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Química

Tintas – Acrílicos caros e escassos estimulam a criatividade química dos resineiros

Marcelo Fairbanks
15 de junho de 2010
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    Automotivas – A produção de tintas OEM (para as montadoras) está concentrada nas mãos dos poucos fabricantes que dominam esse segmento e elaboram suas resinas. “Conseguimos algumas encomendas para produtos específicos, como os usados para proteção contra pedras, ou os poliuretanos dispersos modificados com óleos vegetais, aplicados nas pinturas para couros e plásticos, com efeito soft touch”, afirmou Carrascosa. É um caminho de baixo volume, mas atraente.

    Na repintura, a possibilidade de concorrência entre várias empresas abre caminho para diversos suprimentos. O gerente de mercado vê qualidades distintas de demanda, desde os sistemas alquídicos com solventes, os mais tradicionais, até os avançados sistemas acrílicos de base aquosa ou os poliuretanos de alto desempenho. “Temos produtos e clientes em todos esses mercados”, comentou.

    Uma dificuldade para a popularização dos acrílicos aquosos reside na necessidade de contar com equipamentos mais sofisticados, como as cabines de pintura com atmosfera controlada. “Isso pode ficar muito além da capacidade de investimento dessas oficinas”, avaliou. Daí a preferência recente por sistemas poliuretânicos, que curam rapidamente “no tempo”, sem estufas. Há mercado também para emulsões acrílicas modificadas, mas o domínio ainda está com os produtos tradicionais.

    “Temos uma posição mais interessante nas massas automotivas de poliéster, dominantes nos Estados Unidos, com desempenho superior ao das acrílicas, que amarelam”, explicou Carrascosa. A massa poliéster admite lixamento a seco, com facilidade, uma tendência entre os reparadores de veículos.

    Tintas em pó e flexíveis – O mercado das tintas em pó exige o desenvolvimento de resinas com temperatura mais baixa de cura, para economizar energia. Além disso, os usuários pedem masterbatches com mais opções de cores, quebrando a ditadura do preto, branco e cinza que ainda dominam as paletas. “Há uma grande possibilidade de desenvolvimento de cores e efeitos, como a pele de alligator [crocodilo], com usos em telhas e sobre vidros”, afirmou Carrascosa. A Reichhold lidera esse mercado no Brasil e também oferece sistemas superduráveis em pó, feitos de poliésteres modificados.

    Segundo Carrascosa, as resinas para tintas em pó têm uma forte concentração nas resinas poliéster-carboxiladas. “São usadas na linha branca e nos móveis tubulares, com destaque para o tipo 70/30, números que expressam a relação entre epóxi e poliéster”, explicou. As tintas para coil coating (chapas pré-pintadas), por sua vez, usam mais os poliésteres saturados.

    A Evonik atua no segmento de coil coating com a linha Vesticoat de poliésteres saturados e hidroxilados, já misturados a isocianatos alifáticos bloqueados, garantindo alta resistência a UV e a intempéries. Esses poliésteres também são usados em tintas metalográficas, com boa aderência.

    A empresa ainda produz os poliésteres da linha Dynapol para substratos metálicos e embalagens flexíveis. O Dynapol L é fornecido na forma sólida, em sacos, para que os clientes o diluam nos solventes adequados ao uso final, conferindo alta flexibilidade e resistência aos revestimentos. A resina tem aprovação da FDA para contato com alimentos, podendo substituir revestimentos internos epóxi-fenólicos, que sofrem com as restrições ao bisfenol-A na Europa e Estados Unidos, como informou Regiane Colombo, representante técnico-comercial da área de coatings & additives da Evonik.

    As resinas metacrílicas termoplásticas Degalan, da Evonik, são indicadas para formular tintas para plásticos, metais, concreto e outras superfícies. As linhas Degaroute, Degadur e Degadeck, de metacrílicas reativas isentas de solventes, servem, respectivamente, para demarcação viária, pisos comerciais e industriais, e tratamento de fissuras, todas elas com alta resistência química e mecânica e facilidade de aplicação e velocidade de cura.

    O foco dos negócios da companhia está direcionado para a produção de tintas menos agressivas à saúde humana e ao meio ambiente, aplicando tecnologias mais modernas e seguras, desenvolvidas nos seus laboratórios. Embora as variações de oferta e demanda de insumos sejam inerentes à atividade, a Evonik incrementa suas ações no mercado para aproveitar oportunidades eventualmente disponíveis, como explicou Débora Rebuelta, chefe de produto de resinas para coatings na América do Sul. Isso é ainda mais verdadeiro no Brasil, onde os clientes da companhia estão operando próximos de sua capacidade máxima e anunciando investimentos.

    Informalidade em queda – Começam a frutificar as campanhas de regularização da atividade econômica na cadeia de tintas. Além das campanhas setoriais, a recente introdução dos sistemas de fiscalização tributária por meios eletrônicos apertou o cerco à sonegação e à informalidade. “A adoção da nota fiscal eletrônica ajudou a reduzir a concorrência desleal praticada pelos fornecedores informais”, comentou Nelson Briotto, da Clariant.

    No entanto, ele adverte para o fato de as resinas usadas pelo setor poderem ser enquadradas em milhares de posições fiscais diferentes. Um PVA para tintas credita que o mercado de tintas, e por consequência o de resinas, deve experimentar um forte crescimento no Brasil durante os próximos cinco a sete anos. “Há muita coisa acontecendo na infraestrutura, petróleo, construção civil e nas indústrias, todas consumidoras desses produtos, portanto o mercado é promissor”, finalizou Briotto.



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