Tintas: 7ª Exposição Internacional de fornecedores para tintas e 7º Congresso Internacional de tintas

Química e Derivados: Tintas: tintas_abertura.De acordo com a organizadora Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas), cerca de 12.000 pessoas visitaram a sétima edição da Exposição Internacional de Fornecedores para Tintas, ocorrida de 19 a 21 de setembro, no International Trade Mart, em São Paulo. Os 130 estandes foram ocupados pelos principais fornecedores de equipamentos e insumos para a indústria de tintas. Algumas empresas apresentaram um número expressivo de lançamentos, caso da Rhodia, mais especificamente de sua divisão PPMC (Papel, Pinturas e Materiais de Construção).

O gerente de marketing Carlos Roberto Tomassini destacou a chegada ao mercado brasileiro de vários produtos, dentre eles novas dispersões acrílicas, comercializadas sob as marcas Rhodopás SA 250 e SA 251, desenvolvidas para serem usadas na formulação de tintas hidrorrepelentes para aplicação em locais sujeitos à umidade, como banheiros e cozinhas.

Os produtos permitem a obtenção de dois tipos de tintas: Premium (SA 251) e Standard (SA 250). As diferenças são obtidas em função de aditivações específicas. O composto acrílico contido no Rhodopas SA 250 confere as mesmas propriedades de uma tinta látex convencional: lavabilidade, durabilidade e boas propriedades mecânicas, porém os aditivos presentes, com propriedades hidrofóbicas, propiciam também repelência à água. “A associação do polímero acrílico e dos aditivos, de diferentes naturezas químicas, leva ao efeito combinado de hidrorrepelência e porosidade de filme, conhecido como efeito respirante”, informou Tomassini.

Também foi lançada a linha Rhodoline, de aditivos e coalescentes para formulação de tintas imobiliárias. Esses produtos atuam na formação do filme de látex. Inicialmente, as partículas de polímero dispersas em água se aglomeram e, com a evaporação da água, terminam por coalescer, formando uma estrutura tipo colmeia. Se a temperatura do sistema for superior à temperatura mínima de formação de filme, o que depende das características do sistema látex/coalescente, o filme formado é coeso e livre de fissuras. “Os produtos são indicados para quaisquer formulações de revestimentos que empreguem polímero em dispersão, especialmente os sistemas acrílicos”, disse Tomassini.

Química e Derivados: Tintas: Tomassini - dispersões acrílicas e aditivos repelem água.
Tomassini – dispersões acrílicas e aditivos repelem água.

Foram ainda divulgadas as novas linhas de isocianatos alifáticos Tolonate e Rhodocoat, utilizados na formulação de tintas industriais base solvente e base água, respectivamente. São poliisocianatos derivados do HDI (hexametileno di-isocianato) utilizados na formulação de revestimentos poliuretânicos, tintas industriais e adesivos. Conhecidos por seus excelentes níveis de desempenho, as poliuretanas formam-se pela reação entre um poliisocianato e um poliol com um átomo de hidrogênio lábil. A escolha do poliol e dos parâmetros da formulação determinam os níveis de desempenho do filme. Para ajudar seus clientes a cumprirem as exigências relativas aos limites de componentes orgânicos voláteis (VOC) e, dessa forma, proteger o meio ambiente, a Rhodia desenvolveu poliisocianatos alifáticos de baixa viscosidade (Tolonates HDT-LV e HDT-LV2) e poliisocianatos alifáticos para sistemas base água (linha Rhodocoat), explicou Tomassini.

Os visitantes do estande da Rhodia puderam ainda conhecer os aplicativos técnicos Solsys (solvent system design ou desenho de sistemas solventes), para determinação de parâmetros de solubilidade de resinas e polímeros, e o RhodoPaints, planilha de cálculo de formulações de tintas decorativas.

A Degussa esteve presente divulgando um grande número de produtos. Lançou, dentre outros, uma nova sílica pirogênica, modificada superficialmente, de nome comercial aerosil R 7200, que aumenta a resistência ao risco em vernizes para madeira curados por ultravioleta (UV). Segundo o gerente de negócios Ralf Ahlemeyer, a empresa está investindo fortemente no Brasil. Um exemplo disso é a unidade de produção de negro-de-fumo em Paulínia-SP, que estará funcionando em abril de 2002.

A Clariant também mostrou inovações. O coordenador técnico Luiz Carlos Pestana informou que a empresa, tradicional fornecedora de emulsões, desenvolveu na Europa, onde as exigências ambientais são uma realidade, uma linha de dispersões acrílicas base água para uso em substituição às resinas alquídicas base solvente. “A Clariant está disponibilizando uma ampla gama de dispersões acrílicas para as mais diversas aplicações em substituição aos sistemas base solvente, pois acreditamos que o mercado brasileiro dentro de pouco tempo começará a demandar esses tipos de sistemas livres de VOC”, disse Pestana. Algumas das dispersões disponíveis no Brasil são Mowilith LDM 7410 e Mowilith LDM 7450, produtos indicados para esmaltes e vernizes de alto brilho base água, com boa performance de resistência aos agentes naturais. A linha de espessantes também foi destacada no estande da empresa, dentre eles o Mowilith LDM 7002, um espessante associativo de alto cisalhamento, adequado para uso em tintas de alto brilho, às quais confere viscosidade, além de diminuir a separação de fases, fenômeno não desejado.

Para aplicação em gesso e madeira, Pestana destacou o Mowipur 1308, uma dispersão PU base água com alta resistência à abrasão. Inodora e com secagem rápida, é indicada para a produção de vernizes para parquet, em substituição aos sistemas uréia-formol largamente empregados, que necessitam de no mínimo sete dias de secagem, além da completa evacuação do local de aplicação, devido aos vapores bastante agressivos.

Química e Derivados: Tintas: Hassessian - liderança em revestimentos com PU.
Hassessian – liderança em revestimentos com PU.

A Atofina promoveu a marca Orgasol, que designa pós micronizados de poliamidas obtidos pela polimerização de laurilactama e/ou caprolactama. Através de processo especial de obtenção, as partículas apresentam estruturas e morfologia totalmente diferentes dos pós moídos, têm formato esférico, alta superfície específica, estrutura porosa e distribuição granulométrica controlada, com ponto de fusão bem definido. Podem ser aplicados em tintas e revestimentos base água, base solvente, e formulações em pó, conferindo-lhes melhor resistência à abrasão, controle de brilho e textura, lubrificação no estado sólido, controle do coeficiente de atrito, elasticidade e resistência ao impacto.

Como líder mundial no fornecimento de matérias-primas para tintas e revestimentos poliuretânicos, a Bayer não podia faltar ao evento.

O gerente de negócios, Alberto Hassessian, explicou que neste ano a Bayer adotou um enfoque diferente, buscando trazer ao seu estande não só os executivos das empresas clientes, mas também, e principalmente, os técnicos e laboratoristas, pois “esses profissionais têm grande influência na decisão de escolha por um ou outro insumo”, acredita.

Para que pudesse haver um bom diálogo com esse público, não só os profissionais da área comercial, mas também os técnicos da Bayer estiveram no estande apresentando os produtos. Além dos tradicionais sistemas para tintas poliuretânicas Desmodur/Desmophen, destinados a um amplo leque de aplicações, como construção civil, automotiva e indústria em geral, foram divulgados os modernos Bayhydur e Bayhydrol, sistemas solúveis em água, empregados entre outros na pintura original de automóveis e de plásticos. Completam a linha, as clássicas resinas Alkydal e Roskydal, de amplo uso na fabricação de tintas e vernizes, em que se destacam as destinadas à aplicação em madeira e massas espatuláveis para reparo de automóveis.

Pigmentos e biocidas – Vedetes na fabricação de qualquer tinta, os pigmentos não poderiam faltar na feira. Os principais fornecedores marcaram presença, mostrando as novas tendências de cores especialmente os tons metálicos para as tintas automotivas.

Química e Derivados: Tintas: Takeda - pigmento com mica oferece efeito dourado.
Takeda – pigmento com mica oferece efeito dourado.

Dentre os lançamentos incluem-se os pigmentos dourados da linha Iriodin da Merck S.A. Afirma o assessor técnico e de marketing Marcelo Takeda, que uma tecnologia inovadora levou à obtenção dessa mais nova geração de pigmentos de efeito dourado baseados em mica.

Os pigmentos têm propriedades superiores como estabilidade química, alto brilho e efeito perolado maior do que o dos produtos usuais. As principais utilizações são a linha automotiva, mobiliária, eletro-eletrônicos, bicicletas etc. Pretendendo disponibilizar um pacote de soluções aos seus usuários, a empresa fornece não só o pigmento básico, mas também uma completa gama de modificações para utilização em várias aplicações, como tintas em pó, dispersões ou revestimentos para plásticos. “Os custos são algo maiores, mas a qualidade compensa”, disse Takeda.

A Gremafer, de Diadema, SP, divulgou, em parceria com sua representada exclusiva no Brasil, a americana Engelhard Corporation, pigmentos perolados de aparência metálica para uso em tintas automotivas, decorativas, industriais, de impressão, em pó e outras. Foi lançada a linha Exterior Lumina, composta de pigmentos à base de mica, tendo como característica um aumento no ângulo de reflexão, maior pureza e definição da cor, com resultado muito melhor do que os tradicionais efeitos de interferências de cores. Disponíveis nos tons gold, red, green, aquablue, red-blue e turquoise, “os pigmentos Exterior Lumina podem criar efeitos visuais únicos em tintas automotivas”, disse o assessor de negócios Roberto Mano.

Mano classificou o pigmento Esterior Vegetable Black-Olive como revolucionário graças à sua capacidade de aumentar a escala das cores de absorção possíveis com máscaras marrom-pretas originadas em pigmentos à base de mica. Até agora, somente o verde, o ouro pálido e os tons vermelhos eram viáveis, acrescentou. As tendências de cores em tintas automotivas para 2004 também foram expostas em 64 painéis divididos em quatro diferentes grupos. Para Mano, a visitação em seu estande foi boa, chamando a atenção o número de estrangeiros vindos de outros países da América Latina.

A Clariant apresentou nova linha de pigmentos orgânicos, cujas qualidades, conforme Gerson de Almeida, coordenador de assistência técnica da unidade de negócios Tintas e Aditivos, são alto poder de cobertura, boa estabilidade ao calor e excelente desempenho em sistemas aquosos. Nas cores vermelha, amarela e azul, os pigmentos, indicados para uso em tintas automotivas são novas moléculas orgânicas sintetizadas no centro de P&D da empresa.

Expositores que pretendiam divulgar suas linhas usuais também estiveram presentes, caso da Aldoro, de Rio Claro-SP, fornecedor de pigmentos metálicos à base de alumínio, na forma de pastas, pós e pellets, com classificação e granulometria diversificadas em função do tipo de aplicação e efeito desejado. A Aldoro fornece também purpurina ou bronze em pó, isto é, pigmentos metálicos de cobre e suas ligas com zinco e alumínio, na forma de particulado metálico lamelar, revestido com ácido esteárico. Para atender os segmentos de tintas gráficas, de impressão, decorativas, têxteis e outras, a linha Stanlux Gold é apresentada com várias granulometrias. O diretor geral Staffan Martendal espera que a Aldoro, que já exporta para 20 países, possa ampliar sua carteira de clientes em função do bom número de visitantes de outros países latino-americanos recebidos seu estande. Satisfeito com os contatos feitos, Martendal disse que a Aldoro, presente nas sete edições da feira, deverá participar também da próxima.

Ainda dentre os pigmentos inorgânicos, foi promovida pela Bayer a linha Bayferrox. Composta de pigmentos à base de óxido de ferro sintético, disponíveis na forma pré-dispersa e micronizada, apresentam alta dispersabilidade, baixa absorção de óleo e melhor rendimento. Além do amplo uso em tintas, especialmente as decorativas, são empregados no tingimento de concreto, blocos, pisos e telhas. Utilizados também no segmento do it yourself, os pigmentos Bayer são encontrados no mercado sob a marca Pó Xadrez.

Os biocidas, aditivos utilizados como protetores contra ações microbiológicas nocivas às tintas e vernizes, também foram bastante divulgados. A Basf investiu na promoção de sua linha Myacide/Protectol. Um dos líderes mundiais no fornecimento de biocidas, a Basf tem feito significativos investimentos nesse segmento na Europa, Ásia e Estados Unidos. Em tintas, os biocidas da Basf podem ser utilizados sozinhos ou combinados a outro agente de preservação. São igualmente compatíveis com dispersões, adesivos e outros fluidos industriais. Essa flexibilidade permite ao biocida manter a resistência dos materiais maximizada frente às bactérias.

A Miracema-Nuodex, de Campinas-SP, apresentou os biocidas Liocide IF 11 e Coryna B 005, não liberadores de formol, baseados em ações sinérgicas entre vários elementos, como isotiazolinonas, bronopol, aldeídos e outros. Tais biocidas garantem um amplo espectro de atividade microbiológica contra bactérias gram-positivas e gram-negativas, fungos e leveduras. Contêm componentes com alta pressão de vapor, impedindo a liberação de moléculas nocivas ao meio ambiente, além da total isenção de odor. São indicados para a preservação de tintas base água, dispersões de polímeros, detergentes e produtos de limpeza, emulsões de óleos minerais solúveis, e sistemas aquosos em geral.

Segundo o diretor industrial André Rohr, a Miracema-Nuodex possui completo laboratório microbiológico para o total suporte ao cliente e disponibiliza eficaz monitoramento de sua planta fazendo coletas periódicas em pontos do processo considerados mais críticos, prevenindo dessa forma possíveis contaminações. Além desses biocidas, a empresa oferece uma completa linha de bactericidas, fungicidas e algicidas que garantem melhor proteção da tinta, mesmo em condições consideradas agressivas, tais como alta umidade e temperaturas adversas, isto é, baixas ou elevadas.

Controle de qualidade – Técnicos dos laboratórios de controle de qualidade das indústrias de tintas também puderam encontrar algumas novidades na feira, por exemplo a câmara cíclica para ensaio de corrosão, lançada pela Equilam, de Diadema-SP.

Química e Derivados: Tintas: Rojo - câmara nacional faz ensaios de corrosão.
Rojo – câmara nacional faz ensaios de corrosão.

Explicou o engenheiro do departamento técnico Nelson Rojo que, na mesma câmara, de fabricação 100% nacional, é possível realizar ensaios de corrosão (salt-spray), secagem e umidade, em conformidade com as normas internacionais. A câmara, construída em fibra de vidro e paredes duplas com isolação térmica em poliuretana, tem maior durabilidade.

É oferecida com capacidades de 800 e 500 litros, e com certificado rastreado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e pela RBC (Rede Brasileira de Calibração). Rojo disse que seu estande não recebeu um número grande de visitantes, mas que os contatos feitos compensam, já que foi procurado praticamente só por técnicos do setor. Estava pela segunda vez na feira e espera ter o mesmo retorno a longo prazo conseguido da primeira participação.

Outras empresa fornecedoras de instrumental analítico estavam divulgando alguns produtos de linha, como a Braseq Brasileira de Equipamentos Ltda., de São Paulo, que destacava o medidor de espessura de camada portátil PosiTector 6000, fabricado pela americana De Felsko. Utilizável em vários tipos de substratos metálicos, o aparato usa corrente magnética e de Foucault para efetuar medidas, de forma rápida e precisa, tanto em metais ferrosos como não ferrosos. Segundo o fabricante, o equipamento é resistente a ácidos, solventes, óleos, água e pós. As leituras não são afetadas por vibração e podem ser feitas em micra ou milímetros. O display pode ser ajustado para mostrar informações em várias línguas, inclusive português. Vários sensores diferindo no formato e ângulo podem ser usados com o aparelho, possibilitando a medida em peças dos mais diferentes formatos.

Equipamentos e sistemas tintométricos – Para a industrialização de tintas a Netzsch do Brasil, de Pomerode, SC, lançou um desaerador a vácuo. Nesse equipamento, que pode ser aplicado para desgaseificar produtos tanto em processos por bateladas com pequenos volumes de tanque, como para processos contínuos para grandes volumes de produção, os gases micronizados são removidos de líquidos de diferentes viscosidades.

O produto é succionado à câmara de desaeração por sistema de vácuo e levado ao centro do prato rotativo. A película formada sobre o prato giratório é desgaseificada de forma contínua. A descarga de produto ocorre por um tubo coletor por meio da força centrífuga. O tempo de residência do produto na câmara de vácuo é ajustado por meio de uma válvula de retorno regulável. Segundo o fabricante, esse equipamento encontra aplicação na desaeração de tintas de recobrimento, tintas gráficas, corantes, adesivos, plastisóis, produtos químicos, resinas, sucos concentrados, doces e outros alimentos, como maionese e mostarda, produtos farmacêuticos (pomadas, cremes, pasta dental) e cosméticos.

Química e Derivados: Tintas: Desaerador a vácuo para pequenas e grandes linhas.
Desaerador a vácuo para pequenas e grandes linhas.

Outro lançamento da empresa, ocorrido simultaneamente no Brasil e na Alemanha, é a máquina para dispersão em processo contínuo, especialmente projetada para tintas decorativas.

A Vallair do Brasil Ltda., de São Paulo, lançou válvulas de diafragma SG-2000, até então ausentes em sua linha. Informou o gerente de produtos, Antônio Carlos dos Santos, que as válvulas, 100% nacionais, têm qualidade e custo comparáveis a de produtos concorrentes. Fabricadas com diversos tipos de revestimentos e diafragmas em vários materiais, são capazes de atender as mais exigentes aplicações. A linha é composta de três tipos de válvula: passagem reta de ½ a 10 polegadas; passagem angular de ½ a 10 polegadas; e de retenção de 1 a 6 polegadas, com acionamento manual ou pneumático.

Alguns fornecedores de dispensadores usados em sistemas tintométricos divulgaram seus produtos, dentre eles a Corob S.A. Fundada em 1984 na pequena cidade de Emília, na Itália, é hoje uma empresa global, com plantas também na Finlândia, Estados Unidos, Uruguai e Índia. Na matriz italiana está localizado o centro de pesquisa e desenvolvimento, com mais de 9.000 m2 de área, empregando 30% do total de funcionários da empresa.

Estabelecida desde 1991, a unidade uruguaia tem 2.000 m2. Recentemente, a empresa inaugurou um centro de serviços e treinamento em São Paulo.

Química e Derivados: Tintas: Dispensador automático equipa sistemas tintométricos.
Dispensador automático equipa sistemas tintométricos.

Toda linha de dispensadores automáticos e misturadores foi mostrada. Os dispensadores têm design moderno e compacto, sendo projetados para dosagem de cores em tintas vendidas em embalagens pequenas, médias e grandes. Afirma a assistente de marketing e vendas Daniela Garelli que todos os equipamentos apresentam alto padrão de precisão, repetição e velocidade. São adequados para corantes universais, tanto base água como base solvente. Possuem agitação automática e programável de corantes, altura ergonômica dos reservatórios para facilitar o enchimento e software que monitora os níveis de corantes nesses reservatórios.

Ao lado desses fornecedores, a organizadora Abrafati aproveitou o evento para divulgar sua campanha contra o mau uso das máquinas tintométricas. As máquinas de mistura de tintas, ou máquinas tintométricas, hoje presentes em muitos revendedores de tintas e oficinas, surgiram para viabilizar a oferta de tintas das mais variadas tonalidades e cores. As tintas preparadas nessas máquinas são garantidas pelo fabricante que forneceu a máquina, cuja marca vai na embalagem da tinta e é facilmente identificável pelo cliente. O revendedor e a oficina devem usar os produtos originais do fabricante de tinta, caso contrário, estarão fazendo mau uso das máquinas tintométricas, com prejuízo da qualidade. Os resultados de um trabalho com tinta adulterada são logo percebidos por quem trabalha com repintura automotiva: a tinta não fica na tonalidade certa, a secagem demora mais do que o normal, o brilho fica comprometido e a durabilidade da pintura é menor. Seguindo o exemplo de outras indústrias, como as de softwares, autopeças e CDs, que estão tomando medidas drásticas para coibir a falsificação de seus produtos, a Abrafati, que reúne os principais fabricantes de tintas do país, iniciou uma campanha para eliminar essa prática que tantos prejuízos causa às indústrias e ao consumidor.

Inovações melhoram manuseio das latas

Os principais fornecedores de embalagens também estiveram presentes à feira apresentando seus lançamentos, como a Brasilata, de São Paulo. O gerente de marketing Carlos Viterbo ressaltou a preocupação constante da empresa com a inovação tecnológica, fazendo um retrospecto dos desenvolvimentos nos últimos anos.

Química e Derivados: Tintas: Viterbo - lata marítima elimina trava auxiliar.
Viterbo – lata marítima elimina trava auxiliar.

Em 1993, a Brasilata lançou a lata de 18 litros com fechamento First Open, introduzindo o conceito de “violação evidente” em embalagens metálicas. Em 1994, o sistema foi aprimorado e passou a se denominar First Open Plus. No ano seguinte, a Brasilata lançou o Fechamento Plus, para latas redondas de tintas e produtos químicos, provocando um salto de qualidade no tradicional fechamento dessas embalagens. Esse sistema de fechamento conquistou o prêmio ouro na categoria general line no Cans of the year 2000, realizado em Brisbane, Austrália. Segundo Viterbo, o revolucionário fechamento Plus conseguiu modificar um padrão utilizado em todo o mundo há mais de 90 anos, tendo sido patenteado nos Estados Unidos e União Européia. Suas vantagens são: maior facilidade de abrir e fechar a lata; maior resistência a quedas; melhor desempenho nas linhas de enchimento; redução de perdas na distribuição e utilização de menos aço.

O mais novo lançamento da Brasilata é o sistema Biplus, especialmente desenvolvido para utilização nas máquinas tintométricas. A nova tampa Biplus agiliza o atendimento ao consumidor, oferece maior segurança e praticidade ao abrir e fechar, facilita o manuseio e o tingimento de tintas e possibilita a visualização da cor escolhida.

Segundo Viterbo, sem o sistema Biplus, o processo de tingimento envolve uma etapa de abertura da tampa, seguida da adição de corante e fechamento. Ocorre a mistura e faz-se necessária nova abertura da tampa para verificação da cor. Depois disso, a lata é novamente fechada para ser entregue ao comprador. Estima Viterbo que esse processo leve 58 s. O Biplus é composto de duas tampas concêntricas, sendo a central de plástico transparente, o que elimina a necessidade de reabertura para verificação da cor. O tempo de processo é reduzido a cerca de 10 segundos, informa Viterbo.

Outro destaque da Brasilata eram as latas homologadas para transporte marítimo. Relatou Viterbo que as embalagens para produtos perigosos estão sujeitas a severas recomendações internacionais editadas pelas Nações Unidas, segundo as quais devem ser submetidas a testes extremamente rigorosos. Dentre eles, de aprovação mais difícil, estão a resistência da lata à pressão interna de 100 kPa durante cinco minutos e a queda de 1,20 m, ambos feitos com latas cheias. As tintas à base de solventes fazem parte da categoria produtos perigosos, tendo os fabricantes que utilizar onerosos sistemas de reforço, como travas de material plástico e embalagens secundárias como caixas de papelão ondulado, para atender a essas normas. Após extenso trabalho com perfis, espessuras de tampa e anéis, em dezembro de 2000, a Brasilata conseguiu obter uma lata 4 (900 mL), que passou nos testes realizados pelo Ministério da Marinha, um dos órgãos certificadores no Brasil. Segundo Viterbo, até então era desconhecida na literatura mundial a existência de uma lata com tampa de pressão que tivesse resistido a tais testes sem o auxílio de travas auxiliares. Essas travas custam de 30 a 40% do valor da embalagem. Além disso, o custo das caixas de papelão igualmente especiais vinha inviabilizando a exportação de vários produtos, informou Viterbo.

No estande da grande concorrente, a Prada, de São Paulo, também estava sendo divulgada uma linha de latas homologadas pelo Ministério da Marinha para transporte de produtos perigosos. Também estavam sendo apresentadas latas de 18 L com frisos verticais, que facilitam o transporte e o empilhamento.

Associações técnicas ganham destaque

As feiras têm se mostrado um bom local para que entidades ligadas aos segmentos divulguem seus objetivos e busquem novos associados. Isso era, segundo a assessora de diretoria Monica Sales, o que a ALTP – Associação Latino Americana de Tintas em Pó, buscou ao estar presente à feira. A ALTP é uma associação essencialmente técnica formada por empresas da América Latina ligadas à indústria de revestimento em pó, sendo sua fundação uma resposta às exigências mercadológicas de produtos ecologicamente corretos, que tem se intensificado no continente. Participam da associação, companhias produtoras de tintas em pó; de matérias-primas, como resinas, pigmentos, aditivos, cargas; fabricantes de equipamentos para laboratório, extrusão, moinhos, pistolas eletrostáticas; companhias usuárias e aplicadoras; e instituições educacionais.

Os objetivos da instituição incluem promover o uso e desenvolvimento dos revestimentos em pó como técnica industrial que oferece economia de energia, eliminação de poluição, maior produtividade, maior rendimento e oportunidade para obtenção de produtos novos, exclusivos ou de melhor qualidade. A associação também pretende servir como fórum internacional e fonte confiável de educação e informação para indivíduos e organizações envolvidos no uso de revestimento em pó, ou para fornecedores de equipamentos, matérias-primas, ou outros materiais para tais usuários, e ainda desenvolver e disseminar procedimentos e dados sobre segurança na operação de equipamentos e na manipulação de materiais.

Outra instituição presente era a ATBCR (Associação Técnica Brasileira de Cura por Radiação), sediada em São Paulo. A ATBCR, uma entidade sem fins lucrativos, criada em 1993, tendo como objetivos promover o uso e o desenvolvimento da cura de tintas, vernizes, adesivos, revestimentos e compostos poliméricos por radiação ultravioleta (UV) ou feixe de elétrons (EB).

A expressão “cura por radiação“ é utilizada para descrever a polimerização instantânea de um sistema líquido com 100% de sólidos, isto é, sem a presença de solventes, iniciada por radiação. A velocidade alta da cura por radiação de tintas e vernizes, leva à obtenção de filmes com alto brilho e superfícies apresentando uma qualidade final bem superior do que a apresentada pelos materiais curados convencionalmente pelo calor, adicionando um valor considerável ao produto final. Além disso, uma linha típica de cura por UV consome aproximadamente 20% da energia gasta por uma linha de cura térmica convencional, e como o processo requer apenas alguns segundos, trabalha-se com uma velocidade de produção bem alta, ou seja, há ganhos de produtividade. Há ainda benefícios ambientais, já que a maioria dos produtos curáveis por UV/EB contém muito pouco ou nenhum solvente, sendo a quantidade de compostos orgânicos voláteis liberada durante o processo drasticamente reduzida. Outra vantagem é a possibilidade de utilização na cura de tintas ou vernizes sobre substratos sensíveis ao calor, já que o aumento da temperatura durante o processo é pequeno.

Cresce a participação das Universidades

Segundo os organizadores, mais de mil congressistas participaram das conferências do 7o Congresso Internacional de tintas. A sessão de abertura, com tema “O desafio das tintas – desempenho e eficiência em uma economia altamente inconstante”, foi coordenada por Rui Artur Goerck, da divisão de tintas e vernizes da Basf. Houve um número recorde de palestras, com uma presença maior de técnicos estrangeiros, que ministraram ou participaram de 48 do total de 75 apresentações realizadas.

Igualmente digna de nota foi a participação crescente das universidades e instituições de pesquisa brasileiras, que representam este ano 20% do total das palestras.
Um dos palestrantes, o Prof. Dr. Etelvino Bechara, do Instituto de Química da USP, apresentou pesquisa feita com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sobre a corrosividade dos ovos de libélula nas tintas automotivas. Resinas acrilo/melamínicas são muito utilizadas nessas tintas, dada à resistência a danos físicos e a diversos agentes químicos, entretanto, apresentam baixa resistência a ácidos em geral.

Química e Derivados: Tintas: Bechara - ovos de libélula corroem tinta de automóveis.
Bechara – ovos de libélula corroem tinta de automóveis.

Enquanto a degradação química por chuva ácida é bem conhecida e tem sido sujeita a diversos estudos desde o começo dos anos 90, a degradação química por organismos vivos é um problema reconhecidamente novo. Dentro desse tipo de dano biológico, enquadra-se a degradação por ovos de libélula.

Esses insetos aquáticos, muito comuns em todo mundo, são atraídos pelo reflexo da luz solar na superfície de automóveis e, confundindo-as com espelhos d’água, depositam seus ovos sobre elas. Os ovos, sobre a carroceria aquecida pela luz solar, causam perda de brilho e pequenos furos na superfície da resina atingida, cuja corrosão é facilmente percebida quando a área é observada contra a luz. Constatou o Prof. Bechara que os ovos causam corrosão irreversível da resina a temperaturas superiores a 70ºC, sendo a degradação muito parecida, visualmente, por perfilometria e por microscopia eletrônica de varredura, como a causada por ácidos em geral, ou chuva ácida. O trabalho resumiu-se em identificar os compostos existentes no ovo responsáveis pela corrosão. Concluiu-se que há formação de ácido cistêico originado de resíduos de cisteína e cistina, existentes nos ovos.

Outro trabalho desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo, tratando de inibidores de corrosão atóxicos para tintas à base de água, foi apresentado pela Logos Química, de Barueri-SP. De acordo com o diretor de pesquisa e desenvolvimento Dawson Buin Arena, os esmaltes sintéticos à base de solvente são amplamente utilizados para fins decorativos e de proteção contra a corrosão em ambientes pouco agressivos.

Química e Derivados: Tintas: Arena - aditivos mantêm desempenho de esmaltes de base água.
Arena – aditivos mantêm desempenho de esmaltes de base água.

No entanto, existem poucos estudos sobre o desempenho de esmaltes sintéticos base água como revestimentos anticorrosivos. Na pesquisa desenvolvida pela Logos Química, IPT e Eucatex Química, foram utilizados inibidores de corrosão à base de fosfonatos e fosfinatos atóxicos em sistemas de pintura aquosos. Utilizou-se uma resina acrílica emulsionada como veículo, incorporando-se à ela diferentes inibidores. As tintas obtidas foram submetidas a ensaios de caracterização, ensaios eletroquímicos (curvas de polarização e espectroscopia de impedância eletroquímica – EIS), ensaios acelerados de corrosão (névoa salina, umidade saturada e dióxido de enxofre) e ensaios de corrosão cíclicos.

Os mesmos testes foram realizados em tintas base água sem inibidores e base solvente convencional, formuladas com o mesmo veículo. Os resultados dos ensaios na tinta líquida, na película seca, de exposição em câmara de dióxido de enxofre, de umidade saturada e em câmara de névoa salina estão em perfeito acordo com os limites especificados para tintas acrílicas à base de solvente.

Os ensaios de corrosão acelerados ainda estão em andamento, não sendo possível por hora fazer uma avaliação comparativa final entre o desempenho das tintas, esclareceu Arena.

Insumos melhorados ou inovadores foram assunto de várias outras palestras. A parte ambiental e toxicológica, entretanto, também mereceu destaque, pelos temas como “Impacto ambiental das tintas mobiliárias”, “Segurança, Meio Ambiente e Saúde Ocupacional: mais do que uma tendência, um diferencial competitivo no uso de solventes”, e outros.

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