Abrafati: Inovações contribuem para o avanço sustentável das tintas

No entendimento do especialista, toda a cadeia produtiva deve agir em conjunto para definir parâmetros mais elevados de qualidade, envolvendo consumidores, fabricantes de tintas e de insumos químicos, entre outros interessados. “Lá fora, as tintas são melhores, duram mais do que as daqui, nós exportamos muito os nossos produtos para vários países, conhecemos esses mercados”, afirmou. Além das normas, o mercado precisa exigir avanços.

Ao mesmo tempo, a Ipel investe em pesquisa e desenvolvimento para otimizar o desempenho dos produtos existentes, melhorar as sínteses e criar novos produtos e serviços. “Vamos além dos testes para validação de formulações e acompanhamento do desempenho no cliente, nós queremos interagir com eles para customizar produtos”, disse. Há serviços mais específicos de controle de contaminações biológicas até apoio para atendimentos às normas mais recentes, com a participação do departamento regulatório da Ipel, que acompanha essas mudanças.

A Lanxess, por meio da divisão Material Protection Products (MPP), apresentou alternativas próprias para enfrentar as restrições à MIT. São combinações de BIT, CMIT e OIT com ou sem bronopol, para proteção in can. Nos filmes secos, apresentou a nova geração da linha Preventol, com os produtos Preventol Next A 29-D e A 31-D, combinações de fungicidas e algicidas de longa duração, mesmo em clima úmido, apresentando liberação lenta dos ativos.

Branco e preto – A Chemours participou pela segunda vez da Abrafati – foi criada a partir de uma unidade de negócios da DuPont pouco antes da edição de 2015 desse encontro setorial – para reforçar as vantagens de seu mais novo dióxido de titânio, o TS 6300, e garantir o abastecimento de seus clientes mediante a operação da fábrica de Altamira (México) e da reorganização de suas unidades produtivas. “Desde a formação da Chemours, algumas unidades mais antigas e menos eficientes foram fechadas, mas Altamira está sendo ampliada”, informou Claudia de Almeida Antunes, gerente de negócios de tecnologias de titânio no Brasil. Ela considera o mercado mundial abastecido, mesmo com a decisão chinesa de eliminar algumas fábricas ineficientes e poluidoras daquele país.

A maior novidade apresentada neste ano pela Chemours consiste em um amplo estudo do mercado de tintas decorativas com a participação de pintores profissionais. Como explicou Cláudia, o estudo foi realizado em três passos. O primeiro abrangeu a avaliação técnicas das tintas disponíveis no mercado para o segmento premium, segundo os critérios do Programa Setorial da Qualidade (PSQ) e os da própria companhia. Em seguida, foram efetuados testes com pintores com essas tintas, levantando as críticas e sugestões. Com bases nos dados apontados nas etapas anteriores, a companhia desenvolveu um protótipo de tinta contendo o TS 6300 para cada mercado regional específico, realizando nova análise crítica pelos pintores para confirmar resultados.

“Mais de vinte países replicaram esse roteiro de desenvolvimento de mercado, gerando mais de 5 mil protótipos de tintas em todo o mundo até agora”, disse Cláudia. Ela ressaltou que o pigmento é apenas um dos componentes da formulação, que precisa ser bem ajustada para proporcionar os resultados desejados, uma vez que os ingredientes interagem entre si. “Quando o cliente recebe a amostra da tinta pronta, ele enxerga melhor o benefício que podemos oferecer.”

Com base no estudo e nos protótipos, a Chemours se propõe a colaborar com o desenvolvimento de novas tintas, mediante contrato. Isso já está sendo feito em alguns países da América Latina, com sucesso. “O Brasil representa grandes oportunidades, já elaboramos um protótipo nas condições locais e estamos conversando com clientes”, comentou. Durante a Abrafati, a empresa reservou uma parede do estande para que os visitantes pudessem pintar uma pequena área com o protótipo com apenas uma demão, e compará-la com outra, pintada com tintas do mesmo segmento de mercado.

No negro de fumo, a Cabot manteve a tendência de apresentar desenvolvimentos que permitem facilitar a dispersão do pigmento e, assim, reduzir o consumo de energia na sua preparação. “Percebemos sinais de recuperação de negócios em 2017, mas ainda esperamos um consumo maior de produtos que usam o negro de fumo”, comentou Lea Sgai, gerente de marketing para a América Latina.

O mercado brasileiro apontou aumento na produção de veículos automotores, com bons resultados para os pigmentos ligados à produção de borracha. “Para os negros de fumo especiais, usados em tintas, as vendas continuam em marcha lenta”, avaliou. No mercado nacional, a cor preta caiu para a terceira posição entre as cores mais vendidas de carros novos.

A Orion Engineered Carbons também investe em negros de fumo de alta dispersão, apresentando o XPB 430 em pó, de alta profundidade de cor para tintas base água do setor automotivo de alta qualidade, dispensando moagem e aditivação. Aproveitou a ocasião para lançar o Colour Black FW 255 pó para aplicações automobilísticas, e o Special Black 40 pó, para as linhas industriais. Ambos apresentam alta profundidade de cor, tanto em base água quanto em solvente.

Química e Derivados, Abreu: com Toyo, portfólio de pigmentos ficou mais completo
Abreu: com Toyo, portfólio de pigmentos ficou mais completo

Paleta completa – A distribuidora Colormix anunciou durante a exposição o contrato de distribuição exclusivo firmado com a japonesa Toyo Color. “Vamos trabalhar com os pigmentos orgânicos da Toyo que são muito usados nas tintas de impressão de qualidade, embora tenha preços competitivos”, comemorou o diretor Carlos Fernando de Abreu. A Colormix também assumiu recentemente a distribuição dos pigmentos azuis fabricados pela indiana Narayan, com baixa absorção de óleo.

A distribuidora já conta com a ampla linha da Ferro (incluindo Nubiola e Capelle), e com os pigmentos considerados econômicos da chinesa DCC, além da conhecida linha de pigmentos de efeito da Ekart (grupo Altana), bem como os corantes Macrolex da RheinChemie e dos pérolas naturais da Ruicheng. “Conseguimos fechar uma paleta de distribuídas e de cores capaz de suprir todas as demandas do setor de tintas, mas também temos muitas opções para plásticos e cosméticos”, salientou Abreu.

A distribuidora oferece aos seus clientes as terras de Neuberg fabricadas pela Hoffman, com características lamelares e de aglutinação, simultaneamente, nas formas natural, calcinado e calcinado-revestido. “Esse produto pode ser usado como extensor de dióxido e titânio, substituindo 10% de seu uso, e também promove efeito anticorrosivo em tintas industriais quando usado como carga”, explicou.

A Colormix, com apoio da Byk e Ekart, lançou a linha de pastas de alumínio Shinedecor, que confere efeitos especiais para paredes decorativas, mas também pode revestir papéis especiais para decoração de ambientes. A Colormix produz no Brasil a pasta de alumínio Aquashine, sob licença.

“O mercado latino-americano tem problemas históricos com populismo e corrupção, mas sentimos que a região está conseguindo avançar, o que se verifica pelo aumento na venda de automóveis”, considerou Claudio Friedrich, gerente de vendas da Eckart. A produtora de pigmentos registra crescimento de dois dígitos na região, atuando nas linhas automotivas, industriais e de plásticos, oferecendo insumos capazes de gerar diferenciação para os produtos dos clientes.

Friedrich apontou como iniciativas interessantes a pigmentação de massa usada em plásticos no setor automotivo e nas embalagens, usando a linha Silver Dollar. “Pode sair mais barato que pintar peça por peça”, afirmou. O ramo de embalagens plásticas recebeu muitas novidades em pigmentos.

“Os pigmentos de efeito despertam emoções e atraem o público, por isso temos linha ampla que é usada pura ou em misturas, gerando novos efeitos”, salientou. A Ekart opera com pigmentos de alumínio, aço, zinco, ferro, perolados de vidro e outros. “A parceira com a Colormix nos permite atender o mercado local com custos mais adequados”, avaliou.

Química e Derivados, Werthajm: Denver quer voltar às resinas, mas só especiais
Werthajm: Denver quer voltar às resinas, mas só especiais

Espessantes e resinas – A Denver Especialidades Químicas se apresentou com destaque na Abrafati 2017 com seu carro-chefe, a carboxi metilcelulose (CMC), espessante celulósico de larga emprego em tintas imobiliárias. “A Denver, integrante do grupo Formitex, está em reestruturação”, comentou Ronaldo Werthajm, diretor superintendente da Denver Especialidades Químicas. A Denver Resinas, outro negócio do grupo, foi incorporado pela Denver Especialidades e praticamente saiu do mercado no qual detinha participação relevante. “Estamos voltando ao PVA e a alguns acrílicos, mas pretendemos ter atuação marcante nas resinas especiais de alta qualidade, não queremos atuar em commodities”, comentou.

O grupo adquiriu há dez anos duas fábricas então operadas pela Dow em Camçari-BA. Uma delas produzia o espessante hidroxietil celulose (HEC), mas está sendo convertida para fazer HPMC (hidroxipropil metil celulose), usado na produção de argamassa, com partida prevista para 2018. “A outra é a unidade de TDI, que está sendo totalmente reformulada para aproveitar a boa localização e o momento favorável a esse isocianato”, disse Werthajm.

Distribuição – Os distribuidores químicos marcaram presença na exposição, apresentando seus produtos inovadores e, principalmente, sua capacidade de atender aos clientes. “Participamos da Abrafati para mostrar aos clientes que contamos com uma estrutura de armazenamento e de procurement internacional capaz de manter constante a entrega dos produtos desejados”, comentou Andressa Wehmuth, gerente comercial de commodities da Quimisa.

A gigante Brenntag diversifica o portfólio de insumos para a fabricação de tintas, com a intenção de oferecer atendimento na forma de one-stop shop. “O mercado de tintas é um dos maiores que atendemos, contamos com mais de 20 distribuídas para isso e somos capazes de fornecer cerca de 85% de uma formulação convencional”, comentou Ricardo Almeida de Matos, coordenador técnico para o Brasil área de adesivos, tintas, elastômeros e construção.

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