Tintas e Revestimentos

Biocidas – Liberação controlada dos ativos melhora proteção ao filme seco

Antonio C. Santomauro
13 de junho de 2012
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    Atenta ao potencial desse segmento, no final do ano passado a Dow até lançou o selo Bio-Pruf, que pode ser aplicado pelos clientes nas embalagens de seus produtos, para que eles assim tenham o endosso da fabricante do biocida como garantia adicional de uma tinta antibacteriana de qualidade, com ação fungicida, algicida e bactericida na película. A Hydronorth, fabricante de tintas com sede em Londrina-PR, já aplica o selo Bio-Pruf em sua linha Eco. “E há outros parceiros interessados”, informa Débora.

    Além de poder contar com novos nichos, a exemplo das tintas higiênicas, o mercado de biocidas vem sendo beneficiado pelo crescente uso por parte dos clientes de ingredientes capazes de garantir ao menos alguma preservação também no filme seco (muitas vezes com um fungicida mais simples). Essa proteção fungicida básica, destaca Leite, da Ipel, está presente na imensa maioria das tintas comercializadas no Brasil. “Só não trabalham com ela as fábricas muito pequenas”, informa.

    química e derivados, Luiz Wilson Pereira Leite, Ipel, nova planta

    Leite: crise mundial atrasa a instalação da nova planta

    Prognósticos difíceis – Leite prevê para a segunda metade deste ano uma conjuntura de negócios mais favorável a essa indústria, que no primeiro semestre ficou sujeita ao ritmo claudicante da economia nacional e mundial. Ritmo, aliás, que obrigou a Ipel a suspender temporariamente o projeto de instalação de um conjunto de equipamentos adquiridos no início do ano passado, com os quais poderá dobrar sua capacidade de produção de ativos biocidas.

    Uma das razões dessa aquisição foi a possibilidade de incremento dos negócios da Ipel no mercado internacional, hoje em situação ainda menos favorável do que a do Brasil. Com isso, ficou ainda mais justificada a suspensão temporária do projeto de ampliação. “Mas parece que a situação agora caminha para uma melhoria, e talvez até o final do ano retomemos esse processo”, projeta Leite. “Enquanto isso, aperfeiçoamos nossa estrutura de expedição e envasamento”, complementa.

    Ligere, da Lanxess, não acredita em evolução acentuada nos negócios com biocidas em tintas no decorrer deste ano, mesmo com as medidas governamentais destinadas a aquecer o mercado imobiliário (principal usuário das tintas para as quais fornece biocidas). “Não vi crescimento no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2011, e também não creio em crescimento no restante do ano”, relata. “Segmentos como as tintas higiênicas, ou tintas para teto de banheiro, geram novos negócios, porém ainda em volume pequeno, por enquanto.”

    química e derivados, Luis Gustavo Ligere, lanxess, ativos

    Ligere: aquisição recente abre caminho para novos ativos

    Mas a Lanxess, ressalva Ligere, ganhará diferenciais mercadológicos adicionais com a aquisição, concretiza da há pouco mais de um ano, da unidade de proteção de materiais da Syngenta, esta muito forte na área agrícola (matriz original dos ativos biocidas empregados no mercado de tintas). “Essa aquisição inclui acesso a alguns ativos interessantes, principalmente fungicidas”, destaca Ligere.

    A Thor Brasil, afirma Brenna, no primeiro semestre deste ano, ultrapassou em 20% a meta de negócios estipulada para esse período: “Começamos a trabalhar com preços mais competitivos, desenvolvendo mais produtos taylor made”, pondera.

    No Brasil, afirma Brenna, mesmo no segmento das tintas Premium, o uso de fungicidas e algicidas ainda é muito baixo, comparativamente ao verificado em outros países. “Mas algumas indústrias procuram se diferenciar, trabalhar mais com nichos, focar públicos muito específicos, da classe A, por exemplo, e isso abre espaço para a introdução de produtos mais eficazes”, analisa o diretor da Thor Brasil.

    Serviços e sustentabilidade – Ainda há possibilidade de desenvolvimento de novos nichos no mercado de tintas e de seus biocidas, como observa Forastieri, da suíça Lonza. “Creio não haver ainda no Brasil tintas algicidas realmente eficazes”, ele especifica. “E a principal aplicação dessas tintas é no litoral, mas há problemas com algas também em São Paulo”, informa.

    Para ele, há ainda a possibilidade de migração, para outros mercados, de produtos originalmente concebidos para tintas. “Nosso produto Zinc-Omadine começa a ser usado também na preservação de aditivos de concreto”, exemplifica.

    química e derivados, Fabio Forastieri, gerente nacional de vendas da Lonza, algicidas

    Forastieri aponta nichos ainda inexplorados, como os algicidas

    Para Brenna, da Thor, as indústrias de biocidas podem atuar menos preocupadas com uma possível concorrência de produtos comprados no exterior a preços inferiores, comercializados por aqui sem nenhum suporte adicional de serviços: “A venda de biocidas está hoje muito vinculada ao serviço e à assistência técnica, quase diariamente fazemos análise de possibilidade de contaminação em tintas”, diz.  “Não vale a pena comprar biocidas sem ter esse serviço agregado, o prejuízo gerado por um lote contaminado é imenso”, argumenta Brenna.

    Karina, da Miracema, cita a divulgação dos serviços técnicos agregados à comercialização de biocidas como uma das prioridades da estratégia de marketing da empresa no decorrer deste ano: “Sabemos que não basta apenas adicionar o aditivo de preservação nas tintas, é preciso um acompanhamento microbiológico periódico para garantir que o biocida seja aplicado nas condições corretas, garantindo a performance esperada”, justifica.



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