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22 de junho de 2017

Têxtil: Indústria de não tecidos quer crescer 6,6% ao ano até 2020

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Aplicações desses materiais oferecem muitas alternativas

    Aplicações desses materiais oferecem muitas alternativas

    Texto: Marcia Mariano 

    Tanto um pano de limpeza multiuso quanto o reforço do painel de um automóvel são constituídos por não tecidos, um produto versátil, porém pouco divulgado no mercado brasileiro. Para a produção dos não tecidos, utilizados em diversas aplicações industriais nos setores calçadista, de geosintéticos, construção civil, filtração, hospitalar, descartáveis higiênicos, limpeza, entre outros, podem ser empregadas matérias-primas primárias, como fibras e filamentos puros (ou em misturas), e matérias-primas secundárias, a partir de resíduos e sobras têxteis. Conforme a norma NBR-13370, “ não tecido é uma estrutura plana, flexível e porosa, constituída de véu ou manta de fibras ou filamentos, orientados direcionalmente ou ao acaso, consolidados por processo mecânico (fricção) e/ou químico (adesão) e/ou térmico (coesão) e combinações destes”.

    Grosso modo, a principal diferença entre o tecido e o não tecido é que o primeiro se caracteriza pela trama de fios têxteis naturais, sintéticos ou artificiais e o segundo pela formação de uma manta (ou véu) de fibras ou filamentos.

    Segundo a Abint – Associação Brasileira de Não Tecidos e Tecidos Técnicos, a indústria brasileira é atualizada tecnologicamente e supre a demanda do mercado, entretanto, o consumo per capita de 1,49 kg/ano é muito inferior aos dos Estados Unidos, por exemplo, com 4kg/hab/ano, o que revela um grande potencial de crescimento.

    O setor reúne cerca de cem empresas, emprega aproximadamente 16.500 pessoas, apresenta um consumo aparente de 283.930 t/ano, exporta 31.990 t/ano e importa 40.272 t/ano. É um setor de capital intensivo e que necessita de mão de obra qualificada.

    Para discutir os rumos desta indústria no Brasil e apresentar as novidades em tecnologia e produtos, foi realizada em São Paulo a primeira edição da FINTT 2017 – Feira Internacional de Não Tecidos e Tecidos Técnicos. Compacta, com apenas cinco empresas expositoras, a feira, realizada depois de seis anos do último encontro setorial (a NT&TT Show 2011), aconteceu em paralelo a três feiras têxteis organizadas pela FCEM|Febratex Group, de 25 a 28 de abril, no Parque Anhembi.

    Química e Derivados, Aplicações desses materiais oferecem muitas alternativas

    Aplicações desses materiais oferecem muitas alternativas

    Carlos Eduardo Benatto, presidente da Abint e diretor executivo da Duci, formada como joint venture entre a DuPont e a Cipatex há 10 anos, comenta: “O mercado de não tecidos ainda é incipiente no Brasil e precisa crescer três a quatro vezes para chegar ao nível global. Por isso, acredito que temos muita capacidade de atrair investimentos, porém isso só acontecerá se houver estabilidade econômica, pois são projetos de longo prazo e alto custo”. Segundo ele, a feira foi positiva porque, apesar de pequena, vários visitantes industriais procuraram os estandes para conhecer os produtos. “Tivemos muitos confeccionistas interessados em não tecidos. Isso não estava no nosso radar e foi uma grata surpresa. Mesmo com a crise, que afeta os investimentos industriais, esperamos crescer 6,6% até 2020”. Benatto disse que a entidade está estudando realizar a próxima feira em 2021, mais ampla e focada no setor de têxteis técnicos, com apoio de entidades internacionais como Inda e Edana, da Bélgica, que este ano realizaram sua segunda conferência internacional sobre não tecidos em São Paulo, reunido cerca de 250 participantes.

    Para o público visitante, o longo período sem a realização de um evento de negócios nesse setor demonstra que a indústria de não tecidos precisa aprimorar sua comunicação com o mercado. “Interessante conhecer estes produtos, nem sabia do que eram feitos”, admirou-se Claudia Peukert, que veio de Sorocaba-SP para conhecer a feira têxtil.

    Mercado – O segmento de descartáveis higiênicos lidera o consumo no mercado brasileiro, com 54% de participação, sendo que fraldas e absorventes representam 48% e não tecidos médicos 6%. A área industrial participa com 46%. Carlos Eduardo Benatto prevê que, dentro do segmento industrial, o mercado de transportes (automotivo) e geosintéticos (infraestrutura) são os que deverão apresentam maiores taxas de crescimento para os próximos anos no Brasil. Também destacou que, na área de descartáveis higiênicos, as fraldas e toalhetes para adultos deverão apresentar incremento no consumo, devido ao envelhecimento da população. Na contramão desse fenômeno, o mercado de fraldas para crianças de 0 a 4 anos tende a se estagnar, diante das perspectivas de queda na natalidade, enquanto que a demanda por absorventes femininos e produtos de higiene para a terceira idade deve crescer acima 25% nas próximas décadas.

    “O Brasil é um mercado em formação para o consumo de não tecidos descartáveis na área de saúde e higiene. Nossa base de consumo ainda é imatura, estamos com defasagem de pelo menos cinco anos em relação aos países desenvolvidos. Todavia, creio que com menor crescimento populacional e envelhecimento da população, mudará o perfil dos produtos a serem oferecidos no mercado”, comenta o dirigente, acrescentando que nos últimos anos houve grandes investimentos nas indústrias brasileiras de não tecidos. “Nossa perspectiva é que sejam investidos US$ 75 milhões de dólares no Brasil nos próximos cinco anos, mas o prazo de maturação desses projetos é de 10 anos”.

    O parque industrial brasileiro é formado por linhas spunbond, spunlace e agulhados. Benatto aponta tendência de redução da fibra cortada, em detrimento do filamento contínuo, para a produção de não tecidos, já que este insumo pode sustentar o processo airlaid, voltado para área de filtração, especialmente para indústria de alimentos, segmento que tende a crescer nos próximos anos. “No Brasil, os não tecidos com filamentos contínuos vão coexistir com os de fibras cortadas, que ainda são predominantes em algumas linhas de produtos”.

    O dirigente disse que a indústria química brasileira tem capacidade para fornecer polímeros de polipropileno (PP) e poliéster (PES) para produção de fibras, porém é necessário importar fibras de viscose, pois o Brasil deixou de ter produção nacional há 10 anos. Outra característica da indústria brasileira de não tecidos é que mais de 60% do poliéster consumido é oriundo de fibras de PET reciclado, enquanto o PP é o principal polímero consumido pela indústria brasileira devido ao maior uso do processo spunbond para produção de não tecidos.

    Almir Andreoli, diretor da Albitex, empresa que presta consultoria e assessoria técnica para aquisição de máquinas, equipamentos e peças de reposição para a indústria de não tecidos, destaca que os segmentos de geosintéticos e automotivo cresceram nos últimos cinco anos. Ainda que o impacto da crise tenha retraído o consumo interno, as exportações mantiveram o ritmo dos negócios. “Cada linha completa para a produção de não tecidos custa entre 2 e 5 milhões de euros. É um investimento expressivo que demanda retorno por isso, as indústrias do setor possuem portfólio amplo e diversificado, abrangendo diversos tipos de clientes. Entre 2014 e 2016, as vendas no mercado interno despencaram, mas agora começaram a se recuperar. Já estamos recebendo consultas e projetos para novas instalações, a partir de 2018”, informa Andreoli.

    Química e Derivados, Os panos de limpeza multiuso também aproveitam não tecidos

    Os panos de limpeza multiuso também aproveitam não tecidos

    Giro na feira – Líder em não tecidos para os segmentos de limpeza industrial, automotivo, calçados e bolsas, a Duci produz substrato laminado de PVC e componentes para calçados, wipes (lenços), carpetes e não tecido automotivo. A empresa compra fibras de poliéster nacional da M&G e atende seus clientes com linha completa de produtos. “Hoje o mercado está aquecido, principalmente na área de calçados, por causa não só do restabelecimento da economia, mas também pela alta do dólar, que reduziu as importações e favoreceu o produto brasileiro”, comenta a gerente de marketing Nívea Furlan.

    Com fábrica em Cerquilho-SP, a Duci produz cerca 400 toneladas/mês de não tecidos e exporta entre 5% e 10% para o Mercosul.

    “Por trás do laminado sintético, existe muita engenharia. Nós fabricamos não tecidos que vão de 22 g/m² – maleáveis e destinados a material de higiene e palmilhas –, até 300 g/m² para aplicações técnicas. A este substrato são dados acabamentos e isso lhe garante resistência, toque e visual”, explica Furlan, acrescentando que ficou bem impressionada com o interesse dos visitantes na feira.

    Charles Peixoto, técnico têxtil e agente de negócios da Mexichem Brasil, detentora da marca Bidim, também se mostrou satisfeito com a FINTT. Mexichem é um grupo mexicano de empresas químicas e petroquímicas líder no mercado latino-americano, com exportações para mais de 50 países, com plantas industriais na Colômbia, México e Peru. No Brasil, onde opera desde 2006, possui fábrica em São José dos Campos-SP.


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