Tintas e Revestimentos

Tintas e revestimentos: Aumenta a concentração no setor

Marcelo Fairbanks
6 de junho de 2017
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    Química e Derivados, Huntsman, Calais-França

    Huntsman, Calais-França

    O panorama do mercado global de TiO2 está se transformando. Novos nomes surgem, outros somem, refletindo o intenso movimento de fusões e aquisições no setor. Depois de grandes mudanças na década de 1990, na indústria ocidental, houve uma calmaria, agora convertida em ebulição.

    Em 2015, a DuPont separou os negócios da sua divisão de materiais avançados (principalmente derivados do flúor e do titânio) para criar a Chemours, que nasceu líder mundial em produção de dióxido de titânio. Ela se apresentou ao mercado anunciando investimentos para ampliar a fábrica de Altamira (México) e o fechamento de duas plantas nos Estados Unidos (instalações pequenas e pouco competitivas). Altamira já está operando uma parte de sua ampliação e deverá atingir o total de acréscimos projetado (de 200 mil t/ano) até 2018.

    A Cristal, segunda maior produtora mundial, aceitou a proposta de compra apresentada pela Tronox (5ª no ranking), que dará origem ao novo líder de mercado, com uma capacidade total de 1,3 milhão de t/ano distribuída entre Estados Unidos, América Latina, Austrália, Oriente Médio e Ásia. “A Tronox ofereceu pagar à Tasnee (controladora da Cristal) US$ 1,67 bilhões e 24% do capital da nova companhia, reservando para a vendedora dois assentos no futuro conselho de administração”, explicou Ciro Marino. Como o negócio depende da aprovação dos órgãos de defesa da concorrência de vários países (exceto o do Brasil, pois a Tronox não opera aqui), espera-se para 2018 a integração das companhias. “Por ora, cada empresa toca a sua vida separadamente”, enfatizou.

    Marino entende que a negociação é muito vantajosa para ambas as partes. A Tronox receberá uma capacidade de produção quase 50% superior à atual (de 500 mil t/ano), com atuação geográfica mais ampla. Para a Cristal, o negócio permite contar com fábricas em mercados complementares, além de agregar nova fonte de matéria-prima. “A Tronox conta com a produção mineral da Exxaro, capaz de suprir até 90% das necessidades da nova empresa”, disse. “Além disso, a Tronox opera uma unidade própria para a produção de slag, que também pode ser melhor aproveitada em conjunto.”

    A Huntsman entrou no negócio de dióxido de titânio ao comprar as unidades de produção da Rhône-Poulenc, engordando mais tarde (2014) o portfólio com as plantas da Rockwood. As agruras de mercado dos últimos anos, no entanto, forçaram a dar baixa em ativos historicamente relevantes.

    Em março, a Huntsman anunciou que fechará totalmente até outubro deste ano a unidade de Calais (França), onde ainda fazia o acabamento dos pigmentos e sua embalagem. As etapas iniciais de produção já haviam sido encerradas em 2015. Esses movimentos fazem parte do programa de reestruturação do negócio.

    Ao mesmo tempo, a companhia anunciou que pretende criar uma empresa, a Venator Materials Corporation, que abrigará os negócios de cinco divisões de negócios da Huntsman, incluindo a divisão de pigmentos e aditivos. Trata-se de um spin off planejado.

    Na China, em 2016, a Sichuan Lomon e a Henan Billions uniram seus Negócios, formando a Lomon Billions, quarto maior produtor mundial (capacidade estimada em 560 mil t/ano) e responsável por 50% das exportações chinesas do pigmento. A Henan Billions comprara os negócios do Tioxide TR52 da Hunstman em 2014, por determinação da comissão europeia que analisou a compra dos pigmentos da Rockwood pela Huntsman.

    “O momento é propício para reestruturação das companhias do setor em todo o mundo, isso já era esperado”, concluiu Marino.



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