Tintas – Antiespumantes buscam menor impacto ambiental

Os fornecedores de antiespumantes e desaerantes, aditivos usados nas tintas e vernizes com o objetivo de combater as bolhas de ar que surgem durante o processo de produção e envase, não têm do que reclamar em 2007. As vendas foram boas, como em toda a cadeia produtiva do setor de tintas, que cresceu 8% em volume, conforme a estimativa da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). Para 2008, a expectativa é de que as vendas continuem aquecidas.

Diante desse cenário, o desafio para os fornecedores dos aditivos é a oferta de produtos com maior valor agregado e, preferencialmente, que atendam a um requisito cada vez mais importante no setor: o baixo impacto ambiental. Ao mesmo tempo, os fornecedores dos insumos já começam a se preparar para um novo perfil de demanda, onde os aditivos serão multifuncionais, dispensando o uso de produtos específicos para o combate às bolhas.

Segundo a estimativa de alguns fornecedores, o mercado brasileiro de antiespumantes e desaerantes para tintas e vernizes movimenta aproximadamente três mil toneladas por ano. Sendo que os antiespumantes representam por volta de 90% do total. Esses aditivos são divididos em duas bases tecnológicas principais: os aditivos à base de óleo mineral e vegetal e os aditivos à base de silicone. Existem produtos com outros polímeros e também com outras tecnologias, mas com pequena participação nas vendas.

A relação de preços é amplamente vantajosa para os antiespumantes à base de óleo mineral ou vegetal; dependendo do fornecedor, eles chegam a custar entre R$ 2,00 e R$ 5,00 o quilo, enquanto os aditivos à base de silicone variam de R$15,00 aR$ 20,00. Em compensação, a dosagem exigida dos aditivos com silicone é entre 10% e 20% menor.

A aplicação dos antiespumantes com óleo mineral e vegetal é limitada, pois eles atenuam o brilho da tinta, sendo indicada, portanto, para o mercado de tintas decorativas foscas. Já os aditivos com silicone possuem uma ação mais rápida e podem contribuir para melhorar o nivelamento do filme e manter suas características depois de curado. Antiespumantes e desaerantes possuem funções distintas. Os primeiros aceleram a quebra das chamadas macrobolhas, que se encontram na superfície da tinta. Já os desaerantes têm a função de combater as microbolhas, que estão incorporadas no corpo da tinta, o aditivo age envolvendo e juntando as pequenas bolhas, formando uma bolha maior que vai mais rapidamente para a superfície da tinta e estoura. Os desaerantes são consumidos principalmente pelas indústrias de tintas industriais e automotivas.

Na formulação de tintas, utiliza-se surfactantes, também conhecidos como tensoativos, para diminuir a tensão artificial entre os ingredientes com diferentes polaridades. Toda tinta usa surfactantes, mas o consumo é maior nas tintas à base de água. Os surfactantes, porém, apresentam como efeito colateral uma tendência de formação de espumas.

A presença de espuma durante a fabricação da tinta, especialmente na dispersão e moagem, reduz a eficiência do processo. A espuma também é um entrave ao envase, devido ao volume. Já na aplicação, a presença de bolhas na tinta tem o poder de comprometer o resultado final, gerando irregularidade no filme aplicado, como a presença de crateras, um efeito popularmente conhecido como olho-de-peixe.

Silicones modificados – Os aditivos à base de óleo mineral são comoditizados e apresentam pouca inovação tecnológica. No Brasil, há vários fabricantes. Já os antiespumantes e desaerantes com maior valor agregado são, em geral, importados. A alemã BYK, líder mundial de aditivos, aparece como a maior nesse segmento de mercado. A empresa conseguiu essa posição em antiespumantes por ter sido a pioneira no desenvolvimento do aditivo formulado com silicone bloqueado polimericamente, relatou o diretor regional de vendas Aurélio Rocha. O antiespumante com o tradicional silicone livre pode apresentar, como efeito de uma má calibragem do formulador, defeitos como formação de crateras e estrias, ou a perda de aderência entre as camadas de demão. A tecnologia do silicone bloqueado evita esse conjunto de problemas.

Química e Derivados, Aurélio Rocha, Tintas - Antiespumantes buscam menor impacto ambiental
Rocha: silicone bloqueado evita problemas de dosagem

 

A tecnologia desenvolvida pela BYK, porém, já é de domínio aberto. Rocha informou que a empresa investe no constante aprimoramento do produto como estratégia de se manter na liderança. No Brasil, a BYK atua por meio de importação do aditivo da Alemanha e é representada pela Bandeirante Brazmo. Aurélio Rocha explicou que o foco de atuação da empresa no Brasil no segmento de antiespumantes para tintas é o segmento de tintas e vernizes decorativos de alta performance, em base aquosa, além dos mercados de tinta industrial e tinta automotiva.

Outra empresa com forte presença no mercado brasileiro é a Evonik, do grupo Degussa, com sua linha de aditivos Tego. Conforme relata Renato Stoikov, chefe de produto de aditivos para tintas, a tecnologia da Evonik para antiespumantes e desaerantes também é baseada em silicones modificados com polímeros, em especial poliésteres.

A estratégia da Evonik, informou Stoikov, é o desenvolvimento de antispumantes e desaerantes customizados, específicos para cada aplicação. “Na linha de aditivos da Tego, formada por mais de 150 itens, aproximadamente um quarto é de antiespumantes e desaerantes”, afirmou o executivo. Uma tendência, comentou Stoikov, é a oferta de produtos que geram menor impacto ambiental, livres ou com baixos teores de VOC (Compostos Orgânicos Voláteis). Exigência cada vez mais comum entre os consumidores europeus, e que já começa a ser comum no Brasil, demandado principalmente por fabricantes de tintas internacionais que atuam no país.

Química e Derivados, Renato Stoikov, Chefe de produto de aditivos para tintas, Tintas - Antiespumantes buscam menor impacto ambiental
Stoikov: clientes querem reduzir emissões de VOCs

A Evonik atua no mercado brasileiro de aditivos para tintas por meio de importação, pois os produtos Tego são fabricados na Alemanha. Em 2005, aempresa adquiriu da Wacker a linha de aditivos Addid, hoje Tego Addid. Um nicho importante para os produtos Tego é o de tintas para impressão. O foco dos aditivos Tego, salientou Stoikov, são as tintas à base de água e as curáveis por ultravioleta. A linha Tego, portanto, tem se beneficiado do movimento que vem ocorrendo nos últimos anos de migração de sistemas de tintas com solventes para as de base aquosa e tintas UV. “Nossas vendas têm crescido 20% ao ano desde 2004”, afirmou o executivo.

A Momentive também atua no mercado por meio de uma linha de aditivos antiespumantes com tecnologia de silicone modificado (polidimetilsiloxano), a CoatOSil. Segundo informa André Victor Danc, gerente regional de marketing – Silanos e Especialidades, a maioria dos aditivos CoatOSil são líquidos em temperatura ambiente, solúveis em metanol, acetona, xilol, cloreto de metileno e isopropanol. A linha conta ainda com duas versões em ceras sólidas, indicadas especialmente para tintas em pó.

Danc informou que os aditivos CoatOSil são, em sua maioria, copolímeros de bloco silicone-poliéter, tendo uma grande variedade de versões com diferentes propriedades e compatíveis com diferentes tipos de tinta, sendo aplicados em tintas à base de água ou solvente, de altos sólidos, tintas em pó e curadas por UV (ultravioleta), assim como tintas de impressão.

Outra característica da linha de aditivo, informou o executivo, é ser formada, principalmente, por produtos que não contêm solventes e que são 100% ativos, reduzindo assim o impacto ambiental. Uma estratégia que a Momentive está colocando em prática para ampliar a sua participação no mercado é o apoio laboratorial aos seus clientes. Conforme informa Danc, a empresa recentemente atualizou e ampliou seu laboratório de assistência técnica para a área de tintas, em Itatiba-SP. “O objetivo é ajudar nossos clientes no desenvolvimento de produtos e aplicações, além de fortalecer, ainda mais, nossos pré e pós-vendas dessas especialidades químicas”, disse o executivo.

Química e Derivados, Kátia Braga, Gerente de vendas, Tintas - Antiespumantes buscam menor impacto ambiental
Kátia: molécula hidrofóbica abate espuma e dá nivelamento

Molécula antiespumante – A Cognis, por sua vez, atua no mercado de antiespumantes por meio de mais de uma plataforma tecnológica e mescla produção local com importação. A empresa produz no Brasil, em sua planta em Jacareí, no interior paulista, os aditivos à base de óleo mineral e óleo vegetal. Os antiespumantes produzidos com óleo vegetal, comentou a gerente de vendas Kátia Braga, têm a vantagem de utilizar matérias-primas renováveis, originadas, por exemplo, de soja e coco, e possuir características biodegradáveis. Segundo Braga, a diferença de preços entre os aditivos em óleo mineral e óleo vegetal é baixa e a qualidade praticamente idêntica. Por outro lado, o apelo ambiental favorece o fortalecimento da linha de óleo vegetal.

Os antiespumantes à base de silicone modificados da Cognis são importados da Alemanha e Espanha e também apresentam baixo ou nenhum teor de VOC. A novidade da estratégia da Cognis no Brasil é que, em2007, aempresa finalmente resolveu investir na comercialização local de sua linha Foamstar, importada dos Estados Unidos. Como explicou Kátia Braga, os antiespumantes Foamstar atuam por meio de uma molécula hidrofóbica que tem como propriedade a quebra de espuma. “É um sistema de alta eficiência e de baixo impacto ambiental, que tem ainda como característica melhorar o nivelamento da tinta”, disse Braga. O antiepsumente Foamstar, porém, apresenta um preço aproximadamente 50% superior ao dos aditivos com base em óleo mineral.

Outra companhia com um leque amplo de tecnologias em antiespumantes é a Troy, representada pela Carbono. A produtora atua por meio de antiespumantes importados à base de óleo mineral, ceramidas e co-polímeros diversos. Segundo relatou o executivo da Troy, Carlos Alberto Gonçalves, a estratégia da empresa é o desenvolvimento de produtos com baixo VOC e livres de VOC.

Química e Derivados, Carlos Alberto Gonçalves, Executivo da Troy, Tintas - Antiespumantes buscam menor impacto ambiental
Gonçalves: diversas opções para acabar com as bolhas

A Clariant também apresenta uma plataforma variada de tecnologiasem antiespumantes. Emsua fábrica em Suzano, na Grande São Paulo, produz os aditivos com base em óleo mineral e vegetal, os últimos voltados para o mercado de açúcar e álcool, e as linhas Genapol e Prevol, que são antiespumantes feitos com polímeros de bloco, propileno e etileno, tanto à base de água como à base de óleo mineral e vegetal. Já os aditivos com silicone são importados da Alemanha.

Conforme relataram Andreas Hardt, gerente de Industrial Performance Chemicals para a América Latina, e o vendedor técnico Danilo Pereira, a maior aposta da Clariant é a linha Antimussol, também importada, mas do México. O Antimussol é um surfactante à base de óleo mineral, compatível com vários sistemas, como acrílico puro, acrílico-estirenado, estireno-butadieno, PVA e PVA acrílico. Os dois principais produtos da linha são o Antimussol W06, indicado especialmente para sistemas com PVC, tendo como foco o segmento de tintas de alta performance, e o Antimussol Z70, que tem base de óleo mineral e pequena dosagem de silicone, sendo indicado para tintas, vernizes e adesivos.

“A vantagem do Antimussol Z70”, explicou Pereira, “é que ele se situa em um patamar intermediário. Apresenta uma performance bastante superior aos antiespumantes convencionais à base de óleo mineral e um preço reduzido, comparando-se com os aditivos com silicone”. Pereira informa ainda que o produto exige uma dosagem menor. Enquanto um antiespumante convencional é aplicado em doses que variam de 0,5% a 1% da fórmula, a dosagem do Antimussol varia de 0,2% a 0,5%.

Outra característica da linha Antimussol é seu reduzido impacto ambiental, por ser biodegradável e também ter uma formulação livre de nonilfenol etoxilado. “A busca por aditivos que agridam menos o meio ambiente é uma realidade na Europa, até por exigência legal, mas deve também crescer no Brasil nos próximos anos. As multinacionais de tintas que atuam aqui começam a migrar para os aditivos menos agressivos ao ambiente”, comentou Andreas Hardt.

Química e Derivados, Danilo Pereira, Vendedor técnico, Tintas - Antiespumantes buscam menor impacto ambiental
Pereira: surfactante se adapta a vários tipos de formulação

Aditivos multifuncionais – Outra aposta da Clariant, informa Hardt, é no desenvolvimento de aditivos multifuncionais. A tendência, apontada pelo executivo, é de que em um prazo de cinco anos, novos aditivos com maior valor agregado cheguem ao mercado. Essas novas linhas incorporarão funções em suas fórmulas que reduzem a geração de espumas. Se a premissa da Clariant se provar verdadeira, a formulação da tinta exigirá cada vez menos a incorporação de aditivos com funções exclusivamente de antiespumantes.

Enquanto essa evolução não ocorre, a preocupação da Clariant é aumentar a sua fatia no mercado de antiespumantes. Pereira relatou que, em2007, aempresa registrou um crescimento de vendas na casa de 10% e a expectativa é de uma performance ainda melhor em2008. Aestratégia, informou, consiste em ampliar a atuação nos mercados que exijam alta performance, com a oferta de produtos com maior valor agregado e também serviços técnicos, por meio do laboratório da empresa, aberto para os testes de performance dos produtos.

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