Têxtil

Têxtil: Economia instável atrasa projetos

Jose P. Sant Anna
26 de fevereiro de 2004
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    O nome Invista foi adotado pela DuPont para a sua fábrica de produtos têxteis no último mês de setembro. “A mudança representou mais um avanço em relação à separação da empresa de sua holding e à consolidação de sua identidade corporativa distinta e independente”, informa Rubens Approbato Machado Junior, presidente da Invista para a América do Sul. A empresa tem um faturamento anual de US$ 6,5 bilhões, 22 mil funcionários e operações em 50 países. Na América do Sul, fatura R$ 250 milhões e, além das fábricas instaladas em Paulínia (SP) e Americana (SP), também produz fibras têxteis em duas plantas localizadas na Argentina e em uma na Colômbia. No portfólio da Invista podem ser encontradas várias marcas importantes, entre as quais se destaca a Lycra.

    Química e Derivados: Têxtil: textil_grafico03.De acordo com Machado, a grande preocupação da empresa nos últimos anos tem sido a de gerar produtos que atendam as exigências feitas pelo mundo da moda. “O mercado vem procurando tecidos mais inteligentes, práticos e confortáveis e temos que investir constantemente em pesquisas para satisfazer os consumidores”, diz. Para exemplificar, ele lembra do lançamento das fibras têxteis com a marca Teflon, feito no último trimestre do ano passado. “Com essas fibras são produzidos tecidos que permitem a fácil remoção de manchas”, explica.

    Preocupação semelhante tem a Rhodia Poliamidas, pioneira na produção de náilon no Brasil – é dela a primeira fábrica de fibras do País, instalada na década de 50. A empresa investe por ano R$ 5 milhões no desenvolvimento de novos produtos e em ações de marketing. Detentora da marca Amni, a empresa apresentou duas novidades no ano de 2003. São os fios Am­nibiotech, produto que inibe a criação de bactérias, o que o protege contra o odor da transpiração, e o Amni UV Protection, que faz com que os tecidos protejam os usuários contra a ação dos raios ultravioletas. “As fibras dão uma proteção equivalente aos filtros solares com grau 140”, informa Lindehayn.

    Outra preocupação da Rhodia é com o aumento de sua capacidade instalada. “De 2002 para cá investimos US$ 10 milhões para elevar nossa capacidade de produção em 10%”, revela Mario Lindehayn, vice-presidente da empresa. Boa parte da ampliação tem como foco a exportação. “Queremos mais que dobrar as nossas exportações para países da América do Sul. Hoje, nossas vendas externas correspondem a 10% de nosso faturamento, mas pretendemos chegar aos 15% em breve”, explica.

    A saturação de oferta no mercado europeu fez com que o grupo italiano Radici decidisse investir na América Latina no final da década de 90. Após alguns estudos, nascia, em fevereiro de 1999, a Radicinylon. A empresa começou com investimentos de US$ 15 milhões, usados para montar uma planta em São José dos Campos (SP), com capacidade de produção de 450 toneladas por mês de fios. Os bons resultados obtidos fizeram com que mais US$ 30 milhões fossem investidos para o aperfeiçoamento da fábrica, que passou a produzir também os fios POY. Hoje sua capacidade de produção é de 600 toneladas de náilon por mês.

    Outra empresa que pertence ao grupo italiano Radici é a Crylor, principal fabricante brasileira de fibras têxteis sintéticas acrílicas, obtidas a partir da transformação em fibras do polímero de acrílico. Estas fibras, que por suas características são bastante utilizadas pelas indústrias de malharias e cobertores, não são tão procuradas no Brasil, país de clima tropical. O consumo aparente do produto em 2002, de acordo com a Abrafas, ficou na casa das 43 mil toneladas, das quais 17,6 mil foram importadas. “Nossa capacidade instalada é de 28 mil toneladas por ano e existem boas condições para investirmos na ampliação de nossa capacidade”, avalia Walter Meyer, gerente comercial da Crylor.

    Artificiais – Com o fortalecimento no mercado brasileiro e mundial das fibras sintéticas, as fibras artificiais, obtidas a partir da celulose, estão perdendo terreno. Apesar de apresentarem um conforto em muitos casos superior ao das sintéticas, as artificiais têm contra si o preço. Nesse nicho de mercado, o Brasil não só é auto-suficiente como também é exportador. Em 2002, o país consumiu apenas 23 mil toneladas de um total de mais de 32 mil toneladas que produziu. Entre os países que recebem os nossos produtos encontram-se os Estados Unidos, Comunidade Européia, Turquia e Taiwan.

    Poucos são os fabricantes de viscose no mundo. No Brasil, toda a produção está concentrada na planta industrial que a Vicunha Têxtil mantém em Americana (SP). “Somos os únicos produtores de filamentos têxteis de raion viscose nos três continentes americanos. No caso das fibras cortadas de raion viscose, também chamadas de fioco, temos a única fábrica da América do Sul”, orgulha-se Silvio Ferreira Martins, diretor industrial da Vicunha.

    Martins explica que a viscose fabricada aqui é obtida a partir de árvores nobres da celulose, que são tratadas a partir de vários produtos químicos, como soda cáustica e ácido sulfúrico. Os produtos químicos utilizados na sua transformação são recuperados e revendidos. “A nossa fábrica também comer­cializa sulfato de sódio e outros sub­produtos. Se não fizéssemos isso, a planta seria economicamente inviável”, revela Martins.



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