Abrafati: Inovações contribuem para o avanço sustentável das tintas

Hassessian explicou que a Wanhua é a única fornecedora de PU capaz de alcançar resistência elevada em temperatura ambiente, dispensando aquecimento. “Na pintura original, são usados poliésteres que precisam passar 30 minutos em estufa a 180°C, porém as oficinas de repintura não possuem esse tipo de equipamento e só o PU consegue oferecer a mesma qualidade, tanto na forma pura ou combinado a resinas acrílicas ou alquídicas”, explicou. Outro uso crescente de tintas poliuretânicas está na manutenção de torres de transmissão de eletricidade. “O mercado brasileiro não está ruim para nós, como começamos do zero, já alcançamos um tamanho considerável em pouco tempo”, avaliou.

Crescimento regional – De olho nos negócios regionais, a Allnex comprou a fábrica da Águia Química, em Ponta Grossa-PR, e investiu para atualizá-la e diversificar sua produção. “Produzimos lá nossa melamina reativa com baixo teor de formol livre e também resina poliéster hidroxilada de alta qualidade, da marca Setal, usada em tintas automotivas”, comentou Gerardo Victal, diretor de vendas para a América Latina.

A partir de Ponta Grossa, os produtos são enviados para os clientes do Brasil e também da Argentina, Chile e Paraguai. “A tecnologia do nosso portfólio é adequada para a região e temos uma operação logística bem estruturada”, disse.

A Allnex também atua como fornecedora de resinas curáveis por UV, sendo sucessora da UCB, uma das pioneiras dessa técnica. Mas também produz resinas (poliéster, epóxi e híbridas), aditivos de fluxo e nivelantes para tintas em pó. Segundo Victal, a companhia possui boa participação em dispersantes, umectantes e secantes base óleo ou água (com ou sem cobalto). “E temos linha ampla de resinas para tintas base água”, salientou.

A Galstaff Multiresin do Brasil também encontra bom mercado por suas resinas na América Latina, região que atende a partir de seu escritório em Guarulhos-SP. “Investimos mais neste ano para ter uma presença forte na Abrafati não só para encontrar clientes brasileiros, mas também os de toda a América Latina”, comentou Mário Fernando de Souza, diretor da subsidiária brasileira da companhia italiana. Ele tem realizado bons negócios em países como Equador, Peru e Paraguai.

A Glastaff oferece aos clientes regionais um portfólio amplo de resinas para tintas, com destaque para os poliésteres insaturados e saturados, isocianatos e também aminas, auxiliares e aditivos, como o neopentil glicol (NPG). “O custo de produção na Itália ainda é bem mais baixo do que o do Brasil”, comentou. “E mantemos estoques locais para não deixar os clientes desabastecidos.”

Química e Derivados, Moraes Barros: novo aditivo atua como AMP-95, mas sem VOC
Moraes Barros: novo aditivo atua como AMP-95, mas sem VOC

Aditivos evoluem – A Angus Chemical Company participou da Abrafati 2017 para reforçar seu compromisso de oferecer aditivos atualizados para o mercado brasileiro e regional. “Os produtos da Angus ficaram dentro do portfólio da Dow até 2015, quando voltamos a atuar de forma independente com os aditivos, porém a divisão de biocidas ficou com eles”, disse Marcelo de Moraes Barros, gerente de negócios para a América Latina da companhia. Como informou, a Angus montou estrutura local, com escritório e pessoal próprio para vendas e assistência técnica, mantendo estoques próprios para suprir a demanda. “A região toda tem suas dificuldades, mas é um mercado promissor”, avaliou.

O principal produto da Angus para o mercado de tintas na América Latina é o AMP-95 (amino metilpropanol), aditivo multifuncional, usado como neutralizante de pH, dispersante de pigmentos e otimizador de formulações. “Esse aditivo é considerado isento de VOC pelo regulamento dos Estados Unidos”, comentou.

Como as normas brasileiras tendem a seguir os padrões europeus em relação a VOC, a Angus lançou neste ano o AEPD VOX 1000, com elevado ponto de ebulição, satisfazendo os requisitos locais. “Ele tem as mesmas funções do AMP-95, com baixo odor e alto desempenho, mas é livre de VOC mesmo no critério europeu”, explicou.

Esses aditivos especiais podem ser usados em conjunto com outros dispersantes, reduzindo a sua dosagem. Isso reduz custos e interferências no odor e na cor, garantindo melhores características às tintas formuladas. “Temos outros produtos, como surfactantes de oxazolidina Alkaterge, ou os nitroalcanos Flexitane e Nikane, que estamos divulgando também”, disse. No campo das tintas – a Angus fornece vários itens para outros segmentos de mercado, a exemplo de cosméticos, fluidos de corte e limpeza de eletrônicos –, nomeou a Univar como distribuidora exclusiva.

Química e Derivados, Magda e Moreira: surfactante reativo gera tintas sem VOC
Magda e Moreira: surfactante reativo gera tintas sem VOC

Moraes Barros considera que o uso de aditivos nas tintas brasileiras foi prejudicado pela crise, que estimulou o uso de itens alternativos mais econômicos. “Entendemos que há espaço para crescer”, disse. O AMP-95 também tem encontrado outras aplicações, como na produção de slurries, como neutralizante.

A brasileira Polystell exibiu sua linha de aditivos de processo (umectantes, dispersantes, antiespumantes e desaerantes), modificadores funcionais (agentes reológicos, alcalinizantes, antiblocking, antifloculantes e outros) e modificadores de superfície (anticrateras, agentes de slip, niveladores e tensativos) com fabricação própria. Também apresentou itens de distribuição: antioxidantes, estabilizantes UV, fibras de celulose, nano aditivos de prata, zinco e sílica, silanos e sílica pirogênica.

Surfactantes reativos – Com longa tradição no fornecimento de derivados oleoquímicos, a Croda destacou produtos da linha de surfactantes reativos Maxemul. “É linha bem conhecida de produtos, o que há de novo são as variações introduzidas no portfólio”, afirmou Magda Machado, gerente de marketing e desenvolvimento de vendas da Croda do Brasil.

Surfactantes reativos operam como comonômeros durante a polimerização. “Eles formam ligações covalentes com o polímero e se distribuem de modo uniforme no filme seco, sem migrar para a superfície; a ausência de surfactantes livres no filme seco resulta em desempenho igual ao de uma resina base solvente”, explicou o cientista de aplicações Diego Moreira. O uso de Maxemul permite obter tintas com maior resistência contra água e a lavagens, com emissão zero de VOC, entre outros benefícios.

Biocidas sob pressão – As empresas fornecedoras de biocidas para o setor de tintas e vernizes apontam a commoditização das principais moléculas e a pressão exercida pelos clientes para baixar preços como responsáveis pelo aviltamento do setor, redundando em baixa oferta de inovações.

“A Europa já exige biocidas livres de MIT, mas ninguém liga para isso por aqui, talvez seja uma tendência para o futuro, que será liderada pelos clientes globais”, criticou Fabio Forastieri, gerente de negócios da Lonza no Brasil. A empresa oferece piritionato de zinco e sódio, bem como butil isotiazolinona (BIT), todos eles livres das restrições impostas à MIT, com uso possível em todos os tipos de tintas.

A Lonza formula seus biocidas em Salto-SP, usando insumos fabricados nos Estados Unidos, Suíça e Ásia. “Sempre temos inovações, agora esperamos o mercado recuperar o ritmo de crescimento”, afirmou.

Karina Zanetti, especialista de assistência técnica da Miracema-Nuodex, concorda que o mercado brasileiro de biocidas para tintas se commoditizou. “Apesar disso, 2017 foi um ano melhor em vendas do que 2016”, salientou. Ele vê o panorama de mercado com alguma apreensão, pois estão aumentando as restrições sobre vários ativos biocidas, além da MIT e CMIT. “O carbendazim está limitado a mil ppm e essa dosagem está caindo, a octil isotiazolinona (OIT) também tem limites cada vez mais estreitos de uso”, comentou. “Estamos redefinindo nosso portfólio de ativos e queremos tê-los aprovados e homologados nos clientes para podermos oferecer mais opções de proteção para as tintas.”

A Miracema-Nuodex aproveitou a exposição para apresentar o Liocide 197 e o Corina 2211. Karina explica que o Liocide 197 é um semiacetal que funciona como liberador de formol inibido, combinado a uma mistura de CMIT e MIT, para proteção in can. Por sua vez, o Corina 2211, indicado para filme seco, é totalmente inovador. “Ele usa partículas de prata em nanoescala como ingrediente ativo, sendo muito resistente à lixiviação, um desenvolvimento da companhia, feito no Brasil”, ressaltou.

A Ipel enfatizou durante a Abrafati 2017 os seus aditivos biocidas multifuncionais, que protegem contra bactérias, algas, fungos e ácaros. “Além de proteger a tinta na lata e no filme, o aditivo também controla a população de ácaros no ambiente, reduzindo a ocorrência de problemas com as alergias causadas por esse artrópodo”, explicou Giovani Caritá Junior, diretor de pesquisa e desenvolvimento.

Ele informou que esse aditivo é formulado com a técnica de encapsulamento, para a liberação controlada dos ativos. “É uma formulação, inclui outros itens além dos biocidas, como fragrâncias, por exemplo”, detalhou.

O encapsulamento pode ser usado também para reduzir a presença de MIT e CMIT livres nas tintas, item atualmente atacado no exterior. De qualquer forma, o sistema de informação global GHS já exige a colocação de advertências nos rótulos de produtos contendo MIT. “No Brasil, as formulações só mudarão quando houver norma para isso”, criticou.

Caritá acompanha a evolução do mercado de tintas e percebe a elevação do pH dos produtos finais. “Temos biocidas que funcionam bem em pH acima de dez, como BIT com semiacetais, aliás a MIT aceita pH mais alto”, informou. A combinação mais usual de mercado, CMIT/MIT com semiacetais, opera bem até pH 9,5 a 10, segundo o diretor. Acima disso, há queda de desempenho.

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