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Química

Tintas – Acrílicos caros e escassos estimulam a criatividade química dos resineiros

Marcelo Fairbanks
15 de junho de 2010
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    Química e Derivados, Edson Cimadon, Gerente-comercial da Denver Resinas, Tintas - Acrílicos caros e escassos estimulam a criatividade química dos resineiros

    Cimadon: pintor qualificado seleciona melhor as tintas

    A Reichhold lançou no ano passado a linha Beckosol Aqua de látex alquídico em base água, que dispensa coalescentes. “São alquídicas emulsionadas, tecnologia que detém 23% do mercado alquídico na Europa”, afirmou Antonio Carrascosa Filho, gerente de mercado e assistência técnica. Nada a ver com os antigos alquídicos, muitas vezes associados a produtos de baixa qualidade.

    O novo látex alquídico tem amplas aplicações no setor imobiliário, conferindo brilho, adesão e alastramento superiores aos sistemas acrílicos, com a vantagem de usar mais recursos naturais renováveis em sua composição, especialmente o óleo de soja. “Os acrílicos são mais duros que os alquídicos, e o tamanho destes é 200 vezes menor que o dos acrílicos, garantido melhor penetração em madeira”, explicou Carrascosa. Além disso, a tinta alquídica forma um polímero único na película seca, com a vantagem de não ter problemas com a temperatura de transição vítrea (TG). O esmalte formulado com látex alquídico contém apenas 15 gramas por litro de orgânicos voláteis, atendendo às legislações da Europa e dos Estados Unidos.

    A Reichhold oferece parceria tecnológica aos clientes em todas as áreas de aplicação. “Vamos até aonde o cliente nos permite ir, podemos até desenvolver uma resina nova, sob sigilo eterno, para uso exclusivo dele”, comentou. Isso dá ao setor de pesquisa e desenvolvimento maior responsabilidade, tendo a palavra final nas vendas aos clientes. “Temos 35 pessoas em P&D e contamos com o apoio da companhia nos Estados Unidos, se necessário”, disse, salientando atender muitos clientes globais, com fórmulas prontas ou abertas para tropicalização.

    No campo dos esmaltes, a Oswaldo Cruz oferece a resina acrílica Fortcryl 6850, de base aquosa, com alto brilho e adesão, com a vantagem de ter baixo odor. “Apesar da resistência de alguns pintores, as vendas dessa resina estão crescendo”, comentou Fortunato. Parte da produção é direcionada para aplicações industriais, mais receptivas.

    Química e Derivados, Julio Cesar Fortunato, Diretor-assistente da Oswaldo Cruz Química(OCQ), Tintas - Acrílicos caros e escassos estimulam a criatividade química dos resineiros

    Fortunato: tecnologia própria para criar novos polímeros

    “A pintura de madeira e metais nas residências ainda está muito ligada aos sistemas alquídicos de base solvente, embora os sistemas de base aquosa estejam em fase de crescimento”, avaliou Luiz Carlos Pestana, da Clariant. Ele estima que essas tecnologias devam estar em situação de paridade apenas em 2015. Atualmente, as alternativas aquosas ainda são 20% mais caras que as convencionais com solventes orgânicos. “À medida que o petróleo fica mais caro, a competitividade dos solventes cai”, afirmou. A atual disponibilidade de glicerina residual de biodiesel contribui para baratear os sistemas aquosos, deslocando o pentaeritritol.

    A Clariant oferece uma base semipronta de esmaltes base água, lançada no ano passado, durante o 12º Congresso da Abrafati. Os clientes só precisam colocar o pigmento ou o absorvedor de luz UV (para vernizes) para poder tratar madeira ou metal. “São produtos de base acrílica, mas que podem ser formulados com terpolímeros também”, explicou. Esses sistemas aquosos aceitam os pigmentos orgânicos (sem metais pesados), emitem menos VOC e dispensam secantes metálicos.

    Pestana explicou que os esmaltes de base aquosa aderem bem às películas mais velhas de esmaltes. “Quanto mais velho, melhor”, disse. Isso pode ser uma vantagem, pois os brasileiros não gostam de lixar as superfícies. Em compensação, sua aderência fica prejudicada quando aplicados sobre esmaltes recentes, especialmente os de alto brilho, podendo exigir o uso de promotores de adesão.

    A Basf atua no mercado de esmaltes com acrílicos de base aquosa, preferencialmente. “Ainda temos alguns itens de base solvente, mas não é nosso foco de trabalho”, explicou Reginaldo Cassiano. Ele comentou que a companhia produz um híbrido entre resina alquídica e acrílico base água para uso sobre madeira e metais. Ele avaliou essa alternativa como um nicho de mercado com bom potencial de crescimento.

    Aplicações industriais – A diversidade de usos no campo industrial impede o predomínio de uma única família de resinas. A seleção depende dos requerimentos de cada situação, em termos de resistência química, mecânica, térmica ou exposição à radiação UV, entre outras características.

    “Todos querem produtos de base aquosa, porém as áreas de manutenção leve e pesada aceitam melhor esses sistemas”, comentou Juliana Francisco, da Dow Coating Materials. A tendência atual favorece o uso de acrílicos na manutenção leve, enquanto a manutenção pesada, mais exigente, pode se valer de epóxis em água.

    A Dow Coating produz no Guarujá-SP resinas epóxi convencionais, de base solvente, produtos maduros, bem conhecidos e conceituados no mercado. “A companhia criou um epóxi de base água obtido por meio de um processo de dispersão inovador, patenteado, com bom desempenho técnico e ambiental”, explicou. Ele pode ser comparado aos epóxis tradicionais e já está disponível aos clientes. “A área de P&D está criando a segunda geração desses epóxis, com desempenho superior”, disse.

    Além da resina, a Dow Coating oferece o aditivo Fortegra para melhorar a tenacidade e a resistência ao impacto dos epóxis usados, por exemplo, no revestimento interno de tubulações de grandes diâmetros. Durante a montagem, as peças sofrem impactos que podem afetar a camada protetiva. “O aditivo também melhora a adesão ao substrato”, comentou.



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