Tintas e Revestimentos: Consumo de chapas segue estável

Consumo de chapas pré-pintadas aponta variação no suprimento global de insumos

Ancorado em dois grandes mercados – construção civil e linha branca (eletrodomésticos) –, o segmento de formulações para chapas pré-pintadas (chamado coil coating) atravessou e bem a fase mais aguda da pandemia de Covid-19, época de muitas restrições no campo econômico, e agora apresenta desempenho com altos e baixos.

“No período de 2020 a 2021, houve um crescimento muito forte na demanda de matérias-primas para coil coating, em especial para os nossos anticorrosivos”, avalia Carlos H.S. Russo, diretor da Adexim-Comexim.

“Como distribuidores de insumos de alta qualidade para produtores destas tintas, é difícil identificar exatamente quais áreas foram as mais fortes, mas com certeza telhas para novos armazéns (logística), alguns eletrodomésticos, equipamentos industriais e embalagens foram grandes responsáveis pelo desempenho”, observa.

No entanto, ele admite que a realização de vendas, este ano, apresenta uma redução importante, quando comparado aos picos de 2020 e 2021, “mas está acima de 2018/2019”.

Para Flavio Jaconis, gerente regional de vendas de coil e packaging coatings da AkzoNobel para a América do Sul, houve, nos três últimos anos, “uma diminuição no ritmo de investimentos em construção (infraestrutura, aeroportos, fábricas, supermercados, comércio em geral); então, a linha branca ganhou mais relevância nos pré-pintados.

As pessoas ficaram mais tempo em casa e acabaram investindo em melhorias em seus lares, cuidados com pintura, decoração, conforto e adaptação de espaços para deixá-los mais funcionais”.

O gerente considera que, em 2022, o desempenho dos negócios está “muito igual ao vivenciado em 2021, não esperamos nada muito diferente da movimentação do ano passado”.

Tintas e Revestimentos: Consumo de chapas pré-pintadas segue estável ©QD Foto: iStockPhoto
Teixeira: foco da PPG está voltado para especialidades

Paulo Teixeira, diretor de revestimentos industriais para a América do Sul da PPG, ressalta: “Para a construção civil, dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) trazem uma estimativa de crescimento de 3,5% em geral este ano, e apontam para o setor de luxo uma alta de 1,5%, apesar do cenário de inflação e alta de juros.

Já no comércio de linha branca – o mais expressivo – houve queda de cerca de 24% de janeiro a maio de 2022, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Eletros (Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos).

“Diferentemente dos últimos anos, quando houve um crescimento acentuado, o cenário de 2022 apresenta desafios de crescimento, como a dificuldade de acesso a insumos, o aumento de custos e a elevação dos preços das commodities, além das restrições ao comércio internacional devido ao conflito no Leste Europeu.

A estes elementos externos somam-se a desvalorização da renda familiar, com a priorização de gastos com alimentos, energia e combustível e, consequentemente, adiamento dos gastos com eletrodomésticos pelos consumidores”.

Ele destaca que, “independente das estimativas de crescimento do setor, a PPG seguirá focada no plano de consolidação de suas soluções para coil, focando em especialidades, com o desenvolvimento de revestimentos ainda mais inovadores para a indústria.

Além disso, a presença da empresa dentro do amplo ramo de tintas e revestimentos industriais permite ter resiliência diante de cenários de alta ou baixa em alguma área específica, como essa variação na linha branca. Nesse sentido, a estimativa é crescer dois dígitos em relação ao ano de 2021, no setor industrial”.

Tintas e Revestimentos: Consumo de chapas pré-pintadas segue estável ©QD Foto: iStockPhoto
Silva: consumo de chapas prépintadas tem previsão de alta

Coordenador técnico da Colormix, Diogo Lima da Silva, é taxativo: “A demanda, em 2022, está menor do que a esperada; a alta de preços e a falta de insumos, afetaram o segmento de forma geral”.

Ele conjetura que a expectativa de vendas para coil coating seja levemente superior, em termos de resultados, este ano, em comparação com o exercício anterior.

Teixeira adiciona: “No atual cenário nacional de juros mais altos, com inflação perto dos 7,15% e queda da renda familiar, as vendas de eletrodomésticos sofreram uma retração de 19% de janeiro a maio de 2022.

Diante disso, as indústrias que fornecem para a subdivisão de eletrodomésticos e outros bens de consumo estão sofrendo com os seus custos operacionais.

No caso da PPG, ter um portfólio diversificado, contar com uma cadeia de suprimentos global e atuar em diferentes mercados são os principais fatores que amenizam este impacto e nos permite manter o ritmo dos negócios”.

O intricado cenário internacional, com inflação, juros e dólar em ascensão afetou, naturalmente, os custos das matérias-primas, independentemente de sua origem.

Tintas e Revestimentos: Consumo de chapas pré-pintadas segue estável ©QD Foto: iStockPhoto
Russo: guerra na Europa exige planejar bem os suprimentos

Russo diz que se nota, em 2022, “alguma redução na produção de coil coating, que coincide com a diminuição das vendas anunciadas em eletrodomésticos. De toda forma, o nível de comércio de matérias-primas está acima do período pré-pandemia (2018 /2019)”.

Jaconis indica que as margens não são altas e, com a inflação, escalada de custos em logística e demandas de oferta e procura nos últimos tempos, as empresas, sem exceção, tiveram que repassar, ainda que parcialmente, esses valores para se adequar às necessidades atuais.

“Pensando que utilizamos muitas matérias-primas importadas, cujo valor é diretamente impactado pelas variações de moedas e taxas cambiais, não era possível mitigar ou assumir totalmente esses custos extremamente significativos, uma escalada nunca vista, eu diria, nos últimos 30 anos neste campo. Adequações foram feitas para que nos mantivéssemos atuantes e competitivos”, acrescenta.

Silva faz uma leitura semelhante da realidade: “O aumento global de insumos, custos operacionais e logísticos, afetaram todos os segmentos. A pressão inflacionária, em combinação com o menor poder aquisitivo dos brasileiros, fez que o ritmo dos negócios fosse abaixo do inicialmente planejado”.

A guerra – Russo, da Adexim-Comexim, declara que “a guerra na Europa, provoca um aumento de custos de energia sem precedentes e alguma redução de consumo de coil coating naquela zona. Isso aumenta a disponibilidade de matérias-primas de alta qualidade para nossa região, muito impactada pelos custos crescentes.

O melhor planejamento com os clientes e a consequente otimização da logística têm sido fundamentais para minimizar estes impactos”.

Na opinião de Teixeira, da PPG, “o conflito entre Rússia e Ucrânia impacta, principalmente, o fornecimento de algumas matérias-primas oriundas do Leste Europeu, as quais são usadas pelas siderúrgicas nacionais para produzir aço e ligas. Especialistas pontuam que o principal desafio em 2023 e 2024 será justamente a escassez de insumos como aço, cobre, chips e microchips, essenciais para as indústrias”.

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Jaconis: aquisição da Orbis fortalece presença regional

Jaconis observa: “Nesses últimos tempos acompanhamos eventos que de alguma forma nos impactam, não somente a situação na Ucrânia, mas a pandemia e o congelamento no Texas, que se refletem na aquisição e na logística de matérias-primas, por exemplo. Isso, porém, não tem influenciado as demandas e o direcionamento desse mercado, que se adapta às suas necessidades. A AkzoNobel tem trabalhado fortemente para atender a clientela sem afetar as suas linhas de produção”.

Silva, da Colormix, reconhece que as incertezas na área internacional, potencializadas pela guerra na Ucrânia, atingem de alguma maneira “através de alta de preços, indisponibilidade de obter alguns insumos e maiores custos operacionais e logísticos. Além disso, a escassez de navios para a América do Sul provocou a falta de muitos itens essenciais para a produção”.

Mesmo quando se navega em meio a tempestades, o ramo de coil coating traça expectativas para futuros horizontes.

Russo comenta: “A Adexim-Comexim, distribui matérias-primas de alta qualidade para clientes que exigem este nível. No curto prazo, estamos ajustando os estoques para atender a indústria, sempre em alinhamento de previsões, de forma a minimizar custos para todos. A médio e longo prazos, estaremos disponibilizando anticorrosivos ecológicos, da SNCZ (França), que estão em crescimento no exterior e no Brasil”.

Jaconis salienta que, a curto prazo, não prevê “grandes oscilações” e que continuará “acompanhando as movimentações e cenários dentro e fora do país para, com agilidade, melhor se adaptar às necessidades”.

Considerando médio e longo prazos, ele avalia: “O potencial é muito grande e há possibilidade de crescimento no Brasil. Essa é a tendência para os próximos cinco anos”.

Silva informa que a Colormix busca a complementação contínua de seu portifólio de especialidades: “Estamos sempre em busca de soluções para os clientes. Esperamos, portanto, nos próximos anos, ter uma linha cada vez mais atrativa para geração de negócios e soluções técnicas para os parceiros”.

Já Teixeira afirma que, a curto prazo, devido à possibilidade de uma recessão global no que diz respeito ao fornecimento de algumas matérias-primas, “os esforços estão focados na linha de especialidades, como os revestimentos antivandalismo, que permitem uma limpeza mais fácil, os anti-impressão digital e os sustentáveis, capazes de reduzir a temperatura ambiente em até 20%, economizando energia. A médio e longo prazos, esperamos trazer mais inovações e expandir as capacidades de fornecimento atuais”.

Indagado sobre os planos e investimentos da Adexim-Comexim, Russo manifesta acreditar que “o mercado de produtos anticorrosivos ecológicos, deverá crescer continuamente, e assumir a maior parte destas matérias-primas. Estamos promovendo estes produtos e trabalhando na aplicação e aprovação técnica com os maiores produtores de coil coating. Também investimos na atualização de equipamentos de controle de qualidade, através de simuladores de envelhecimento (CUV) que aprimoram os testes em situações específicas e garantem a qualidade do produto”.

Segundo Silva, os planos e objetivos da Colormix Especialidades estão concentrados em aumentar a venda de insumos e matérias-primas para coil coating. Pesquisas recentes indicaram que a previsão de crescimento ficará em torno de 5% nos próximos cinco anos, principalmente na construção civil, como maior consumidor de revestimentos de bobinas.

Teixeira revela que a meta da PPG é continuar focando no segmento de especialidades, com os revestimentos de alto valor agregado, especialmente da linha Duranar, além do estudo de nacionalização de alguns produtos.

Jaconis afiança que coil coating “é uma das prioridades da AkzoNobel, que tem feito os investimentos necessários para continuar com a liderança nos próximos anos, inclusive estendendo essa ação para a América do Sul. Vale mencionar a recente aquisição do colombiano Grupo Orbis, forte na região Andina, que nos ajudará em várias frentes, incluindo incrementar substancialmente a participação no mercado de coils em seu território de atuação”.

A AkzoNobel N.V. concluiu, em abril deste ano, a aquisição do Grupo Orbis, empresa de tintas e revestimentos baseada na Colômbia, fortalecendo a posição de longo prazo da multinacional holandesa na América Latina. A intenção de aquisição havia sido anunciada em junho de 2021. Já está presente em dez países na América Central, América do Sul e Antilhas.

A transação inclui as marcas Pintuco (tintas e revestimentos), Andercol e Poliquim (resinas, emulsões, adesivos e especialidades químicas), Mundial (serviços de distribuição de tintas e produtos relacionados) e Centro de Serviços Mundial (serviços compartilhados).

O portfólio da Pintuco é formado por dois negócios, sendo 75% em tintas decorativas e 25% em revestimentos, oferecendo uma ampla gama de produtos em dez países, criando várias oportunidades de sinergias de receita.

Com sede na cidade de Medelín, o Grupo Orbis tem 2.700 colaboradores e oito unidades fabris, localizadas na Colômbia, Equador, Costa Rica, Panamá e Curaçao. São 100 anos de história e forte atuação em sustentabilidade e impacto social com a Fundación Pintuco.

Perfil – A Adexim-Comexim é representante da SNCZ (França), empresa de produtos anticorrosivos de alta qualidade e com produtos específicos para coil coatings tradicionais e ecológicos. Também atua, de acordo com Russo, no mercado de equipamentos e ensaios para envelhecimento acelerado (CUV), testando os produtos de coil coating expostos a diversas situações ambientais, e sua resistência à corrosão.

A AkzoNobel fornece, nas palavras de Jaconis, todos os produtos relacionados ao sistema. Ou seja, todos os acabamentos, como primers, top coatings e backers, disponibilizando as tecnologias atualmente existentes globalmente. A empresa divulga que é líder mundial em coil coating (e também na América do Sul).

A Colormix possui diversas especialidades. Da representada Eckart, oferece a ampla gama de pigmentos Silver Dollar (alumínios lenticulares), e também os alumínios lamelares.

No caso dos alumínios de alta performance, possui a linha Stapa HCP (High Chemical Performance), pigmentos encapsulados, com uma camada fina de polímero, que protege o pigmento da degradação e ataque químico.

Para a gama de pigmentos perolados sintéticos, as linhas Symic e Luxan, são recomendadas para promover brilho e cor ao coil coating. Importante salientar que a Eckart realiza todos os testes de controle de qualidade, de acordo com os métodos de teste para coil coating.

Para os pigmentos inorgânicos de alta performance, Silva cita os produtos da Vibrantz, como os azuis, amarelos, marrons, e preto.

“Temos também os aditivos/umectantes de alta performance da BYK, como Disperbyk 170, umectante/dispersante para o sistema base solvente, coil coating e tintas industriais; o BYK 399, aditivo livre de silicone indicado para tintas base solvente, para melhorar nivelamento e reduzir a tensão superficial; BYK 361N, aditivo com base de poliacrilato, indicado para prevenção de crateras e melhoria de nivelamento; BYK 310, aditivo indicado para alta redução de tensão superficial; e BYK 054, antiespumante livre de silicone, indicado para o segmento de tintas.”

De acordo com Teixeira, o portfólio da PPG para coil inclui uma ampla variedade de produtos desde os mais competitivos até os de alto desempenho, além de oferecer serviços técnicos e recursos de cores de classe mundial.

“A linha de mais alto desempenho é o Duranar, uma das soluções mais confiáveis, sustentáveis e especificas para a indústria da construção civil. Este produto é projetado para oferecer a mais alta durabilidade em termos de retenção de cor e resistência ao desbotamento, com aplicações arquitetônicas e monumentais, além de telhados metálicos e painéis de parede”, conclui.

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