Têxtil

Têxtil: Pressão ambiental exige adotar insumos químicos sustentáveis

Quimica e Derivados
8 de novembro de 2018
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    Química e Derivados, Indústria de tecidos opera com alta qualidade e produtividade

    Indústria de tecidos opera com alta qualidade e produtividade

    Há mais de século, a tecnologia química vem transformando matérias-primas encontradas na natureza em produtos industrializados. Os novos materiais, obtidos mediante sínteses, tornaram-se mais abundantes e baratos que os naturais, permitindo o acesso de milhões de pessoas a bens como roupas e calçados produzidos com fibras artificiais e sintéticas, em substituição ao algodão e ao couro. Mas, ao mesmo tempo em que expandiu o mercado global de consumo, a química também pagou um preço alto. No setor têxtil/vestuário tornou-se a grande vilã ambiental.

    Química e Derivados, Corantes obtidos de resíduos agrícolas e índigo sem anilina são produzidos pela Archroma

    Corantes obtidos de resíduos agrícolas e índigo sem anilina são produzidos pela Archroma

    Segundo o periódico Current Opinion in Green and Sustainable Chemistry (Opinião Atual sobre Química Verde e Sustentabilidade) da Elsevier, empresa de informações analíticas com sede na Holanda, a indústria têxtil utiliza cerca de 8 mil produtos químicos em várias etapas de produção, que podem contaminar fontes de águas (rios, córregos, lagos etc.) devido à descarga indiscriminada de efluentes e ao manejo inadequado destas substâncias.

    O relatório, publicado em novembro de 2017, foi compilado após a realização da 2ª Conferência de Química Verde Sustentável, ocorrida em maio do ano passado, em Berlim, na Alemanha. Nele há outro alerta: “com uma população de 7 bilhões e uma média de consumo de 7 kg de roupas por pessoa, o uso de produtos químicos é da ordem de 5 bilhões de quilos/ano. O destino desses produtos, seja em águas residuais ou no fim do ciclo de vida útil dos artigos têxteis, ainda não foi adequadamente estudado. Muitos desses produtos químicos podem se decompor em metabólitos nocivos à saúde ao ambiente”.

    Outro relatório emitido pela WWF Suíça, em outubro de 2017, aponta que a indústria têxtil e de vestuário mundial emite cerca de 1,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono no ar, enquanto o Greenpeace DeTox denuncia que, para transformar matérias-primas em produtos têxteis, são usadas até 3,5 mil substâncias químicas, sendo 10% delas perigosas para saúde humana e ao ambiente.

    A pressão se intensificou a partir do projeto AskReach, financiado pelo programa LIFE da União Europeia, que visa aumentar a conscientização sobre as SVHC, sigla em inglês de Substâncias de Elevada Preocupação, em artigos consumidos pela população europeia, varejistas e indústrias. Lançado em setembro de 2017, o programa tem duração até agosto de 2022. A ideia é disponibilizar as informações, com atualização constante em um site, sobre os resultados do projeto. Aliás, recentemente, o European Enviromental Bureau (EEB, ou Comissão Europeia do Ambiente) solicitou que as substâncias nocivas que figuram na lista de produtos perigosos sejam referidas como SVHC e tratadas no âmbito das regras industriais sobre têxteis, abrangendo inclusive a produção de fibras químicas, em particular, os filamentos de viscose.

    Outra ameaça também vem dos Estados Unidos. Em abril deste ano, a AAFA – Associação Americana de Vestuário e Calçado, divulgou a 19ª edição da RSL Restricted Substances List (Lista de Substâncias Restritas), com mais de 250 produtos químicos proibidos ou restritos para vestuário e calçados.

    A indústria química, representada por suas associações internacionais, defende-se alegando que não pode ser responsabilizada por descargas ou descartes de produtos no ambiente por “não está diretamente envolvida no manuseio e produção de têxteis”. Mas, os ambientalistas discordam e argumentam que a responsabilidade deve ser de toda a cadeia produtiva, incluindo também confecção, marcas e varejo.



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