Biocidas para tintas e revestimentos evoluem com mais proteção

Biocidas evoluem para oferecer mais proteção com sustentabilidade

O mercado de biocidas para tintas atravessa um momento de expansão, com maior procura por produtos sustentáveis em cenário de maior rigor nas regulamentações ambientais. A busca dos players por novas soluções e inovações é uma constante.

“Há um crescimento promissor neste ano, com um avanço em comparação com o ano anterior. Observamos um aumento na demanda por soluções inovadoras e eficazes, alavancado principalmente pela gradativa conscientização sobre a importância da proteção antimicrobiana e da preservação das propriedades das tintas”, afirma Natália Weber, técnica comercial em biocidas da ATC Biocides do Brasil.

Entre os fatores que explicam essa evolução estão o progressivo consumo por tintas sustentáveis, o aumento da regulamentação ambiental e o uso de novas tecnologias para a produção de tintas. “Estamos entusiasmados”, confessa.

Daniel Tamassia Minozzi, sócio fundador e atual CMO da Nanox Tecnologia S.A., indústria química brasileira e agora multinacional pioneira em nanotecnologia no país, concorda com o bom desempenho em comparação com 2022.

“Houve um aumento na procura devido ao crescente foco em produtos mais sustentáveis e eco-friendly. Os consumidores estão buscando tintas que possuam propriedades antimicrobianas para garantir ambientes mais saudáveis e livres de bactérias. Além disso, as regulamentações ambientais mais rigorosas também têm impulsionado o uso de biocidas eficazes para tintas. Portanto, é um momento propício, com perspectivas de crescimento contínuo”.

Ele considera que as expectativas de desempenho até o final de 2023 são bastante positivas. “No ano passado, a tecnologia biocida e antimicrobiana de que dispomos, após completar 10 anos de investimentos em estudos, entrou em um seleto rol de moléculas registradas e aprovadas por duas agências regulatórias norte-americanas, a Environment Protect Agency (EPA) e a Food and Drugs Administration (FDA)”.

Em sintonia, Natália confirma que a expectativa de desempenho da ATC até o final deste ano é extremamente favorável.

Tintas e revestimentos: Biocidas evoluem para oferecer mais proteção ©QD Foto: iStockPhoto
Natália: inovações buscam reduzir impacto ambiental

“Com base nas tendências atuais e na resposta auspiciosa do mercado às nossas soluções, antecipamos um desenvolvimento constante e significativo nos negócios”.

Com a ressalva de que, “historicamente, a primeira metade do ano tem volumes menores devido à sazonalidade típica do setor, e ainda houve incertezas políticas e econômicas”, Marcelo Metz, head de vendas da unidade de negócio de material protection products BIO (Biocides) da Lanxess Brasil, engrossa a fila dos otimistas: incremento nas transações, com a projeção de queda da taxa Selic para os próximos meses, o que, consequentemente, deve estimular a demanda da área de construção civil.

A Lanxess consolidou ainda mais a sua posição como um dos maiores fornecedores mundiais de produtos de controle microbiano e biocidas. Após as aquisições da Ipel, em 2020, da Intace, em 2021, e da unidade de controle microbiano do grupo americano International Flavors & Fragrances Inc. (IFF), em 2022, o segmento tornou-se um dos mais fortes dentro da companhia.

“Esse movimento robusteceu a expertise da empresa no ramo, além de robustecer e ampliar o seu portfólio”, salienta Metz.

A percepção de Adriana Batista, gerente de vendas da Thor Brasil, é que 2023 começou com grande esperança de retomada de negócios. Até abril foi assim. Aí veio a queda no consumo dos biocidas, ainda sofrendo efeitos pós-pandemia, atrelado a instabilidades políticas e econômicas.

“Entretanto, com a importância cada vez maior de itens seguros microbiologicamente, os biocidas também foram bastante requisitados e novos produtos com ênfase antimicrobiana foram lançados em nichos de mercado. Não tivemos impacto de disponibilidade das matérias-primas, pois grande parte das mercadorias são formuladas com insumos sintetizados pelo próprio grupo em suas três grandes plantas – México, Alemanha e China –, atendendo a demanda global”, agrega.

Continua sendo um “grande desafio”, para Adriana, “atuar em um mercado não regulamentado sob o aspecto de uso dos biocidas e num ambiente comercial fortemente orientado a preços e com uso intensivo de commodities. “Procuramos nos posicionar como uma empresa de vanguarda tecnológica, focando parâmetros e fatores de inovação, sustentabilidade e meio ambiente. Trazemos ao Brasil e à América do Sul as novidades relacionadas a ativos e suas formas de apresentação desenvolvidas pelos centros de pesquisa e desenvolvimento das subsidiárias europeias, que trabalham sob o escopo dos órgãos regulatórios e sob o ponto de vista de inovação. Esses produtos e tecnologias são utilizados nesta região ainda em nichos de aplicação, havendo dificuldades para inseri-los comercialmente em uma ampla gama de bens”.

Tintas e revestimentos: Biocidas evoluem para oferecer mais proteção ©QD Foto: iStockPhoto
Adriana: consumidor atento exige biocidas mais seguros

Segundo a executiva, com o aumento da preocupação com a segurança de funcionários e com o meio ambiente, além da ampliação das exigências normativas para tintas, há “uma saída cada vez maior para artigos que não agridam o meio ambiente, com menor emissão de agentes fungicidas e algicidas, além de uma busca por ativos que não agreguem pictogramas de risco à embalagem”.

Ela salienta que essa é “uma tendencia que tem sido vista já há anos na Europa, e para a qual temos soluções. No Brasil e na América do Sul continuamos focando a linha de filme seco Thor AMMETM (Advanced Micro Matrix Embedding), tecnologia de encapsulamento de ativos que proporcionam preservação de película seca superior com benefícios adicionais, tais como menor toxicidade e desempenho a longo prazo, além de menor emissão de ativos ao meio ambiente. Na linha de bactericidas há alternativas sem o uso de CIT e MIT, bem como formulações com doadores de formaldeído inovadores de baixo odor e baixo formol livre”.

A Thor é uma das principais fabricantes globais de biocidas à base das isotiazolinonas, doadores de formol e IPBC, possuindo uma ampla linha para atender todas as aplicações em tintas e suas matérias-primas, afiança Adriana.

Horizontes em biocidas para tintas

Com o olhar em um horizonte mais amplo, Natália informa que a ATC planeja, no médio prazo, expandir a presença global: “Pretendemos investir em pesquisa e desenvolvimento para aprimorar ainda mais a gama de biocidas, tornando-os mais eficazes, sustentáveis e compatíveis com as regulamentações em constante evolução. Além disso, continuaremos aprimorando os serviços de assistência técnica, oferecendo suporte personalizado aos clientes na formulação e aplicação de ativos biocidas nas tintas. Essa abordagem contribuirá para o sucesso”.

E ela vai além. “No longo prazo, visualizamos a consolidação da posição como líder neste segmento, reconhecidos não apenas por artigos de alta qualidade, mas também pela expertise técnica e compromisso com a inovação. Esperamos contribuir para o avanço da indústria de tintas, promovendo práticas sustentáveis e soluções que atendam à procura crescente por itens mais seguros e duráveis”.

Para Minozzi, o futuro também se descortina com cores agradáveis. “As perspectivas no médio e longo prazos são bastante promissoras. Uma das principais tendências é a crescente conscientização sobre a saúde e o bem-estar. Os consumidores estão cada vez mais preocupados com a proteção antimicrobiana em suas casas e ambientes de trabalho, especialmente após a pandemia de Covid-19. Isso tem levado a um aumento do interesse por tintas com propriedades antimicrobianas e antivirais”. Não à toa, a Nanox “investiu e continua investindo em pesquisa e desenvolvimento para encontrar soluções mais seguras e eficazes que estejam em conformidade com as regulamentações”.

Minozzi também aposta em outro fator: a retomada e o crescimento da construção civil. “Além desses fatores externos, em conjunto com os investimentos na nova planta no Brasil e subsidiárias nos Estados Unidos e Europa, acreditamos que as perspectivas são muito boas para os próximos anos”, pontua. A indústria está constantemente buscando soluções duradouras, o que estimula o desenvolvimento de novos biocidas com propriedades antimicrobianas.

Adriana tem uma visão igualmente otimista. “As empresas que geram tecnologia de vanguarda poderão se destacar não apenas pela sua capacidade de realização de negócios, mas, principalmente, pela comercialização de artigos melhores, mais modernos e inovadores. Acreditamos na informação e formação do consumidor final, que requisitará tintas e produtos correlatos de melhor qualidade, elaborados com matérias-primas sustentáveis e de baixo impacto ambiental”.

No entendimento de Metz, da Lanxess, a economia global sofreu uma ruptura após a pandemia e ainda não se reencontrou o equilíbrio entre demanda e oferta, gerando, em alguns casos, retração com forte impacto inflacionário.

Tintas e revestimentos: Biocidas evoluem para oferecer mais proteção ©QD Foto: iStockPhoto

Metz: aquisições ampliaram portfólio com aprovação global

“Todas as incertezas acabam por dificultar o planejamento para os próximos meses, porém acreditamos que no médio e longo prazo esse equilíbrio se refaça e que o mercado reaja positivamente, tendo como estímulo as medidas de redução da taxa de juros e investimentos em infraestrutura e planos de incentivo de compra da casa própria”.

Como novidades, Natália ressalta o desenvolvimento de formulações avançadas, que oferecem uma proteção antimicrobiana ainda mais eficaz e duradoura. “Introduzimos uma tecnologia inovadora de liberação controlada, o que permite uma distribuição gradual do agente antimicrobiano ao longo do tempo, resultando em uma proteção consistente contra o crescimento de fungos e microrganismos nas tintas”.

Além disso, a ATC está desenvolvendo uma linha de biocidas de base biológica e ingredientes de origem renovável, reduzindo o impacto ambiental e proporcionando opções mais ecológicas para a clientela. E estabelecendo parcerias estratégicas com instituições de pesquisa líderes na área de biocidas e tintas. Essas colaborações têm impulsionado a pesquisa conjunta e o desenvolvimento de soluções inovadoras, enriquecendo o portfólio.

Tintas e revestimentos: Biocidas evoluem para oferecer mais proteção ©QD Foto: iStockPhoto
Minozzi: linha nanotecnológica tem aprovação da EPA e da FDA

Minozzi destaca que “O principal objetivo da Nanox é o de levar proteção às tintas e à saúde humana, melhorando claramente a segurança ao meio ambiente. Ter uma proteção de longo prazo e sem voláteis e de toxicidade baixa é o que o se procura”. As principais novidades são os estudos de produtos frente às cepas de vírus como as do SARS-Cov-2. Ficou claro, desde a pandemia, que a tecnologia da Nanox poderia ser usada para esse fim, além, é claro, de seu uso para controlar microorganismos, como bactérias e fungos”.

Adriana enfatiza que os itens da Thor são formulados com base em misturas sinérgicas de ativos que cobrem uma ampla gama de microrganismos, evitando, inclusive, a multiplicação de microrganismos mais adaptados. Dessa forma, cada produto dentro de sua aplicação (in can, película seca, sanitizantes) confere proteção completa contra o ataque de bactérias, como as Gram negativas (as águas não tratadas são sua principal fonte), as Gram positivas (comumente encontradas em matérias-primas em pó), vasta gama de leveduras, bem como os fungos Cladosporium sp, Aspergillus sp, Talaromyces sp e Penicillium sp, dentre outros.

Metz manifesta que os biocidas possuem diversos controles regulatórios e de avaliação de desempenho. “Devido aos altos custos de desenvolvimento e registro de novos ingredientes ativos, a busca por produtos com efeito sinérgico através da combinação de ingredientes ativos é uma tendência”.

Além disso, como se requer cada vez mais artigos que tenham o pilar de sustentabilidade, procuram-se alternativas de produtos com base em ativos naturais ou com baixo teor de VOC, com a mesma eficiência. Atualmente, a Lanxess, possui, conforme Metz, “o mais completo portfólio para controle microbiológico, englobando as mais conceituadas marcas registradas, como: Preventol, Ipel, Kathon, Neolone e Rocima.

“O catálogo conta com soluções diferenciadas para qualquer necessidade específica, incluindo preservantes para estado úmido, filme seco, aditivos com ação antimicrobiana e produtos para sanitização industrial”, disse. Destaques: Preventol® MP900 Next, fungicida que utiliza tecnologia de microcápsulas para aumento da vida útil e redução da toxicidade; Preventol® BM75, para preservação no estado úmido isento de VOC e derivados halogenados; Ipel® FAP-747 – formulação com ação algicida, fungicida e bactericida para preservação no filme seco. É compatível com sistemas aquosos e base solvente, tendo baixo odor e fácil manuseio; Ipel® FAP-778 – formulação microencapsulada com ação algicida, fungicida e antifouling para preservação no filme seco. Pode ser usada em tintas antifouling amentando a vida útil e a proteção contra ataques de algas e fouling marinho.

Leia Mais:

Planos

Metz conta que, recentemente, foram feitos significativos investimentos na área fabril de Jarinu-SP e na atualização dos laboratórios com a integração das atividades oriundas da aquisição da IFF na área técnica. O grupo Lanxess, considera importante a ampliação e a manutenção da unidade da região, ponto de produção e distribuição para a América Latina, além de oferecer suporte técnico completo.

A ATC tem uma série de programas para fortalecer a sua atuação. “Continuaremos investindo significativamente nas atividades de P&D, buscando constantemente aprimorar as formulações e desenvolver novas tecnologias. Isso envolve a alocação de recursos para a pesquisa de ingredientes mais eficazes, processos de produção avançados e métodos de aplicação inovadores”, ressalta Natália. Com o aumento da demanda, planeja-se expandir a capacidade de produção para garantir um fornecimento estável e eficiente ao consumidor. Isso envolve investimentos em infraestrutura, equipamentos e tecnologias de fabricação de ponta.

Minozzi revela que o laboratório de microbiologia e química está em fase de ampliação, para aumentar a carteira de ensaios e melhorar o atendimento ao cliente. E investimentos estão sendo realizados nas subsidiárias europeia e americana, fortalecendo a presença global da Nanox.

Adriana enfatiza que o procedimento mundial da Thor é atender com soluções inovadoras e diferenciadas. Por isso, continuará expandindo as atividades no Brasil nas áreas de produção, armazenagem própria e em terceiros e no laboratório com serviços técnicos, tendo como pilares o foco em segurança e sustentabilidade.

Ela relata que os itens fabricados no Brasil, assim como em outras subsidiárias ao redor do planeta, contam com o uso de vários ativos sintetizados pelo grupo Thor nas suas três principais plantas, todas seguindo os mesmos padrões rígidos de controle de qualidade de matérias-primas e formulação final, com análises durante a produção e no produto acabado, incluindo testes por cromatografia líquida para quantificação dos teores de ativos biocidas.

Como não poderia deixar de ser, a política global da empresa caminha para uma produção cada vez mais sustentável. “No caso da linha para filme seco, há uma preocupação em entregar ativos fungicidas/algicidas que sejam muito menos lixiviados após aplicação da tinta, como a ação das chuvas por exemplo, e reduzindo drasticamente o impacto desses ativos no meio ambiente”, especifica.

Natália conceitua que “a ATC está focada em várias áreas-chave para alcançar os seus objetivos: inovação contínua; personalização e assistência técnica altamente especializada; e integração de práticas sustentáveis em todas as fases de processo, desde a seleção de ingredientes até a produção e o descarte”.

Minozzi declara que as estratégias da Nanox são muito claras.

“Mesmo com 19 anos de empresa e unidades em três países diferentes, costumo dizer que ainda estamos em fase de crescimento e maturação. Somos inovadores e arrojados. Sabemos que temos concorrência de empresas com mercadorias e tecnologias que estão consolidadas há muito tempo neste segmento e que no momento estamos construindo um futuro. O market-share vem aumentando a cada dia, porque trabalhamos em uma frente mais inovativa, foco em itens mais sustentáveis e eco-friendly com a intenção de agregar novos benefícios aos consumidores”, arremata.

As três aquisições recentes ampliaram e consolidaram o portfólio e a expertise da Lanxess. “Em um mercado cada vez mais regulado, a companhia possui produtos registrados nas principais e mais exigentes praças do mundo, como Europa, Ásia e América do Norte. Além disso, é uma empresa que se beneficia de sua escala e padrões globais de qualidade que incluem tecnologia de produção e atendimento ao cliente em todas as etapas, desde a seleção até o fornecimento e suporte pós-venda. Outro diferencial importante é a completa estrutura de serviços técnicos, que proporcionam segurança e otimização do uso dos biocidas, incluindo testes microbiológicos para validação e monitoramento até treinamentos para manuseio seguro das mercadorias”, conclui Metz.

Veja Também:

Consulte fornecedores de biocidas no Guia QD, maior plataforma eletrônica de compras e vendas do setor, com mais de 300 mil consultas mensais por produtos e mais de 400 anunciantes ativos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.