Têxtil

Têxtil – investimentos produtivos com tecnologias inovadoras

Quimica e Derivados
7 de maio de 2018
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    Temos que monitorar constantemente o mundo para ter a dimensão de custos dos insumos e matérias-primas, cujos preços são dolarizados, e também os investimentos em tecnologia, porque 75% das máquinas e equipamentos comprados pela indústria são importados. Mas, se não houver soluço no câmbio em 2018, não vejo pressões fortes de custos nem pelo lado das taxas de juros, nem do custo do algodão e nem dos produtos da indústria química”.

    Se, por um lado, a indústria nacional vem mostrando capacidade de reação no mercado interno, conseguindo sobreviver à fase mais aguda da crise, quando o tema é a balança comercial, os números continuam negativos. Enquanto as exportações totais (têxtil/confecção) devem crescer 5%, tanto em valores quanto em volume, as importações apontam para um crescimento de 10% em valores e 12% em quantidade e, por isso, continuam desequilibrando o saldo comercial.

    Em 2017, a balança comercial do setor fechou com déficit de R$ 4,1 bilhões que deve chegar a R$ 4,6 bilhões em 2018. O grande concorrente da indústria têxtil nacional continua sendo a China, responsável pelo aumento das importações de vestuário. Só para comparação, em 2015 o Brasil importou 913 milhões de peças; em 2016 o número caiu para 568 milhões (-46,5%), no ano passado, cresceu 23% com a entrada de 920 milhões de peças e em 2018 deverá superar 1 bilhão, com crescimento de 10%.

    Como justificar esse déficit? Fernando Pimentel esclarece: “A melhora do setor começou a se delinear no segundo semestre de 2016. Essa evolução se deu por alguns fatores: uma recuperação leve no consumo e uma forte substituição de importações. A partir de 2017 detectamos um aumento das importações pelo desdobramento da crise política (divulgação das denúncias contra o Presidente Michel Temer).

    Diante da instabilidade, a indústria recuou, o comércio foi abastecido em parte com produtos importados e a economia voltou a respirar. Reconheço que não é uma recuperação forte, segura e homogênea, até porque perdemos quase 20% de produção entre 2015 e 2016”, salientou.

    Química e Derivados, Indústria estuda investimentos produtivos com incorporação de tecnologias inovadoras - Têxtil

    Para Pimentel, a importação de peças confeccionadas, sobretudo vestuário, é preocupante porque, sendo o último elo da cadeia de produção, afeta todas as etapas anteriores, desde a agricultura até a indústria química e petroquímica, fornecedoras do setor. O dirigente também se queixa da concorrência predatória.

    “Parte destas importações nós identificamos com muita suspeição de irregularidades e com preços muito aviltados, por exemplo, uma camiseta de malha entrando no país por 41 centavos de dólar a unidade, um quinto do preço praticado internamente. Isso é uma irregularidade que já denunciamos à Receita Federal. Chama atenção que 30% a 40% das importações que chegaram entre maio e outubro, se deram nessas condições e vieram da Ásia, principalmente da China”.

    Mas se a importação aumentou, a exportação têxtil também não avançou, porém, o motivo é mais estrutural do que conjuntural. “O Brasil tem característica histórica de ser um país produtor/consumidor. Infelizmente, a manufatura no Brasil tem sido muito sacrificada ao longo dos últimos 20 anos”.

    Pimentel acrescenta que a Abit mantém um programa exitoso com a agência governamental Apex. Hoje, segundo ele, cerca de 250 empresas são exportadoras e mais de 60% do que é exportado na área têxtil/confecção passa por esse programa. Entre os produtos exportados estão moda praia, moda íntima, fitness, malhas e jeanswear.

    Investimentos e emprego – De acordo com o balanço divulgado pela Abit, os investimentos no setor têxtil e confecção poderão atingir R$ 2,25 bilhões em 2018, um incremento superior ao do ano passado, quando foram investidos R$ 1,9 bilhão.

    “A indústria já está voltando a investir, comprando máquinas, não para expandir a produção, porque ainda existe ociosidade nas fábricas, mas para se atualizar, ganhar produtividade, qualidade e flexibilidade. As indústrias de fiação, tecelagem e acabamento são as mais intensivas de capital enquanto a confecção, embora esteja mudando de patamar, ainda é grande empregadora de mão de obra. Deste total de investimentos previstos, 2/3 serão para o têxtil”.

    Com relação ao emprego, a perspectiva é criar 20 mil postos de trabalho em 2018, recuperando a capacidade do setor que historicamente emprega cerca de 1,4 milhão de pessoas no país. “A desgraça econômica ceifou empregos de uma forma absurda. Entre 2015 e 2016, foram perdidos 130 mil postos de trabalho.

    Em 2017, porém, foram criados mais de 3.500 novos empregos no setor. É importante ressaltar que além da capilaridade regional (29 mil empresas formais em todo o País), 75% da mão de obra empregada na indústria têxtil e confecção é feminina. Do total de trabalhadores, mais de 50% possui 8 anos de estudo completos e 6% têm ensino superior”, revela.



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