Tintas e Revestimentos: Aplicações com resinas poliuretânicas

Resistência e versatilidade ajudam a desenvolver aplicações com resinas poliuretânicas

O complexo cenário global abalado pela guerra na Ucrânia, por problemas climáticos decorrentes do aquecimento do planeta e ainda pela pandemia de Covid-19 tem afetado o desempenho das economias dos países em diferentes intensidades.

Mesmo com a Terra em transe, há sinais positivos despontando no horizonte.

“Apesar dos distúrbios causados pela pandemia e incidentes geopolíticos, as tintas, sejam arquitetônicas ou industriais, destacam-se pelo crescimento acima da economia geral, em conteúdo e volume.

Este ano, a indústria superou os desafios de fornecimento de suprimentos de diversas matérias-primas e aumentou a proximidade ao cliente, devendo atingir os objetivos planejados”.

A avaliação é de Washington Yamaga, sócio-diretor da RY Associates, consultoria em tintas e cadeia de fornecimento.

Para ilustrar também como nem tudo é tão cinza como parece no mundo atual, ele observa que, com muitos tipos de uso final, a divisão de tintas à base de poliuretanos (PU), registra uma expansão, em 2022, da ordem de 3% a 5%.

A gerente técnica para desenvolvimento de pinturas da Covestro LatAm, Ana Paula Cardoso, confirma essa percepção.

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    Tintas e Revestimentos: Aplicações com resinas poliuretânicas ©QD Foto: iStockPhoto
    Ana Paula oferece versões de PU com baixa pegada de carbono

    “Apesar do complicado cenário econômico mundial, com a guerra na Ucrânia, o lockdown recente na China e os problemas logísticos, o mercado brasileiro vem se mantendo estável e com poucas oscilações”.

    Para Cristiano da Mata, gerente de vendas de tintas & construção da Química Anastacio, o setor sofreu impacto negativo no início da Covid-19, principalmente no segmento automotivo, porém se recuperou em 2021 impulsionado, principalmente, pelas linhas de repintura e moveleira.

    As demandas de 2022 apresentaram crescimento médio de 3% a 4% no primeiro semestre e projetamos que continue nesse ritmo até dezembro”.

    Fábio Henrique dos Santos, químico do laboratório da Adexim-Comexim, considera que a parcela de tintas PU no Brasil é forte e tende a crescer cada vez mais.

    Tintas e Revestimentos: Aplicações com resinas poliuretânicas ©QD Foto: iStockPhoto
    Santos: planejamento cuidadoso evita problemas de suprimento

    “Depois do primeiro ano de pandemia, 2021 caminhou razoavelmente bem, mas veio a invasão da Rússia à Ucrânia no começo deste ano, desacelerando a retomada. A falta de navios, altos preços e a carência de insumos, causam receio e impossibilitam qualquer tentativa de crescimento. Especialmente falando da nossa linha de resinas base aquosa, estamos mantendo os índices de vendas nos mesmos patamares dos últimos anos, principalmente com resinas destinadas ao ramo de couro”.

    A experiência de Santos é a de que, durante a pandemia, houve uma maior preocupação em programar melhor os estoques e evitar desabastecimento, dada a falta de matérias-primas, interrompendo ou atrasando as produções.

    “Isso ainda se observa até hoje, vivemos tempos em que a palavra planejamento nunca foi tão importante, afinal, ninguém quer inflar os seus estoques e nem deixar ninguém desabastecido”.

    Mário Fernando de Souza, diretor comercial Latam da italiana Galstaff Multiresine, parte do princípio que o negócio de poliuretano no Brasil está consagrado pelo bom comportamento que as tintas vêm exercendo há muitos anos.

    Sistemas tintométricos reduzem custos na cadeia produtiva e conquistam novos mercados ©QD Foto: Divulgação
    Mario Fernando de Souza, diretor comercial da Galstaff Multiresine

    “São produtos bem versáteis e de boa performance em termos de resistência química, mecânica, amarelamento e resistência à luz, atendendo a um nível de exigência bem alto em diversas áreas”.

    Segundo Souza, nos dois primeiros meses da pandemia, “houve alguma instabilidade. Mas, depois disso, o crescimento foi substancial. Foi uma febre. Nunca vendemos tanto PU como neste período.

    Atualmente, em decorrência dos altos preços vigentes, particularmente em relação aos catalisadores alifáticos, diríamos que a demanda está um pouco retraída, até porque a disponibilidade destes produtos diminuiu consideravelmente”.

    O maior consumidor de PU, por “suas excelentes características de resistência às condições climáticas e químicas”, assinala Santos, é o setor automotivo. Mas outros se destacam, como o da construção, madeira e móveis.

    “Com as novas tecnologias, o segmento de resinas à base de água, por exemplo, tem crescido bastante, tendo maior aceitação por ser menos poluente e de baixo VOC; a aplicação vai desde tubulações, cimentados, estruturas metálicas, couro e outros”.

    Tintas e Revestimentos: Aplicações com resinas poliuretânicas ©QD Foto: iStockPhoto
    Yamaga: PU é forte nos fundos protetivos e vernizes finais

    “Com propriedades e funcionalidades especiais, as tintas à base de poliuretano, são utilizadas, principalmente, em repintura automotiva, manutenção industrial, marítima, moveleira, ônibus, máquinas agrícolas e indústria em geral. A aplicação é versátil, sobretudo em fundos protetivos, esmaltes e vernizes de acabamento”, descreve Yamaga.

    De acordo com Ana Paula, os principais ramos são: repintura automotiva, implementos agrícolas, construção e indústria em geral. Da Mata especifica: “automotivo, 35%; infraestrutura em geral, 30%; madeira e móveis, 20%; eletroeletrônicos, 10%; e 5%, outros usos.

    As frações de mercado mais comuns, estão, conforme Souza, na “indústria de maneira geral, assim como madeira, repintura automotiva e vários substratos bem diferenciados”.

    Otimismo – Ana Paula, da Covestro, diz que as perspectivas a curto, médio e longo prazos “permanecem positivas, pois há maior disponibilidade de produtos, o que permite um crescimento sustentável”.

    Yamaga corrobora: “Os crescimentos do consumo de tintas à base de poliuretanos acompanham os vários segmentos; esses podem crescer de 3% a 4% ao ano, como no uso em repintura automotiva e moveleira, e de 4% a 5% ao ano, em máquinas agrícolas, ônibus e na manutenção industrial”.

    E prossegue: “Por definição, tintas e recobrimentos atingem diversos substratos como alvenaria, metais em geral, madeira, plásticos e outros. A indústria de tintas está em transformação”.

    Também sócio-diretor da RY, Francisco Rácz informa que, devido às suas características de resistência ao intemperismo e a UV e propriedades mecânicas do filme, as tintas PU têm importância estratégica na rota de criação de valor de durabilidade e redução do ciclo de repintura:

    Tintas e Revestimentos: Aplicações com resinas poliuretânicas ©QD Foto: iStockPhoto
    Rácz: alta resistência do PU valoriza o produto final

    “As tintas de performance ou especiais, nas quais o poliuretano tem importante presença, apresentam projeções de crescimento para os próximos 5 anos entre 3% a 5% ao ano, quase o dobro do total de tintas projetado para o Brasil”, apontou.

    Destaque para as tintas de performance ou especiais, para os elementos de construção, madeiras, plásticos, repintura automotiva, automotiva OEM, veículos e implementos agrícolas, transportes, manutenção leve, manutenção pesada, entre outros.

    “Estima-se que o comércio de tintas PU poderá representar, em 2026, de 13% a 15% do total de tintas no Brasil, em valores. O mesmo se dará nas praças adjacentes na América do Sul, como Colômbia, Argentina, Peru, Chile e outros países onde se identificam oportunidades de crescimento pela conversão de tecnologias”, explica Rácz.

    Da Mata relata que, “com a estratégia de equipes focadas nos principais mercados e lançamentos de novos produtos, a Química Anastacio mantém a meta de crescimento acima de 20% para 2022, mesmo considerando o cenário adverso, contando com parceiros em mais de 60 países, e procura sempre oferecer mais opções em qualidade e custo.

    Possuímos estrutura dedicada para armazenagem de diversos produtos, entrega just-in-time, safety stock e serviço de gestão do inventário, solução one-stop-shop (pacote de produtos e serviços unificados), consolidação de matérias-primas desde a origem e operação door to door”, salientou.

    “Além de várias modalidades de embalagens e volumes, blend de sólidos, de acordo com os requisitos específicos do cliente, oferecendo soluções exclusivas sob medida”, assevera o executivo.

    Santos, da Adexim-Comexim, frisa que o segmento é forte e deve continuar crescendo, mas, “a curto prazo, creio que as comercializações estão estagnadas por conta do momento econômico, da guerra na Ucrânia, e da falta de insumos.

    Temos que ter um olhar otimista para o futuro e projetar grandes oportunidades, mas não é fácil traçar prazos muito definidos”.

    Por sua vez, Souza é taxativo: “PU é sempre PU, seja base solvente ou base água, sempre haverá uma excelente procura, a curto, médio e longo prazos.

    Tratando-se de tintas, francamente não há produtos de melhor desempenho no momento, em termos gerais.

    No Brasil somos muito fortes, um dos maiores players: oferecemos produtos bem diversificados para todas as aplicações com excelente desempenho para pisos industriais, madeira, repintura automotiva e, particularmente, para a indústria, compreendendo máquinas e equipamentos”.

    “Temos uma linha bem diversificada de resinas poliéster saturada, alquídicas diferenciadas e catalisadores aromáticos com baixo teor de monômero livre, proporcionando um excelente resultado e estabilidade sem problemas de toxidade e bem difundidos no comércio. Há para pronta entrega, assim como nos alifáticos. Também temos disponibilidade para atender a todos e agora, novamente, para embalagens menores para os que não têm recursos para investir em tambores. A Galstaff Multiresine é uma empresa completa em termos de oferta de poliuretano, dispomos também de auxiliares que ajudam a melhorar o desempenho dos produtos nas mais diversas formulações”.

    Metas – O grande objetivo da Covestro para os próximos anos está no desenvolvimento de soluções mais sustentáveis e circulares, revela Ana Paula.

    “Atualmente, já possuímos produtos baseados em biomassa, que entregam uma significativa redução na pegada de carbono em relação aos produtos similares fabricados a partir de matérias-primas fósseis. É o caso da linha de isocianatos Desmodur CQ e da linha de resinas Decovery.”

    “Recentemente, anunciamos a criação de um novo portfólio denominado com o sufixo CQ – os produtos refletem o nosso compromisso com a economia circular, destacando quais possuem matéria-prima alternativa em sua composição”, discorre a gerente.

    “Entre outras novidades, pode-se citar também o portfólio adquirido da RFM, divisão de resinas e materiais funcionais da holandesa DSM, com resinas acrílicas de altos sólidos e uma linha completa de sistemas base água para revestimentos, tintas de impressão e adesivos, entre outras tecnologias”.

    Ana Paula aposta no crescimento contínuo, “pois a tecnologia dos poliuretanos alia alta performance, produtividade e sustentabilidade, sem contar o aumento no tempo de vida útil da superfície aplicada. Outro sinal desta expansão é o próprio aumento do uso das tintas PU em diferentes áreas”.

    Souza conjetura: “as possibilidades de expansão já estão ocorrendo e a abrangência vem sendo cada vez maior. Porém, o nível de qualidade e exigência vem aumentando consideravelmente e estamos muito fortes, oferecendo sempre as melhores opções para atender a todos”.

    E antecipa: “estamos muito próximos de iniciar um trabalho com os poliuretanos 1k e 2k base água para expandir ainda mais a nossa participação no comércio. Estamos em busca contínua de crescimento e oportunidades”.

    Ele menciona que, na Galstaff, “os poliésteres base solvente são muitos, para todo perfil de cliente, sempre com qualidade e excelente desempenho, para secar rápido, com pot life longo, brilho alto e ótima adesão para primer, verniz de acabamento, basecoat, enfim para tudo que é necessário em termos de exigência e bom gosto. As linhas de produtos são chamadas de Ftalon, Italester, Sintal, Uronal e Mitteis, aditivos de superfície específicos para PU”.

    Como a Adexim-Comexim “possui uma linha de resinas poliuretânicas bem diversificada”, Santos adiciona que a meta é “explorar melhor os diversos ramos de aplicações e expandir ainda mais o negócio”.

    Ele salienta que as resinas da empresa são de poliuretano base água monocomponente com aplicações diversas, por exemplo, piso, madeira, adesivos, tinta de impressão e couro.

    A Bondthane UD 375, uma das campeãs de vendas, é uma resina com efeito soft touch, que possui 60% de sólidos num sistema totalmente estável.

    Pode ser aplicada em diversos substratos, mas o seu maior consumo está no setor de couro.

    Além dos investimentos contínuos em tecnologia e estrutura, Da Mata, da Química Anastacio, informa que a meta é expandir a participação na América Latina e anuncia que “ainda em 2022, haverá muitas novidades em relação ao portfólio de produtos com parcerias exclusivas”.

    Tintas e Revestimentos: Aplicações com resinas poliuretânicas ©QD Foto: iStockPhoto
    Da Mata: demanda cresceu 3% a 4% no primeiro semestre

    “Temos parceria de distribuição exclusiva dos aditivos de performance PU da Evonik, com destaque para Dabco T-12: Dibutildilaurato de estanho (DBTDL) catalisador para cura de tintas e selantes PU; Dabco Crystalline: Amina PU mais utilizada no mundo, conhecida como Teda Cristal; Kosmos T-9: ocotato de estanho, usado como secante para tintas; Dabco DMEA: catalisador amínico universal; Polycat 8: Catalisador amínico; Ortegol CXT: reticulante e extensor de cadeia.”

    Evolução – Rácz enfatiza que as fontes de fornecimento desta tecnologia estão alinhadas aos compromissos de sustentabilidade e competitividade necessários à evolução da cadeia de valor das tintas.

    “A crescente introdução de poliuretanos à base de água é uma evolução tecnológica importante. Além disso, as modificações das moléculas tradicionais com grupos funcionais diferentes trarão também benefícios crescentes”.

    Ana Paula reforça que Covestro fez um grande investimento na aquisição da divisão de resinas funcionais da DSM no ano passado, tornando-se hoje uma das principais produtoras de resinas sustentáveis.

    “O foco, agora, está na mudança do mindset do mercado brasileiro e latino-americano, apresentando as infinitas possibilidades das nossas soluções, trabalho este realizado pela equipe com o suporte técnico do laboratório em São Paulo”.

    Santos, da Adexim-Comexim, comenta que é hora de “trabalhar para manter a disponibilidade de produtos, planejando com o cliente e fazendo todo o possível para honrar os compromissos.

    Não é uma tarefa das mais fáceis, pois temos que lidar o tempo inteiro com situações adversas causadas pelo atual cenário global, como atrasos de navios, fretes altíssimos e outros imprevistos”.

    Souza garante que a Galstaff está muito bem direcionada e constantemente atenta às necessidades dos clientes, procurando lançar produtos novos para atingir o maior número de consumidores e oportunidades.

    Nesse contexto, “somos sensíveis a melhorias e mudanças, visando sempre à busca de crescimento. Somos uma empresa média e bem alinhada com as necessidades dos clientes. A equipe de trabalho procura desenvolver alternativas e serviços que diferem de uma empresa que oferta apenas resinas. Oferecemos soluções e serviços”.

    Sem entrar em detalhes, ele comunica quer os investimentos ocorrem naturalmente, na medida em que surgem as necessidades.

    “A estratégia é continuar focando naquilo em que somos melhores, para que sejamos mais especializados no trabalho, enfrentando com os pés no chão todas as adversidades. Em momentos de transição não é conveniente ficar investindo em produtos distintos da nossa expertise. É melhor alocar mais esforços no que somos melhores para fazer cada vez mais perfeito”, arremata.

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