Tintas e Revestimentos

Biocidas – Liberação controlada dos ativos melhora proteção ao filme seco

Antonio C. Santomauro
13 de junho de 2012
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    Fim do formol? – Assim como na Ipel, os ativos encapsulados são atualmente demandados especialmente para a produção de tintas destinadas a embarcações também no portfólio da Dow, que lançou mundialmente no ano passado o ativo bactericida MBIT (metil benzoisotiazolinona), comercializado no mercado de tintas com a marca Bioban 551S. “Esse novo ativo é mais estável, tem espectro de ação mais amplo e perfil toxicológico melhor, sendo uma solução mais sustentável para a preservação de tintas”, afirma Débora Takahashi, especialista técnica em aplicação da Dow Microbial Control. Segundo ela, no Brasil ainda não há clientes utilizando o MBIT, que já está sendo integrado às fórmulas de tintas em outros países, especialmente na Europa.

    O novo ativo da Dow atende a uma outra demanda também crescente: a substituição, nos bactericidas destinados à proteção das tintas nas latas (in can), de biocidas isentos de formol, inclusive na forma dos chamados liberadores de formol, que liberam gradualmente essa substância para a proteção no espaço vazio entre a superfície do produto e a tampa da embalagem (headspace).

    química e derivados, débora Takahashi, dow, mbit

    Debora começa a oferecer MBIT para proteger tintas brasileiras

    Em alguns países, o formol já é proibido, ou então perde espaço de mercado pelo fato de as embalagens das tintas que o contêm serem obrigadas a exibir símbolos capazes de inibir seu consumo, por ressaltarem a existência de ativos tóxicos. “Tenho, porém, notado uma demanda maior por produtos sem formol também no Brasil, que não impõe essa exigência”, observa Débora.

    Karina Zanetti, integrante da área de assistência técnica da Miracema-Nuodex, também percebe aumento nessa demanda. “Seja pela questão do odor e/ou pela toxicidade, a procura por biocidas isentos de formol para preservação no estado úmido tem aumentado a cada dia”, salienta.

    A Miracema-Nuodex, complementa Karina, tem em seu portfólio um biocida isento de formol capaz de propiciar desempenho até superior àquele gerado por produtos compostos com liberadores dessa substância.

    Brenna, da Thor, cita vários produtos hoje disponíveis como alternativas sem formol para a tradicional combinação CMIT/MIT (a dupla de isotiazolinonas cloro-metil e metil, muito usada nesse mercado, e que geralmente pede o complemento de formol ou de doadores de formol). Por exemplo, BIT (benzoisotiazolinona), MIT (metilisotiazolinona), e bronopol. “Nossos produtos MBS e MBL têm como bases, respectivamente, as combinações MIT/BIT e MIT/BIT/bronopol, e podem substituir os ativos CIT/MIT associados ao formol ou ao doador de formol, ou à BIT sozinha”, detalha Brenna.

    Segundo ele, os produtos com formol ou doadores ainda prevalecem no mercado brasileiro porque têm custo mais favorável, embora os biocidas apareçam nas tintas em concentrações muito pequenas. “Geralmente, essas concentrações ficam em algo entre 0,1% e 0,2%, e isso tem pouco impacto no custo final de uma lata de tintas”, calcula.

    Esse pequeno custo é, porém, um diferencial relevante em um mercado no qual, diz Leite, da Ipel, as negociações se aprofundam até em frações diminutas de centavos. “Apesar disso, o segmento dos produtos totalmente isentos de formol já é importante”, ressalta.

    Mas os fabricantes de tintas que deixam de usar formol precisam dedicar ainda mais atenção à higiene de suas plantas: “O formol elimina até as bactérias que possam estar contidas nas matérias-primas das tintas e, sem ele, é preciso ter cuidados ainda maiores”, recomenda Débora, da Dow.

    Ingredientes questionados – Além do formol, outros ativos enfrentam restrições por parte dos compradores de biocidas para tintas. “Algumas empresas já nos pedem para não usar nada de carbendazim, um ativo fungicida de uso bastante comum”, conta Ligere, da Lanxess.

    Leite, da Ipel, considera as restrições ao carbendazim, por enquanto, mais acentuadas em seu uso na atividade. “E há substitutos para o carbendazim, como butil-benzoisotiazolina e IPBC, mas eles também são mais caros”, comenta.

    E o potencial de negócios a ser gerado pelo carbendazim no mercado brasileiro até estimulou a Thor a decidir pela construção, em sua unidade de Barueri-SP, de uma planta para fabricá-lo, ao lado de outros ativos fungicidas e algicidas convencionais, como diuron e OIT (octilisotiazolinona). Por en-quanto, no país, a Thor apenas mistura os ingredientes biocidas conforme as necessidades dos clientes. “Essa planta deve estar pronta até o final do ano e atenderá a todos os países da América Latina”, conta Brenna.

    química e derivados, Ridnei Brenna, diretor-geral da Thor Brasil, fábrica de ingredientes

    Brenna: fábrica de ingredientes no país fica pronta neste ano

    Por sua vez, Fabio Forastieri, gerente nacional de vendas da Lonza (que comprou a Arch Chemicals em junho de 2011), vê menor aceitação não apenas do carbendazim, mas também do diuron, muito usado em formulações algicidas. Segundo ele, existem substitutos muito mais eficazes para eles, como o piritionato de zinco, comercializado na Lonza com a marca Zinc-Omadine. “Ele combina as ações fungicida, algicida e bactericida com ação no filme seco”, destaca Forastieri.

    Essa característica de combate às bactérias também na película aplicada, citada pelo gerente da Lonza como uma das funcionalidades do piritionato de zinco, é uma das bases de um segmento hoje incluído pelos fabricantes de biocidas entre as mais interessantes alternativas de expansão de seus negócios: as tintas antibacterianas, também chamadas de higiênicas (que oferecem, além da proteção bactericida, proteção contra fungos).

    Na realidade, tais tintas nada mais são do que as já conhecidas tintas hospitalares, porém agora vendidas com um apelo de marketing capaz de ampliar enormemente a escala de comercialização: por exemplo, como tintas adequadas a ambientes como quartos de crianças, vestiários e escolas.



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