. Vem com uma escala móvel 10 vezes mais precisa do que a escala padrão, leitor de código de barras e impressora de etiquetas”.

Fernandes ressalta que a Basf investe continuamente em inovações tanto dos produtos, quanto para a aplicação das tintas.

A novidade, lançada em maio de 2022 e já introduzida na Europa e na Ásia, refere-se às tintas automotivas que usam matérias-primas renováveis, de acordo com uma abordagem de balanço de biomassa certificada.

A proporção é atribuída a determinados produtos, segundo o método REDcert, um sistema de certificação para o uso sustentável de biomassa, que confirma que foram substituídas as quantidades de recursos fósseis necessárias.

Este basecoat permite cerca de 20% de redução na pegada de carbono do produto – número revisado por um consultor externo de sustentabilidade, e faz parte do portfólio de base bicamada ColorBrite, ColorBrite ReSource, que adiciona uma pegada de carbono reduzida sem a necessidade de alterar a formulação e o desempenho do produto.

Outro exemplo de inovação, segundo Fernandes, é a tecnologia de e-coat (KTL), que é uma camada aplicada na carroceria do veículo que dá a proteção contra ferrugem (oxidação das partes metálicas).

“CathoGuard 800 é à base de água, não contém metais pesados em sua formulação, oferece uma excelente cobertura e um alto poder de penetração nas partes internas da carroceria, o que possibilita uma proteção completa, utilizando até 20% menos tinta do que os produtos tradicionais. Além disso, possibilita uma economia de água no processo produtivo que pode variar entre 180 e 400 litros por carro produzido, dependendo da estrutura de produção de cada empresa”.

Ele também cita o verniz iGloss, que “oferece um acabamento de nível superior e é altamente resistente a arranhões, excrementos de pássaros e outras intempéries. Para os veículos autônomos, há tintas que evitam o bloqueio aos sensores LiDar, o que é fundamental para o correto funcionamento dessa tecnologia. Há ainda tintas que repelem a sujeira e reduzem a necessidade de lavagens constantes”.

Pereira difunde que a Axalta desenvolveu revestimentos Ecoat base água. “A linha Standoblue possui produtos com a tecnologia base água que entregam alta qualidade e desempenho nos serviços de repintura. Já para auxiliar na produtividade, fornece produtos com a tecnologia Tri-wet, que não necessita de tempo de espera de secagem entre primer e basecoat. Esse sistema está presente nos produtos non stop da linha Cromax. O primer e verniz non stop possuem secagem completa em até 30 minutos ao ar, sem a necessidade de lâmpada infravermelho ou cabine, o que é uma excelente vantagem em relação aos sistemas convencionais, porque agrega maior produtividade e economia às oficinas”.

A linha de produtos da SQ Química para o ramo automotivo “é um tanto quanto nova”, na definição de Santos. Uma vasta gama de aditivos é o carro-chefe.

“A grande novidade para 2023/2024 são os pigmentos metálicos de alta performance, além de um produto altamente técnico que é o Nano-TiO2 ultra fino, que combina excelentes propriedades de proteção a intempéries e oferece um efeito flip-flop único nas formulações”.

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