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Têxtil

Têxtil: Economia instável atrasa projetos

Jose P. Sant Anna
26 de fevereiro de 2004
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    O grupo nacional Vicunha Têxtil acaba de realizar um investimento de US$ 6 milhões, o que permitirá à empresa produzir internamente todo o POY que utiliza para a fabricação de fios de poliéster. “Antes importávamos boa parte do POY que consumíamos”, revela Silvio Fer­reira Martins, diretor industrial de polímeros e fibras. A empresa tem capacidade de produção de 24 mil toneladas por ano do polímero PET e de 14,4 mil toneladas por ano de filamentos.

    “Fabricamos o polímero, a partir da adição de DMT com MEG nas versões semi-opaco e brilhante para tecidos e para embalagens em nossa fábrica em Aratu (BA) e o poliéster em nossa planta de Americana (SP)”, informa. O gerente ressalta que a empresa utiliza a adição de masterbatches nos polímeros produzidos como forma de obter fios com cores mais estáveis do que as obtidas com o tingi­mento posterior dos tecidos, feito a partir de corantes.

    Com capacidade de produção de 200 mil toneladas por ano da resina PET e 90 mil toneladas ano de fibra cortada de poliéster, a Rhodia-Ster, empresa que pertencia à Rhodia e em outubro de 2002 foi adquirida pelo grupo italiano Mossi & Ghisolfi, um dos líderes do setor em todo o mundo. A fibra cortada atende a mercados diferenciados, como os de calçados, carpetes e tapetes, entre outros.

    Projeto agita fornecedores de matérias-primas

    O plano de expansão que vem sendo avaliado pela Ledervin, empresa pertencente ao grupo nacional J. Serrano, que estuda instalar duas grandes plantas no Nordeste de filamentos texturizados de poliéster, com capacidade de produção, cada uma, de 180 mil toneladas por ano, pode alterar a rotina dos fabricantes nacionais de matérias-primas do polietileno tereftalato (PET), polímero utilizado para a obtenção dos fios.

    O PET é obtido através da mistura do metilenoglicol (MEG) com o Dimetil Tereftalato (DMT) ou com o ácido tereftálico puro (PTA). Todas essas três substâncias contam com fabricantes únicos no Brasil. O grupo nacional Oxiteno é fornecedor do MEG, substância que responde por cerca de 35% da fórmula do polímero. Gerson Moacir Secomandi, gerente de mercado da empresa, garante que ela encontra-se em condição confortável. “Temos capacidade instalada para produzir mais de 300 mil toneladas por ano de glicóis, quantidade suficiente para atender o possível aumento de demanda. Hoje, boa parte do que produzimos é exportado”, explica.

    A Rhodiaco, empresa que no passado contava com participação acionária da Rhodia e hoje é administrada pela italiana Mossi & Ghisolfi e pela inglesa British Petroleum, é a única fabricante brasileira do PTA. Sua capacidade de produção é de 250 mil toneladas por ano. Grande parte do que produz é absorvida pela Rhodia-Ster, empresa da Mossi & Ghisolfi fabricante do polímero PET para fibras têxteis e embalagens e também de fibras têxteis. “Estamos atentos aos anseios do mercado, sempre investimos no aumento de nossa capacidade de produção. Em 2004 nossa capacidade será ampliada para 265 mil toneladas por ano”, informa Lineu Jorge Frayha, gerente geral da Rhodiaco.

    O executivo admite, no entanto, que para atender a um grande salto na demanda, a Rhodiaco precisaria investir na construção de uma nova unidade industrial, o que não é nada fácil. “Uma nova fábrica, para dar retorno satisfatório, precisaria ter capacidade de produção de 500 mil toneladas por ano “, avalia.

    Química e Derivados: Têxtil: Ferreira - Vincunha invstiu U$$ 6 milhões.

    Ferreira – Vincunha invstiu U$$ 6 milhões.

    O DMT é fabricado com exclusividade pela Braskem. A empresa tem capacidade instalada de produção de 80 mil toneladas por ano, quase toda consumida internamente – a Braskem é produtora de PET com características apropriadas para embalagens plásticas. “No momento não temos nenhum plano de expansão”, revela Edson Heleno de Barros, gerente comercial de PET. O executivo também ressalta que a instalação de uma nova planta exigiria um investimento significativo.

    A Rhodia-Ster não tem planos imediatos de ampliação, apesar de cerca de 17% do consumo interno, estimado em 107 mil toneladas em 2002, ser atendido por importações. “O mercado não está crescendo e há sobras de produto no mundo por causa do investimento forte feito nos países asiáticos. Nosso objetivo não é o de aumentar a produção, e sim o de investir em nichos específicos”, revela Luís Henri­que Bittencourt, gerente comercial da Rhodia-Ster.

    Demais sintéticas – A segunda fibra química sintética mais utilizada nos mercados nacional e mundial é o náilon (poliamida), em suas versões náilon 6 (obtida a partir da polimerização da caprolactama) e náilon 6.6 (produzida por meio da polimerização dos monômeros hexametilenodiamina e ácido adípico). Pela maciez de seu toque e por seu elevado grau de elasticidade, as fibras de náilon são muito utilizadas na fabricação de tecidos para roupas íntimas, maiôs e uniformes esportivos, entre dezenas de outras possíveis aplicações.

    No campo do náilon, a produção nacional está apta a atender as necessidades do mercado interno. Dados da Abrafas revelam que a produção nacional em 2002 ficou na casa dos 65.820 toneladas por ano, contra um consumo aparente de 73.140 toneladas. Mas os investimentos realizados pelos principais produtores nacionais nos últimos dois anos fizeram a capacidade instalada do País superar as 100 mil toneladas por ano. Além da inauguração da nova fábrica da Invista, os constantes investimentos feitos pela Rhodia e Ra­dicinylon, dois outros grandes nomes do setor, devem transformar o Brasil em um expressivo exportador da fibra de náilon já em 2004.



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