Tintas Automotivas – Vendas recordes de carros e chegada de montadoras garantem bons resultados

Revista Química e Derivados, Tintas automotivas, Vendas recordes de carros e chegada de montadoras garantem bons resultadosDepois da produção recorde de 3,638 milhões de veículos em 2010 e de 2,02 milhões de unidades nos sete primeiros meses deste ano (5,7% a mais do que no mesmo período do exercício anterior), o segmento de tintas automotivas tem muito a comemorar.

“Para as tintas automotivas originais, as perspectivas até o final do ano continuam otimistas”, avalia Fernanda Michelle Baptista, coordenadora de marketing de tintas automotivas da Basf. Ela adverte, porém, que “a limitação de concessão de crédito à pessoa física e a elevação dos juros podem resultar em crescimento abaixo do previsto para o ano”.

Revista Química e Derivados, Miguel Egydio dos Santos, gerente de marketing da Dow Coating Materials
Santos: players traçam suas estratégias de crescimento

Com os números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em mãos, Miguel Egydio dos Santos, gerente de marketing da Dow Coating Materials, diz que a tendência de crescimento está diretamente relacionada com o crescimento do mercado automotivo. “De acordo com a Anfavea, o primeiro trimestre de 2011 apresentou um crescimento de produção de 4,3%, comparado ao ano anterior. As montadoras projetam um crescimento anual de 1%, em relação a 2010.”

Santos observa, no entanto, que os dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) não coincidem com os da Anfavea. Este contraste implica que “caberá aos players do mercado traçar as suas estratégias”. Os fabricantes de tintas preveem para 2011 uma expansão de 4% tanto para tintas automotivas originais (equivalente à venda de 52 milhões de litros) como para repintura (53 milhões de litros).

O otimismo reinante se projeta para os próximos anos, especialmente, diz Fernanda, com o aumento das inovações tecnológicas: “O mercado brasileiro tem apresentado atrativos para empresas estrangeiras, a exemplo das montadoras Cherry e JAC, que já anunciaram investimentos na produção de veículos no Brasil. Além disso, a Volkswagen, a Fiat e a General Motors têm investido no aumento da capacidade produtiva no país.”

André Luiz de Oliveira, supervisor de desenvolvimento de mercado e assistência técnica em Coatings, da Reichhold do Brasil, comenta que, além desses investimentos, há vários lançamentos de produtos com a inserção de novas cores no mercado: “O consumidor brasileiro já pode diversificar as suas opções, além dos tradicionais preto e prata.”

Revista Química e Derivados, Fernanda Michelle Baptista, coordenadora de marketing de tintas automotivas da Basf
Fernanda: mercado local pede mais inovações na pintura

Oliveira afirma que a percepção de perspectiva positiva “demonstra que mais montadoras precisarão de tintas e vernizes, e isso vai além do aumento de competitividade, o que também retrata que o mundo, atualmente, vê o mercado local com grandes possibilidades de crescimento”. O que gera uma certa preocupação, na sua opinião, é o cenário internacional.

Fernanda informa também que o mercado de tintas automotivas originais tem apresentado “alta demanda de inovação no processo de pintura, seguindo uma tendência global”.

Por causa disso, a Basf “prima pelo foco e investimento em inovação nesse segmento”. Ela explica que uma das principais tendências é a migração da utilização de tintas à base de solvente para a tecnologia à base de água, na qual a empresa é pioneira.

“Temos trabalhado fortemente, ainda, para atender às necessidades de nossos clientes, que estão caminhando para a adoção da tecnologia do processo de pintura integrado”, revela Fernanda. A Basf foi pioneira na implementação do processo integrado, lançando sua primeira variante em parceria com a Mercedes, na cidade de Rastatt, na Alemanha, em meados dos anos 90.

“Esse processo reduz o espaço físico necessário para a pintura e o número de estufas utilizadas. Com isso, as despesas relacionadas ao processo (consumo de energia, manutenção das estufas etc.) também são reduzidas. Finalmente, a integração resulta em menor impacto ambiental (menos emissões) e contribui com a melhoria do processo de pintura da carroceria e redução de seu custo total”, complementa Fernanda.

 

Oliveira resume: “As novidades estão nos sistemas com menor agressão ao meio ambiente e com produtos com menor VOC, aliando inovação e sustentabilidade.” Para lidar com problemas ambientais como a emissão de VOC, as alternativas são várias e vão desde os sistemas que trabalham com alto teor de sólidos, passam também pelas tintas em pó, e chegam aos sistemas à base de água.

Como uma empresa global, a Reichhold tem tecnologias de baixo VOC para diversos mercados, que estão inseridas em suas diversificadas linhas de produtos Beckosol, Kelsol, Epotuf, Arolon, Aroplaz e Fine Clad. Há destaques como as resinas Epotuf 20-013 (éster de epóxi) e Kelsol 15-262 (alquídica), que são utilizadas em primers e acabamentos base água aplicados por imersão, principalmente para o mercado de autopeças.

Por outro lado, continua Oliveira, a Reichhold vem trabalhando em tecnologias base água, também voltadas para a questão da sustentabilidade. Trata-se dos produtos da linha Beckosol Aqua e Beckosol ECO, que ainda estão encontrando maior uso nos mercados de tintas imobiliárias e industriais, mas que, num futuro breve, poderão atingir até mesmo o mercado de tintas automotivas.

A Reichhold fornece vários tipos de resinas “sempre desenvolvendo fortes parcerias com produtores locais”. Oliveira cita que, dentre todas essas tecnologias, estão os diversos tipos de polímeros, como as resinas alquídicas, com a Beckosol 15-250 e a Beckosol 13-42160X para esmaltes; as resinas poliésteres para massas como a Polylite 32-374, a Polylite 10-372 e a Polylite 10-321, e também as resinas acrílicas, como a Arolon 21-031 para verniz acabamento P.U.

Revista Química e Derivados, Juliana Serafim Francisco, engenheira de pesquisa e desenvolvimento da Dow Coating Materials
Juliana: esforço tecnológico para melhorar sustentabilidade

Juliana Serafim Francisco, engenheira de pesquisa e desenvolvimento da Dow Coating Materials, declara que a empresa tem trabalhado em diferentes plataformas de tecnologias para o mercado de tintas industriais, entre elas o desenvolvimento de modificadores de reologia acrílicos e uretânicos para uso no base coat da linha de pintura original, proporcionando ótimo desempenho. “Além disso, desenvolvemos também um novo isocianato alifático para uso em vernizes poliuretanos, que possui excelente balanço de propriedades, como tempo de secagem, brilho e resistência a risco, superando as tecnologias utilizadas atualmente.”

De acordo com Juliana, a Dow possui um amplo e variado portfólio para o formulador de tintas, como: resinas base solvente e base água (epóxi, endurecedores, acrílicas, poliuretanas), solventes e coalescentes, modificadores de reologia, dispersantes, tensoativos, aminas e extendedores de titânio. “Participamos fortemente nesse segmento com resinas epóxi líquidas para produção do primer depositado catodicamente, sendo a fábrica do Guarujá a única planta desse tipo de resina na América Latina. Também participamos com polióis acrílicos para formulação de vernizes poliuretanos, solventes e modificadores de reologia para base coat base água.”

O portfólio da Basf é, segundo Fernanda, direcionado para soluções de ponta em todo o processo de pintura (basecoat, clearcoat, topcoat e primers). As tintas automotivas originais da Basf para a América do Sul são produzidas nos complexos de Tintas e Vernizes, localizados em São Bernardo do Campo-SP, para atender à demanda sul-americana; e em Buenos Aires (Argentina), cuja produção é focada em primer, basecoat e clearcoat.

A questão da preservação do meio ambiente é crucial nos tempos atuais. “Tanto no segmento de tintas automotivas originais como no de repintura, o uso de produtos com maior teor de sólidos e desenvolvidos com tecnologia à base de água são as alternativas mais utilizadas para a redução da emissão de solventes na atmosfera”, acrescenta a executiva da Basf.

Juliana ressalta que a Dow Coating Materials tem trabalhado fortemente no desenvolvimento de tecnologias que sejam sustentáveis e permitam a diminuição do impacto ambiental causado pelo processo de pintura e pela própria fabricação das tintas. “Uma das alternativas para diminuir a emissão de VOC é trabalhar com formulações de altos sólidos e, portanto, com menor teor de solvente. Para isso, a Dow tem trazido para o mercado novas resinas (epóxi, endurecedores e acrílicas) com baixa viscosidade, diminuindo ou eliminando a necessidade de incluir solventes na formulação, sem prejudicar a performance da tinta, tanto durante a aplicação como após a secagem.”

Outra possibilidade para a indústria de tintas é, diz Juliana, migrar para os revestimentos base água, que têm se tornado uma opção cada vez mais viável em termos técnicos e econômicos. “A Dow possui uma extensa e diferenciada linha de resinas base água, com destaque para as dispersões de epóxi produzidas por meio de um processo único e inovador, patenteado pela companhia, com as quais se formulam tintas de desempenho superior em relação às tecnologias convencionais. Além das resinas epóxi, temos endurecedores base água e emulsões acrílicas para diferentes requerimentos e usos do segmento industrial.”

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