Tintas e Revestimentos – Cliente industrial exige solventes eficientes, seguros e sustentáveis

A demanda por solventes por parte da indústria de tintas se manteve estável, até com crescimento no volume comercializado no país de alguns itens.

O feito pode ser considerado notável, levando-se em conta o fato de as economias dos países ocidentais permanecerem em forte contenção, sendo essa uma das causas apontadas para o pífio crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro, que pode não chegar sequer a 1% em 2012.

O setor de tintas e vernizes no país deve fechar este ano com aumento da produção volumétrica da ordem de 2%, registrando vendas de 1.426 milhões de litros, em estimativa da Abrafati.

A maior parte desse volume se refere às tintas decorativas imobiliárias, segmento que consome volume muito pequeno de solventes orgânicos, pois é dominado por formulações de látices (vinílicos, acrílicos ou modificados destes) em água.

Ainda persistem algumas tintas e vernizes com solventes para a pintura de metais e de madeira, mas sua substituição é crescente pelas linhas aquosas, com cheiro menos pronunciado, mais atraente para os clientes finais.

Química e Derivados, Tintas e Revestimentos, Gráfico - Vendas efetivas de solventes hidrocarbônicos
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Foi exatamente o segmento decorativo imobiliário que sofreu mais em 2012, com a queda na aceleração de vendas de imóveis. Para o setor de solventes, porém, como suas vendas estão mais relacionadas às tintas de uso industrial e repintura automotiva, as vendas cresceram em 2012.

É preciso considerar que o governo federal aumentou as alíquotas do imposto de importação de cem produtos, entre eles alguns solventes com fabricação nacional, como forma de ajudar os produtores locais a enfrentar a importação de excedentes internacionais, cujo volume disponível aumentou muito com a crise econômica global. Essa proteção se somou aos direitos antidumping obtidos no ano anterior contra importações lesivas de alguns solventes, especialmente aquelas oriundas dos Estados Unidos. É o caso da família dos glicóis, como o butilglicol.

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Essa proteção, no entanto, acabou saindo pela culatra. “Nós importamos butanol, que também entrou na lista, para fazer acetato de butila, mas essas proteções somadas acabaram por aumentar nossos custos”, explicou Adrianne Pedrosa, diretora global de marketing estratégico da Rhodia Coatis. “Como o preço para os clientes subiu, as importações de acetatos começaram a crescer, ou seja, essa política de incentivos não foi eficiente para a cadeia produtiva como um todo.”

Apesar disso, ela recomenda olhar com cuidado a questão da proteção à indústria nacional, uma vez que os mercados consumidores tradicionais estão deprimidos e o Brasil, que vinha crescendo em ritmo acelerado, tornou-se uma alternativa para absorver produtos químicos. Além disso, os custos de energia e logística conspiram contra os resultados das operações nacionais. “Somos competitivos em toda a América Latina, mas é importante proteger a produção; estamos no Brasil há muito tempo, basta ver o nosso site de Paulínia-SP, que acabou de completar 70 anos de operação contínua”, afirmou Adrianne.

A venda de solventes da Rhodia Coatis apresentou crescimento de vendas de 4% em volume durante 2012. “Foi melhor que 2011 e ficamos acima do PIB, comprovando o aumento da demanda pelos nossos oxigenados”, comentou. O faturamento também subiu, segundo informou, porém sem mencionar o seu valor. A linha de solventes oxigenados da empresa não foi atingida pelo acidente ocorrido em meados do ano na linha de intermediários de poliamida, tendo mantido sua produção regular durante todo o período.

As vendas da Coatis se dividiram em 40% para tintas e vernizes e 60% para outros segmentos, como adesivos, household, cosméticos, entre outros. Nas aplicações ligadas a tintas e vernizes, os principais clientes listados por Adrianne são ligados aos setores automotivo, industrial e de tintas de impressão de embalagens, nos quais o elevado desempenho técnico dos oxigenados é valorizado. O portfólio compreende seis famílias químicas (acetatos, cetonas, álcoois, glicóis, ceto-álcoois e cetais), abrangendo ranges de evaporação dos mais rápidos aos mais lentos, oferecendo também vantagens ambientais. É o caso do acetato de etila, com produção alimentada por etanol de cana, e da recente linha de produtos Augeo, derivada de glicerina, que pode substituir o agora caro butilglicol. “Os produtos Augeo estão consolidando mercados no Brasil e na América Latina, substituindo com vantagem os glicóis e seus acetatos de origem petroquímica, alguns dos quais agressivos à saúde humana e ao meio ambiente”, afirmou a diretora de marketing estratégico da Rhodia Coatis.

Dadas as dificuldades e custos crescentes para o abastecimento de insumos, a exemplo do butanol, a companhia começou a buscar fontes alternativas de suprimento. A linha Augeo usa glicerina de biodiesel. “Além disso, temos uma parceria com a Cobalt para a produção de bio n-butanol, derivado de bagaço de cana, que deverá resultar em uma fábrica no Brasil até 2015”, informou.

A Rhodia Coatis defende há anos o uso de blends de solventes sintéticos para a substituição dos hidrocarbônicos mais agressivos, como o tolueno, oferecendo aos clientes o Solsys, um programa que ajuda a formular um blend adequado para cada necessidade, com apoio da equipe técnica da companhia. “Trabalhar com sistemas solventes é melhor porque permite adaptação rápida às circunstâncias de mercado, formulando sempre produtos com melhor relação de custo/benefício”, afirmou.

As expectativas da Rhodia Coatis para 2013 indicam crescimento de vendas e faturamento sobre os resultados de 2012. “Ainda teremos um ano difícil, com forte concorrência, mas será melhor”, afirmou. Com sede no Brasil, a Coatis opera também nos Estados Unidos com derivados de etanol. Segundo ela, a perspectiva de aumento da produção de solventes sintéticos na América do Norte com base no gás de xisto (shale gas) não deve afetar os seus negócios por lá, com foco em insumos renováveis.

Pressão nos hidrocarbônicos – O mercado dos solventes hidrocarbônicos, obtidos no refino do petróleo ou em processos petroquímicos, segue sob forte pressão. “As restrições ambientais e de saúde ocupacional estão restringindo as vendas dos solventes hidrocarbônicos, especialmente dos aromáticos”, avaliou Ruy Ricci, diretor executivo do Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo (Sindsolv).

Ele explicou que o maior cliente desses produtos era a indústria de tintas, que apresenta crescimento de volumes produzidos a cada ano, porém usando menos hidrocarbônicos. “Antigamente, 60% do volume das tintas era solvente hidrocarbônico, hoje esse percentual caiu para 30%; em alguns casos, como nas tintas decorativas, isso foi a zero”, comentou. Mesmo nas linhas de produção de automóveis a situação é difícil, com o advento dos banhos eletrostáticos e das tintas base água. O aumento das exigências mínimas de qualidade das tintas acabou com as marcas inferiores que ainda usavam muito solvente hidrocarbônico.

O tolueno perdeu mercado por ser agressivo à saúde dos trabalhadores e também por ser consumido (cheirado), na forma de cola, por dependentes químicos. “Fizemos um grande e bem-sucedido trabalho em conjunto com entidades representativas dos clientes, como Abrafati, Associquim, Assintecal e Abiquim para encontrar uma saída razoável para o problema”, salientou Ricci. “A cola com tolueno foi substituída nas ruas pelo crack, infelizmente.”

Outro ponto que prejudicou a imagem dos solventes hidrocarbônicos foi o desvio de grandes volumes para adulteração da gasolina. Foi preciso fazer um trabalho radical de moralização do mercado, até mesmo com a denúncia às autoridades de notórios adulteradores de combustível. Mesmo assim, apenas com a autorização concedida pela ANP às petroquímicas para que elas passassem a formular gasolina foi possível controlar o problema, para benefício dos consumidores.

Além disso, desde o governo Collor de Mello, a atividade comercial dos solventes hidrocarbônicos passa por sucessivas reestruturações, algumas mais liberais outras mais restritivas. “O fato é que alguns cartórios e oligopólios foram extintos e a pressão ambiental e de saúde laboral aumentou; depois disso, o mercado dos hidrocarbônicos voltou a ter o tamanho de há dez anos”, considerou. Seus levantamentos, com base nos dados da ANP até junho de 2012, apontam um mercado interno desses solventes da ordem de 700 mil m³ em 2012, próximo ao montante registrado em 2011. Ricci comentou que o mercado esperava uma recuperação de vendas no segundo semestre, mas ela não foi correspondida.

A expectativa de Ricci é encontrar demanda crescente em 2013 para os hidrocarbônicos. “Muitas obras de infraestrutura devem ser ativadas e elas consomem muita tinta protetiva, que é feita com solventes desse grupo, especialmente os rafinados”, considerou. Ele também vê um crescimento mais rápido dos concorrentes oxigenados. Embora sem ter dados oficiais para esse grupo, ele acredita que seu volume de vendas já seja igual aos dos hidrocarbônicos.

O campo dos hidrocarbônicos também é afetado pela forte concentração de fornecedores e distribuidores no Brasil. A produção de alifáticos é dominada pela Petrobras, enquanto a de aromáticos é suprida pela Braskem. Como a demanda por gasolina supera a capacidade de produção, algumas frações geralmente comercializadas como solventes estão sendo adicionadas (dentro dos limites permitidos, saliente-se) ao combustível. Mesmo assim, ainda é preciso importar gasolina. “Alguns clientes tradicionais de alguns solventes hidrocarbônicos enfrentam dificuldades de abastecimento, mesmo com a diminuição do mercado desses produtos”, ressaltou. Na distribuição, segundo Ricci, a BR Distribuidora (da Petrobras) e a quantiQ (da Braskem) concentram perto de 70% do mercado.

A regulamentação do comércio de solventes recebeu aprimoramentos desde a década de 1990. A portaria 41 da ANP (de 2001) introduziu uma série de exigências para barrar algumas atividades anômalas. A partir dela, começou a exigência de capital social mínimo (era de R$ 500 mil, passou a R$ 850 mil na resolução ANP nº 24, de 2006, que revogou a portaria 41), base própria ou arrendada com capacidade de armazenamento compatível com a movimentação de produtos (atualmente, de 420 m³), entre outras.

Antes da portaria 41, mais de 80 empresas se intitulavam distribuidoras de solventes. “Depois dela, ficaram só 26 empresas”, disse Ricci. O Sindsolv lutou pela revisão da portaria 41, por entender que ela tinha lacunas perigosas, comemorando a edição da resolução 24. “Essa resolução atendeu a 80% dos nossos pleitos, mas ficou faltando a vedação aos distribuidores monoproduto e o aumento da tancagem mínima, por exemplo”, explicou Ricci. Isso afeta o mercado de alguns produtos, como o hexano, usado na produção de óleo de soja, que é importado.

As agruras do mercado de solventes acabaram por afetar a estrutura do Sindsolv, que corre o risco de encerrar suas atividades. “Tínhamos dez associados ativos, uma diretoria foi eleita em 2011, mas a chapa inteira renunciou, ficando apenas a BandeiranteBrazmo presente, número insuficiente para cumprir todas as obrigações legais de uma entidade setorial”, explicou Ricci.

Uma alternativa para evitar o encerramento do sindicato, com excelente trânsito em órgãos como a ANP, e a perda da carta sindical seria a sua incorporação em outra entidade congênere. “Estamos estudando essa possibilidade e conversando muito”, disse Ricci.

Expectativas animadoras – A distribuidora BandeiranteBrazmo prevê para 2013 um ano bom para negócios com solventes de todos os tipos e em vários segmentos de mercado, com preponderância para tintas. “O consumo de bens continua sendo incentivado, há muita oferta de crédito, a renda da população foi mantida e devem ser ativadas várias obras de grande porte; tudo isso vai consumir tintas e, por consequência, solventes”, resumiu o diretor superintendente João Miguel Thomé Chamma.

Mesmo sem ter sido especialmente brilhante, 2012 registrou aumento de vendas em solventes em todos os segmentos consumidores, com a liderança de tintas e vernizes. “As tintas industriais, de manutenção e repintura automotiva e as tintas para impressão de embalagens são o grosso do nosso negócio e tiveram bom desempenho”, informou. Embora não tenha os números finais, a distribuidora deve encerrar o ano com incremento de vendas de 5% em solventes.

Diferentemente do que acontece com o setor de adesivos, que tem um alvo claro e direto, o tolueno, a produção de tintas e vernizes se orienta mais pelo desejo dos consumidores. “As tendências apontam para redução de odor, secagem rápida e durabilidade da película seca, as exigências de VOC chegarão mais tarde”, identificou Chamma. Nos adesivos, embora o tolueno ainda siga em uso, todos os fabricantes contam com alternativas sem o aromático na prateleira.

Chamma considera que os hidrocarbônicos tendem a manter o mercado estável em volume, mas as formulações alternativas apontam crescimento rápido. Com isso, a fatia do bolo dos produtos tradicionais deve ficar menor. “Quando o usuário final quer baixo odor, ele força o uso dos alifáticos hidrogenados e só há um produtor disso no Brasil, em Paulínia-SP, que está totalmente ocupado”, comentou o superintendente. A substituição dos aromáticos depende mais das formulações dos solventes oxigenados, cujo uso tende a crescer.

A majoração das alíquotas do imposto de importação para solventes não chegou a produzir dano para a distribuidora. Como os mesmos itens já haviam sido beneficiados por direitos antidumping em 2011, com aumento subsequente de preços, eles já haviam sido substituídos total ou parcialmente nas fórmulas dos sistemas solventes. É o que aconteceu com o butilglicol, segundo Chamma. Aliás, a família dos glicóis foi a mais atingida pelas medidas.

“No final das contas, vemos que o produtor nacional não repassou totalmente o benefício para os preços, mas obteve uma pequena melhora de margem e garantiu uma folga para competir melhor com os importados”, explicou. Ele comentou que havia uma outra lista com mais cem produtos para majoração de alíquota, mas essa medida foi adiada até a reorganização do mercado à nova regulamentação dos portos, que acabou com o ingresso facilitado de mercadorias em algumas localidades, como Itajaí-SC. “Talvez, em meados de 2013, essa lista seja ativada. Nós esperamos que esses benefícios sejam instituídos para fortalecer toda a cadeia produtiva, para não criar distorções”, concluiu Chamma.

Negócio em recuperação – O mercado total de solventes tende a crescer, porém as vendas dos hidrocarbônicos não registrarão grande elevação, nem cairão significativamente, como avalia Rodrigo Gabriel, diretor da Carbono Química. A distribuidora pediu recuperação judicial em maio de 2011 e, desde então, concentrou suas atividades no seu ponto mais forte, os solventes, porém deixou de lado as linhas que ofereciam pouco resultado financeiro. “Passamos a movimentar um volume de solventes equivalente à metade do que movimentávamos antes disso”, comentou Gabriel.

Ele classifica como maduro o mercado dos hidrocarbônicos, claramente dirigido por preços, especialmente agora, em meio a uma crise internacional. “Muita gente voltou a usar o tolueno em 50% a 60% da formulação de solventes em adesivos; os fabricantes de tintas evitam mexer nas formulações, que têm ajuste complexo”, comentou. Os oxigenados são mais modernos e têm vantagens ambientais, mas nem sempre oferecem o melhor preço e a disponibilidade desejada pelos clientes. Para os usuários, avalia Gabriel, os aromáticos são interessantes porque têm alto desempenho e pelo fato de serem substâncias simples e não misturas.

Com 65% de seu faturamento apoiado no setor de tintas, Gabriel preferiu concentrar seus esforços em especialidades solventes, incluindo o segmento de limpeza industrial (“desengraxe”). Ganhou espaço o n-pentano, produto de refinaria que pode atuar como expansor de poliestireno (EPS) ou como propelente de aerossóis. Também conta com suprimento de signal oil, um solvente pesado (ou óleo muito leve) com uso como desengraxante e agente de proteção para peças metálicas. Especificamente para tintas, passou a contar com duas naftas de refino, denominadas Carbosolv DT 3 A e DT 11, que são as substitutas funcionais do antigo tipo DT (diluente de tinta), que era a nafta VMP, não mais fornecida pela Petrobras. “Era a nafta mais pesada que eles produziam, mas é classificada como um solvente muito leve”, explicou. A distribuidora também oferece heptano para substituição de tolueno em adesivos.

A distribuidora mantém vários itens tradicionais da linha de solventes, a exemplo do butilglicol e do acetato de etila. “Começamos a importar o Carbosolv Eco, indicado para desengraxe e limpezas difíceis, como limpeza de cilindros de impressão, resíduos de resinas, pichações, entre outros”, afirmou. O produto, em cinco variações, foi criado para enfrentar os solventes clorados, porém é biodegradável, não se inflama, tem pH neutro e pode ser diluído em água.

Gabriel está atento ao desenvolvimento da produção de solventes nos Estados Unidos, alimentada pela onda do shale gas. “Ainda não há reflexos sensíveis, mas quem vai sentir primeiro o impacto serão os produtores locais de oxigenados”, considerou. Como avaliou, os direitos antidumping conseguidos pelo Brasil contra glicóis foram restritos aos produtos da América do Norte. “Quem ocupou o espaço do butilglicol deles foram os produtores da Alemanha, não atingidos pela medida”, informou.

Em dezembro, a Carbono Química conseguiu a aprovação de mais de 80% de seus credores (inscritos no quadro geral) em assembleia especial para isso. É preciso aguardar a homologação judicial para iniciar a contagem dos prazos da recuperação propriamente dita. “Teremos dez anos para resolver um passivo de R$ 35 milhões, basicamente ligado a instituições financeiras”, explicou Gabriel.

Depois da homologação, o administrador judicial permitirá a limpeza do nome comercial, o que deverá facilitar a recuperação do crédito da distribuidora na praça. “Desde o começo, alguns fornecedores mantiveram o prazo de pagamento, outros exigiram quitação à vista, agora vamos criar um histórico novo com eles”, afirmou.

Segundo o diretor, o fluxo de caixa e os resultados de 2012 já passaram do vermelho para o azul, apesar do difícil primeiro semestre deste ano em termos comerciais. “Isso mostra a força do comércio químico”, salienta. Ele atribui a superação das dificuldades pelo fato de o relacionamento com os credores ter se mantido transparente durante todo o período. “Mostramos a nossa cara, conversamos com todos os envolvidos, fizemos cortes profundos e reestruturamos a empresa, foi doloroso para toda a família, mas conseguimos provar que não demos nenhum golpe e vamos recuperar nossa participação no futuro”, concluiu.

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