Têxtil

Têxtil: Economia instável atrasa projetos

Jose P. Sant Anna
26 de fevereiro de 2004
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    Poliéster – As fibras químicas podem ser divididas em dois grandes grupos. Um deles é o das fibras sintéticas, obtidas a partir da transformação físico-química de derivados da nafta petro­química. Três são os tipos de fibras sintéticas presentes com maior força na indústria têxtil: poliéster, náilon e acrílicas. O outro grupo é o formado pelas artificiais, obtidas por meio da transformação química de matérias-primas naturais. A celulose é a matéria-prima que gera o produto do gênero mais utilizado pela indústria têxtil, o raion viscose.

    O poliéster é, de longe, a fibra química mais vendida na indústria têxtil brasileira e mundial – no País ela responde por cerca de dois terços do mercado. Com bom índice de absorção de umidade, resistente às lavagens e com boa absorção às tinturas, ela apresenta preço bastante competitivo em relação ao das concorrentes. É fabricada a partir da poli­con­densação da mistura do dimetil tereftalato (DMT) ou do ácido tereftálico puro (PTA) com o mono­etilenoglicol (MEG), o que resulta no surgimento do polímero polietileno tereftalato (PET). O polímero, quando produzido com diferente índice de viscosidade intrínseca, é o mesmo utilizado para a fabricação de embalagens de refrigerantes.

    No Brasil, quatro empresas de grande porte produzem PET voltado para a indústria têxtil: Ledervin, Polyenka, Vicunha Têxtil e Rhodia-Ster. As duas primeiras utillizam o polímero que fabricam para produzir fios lisos ou filamentos texturizados de poliéster, as duas linhas de produtos que comer­cializam. A Vicunha, além dos fios e filamentos, também oferece ao mercado o polímero PET, além de fabricar fibras artificiais e outros produtos. A Rhodia-Ster, por sua vez, vende fibras de poliéster cortadas – voltadas para tecidos mais pesados e outras aplicações – e o PET. Outros produtores de poliéster trabalham a partir da compra dos fios usados como matéria-prima para a produção de fila­mentos já adaptados à indústria têxtil – entre eles, o mais utilizado é o conhecido por POY (fila­mento parcialmente orientado).

    Projetos – Os fabricantes nacionais de fios e filamentos têxteis de poliéster são os que enfrentam problemas mais graves com a falta de investimentos das últimas décadas. Dados da Abrafas revelam que, em 2002, 314 mil toneladas de poliéster foram transformadas em tecidos no mercado nacional. Com capacidade total instalada de 275 mil toneladas, o setor produziu 221 mil toneladas no mesmo período. Para que o mercado interno fosse atendido, foram importadas cerca de 100 mil toneladas.

    Química e Derivados: Têxtil: textil_grafico02.É esse quadro que a Ledervin quer sepultar. Com fábricas nos municípios de Santo André (SP) e Osasco (SP), hoje ela tem capacidade de produção de 50 mil toneladas anuais de fios e fila­mentos. Caso a montagem das duas novas fábricas se concretize, sua capacidade cresceria em 360 mil toneladas anuais. “Pelo projeto, a primeira planta seria inaugurada na Bahia, em 2005, e a segunda em Pernambuco, em 2007”, explica o diretor da empresa, Pedro Luiz Cerri. Ele informa que no momento a empresa está fazendo uma análise das tecnologias de fabricação e equipamentos disponíveis no mercado mundial. “Queremos escolher a técnica mais adequada e calcular os investimentos necessários para levar a idéia adiante. Ainda não sei dizer o quanto vamos precisar investir, mas com certeza trata-se de uma quantia muito considerável”, revela.

    Para que o projeto se transforme em realidade algumas pendências precisam ser resolvidas. Além das velhas questões econômicas, que geram reclamações unânimes dos empresários do setor, um dos aspectos apontado por Cerri como decisivo é o da oferta nacional das matérias-primas necessárias. A empresa não pensa em manter duas plantas de tamanho porte sem qualquer defesa contra as oscilações do dólar.

    Química e Derivados: Têxtil: Lindehayn - meta de elevar exportações em 50%.

    Lindehayn – meta de elevar exportações em 50%.

    A questão não é fácil de ser resolvida. O fornecimento do MEG não é problema, uma vez que a Oxiteno, única fornecedora nacional do produto, pode suprir com folga o aumento estimado da demanda. O nó da questão fica por conta das duas outras substâncias utilizadas no processo. Tanto a Braskem, única fornecedora nacional de DMT, quanto a Rhodiaco, fabricante exclusiva no Brasil do PTA, não contam com produções suficientes nem mesmo para atender o atual consumo nacional. “Hoje somos obrigados a importar todo o DMT e o PTA que utilizamos”, lembra Cerri (ver pág. 52).

    Apesar de ter um plano mais modesto, a Polyenka também aguarda o momento certo para expandir sua fábrica, localizada em Americana (SP) e que hoje tem capacidade de produção na casa das 35 mil toneladas anuais. “Temos um projeto de US$ 15 milhões voltado para ampliar em 30% a atual capacidade de produção de nossa fábrica em Americana (SP), hoje na casa das 35 mil toneladas anuais”, informa Albrecht. O presidente da empresa e da Abrafas, no entanto, promete pensar muito antes de dar partida ao projeto. “Nas condições atuais é uma iniciativa muito arriscada”, acredita.

    Em termos de produtos, a Polyenka lançou, no ano passado, o PK-Flex, fio capaz de produzir tecidos de poliéster com maior elasticidade, o que o aproxima dos náilons, que apresentam maior valor de mercado. O produto foi desenvolvido em parceria com a GE Plastics, produtora de plásticos de engenharia, que desenvolveu uma nova versão do polímero Valox para essa finalidade. “É um produto inédito em todo o mundo. Já existem opções similares na versão brilhante, mas este é o primeiro fio opaco do gênero”, garante Cláudio Murano, supervisor de desenvolvimento e marke­ting da Polyenka. Não por acaso, o PK-Flex terá boa parte de sua produção exportada – seja em fios ou em roupas prontas feitas por confecções nacionais, que garantem um maior valor agregado às vendas externas.



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