Têxtil: Pressão de custos atinge toda a cadeia produtiva

E deve conter o crescimento em 2022

Relatório divulgado em janeiro de 2022, pela empresa global de informações comerciais Textiles Intelligence, aponta que as cadeias globais de fornecimento de vestuário estão sob forte pressão à medida que os preços das matérias-primas e outros insumos aumentam e os custos de energia e de frete disparam, comprometendo a rentabilidade das indústrias e a oferta de produtos no mercado varejista.

Entre os itens de maior preocupação do setor têxtil está a fibra de algodão – que responde por 50% a 60% do custo das fiações.

De acordo com o relatório, o preço global do algodão – medido pelo Índice Cotlook A – quase dobrou entre abril de 2020 e dezembro de 2021, passando de US$ 0,64 por libra-peso para US$ 1,20.

Segundo a agência, um dos principais motivos desse desequilíbrio vem da Ásia, especialmente da China, maior produtor mundial de algodão em pluma e cuja produção se concentra na província de Xinjiang, que por sua vez responde por quase 90% do algodão chinês e por 20% do algodão produzido em todo o mundo.

O problema está na exigência do cumprimento de regras de compliance e rastreamento das peças de vestuário por parte das marcas de vestuário aos fornecedores chineses desta região, onde há relatos de trabalho forçado.

“Nesse cenário a quantidade de algodão disponível pode ser reduzida em 20% ou mais e, como resultado, é provável que os preços do algodão continuem a subir”, aponta o relatório

Situação no Brasil – Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel, uma das maiores preocupações é a pressão sobre os custos das empresas.

Segundo ele, o algodão, neste início de ano, já subiu mais de 10% e os preços futuros para março indicam novas altas.

Têxtil - Pressão de custos atinge toda a cadeia produtiva ©QD Foto: iStockPhoto
Presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel

Pimentel, que apresentou um balanço do setor em 2021, disse: “a situação do algodão está muito crítica em termos de preço. Em 2019, no mercado de Nova York, estava US$ 0,59 a libra-peso, agora já estamos falando de US$ 1,16. E no mercado local, que custava US$ 0,61 por libra-peso, estamos pagando US$ 1,17 e há perspectivas de alta. Não há capacidade para absolver isso sem repasse”.

Além do algodão, o presidente da Abit também destacou aumento de preço de outras matérias-primas. “O fio spandex (elastano) 40D, de origem chinesa, que custava US$ 4,13/kg, chegou a US$ 9,08 em janeiro; o poliéster DTY, que era US$ 1,28/kg está em US$ 1,42 e o náilon (poliamida) DTY700 está na faixa de US$ 3,23/kg. Essa pressão de custos aconteceram em todos os materiais, além disso, anilinas, corantes, embalagens e outros insumos também apresentaram alta este ano. Estamos vivenciando em janeiro algo que não estava no radar no final do ano passado”.

Números do setor – De acordo com Pimentel, o desempenho do setor em 2021 foi bom, mas não cobriu as perdas de 2020 e nem foi suficiente para voltar aos números de 2019, o último ano antes do advento da pandemia de Covid-19. Segundo os dados da Abit, a indústria têxtil e de confecção teve faturamento estimado de R$ 194 bilhões em 2021, confirmando estimativa de crescimento de 20% em relação aos R$ 161 bilhões do ano anterior.

Na comparação com 2020, a produção dos têxteis aumentou 12,1% e das confecções, 15,1%. O varejo de roupas cresceu 16,9%. O setor apresentou saldo positivo de 74 mil postos formais de trabalho no acumulado de 12 meses até novembro de 2021.

No comércio exterior, as importações, de US$ 5,16 bilhões, cresceram 26,3% e as exportações, de pouco mais US$ 1 bilhão, aumentaram 17,5%, em relação a 2020. O saldo da balança comercial setorial ficou negativo em US$ 4,1 bilhões. As projeções da Abit indicam crescimento setorial de 1,2% em 2022, ante 2021.

Texto: Marcia Mariano

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