Têxtil

Têxtil – Fibras celulósicas recuperam espaço no mercado

Quimica e Derivados
20 de março de 2020
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    Matérias-Primas e Investimentos – O mercado brasileiro é ainda ligado à cotonicultura, mas ao se considerar a quantidade de matéria-prima que o Brasil processa por ano, incluindo fibras, fios, filamentos, malhas e tecidos, somando o que é produzindo no mercado interno e o que é importado, constata-se que as fibras artificiais e sintéticas, especialmente as de poliéster, já ultrapassam a quantidade de fibras naturais na produção de artigos têxteis. A evolução do consumo industrial de fibras no Brasil mostra a ascensão do uso das sintéticas em detrimento do algodão, o que representa uma mudança na cadeia têxtil que até então tinha a fibra natural como a mais importante matéria-prima. “Hoje, a indústria transforma 50% de fibras nacionais de algodão; mas quando incorpora outras matérias-primas – tanto nacionais, quanto importadas – então as sintéticas (poliéster, poliamida, elastano) são majoritárias em relação ao algodão. O Brasil é competitivo em algodão e isso é uma agenda que passa pela sustentabilidade, pela biodiversidade, e a biotecnologia. A Abit está trabalhando com o Instituto Senai de Inovação para desenvolver novas fibras que impulsionem a economia circular, dentro de uma perspectiva de consumo sustentável a médio e longo prazo”, diz Pimentel.

    Quanto aos investimentos em bens de capital, os números do BNDES não são muito representativos para o setor têxtil, pois o banco sofreu muitas mudanças com a nova gestão e o desembolso caiu de R$ 178 milhões, entre janeiro e setembro de 2018, para R$ 104 milhões, no mesmo período de 2019. O banco estatal, que no passado concedia aporte de crédito às grandes indústrias, agora tem foco na área de privatizações, saneamento básico e financiamento para pequena empresa. Fernando Pimentel acrescenta que as grandes empresas migraram do crédito público para o crédito privado, que por sua vez está mais atrativo devido à queda nos juros. Todavia, mesmo num cenário difícil para investimentos, a importação de máquinas e equipamentos pela indústria têxtil/confecção cresceu 6,5% em 2019, num total US$ 431 milhões.

    “Não é um número espetacular, mas é relevante se considerarmos que o setor têxtil teve queda de produção em 2019. Como ainda existe ociosidade na indústria, o grosso desses investimentos são direcionados para substituição de máquinas, implantação de novas tecnologias, sustentabilidade, flexibilidade, economia digital, enfim, todo um processo modernizador e não necessariamente para aumentar a produção. Porém, à medida que a economia brasileira mostre força e a demanda cresça, esses investimentos deverão ser mais fortes, como já tivemos no período 2010 e 2011”, conclui o presidente da Abit.

    Oportunidades no Brasil – Estima-se que a demanda por fibras que utilizam a celulose solúvel como matéria-prima deverá crescer de 5 a 6% ao ano no mercado têxtil. A previsão é o grupo austríaco Lenzing, maior produtor de fibras celulósicas especiais do mundo, que em 2019 anunciou a construção de uma planta de Liocell de última geração na Tailândia, com capacidade de 100 mil toneladas, e operação prevista para 2021.

    Texto: Marcia Mariano



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