Tintas e Revestimentos

Tintas anticorrosivas – Encomendas de navios e plataformas de petróleo sinalizam crescimento e sofisticação da demanda

Domingos Zaparolli
25 de agosto de 2007
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    Um fator novo no mercado de tintas anticorrosivas é que, entre as empresas que adotam o chamado consumo consciente, que já consomem tintas à base de água ou de altos sólidos, começa a haver uma abertura para a aquisição de produtos com tecnologias ainda mais ecologicamente avançadas, sem insumos agressivos em suas formulações. Situação que não ocorria há poucos anos, apesar da disponibilidade dos produtos no mercado brasileiro. O que está havendo é uma mudança de comportamento do consumidor, afirma Queiroz.

    Insumos amigáveis – Os produtos disponíveis com inovações que garantem um menor impacto ambiental e à saúde humana são muitos. Entre as principais tendências que ganham relevância no mercado brasileiro estão as tintas livres de metais pesados e isentas de alcatrão de hulha. A International Paint, por exemplo, optou por interromper a produção de tintas com alcatrão em dezembro de 2006 e só comercializar produtos TAR Free.

    O alcatrão de hulha é um insumo cancerígeno durante sua manipulação e já foi proibido na Europa. O alcatrão, porém, é um produto com alta resistência química e à abrasão e de baixo custo. Já os produtos TAR Free são produzidos com um epóxi modificado com resinas plásticas, informa Queiroz, da Renner.

    Segundo Campregher, da Weg, as tintas TAR Free apresentam um desempenho equivalente às tintas com alcatrão, mas com um preço até 20% mais caro. Uma limitação das tintas de alcatrão é que elas só podem ser formuladas nas cores preto e marrom, enquanto as tintas TAR Free são compatíveis com todas as cores.

    No mercado de tintas marítimas, uma inovação relevante é a que está sendo apresentada pela International Paint. A empresa desenvolveu um produto isento de biocidas tributilestanhos (TBT), produto agressivo usado para combater as cracas que grudam nos cascos dos navios. O produto apresenta tecnologia inerte à base de fluorpolímero. Estudos da International Paint apontam que, sem cracas, os navios conseguem fluir mais rápido, podendo gerar uma economia de 6% no combustível gasto em uma viagem.

    Outra inovação da empresa, que tem no segmento marítimo seu principal foco, apesar de não ser o único, é o Interplate Zero, um shop primer, utilizado no pré-tratamento de chapas de aço, que é composto com silicato de zinco à base de água, portanto completamente isento de solventes.

    Em inovações que representam proteção à vida, uma tendência importante são as tintas antichamas. Há pouco mais de dois anos a International Paint lançou dois produtos com este propósito no mercado brasileiro, mas só agora começam a despertar o interesse dos compradores. Um dos produtos, a linha Chartek, oferece proteção contra fogo de hidrocarbonetos, é indicada para a indústria petrolífera. A outra é a Interchar para fogo celulósico, utilizada no revestimento de prédios comerciais e residenciais.

    São tintas de alto sólidos produzidas com epóxi intumescente. Em situação de incêndio, a tinta estufa, formando um filme isolante. Com isso, gera-se um período de aproximadamente duas horas para a desocupação do ambiente e o combate ao fogo. Em plataformas de petróleo, a tecnologia é uma opção mais leve à tradicional aplicação de argamassa projetada sobre a estrutura metálica.

    Proteção de tanques – Um segmento que passou a ser bastante disputado é o de proteção a tanques de armazenamento de líquidos, como petróleo, etanol e produtos químicos. Até recentemente, apenas a Sumaré possuía um revestimento à base de epóxi fenólico com este objetivo. Nos últimos meses, porém, a Weg lançou a linha Weg Fenoxi, a International lançou a linha Interline, enquanto a Renner lançou o Revchem DHR 870, produzido com epóxi fenólica novolac.

    “A vantagem desta tecnologia é a liberação do tanque pintado em curtíssimo espaço de tempo, em menos de 48 horas, enquanto as tecnologias tradicionais exigem duas semanas de secagem. Essa rapidez evita lucros cessantes e representa uma significativa redução de custos operacionais”, diz Queiroz, da Renner.

    Segundo a Dow Brasil, fornecedora de epóxi novolac, outra grande vantagem da nova resina é sua capacidade de resistir a altas temperaturas. Enquanto um tanque revestido com epóxi tradicional opera a uma temperatura de até 60ºC, com uma resina epóxi novolac, a resistência do tanque chega a 100ºC.

    Lucros reduzidos – Nos últimos anos, o segmento de tintas anticorrosivas sofreu com os baixos índices de investimentos na economia brasileira e também pela alta do preço de um de seus principais insumos, o epóxi. Há dois anos, o quilo da resina era comercializado a US$ 2,50. Hoje os contratos internacionais variam entre US$ 4,50 e US$ 5,00 o quilo. Segundo João Batista Jensen, gerente de marketing da divisão de epóxi da Dow Brasil, a escalada do preço da resina é resultado da baixa oferta mundial dos dois insumos básicos de sua formulação, a epicloridrina, obtida com cloro e propano, e o bisfenol- A, derivado do fenol.

    A situação só deve se normalizar em 2010, quando está programada a entrada em operação de uma nova unidade da Dow com capacidade de produzir 100.000 MTPA (milhões de toneladas por ano) de resinas epóxi líquidas em Jiangsu, na China.

    Os fabricantes de tintas anticorrosivas relatam que o setor conseguiu repassar apenas parcialmente o aumento do epóxi para os preços das tintas, o que gerou uma grande redução da margem de lucro. O crescimento do mercado e a tendência de evolução das vendas de produtos com maior valor agregado podem representar um alívio a este aperto na lucratividade.

     

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