Química

Tintas – Acrílicos caros e escassos estimulam a criatividade química dos resineiros

Marcelo Fairbanks
15 de junho de 2010
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    Uma característica cultural do mercado brasileiro é o uso de uma tinta só para todas as aplicações imobiliárias. Cimadon citou o caso de um produto que a Denver desenvolveu especificamente para pintar gesso, de olho no uso crescente desse material. “O mercado não aceitou bem, continua sendo usado o fundo preparador mais a tinta de acabamento, embora isso seja mais caro”, afirmou. Ele espera que os cursos para formação de pintores da Abrafati e do Sitivesp ajudem esses profissionais a escolher melhor as tintas conforme as necessidades.

    Química e Derivados, Luiz Carlos Pestana, Químico da área de tintas, construção e adesivos da Clariant S.A, Tintas - Acrílicos caros e escassos estimulam a criatividade química dos resineiros

    Pestana: terpolímeros superam acrílicos e reduzem custos

    Na sua avaliação, porém, o mercado de tintas está animado. A Denver Resinas opera a aproximadamente 70% do ritmo de um ano de forte alta. “A ocupação deve aumentar no segundo semestre”, espera. Isso pode ativar projetos de expansão, por enquanto previstos para 2011.

    Oportunidades tecnológicas – A Oswaldo Cruz Química (OCQ) lançou a resina Fortcryl 6200, um polímero de base acrílica formado por cinco monômeros diferentes, fruto de desenvolvimento próprio. “Essa resina tem o mesmo desempenho dos acrílicos estirenados mais modernos, porém com um custo 10% inferior”, explicou Julio Cesar Fortunato, diretor-assistente da empresa. Lançada em 2010, a Fortcryl 6200 foi oferecida para os clientes habituais das acrílico-estirenadas, com o atrativo do menor custo. Fortunato explica ser necessário o ajuste da formulação, com apoio da OCQ.

    A empresa atende vários segmentos de mercado por meio de células operacionais que associam profissionais de vendas a especialistas técnicos. Só em tintas, são três técnicos exclusivos para suporte e desenvolvimento de produtos. Esse trabalho é apoiado por laboratórios equipados para fazer todos os testes exigidos pela norma brasileira de tintas.

    A OCQ importa ácido acrílico e os monômeros dele derivados (acrilatos) em grande quantidade e mantém amplo estoque, pois, além de usá-los em seus produtos, também é distribuidora deles. Faz as modificações e polimerizações em seus cinco reatores, com capacidade total de seis mil toneladas mensais, das quais três mil são direcionadas para tintas, quase que exclusivamente em base aquosa. “Temos apenas uma resina alquídica convencional, de base solvente”, informou.

    A empresa deve decidir até o final do ano se instala um sexto reator (de 15 t) ou se apenas substituirá um reator de 5 t por um de 15 t. “Além das nossas instalações em Bonsucesso [Guarulhos-SP], temos um terreno em Mogi das Cruzes para futuras expansões”, informou. Ele está atento ao crescimento do mercado nordestino de tintas, superior ao do resto do país, o que poderá motivar investimentos naquela região. Em 2009, a venda de resinas para tintas cresceu 10%, enquanto outros segmentos, mais jovens na companhia, foram mais viçosos, perfazendo um total de 25% de aumento. Esse mesmo percentual está sendo esperado para 2010.

    Química e Derivados, Nelson Briotto, Líder da área de emulsões da Clariant, Tintas - Acrílicos caros e escassos estimulam a criatividade química dos resineiros

    Briotto: enquadramento no IPI por aplicação permite desvios

    A Reichhold também atua no setor decorativo imobiliário com resinas acrílico-estirenadas da linha Arolon. “As linhas decorativas são o principal produto em volume da empresa, porém gostaríamos de oferecer alternativas mais sofisticadas para esse mercado”, disse Antonio Carrascosa Filho, gerente de mercado e assistência técnica. A instituição de três padrões oficiais de tintas (standard, econômica e premium), nos moldes propostos pela Abrafati, conduziu a uma segmentação de mercado. Isso levou a usar mais resina nas tintas superiores, ou a adotar diferentes resinas para cada caso. “Ou usar quantidades diferentes de cargas”, afirmou. A pintura de paredes já se definiu claramente a favor dos produtos de base aquosa.

    Em resinas para tintas, Carrascosa afirma que não existem milagres: “Resina muito barata é sempre ruim.” Todos os resineiros sofrem pressões de custos impostas pelos seus fornecedores e ainda enfrentam a resistência dos clientes. “O produtor de resinas precisa negociar muito bem seus insumos e ser criativo para oferecer alta qualidade com custo baixo”, salientou. Para ele, os resineiros assumem uma responsabilidade muito grande com os clientes a ponto de não justificar as polimerizações cativas em produtores de tintas. “Além disso, temos fortes preocupações ambientais, reciclamos resina PET, aplicamos glicerina nas formulações e eliminamos todos os componentes com chumbo”, explicou.

    Cassiano, da Basf, salientou que os produtores de resinas respondem aos apelos de mercado. O apelo atual está ligado à redução das emissões de VOC e de odor. Para o futuro, há várias alternativas em estudo. A companhia lançou no ano passado uma emulsão acrílico-estirenada com alta fluidez, capaz de proporcionar alta lavabilidade na tinta acabada, que também ganha viscosidade mediante uma pequena incorporação de espessantes. “A emulsão é fluida, facilitando a sua manipulação, mas a tinta fica espessa como o mercado gosta, porém com menor custo”, afirmou.

    Outro desenvolvimento está ligado à inibição do crescimento de fungos pelo controle da polimerização das resinas. “Temos tecnologia na Alemanha que permite formar resinas capazes de impedir a proliferação de fungos nas tintas sem aplicar biocidas”, comentou. Essa tecnologia pode ser trazida para o país, caso algum cliente se interesse por ela. Há opções de resinas especiais para formular tintas funcionais, sobre as quais não se deposita sujeira, permanecendo limpas por mais tempo, uma característica desejável em fachadas.

    Esmaltes – Na área decorativa, os esmaltes são aplicados a metais e madeiras e sempre foram um dos pontos fortes dos sistemas alquídicos, formados por um ácido graxo e um álcool, em associação a óleos vegetais, com solventes orgânicos. A tendência atual é de trocar as linhas convencionais por sistemas aquosos, usando acrílicos ou sistemas alquídicos renovados.



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