Química

Tintas – Acrílicos caros e escassos estimulam a criatividade química dos resineiros

Marcelo Fairbanks
15 de junho de 2010
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    Painel mostra vários efeitos obtidos com Beckosol Aqua

    Em compensação, a atuação da companhia nos poliuretanos ainda é tímida. “No Brasil temos ligação maior com os isocianatos aromáticos (TDI), usados em espumas, enquanto as tintas consomem mais os alifáticos, que estamos desenvolvendo”, afirmou Celdia Lizardo. Em compensação, a empresa oferece polióis de soja modificados conforme as necessidades de cada cliente (linha Renuva), com excelente desempenho ambiental. Além disso, conta com a linha dos Paraloids (da Rohm and Haas), de isocianatos acrílicos, com larga aceitação no Brasil.

    Na área industrial, a Basf traz ao Brasil os acrílicos especiais Joncryl (ex-Johnson Polymers), fabricados na Argentina e em outros países. “É um mercado mais exigente em desempenho que o decorativo, mas que pode contar com importações”, explicou Cassiano. Esses produtos são demandados por clientes que têm forte atuação internacional.

    A base dos primers anticorrosivos industriais oferecidos pela Clariant é representada pelos polímeros acrílicos e os terpolímeros. “Nesse caso, durante a polimerização, são colocados alguns aditivos que proporcionam alta adesão e proteção contra a corrosão”, explicou Luiz Carlos Pestana. As resinas acrílicas podem ser blendadas com epóxis, formando produtos de alto brilho e melhor resistência à calcinação, uma deficiência dos epóxis.

    Na área naval, pontificam os poliuretanos de base aquosa, com alto desempenho, dos primers até os acabamentos. “No futuro, poderemos fornecer resinas de PU para esse mercado, hoje atendido por fabricantes de tintas integrados”, disse Pestana. Um dos campos de maior crescimento do PU está na produção de tintas para tratamento de assoalhos. Essa atividade usa um primer acrílico, seguido por um top coat de PU/acrílico (mescla elaborada pelo próprio cliente), aplicando-se um agente de reticulação específico e não-cancerígeno. Segundo Pestana, esses produtos estão sendo importados para atender à demanda local.

    Para pisos, a Reichhold oferece um PU monocomponente de base aquosa com óleo uretanizado. Os clientes adicionam secantes, aditivos e pigmentos a gosto. “Esse revestimento é formulado com extrema facilidade e seca por processo oxidativo, com grande rapidez”, explicou Antonio Carrascosa Filho.

    Atuando com amplo espectro de produtos, como alquídicos, poliésteres, acrílicos, epóxis e poliuretanos, suas blendas e modificações, a Reichhold atende às necessidades de formuladores de tintas indicadas desde manutenção leve até a proteção de plataformas de petróleo. “Há uma superposição de tecnologias nessas aplicações”, comentou. Em âmbito internacional, as camadas protetivas são dominadas pelos epóxis em base água, modificados com aminas funcionais. A Reichhold compra aminas para convertê-las em géis, de fácil aplicação. Sistemas uretânicos, mono e bicomponentes, são também muito procurados. “Os monocomponentes são preferidos, pela facilidade de manipulação”, afirmou. Os alquídicos também encontram usos industriais protetivos, tanto no campo dos sistemas amino neutralizados quanto no látex acrílico (base água).

    Notável, segundo Carrascosa, é o crescimento das tintas curáveis por radiação ultravioleta em linhas de produção industrial. A Reichhold fornece resinas epóxi-acriladas e poliésteres acrilados para esse segmento, além de poliésteres puros, sem monômeros reativos, que devem ser adicionados pelos clientes. “Essa opção é preferida em algumas situações, para dar mais opções aos clientes e reduzir custos”, comentou. A melhoria dos equipamentos de cura, agora usando LEDs de alta potência, apóia o desenvolvimento desses sistemas.

    Carrascosa também comenta o bom desenvolvimento no Brasil da produção de pás para geradores eólicos, que exigem revestimentos resistentes aos raios UV, mas que sejam muito lisos para reduzir ao mínimo a atrito com o ar. “Geralmente, as pás são feitas com resina epóxi reforçada com fibras, mas devem ser revestidas com um poliéster curável a baixa temperatura ou com um poliuretano de alta resistência, com maior durabilidade”, explicou.

    Algumas aplicações industriais ainda consomem resinas melamínicas, uretânicas e ureia-formol. São produtos mais antigos, sem previsão de crescimento de demanda, cujos custos de produção de aplicação tendem a ser maiores que os das tecnologias mais modernas.

    Pré-sal na mira – Os bilionários investimentos necessários para a exploração de petróleo e gás natural nos campos do pré-sal também atraem as atenções dos produtores de resinas para tintas. “Uma plataforma de petróleo consome, em média, trezentos mil litros de tinta, uma quantidade impressionante”, comentou Carrascosa. Segundo informou, a Petrobras prefere sistemas de base aquosa, especialmente na linha dos epóxis. A Reichhold oferece, por exemplo, um epóxi uretânico de alta resistência para essa situação. A empresa é homologada pela Petrobras para o fornecimento de resinas.

    Carrascosa salienta que as plataformas do pré-sal terão critérios mais rígidos para seleção de revestimentos protetivos, principalmente pela maior incidência de névoa salina (salt spray) em grandes distâncias da costa. “Além das tintas, há outros revestimentos sendo estudados para proteger esses ativos”, afirmou.

    Pestana, da Clariant, confirma a preferência da estatal por produtos de base aquosa nas suas pinturas, mesmo em terra firme. “Demorou um pouco para aprovar esses produtos, mas agora eles estão sendo mais usados”, afirmou Celdia Lizardo, da Dow Coating Materials, que confirma o interesse da estatal pelas tintas de base água, abrindo um mercado importante para várias tecnologias.



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