Abrafati: Inovações contribuem para o avanço sustentável das tintas

O levantamento de dados da Abrafati indicou que o comércio de tintas ainda está engatinhando nas técnicas do e-commerce. “Apenas 7% dos pontos de venda tem e-commerce estabelecido, ou seja, realmente fazem vendas pela internet”, comentou. Segundo Carillo, a apresentação dos resultados do estudo é apenas o começo de um projeto maior. “Em uma etapa posterior, queremos nos aproximar mais dos elos comerciais do varejo para apoiá-los e, assim, estimular o aumento do consumo de tintas”, salientou.

Química e Derivados, Barrios: cinco novos aditivos atuam como umectantes
Barrios: cinco novos aditivos atuam como umectantes

Ele apontou quatro tendências globais no negócio de tintas e vernizes: ambientais (regulações atinentes ao controle do aquecimento global e aumento da consciência ambiental); inovação (evolução rápida de mercado em qualidade e respeito às normas ambientais mais rigorosas); digitalização crescente (diferenciação de processos, avanço da indústria 4.0); versatilidade/praticidade (tintas mais fáceis para serem aplicadas pelo consumidor final, incorporando funcionalidades adicionais).

No Brasil, verifica-se um panorama que contrasta com essas tendências, associando consumo baixo e sazonal de tintas com a persistência de produtos de baixa qualidade e também atrasado nas questões da sustentabilidade. “Precisamos desenvolver estratégias dentro de toda a cadeia produtiva para mudar esse quadro, estimulando e diversificando o consumo de tintas a fim de reduzir sua dependência do comportamento do PIB e das vendas sazonais de fim de ano”, comentou. Para tanto, a Abrafati deve rever seu papel na indústria, atuando mais como fomentadora de networking, facilitadora da transmissão de conteúdos tecnológicos, defensora da indústria em questões normativas (ambientais e tributárias), além de estimular e reforçar a capacitação de recursos humanos. “O novo plano estratégico da associação está direcionado para gerar mais valor em toda a cadeia”, disse Carillo.

Carillo também apontou a importância de toda a cadeia produtiva estar alerta às transformações que devem ser provocadas pelo advento da chamada Indústria 4.0. O uso mais intensivo das ferramentas e conceitos da tecnologia da informação provocarão impactos do porte de uma revolução industrial. “Possivelmente, o volume de empregos hoje existente no setor será muito reduzido, mas surgirão outros, em atividades ainda em desenvolvimento”, comentou.

Da mesma forma, os atuais movimentos de concentração empresarial, tanto na produção de tintas quanto na de seus fornecedores, devem ser observados com cautela e moderação. “Nos últimos vinte anos, a concentração empresarial foi notável, mas esse fenômeno é normal e até considerado cíclico em muitos segmentos”, comentou Antonio Carlos de Oliveira, presidente-executivo da Abrafati.

Oliveira também recomendou a todos observar as oportunidades de redução de custos e aumento de eficiência na cadeia produtiva das tintas. “Há claros desperdícios que devem ser reduzidos, com vantagens para todos”, afirmou. O custo dos insumos usados pelo setor desperta preocupação, mas, como afirmou Oliveira, há influência marcante da taxa cambial e dos impostos sobre esses preços. “Essa é uma briga que compete à Fiesp e à CNI, pois é tema complexo e de alcance nacional”, comentou. “Para nós, é preciso agregar valor ao produto final, favorecendo a todos”, disse.

A exposição de produtos e serviços realizada em paralelo ao Congresso Internacional, reuniu grande quantidade de inovações que foram apresentadas ao público qualificado da Abrafati 2017. Veja a seguir um panorama da exposição.

Atualização dos solventes – O uso de solventes, de qualquer natureza química, é muito importante para a formulação de tintas e também para seu maior fornecedor: a indústria química. Tanto assim que foi o tema de um seminário específico, promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), com o objetivo de reforçar os conceitos do uso responsável desses insumos, de modo a prevenir problemas de segurança, saúde e meio ambiente.

As produtoras de solventes sintéticos e hidrocarbonetos aproveitaram a exposição para divulgar seus avanços tecnológicos e aprofundar o relacionamento com os clientes. A Oxiteno lançou o Manual Descomplicado de Tecnologia de Tintas, elaborado pelo seu time de pesquisa e desenvolvimento, para orientar formuladores, pesquisadores e assistentes técnicos de toda a cadeia de tintas quanto ao processo produtivo e insumos utilizados, de modo a aprimorar o conhecimento especializado no setor.

No congresso e na exposição, a Oxiteno ressaltou três novos solventes, cinco aditivos (umectantes de pigmentos, da linha Oxitive) e a linha 9000 dos emulsificantes Oximulsion. Comum a todas as novidades, criadas pelos pesquisadores da companhia, é o foco em sustentabilidade. “Seguimos o conceito de greenformance, que busca oferecer avanços ambientais e de performance, simultaneamente”, comentou Fabiana Marra, gerente de negócios de coatings da Oxiteno.

Os novos emulsificantes Oximulsion da linha 9000 são derivados alcoxilados, nas versões 9800 (aniônico) e 9900 (não iônico), indicados como promotores de emulsificação de esmaltes sintéticos de alto brilho, atuando pela inversão de fases ao final da polimerização, substituindo o aguarrás por água (aplicada com o surfactante). “Com eles, é possível fazer esmaltes de base água com a mesma resina usada na versão com solvente, sem mexer no processo produtivo, usando o mesmo tanque diluidor”, explicou Fabiana.

Página anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios