Têxtil: Economia instável atrasa projetos

Fabricantes nacionais de fibras químicas deixam planos ambiciosos de expansão nas gavetas à espera de melhores dias

Química e Derivados: Têxtil: textil_abre. Transformar o Brasil de importador a exportador é o desafio dos fabricantes nacionais de fibras químicas voltadas à indústria de tecidos. A tarefa não é nada fácil, uma vez que atualmente cerca de 30% do total consumido por aqui vem do exterior. Não são poucos, no entanto, os projetos de empresas do setor destinados a elevar de maneira significativa a atual capacidade de produção do País. De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), a fabricação nacional de fibras químicas em 2002 ficou na casa das 366 mil toneladas, contra um consumo no mesmo período de 464 mil toneladas – números não muito diferentes dos estimados para 2003.

Química e Derivados: Têxtil: textil_grafico01. O descompasso entre demanda e oferta poderia ser um pouco mais favorável, caso a indústria reduzisse seu índice de capacidade ociosa – hoje na casa dos 24%. O setor, no entanto, desde a abertura de mercado ocorrida na década de 90, sofre com a concorrência dos países asiáticos, que nos últimos anos se transformaram em grandes produtores mundiais de fibras químicas para tecidos – em especial a China. “As fibras chegam aqui a preços desleais”, reclama José Eduardo Cintra de Oliveira, diretor executivo da Abrafas.

Entre os planos de expansão em estudo, o mais ambicioso é o da Ledervin, fabricante de fios e filamentos de poliéster. A empresa, que surgiu de uma fusão promovida pelas multinacionais Rhodia e Hoechst e que em 1999 foi adquirida pelo grupo nacional J. Serrano, estuda instalar, até 2007, duas fábricas de grande porte no Nordeste, com capacidade de produção, cada uma, de 180 mil toneladas anuais. Caso seja concretizado, a atual capacidade instalada das indústrias nacionais de fibras químicas vai se elevar em cerca de 75%. Outros planos, menos ambiciosos, também podem colaborar com o avanço da produção nacional.

Para que os investimentos previstos se transformem em realidade, no entanto, os empresários querem se sentir seguros para aplicar os muitos milhões de dólares necessários. “Além de contar com moeda estável, financiamento a juros não abusivos e impostos compatíveis com os cobrados no exterior, itens imprescindíveis para a retomada dos investimentos, precisamos desenvolver uma política industrial consistente, que ajude o setor a ficar competitivo”, reclama Jörg Albrecht, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas) e da Polyenka, produtora de fios e filamentos tex­turizados de poliéster.

Com coragem suficiente para esquecer as dificuldades resultantes do cenário econômico, a Invista (nome recém adotado pela DuPont Têxteis e Interiores) inaugurou em Paulínia (SP), em agosto de 2002, uma unidade industrial que aumentou em 50% sua capacidade de fabricação de fibras químicas. Os investimentos consumidos no projeto foram de US$ 200 milhões, valor que inclui ativos, marketing, desenvolvimento, novos produtos e treinamento.

Projetos de expansão à parte, uma saída encontrada por alguns fabricantes nacionais para melhorar suas receitas tem sido a de se dedicar a nichos de mercado sofisticados. Vários investimentos nesse sentido são feitos constantemente. Isso explica o fato de, apesar de não conseguir atender a todo o mercado interno, o setor tenha exportado 33 mil toneladas de fibras químicas em 2002, número que deve crescer nos próximos anos.

Química e Derivados: Têxtil: Albrecht - Polyenka tem projeto U$$ 15 milhões.
Albrecht – Polyenka tem projeto U$$ 15 milhões.

Contramão – O Brasil é um dos poucos países onde a indústria ainda utiliza mais fibras naturais do que químicas para a produção de tecidos. As naturais, quase a totalidade delas originárias do algodão, respondem por 60% do mercado interno, enquanto as químicas são responsáveis pelos 40% restantes. A divisão do mercado mundial apresenta proporção exatamente inversa: a produção de tecidos se utiliza de 60% de fibras químicas e 40% de naturais.

Realidade brasileira à parte, a evolução do uso de fibras químicas é um fenômeno irreversível, tanto no País quanto no exterior. Basta lembrar que na década de 60, por aqui, elas detinham apenas 9% do mercado nacional – no exterior, na época, elas respondiam por 22% das fibras utilizadas pelo setor têxtil. A conquista de mercado verificada nas últimas décadas pode ser explicada pelos bilhões de dólares investidos em todo o mundo por grandes grupos multina­cionais do ramo químico para desenvolver fibras com características diferenciadas e a preços competitivos.

Um grande marco tecnológico das empresas do setor foi o início da produção, em meados da década de 80, das microfibras, fios usados para a fabricação de filamentos têxteis cujo diâmetro é menor do que o de um cabelo. De acordo com a convenção adotada mundialmente pelo setor, para que seja considerado microfibra, um fio deve ter menos de 1 dtex – o dtex representa o peso em gramas de 10 mil metros de um fio. Para se ter uma idéia do que significou esse avanço, na década de 70, o fio químico mais fino contava com 167 dtex. Hoje são produzidos fios com 0,579 dtex. Em outras palavras, 10 mil metros de alguns fios produzidos hoje pesam apenas 0,579 grama.

O avanço permitiu o surgimento de tecidos oriundos de fibras químicas muito mais leves e confortáveis do que os fabricados no passado. Mas o desenvolvimento não parou por aí. Outros benefícios foram alcançados e permitiram a produção de tecidos que não amassam, absorvem suor, eliminam odores e permitem a limpeza fácil de manchas, entre outras características. E as constantes pesquisas devem resultar em mais novidades nos próximos anos.

Poliéster – As fibras químicas podem ser divididas em dois grandes grupos. Um deles é o das fibras sintéticas, obtidas a partir da transformação físico-química de derivados da nafta petro­química. Três são os tipos de fibras sintéticas presentes com maior força na indústria têxtil: poliéster, náilon e acrílicas. O outro grupo é o formado pelas artificiais, obtidas por meio da transformação química de matérias-primas naturais. A celulose é a matéria-prima que gera o produto do gênero mais utilizado pela indústria têxtil, o raion viscose.

O poliéster é, de longe, a fibra química mais vendida na indústria têxtil brasileira e mundial – no País ela responde por cerca de dois terços do mercado. Com bom índice de absorção de umidade, resistente às lavagens e com boa absorção às tinturas, ela apresenta preço bastante competitivo em relação ao das concorrentes. É fabricada a partir da poli­con­densação da mistura do dimetil tereftalato (DMT) ou do ácido tereftálico puro (PTA) com o mono­etilenoglicol (MEG), o que resulta no surgimento do polímero polietileno tereftalato (PET). O polímero, quando produzido com diferente índice de viscosidade intrínseca, é o mesmo utilizado para a fabricação de embalagens de refrigerantes.

No Brasil, quatro empresas de grande porte produzem PET voltado para a indústria têxtil: Ledervin, Polyenka, Vicunha Têxtil e Rhodia-Ster. As duas primeiras utillizam o polímero que fabricam para produzir fios lisos ou filamentos texturizados de poliéster, as duas linhas de produtos que comer­cializam. A Vicunha, além dos fios e filamentos, também oferece ao mercado o polímero PET, além de fabricar fibras artificiais e outros produtos. A Rhodia-Ster, por sua vez, vende fibras de poliéster cortadas – voltadas para tecidos mais pesados e outras aplicações – e o PET. Outros produtores de poliéster trabalham a partir da compra dos fios usados como matéria-prima para a produção de fila­mentos já adaptados à indústria têxtil – entre eles, o mais utilizado é o conhecido por POY (fila­mento parcialmente orientado).

Projetos – Os fabricantes nacionais de fios e filamentos têxteis de poliéster são os que enfrentam problemas mais graves com a falta de investimentos das últimas décadas. Dados da Abrafas revelam que, em 2002, 314 mil toneladas de poliéster foram transformadas em tecidos no mercado nacional. Com capacidade total instalada de 275 mil toneladas, o setor produziu 221 mil toneladas no mesmo período. Para que o mercado interno fosse atendido, foram importadas cerca de 100 mil toneladas.

Química e Derivados: Têxtil: textil_grafico02.É esse quadro que a Ledervin quer sepultar. Com fábricas nos municípios de Santo André (SP) e Osasco (SP), hoje ela tem capacidade de produção de 50 mil toneladas anuais de fios e fila­mentos. Caso a montagem das duas novas fábricas se concretize, sua capacidade cresceria em 360 mil toneladas anuais. “Pelo projeto, a primeira planta seria inaugurada na Bahia, em 2005, e a segunda em Pernambuco, em 2007”, explica o diretor da empresa, Pedro Luiz Cerri. Ele informa que no momento a empresa está fazendo uma análise das tecnologias de fabricação e equipamentos disponíveis no mercado mundial. “Queremos escolher a técnica mais adequada e calcular os investimentos necessários para levar a idéia adiante. Ainda não sei dizer o quanto vamos precisar investir, mas com certeza trata-se de uma quantia muito considerável”, revela.

Para que o projeto se transforme em realidade algumas pendências precisam ser resolvidas. Além das velhas questões econômicas, que geram reclamações unânimes dos empresários do setor, um dos aspectos apontado por Cerri como decisivo é o da oferta nacional das matérias-primas necessárias. A empresa não pensa em manter duas plantas de tamanho porte sem qualquer defesa contra as oscilações do dólar.

Química e Derivados: Têxtil: Lindehayn - meta de elevar exportações em 50%.
Lindehayn – meta de elevar exportações em 50%.

A questão não é fácil de ser resolvida. O fornecimento do MEG não é problema, uma vez que a Oxiteno, única fornecedora nacional do produto, pode suprir com folga o aumento estimado da demanda. O nó da questão fica por conta das duas outras substâncias utilizadas no processo. Tanto a Braskem, única fornecedora nacional de DMT, quanto a Rhodiaco, fabricante exclusiva no Brasil do PTA, não contam com produções suficientes nem mesmo para atender o atual consumo nacional. “Hoje somos obrigados a importar todo o DMT e o PTA que utilizamos”, lembra Cerri (ver pág. 52).

Apesar de ter um plano mais modesto, a Polyenka também aguarda o momento certo para expandir sua fábrica, localizada em Americana (SP) e que hoje tem capacidade de produção na casa das 35 mil toneladas anuais. “Temos um projeto de US$ 15 milhões voltado para ampliar em 30% a atual capacidade de produção de nossa fábrica em Americana (SP), hoje na casa das 35 mil toneladas anuais”, informa Albrecht. O presidente da empresa e da Abrafas, no entanto, promete pensar muito antes de dar partida ao projeto. “Nas condições atuais é uma iniciativa muito arriscada”, acredita.

Em termos de produtos, a Polyenka lançou, no ano passado, o PK-Flex, fio capaz de produzir tecidos de poliéster com maior elasticidade, o que o aproxima dos náilons, que apresentam maior valor de mercado. O produto foi desenvolvido em parceria com a GE Plastics, produtora de plásticos de engenharia, que desenvolveu uma nova versão do polímero Valox para essa finalidade. “É um produto inédito em todo o mundo. Já existem opções similares na versão brilhante, mas este é o primeiro fio opaco do gênero”, garante Cláudio Murano, supervisor de desenvolvimento e marke­ting da Polyenka. Não por acaso, o PK-Flex terá boa parte de sua produção exportada – seja em fios ou em roupas prontas feitas por confecções nacionais, que garantem um maior valor agregado às vendas externas.

O grupo nacional Vicunha Têxtil acaba de realizar um investimento de US$ 6 milhões, o que permitirá à empresa produzir internamente todo o POY que utiliza para a fabricação de fios de poliéster. “Antes importávamos boa parte do POY que consumíamos”, revela Silvio Fer­reira Martins, diretor industrial de polímeros e fibras. A empresa tem capacidade de produção de 24 mil toneladas por ano do polímero PET e de 14,4 mil toneladas por ano de filamentos.

“Fabricamos o polímero, a partir da adição de DMT com MEG nas versões semi-opaco e brilhante para tecidos e para embalagens em nossa fábrica em Aratu (BA) e o poliéster em nossa planta de Americana (SP)”, informa. O gerente ressalta que a empresa utiliza a adição de masterbatches nos polímeros produzidos como forma de obter fios com cores mais estáveis do que as obtidas com o tingi­mento posterior dos tecidos, feito a partir de corantes.

Com capacidade de produção de 200 mil toneladas por ano da resina PET e 90 mil toneladas ano de fibra cortada de poliéster, a Rhodia-Ster, empresa que pertencia à Rhodia e em outubro de 2002 foi adquirida pelo grupo italiano Mossi & Ghisolfi, um dos líderes do setor em todo o mundo. A fibra cortada atende a mercados diferenciados, como os de calçados, carpetes e tapetes, entre outros.

Projeto agita fornecedores de matérias-primas

O plano de expansão que vem sendo avaliado pela Ledervin, empresa pertencente ao grupo nacional J. Serrano, que estuda instalar duas grandes plantas no Nordeste de filamentos texturizados de poliéster, com capacidade de produção, cada uma, de 180 mil toneladas por ano, pode alterar a rotina dos fabricantes nacionais de matérias-primas do polietileno tereftalato (PET), polímero utilizado para a obtenção dos fios.

O PET é obtido através da mistura do metilenoglicol (MEG) com o Dimetil Tereftalato (DMT) ou com o ácido tereftálico puro (PTA). Todas essas três substâncias contam com fabricantes únicos no Brasil. O grupo nacional Oxiteno é fornecedor do MEG, substância que responde por cerca de 35% da fórmula do polímero. Gerson Moacir Secomandi, gerente de mercado da empresa, garante que ela encontra-se em condição confortável. “Temos capacidade instalada para produzir mais de 300 mil toneladas por ano de glicóis, quantidade suficiente para atender o possível aumento de demanda. Hoje, boa parte do que produzimos é exportado”, explica.

A Rhodiaco, empresa que no passado contava com participação acionária da Rhodia e hoje é administrada pela italiana Mossi & Ghisolfi e pela inglesa British Petroleum, é a única fabricante brasileira do PTA. Sua capacidade de produção é de 250 mil toneladas por ano. Grande parte do que produz é absorvida pela Rhodia-Ster, empresa da Mossi & Ghisolfi fabricante do polímero PET para fibras têxteis e embalagens e também de fibras têxteis. “Estamos atentos aos anseios do mercado, sempre investimos no aumento de nossa capacidade de produção. Em 2004 nossa capacidade será ampliada para 265 mil toneladas por ano”, informa Lineu Jorge Frayha, gerente geral da Rhodiaco.

O executivo admite, no entanto, que para atender a um grande salto na demanda, a Rhodiaco precisaria investir na construção de uma nova unidade industrial, o que não é nada fácil. “Uma nova fábrica, para dar retorno satisfatório, precisaria ter capacidade de produção de 500 mil toneladas por ano “, avalia.

Química e Derivados: Têxtil: Ferreira - Vincunha invstiu U$$ 6 milhões.
Ferreira – Vincunha invstiu U$$ 6 milhões.

O DMT é fabricado com exclusividade pela Braskem. A empresa tem capacidade instalada de produção de 80 mil toneladas por ano, quase toda consumida internamente – a Braskem é produtora de PET com características apropriadas para embalagens plásticas. “No momento não temos nenhum plano de expansão”, revela Edson Heleno de Barros, gerente comercial de PET. O executivo também ressalta que a instalação de uma nova planta exigiria um investimento significativo.

A Rhodia-Ster não tem planos imediatos de ampliação, apesar de cerca de 17% do consumo interno, estimado em 107 mil toneladas em 2002, ser atendido por importações. “O mercado não está crescendo e há sobras de produto no mundo por causa do investimento forte feito nos países asiáticos. Nosso objetivo não é o de aumentar a produção, e sim o de investir em nichos específicos”, revela Luís Henri­que Bittencourt, gerente comercial da Rhodia-Ster.

Demais sintéticas – A segunda fibra química sintética mais utilizada nos mercados nacional e mundial é o náilon (poliamida), em suas versões náilon 6 (obtida a partir da polimerização da caprolactama) e náilon 6.6 (produzida por meio da polimerização dos monômeros hexametilenodiamina e ácido adípico). Pela maciez de seu toque e por seu elevado grau de elasticidade, as fibras de náilon são muito utilizadas na fabricação de tecidos para roupas íntimas, maiôs e uniformes esportivos, entre dezenas de outras possíveis aplicações.

No campo do náilon, a produção nacional está apta a atender as necessidades do mercado interno. Dados da Abrafas revelam que a produção nacional em 2002 ficou na casa dos 65.820 toneladas por ano, contra um consumo aparente de 73.140 toneladas. Mas os investimentos realizados pelos principais produtores nacionais nos últimos dois anos fizeram a capacidade instalada do País superar as 100 mil toneladas por ano. Além da inauguração da nova fábrica da Invista, os constantes investimentos feitos pela Rhodia e Ra­dicinylon, dois outros grandes nomes do setor, devem transformar o Brasil em um expressivo exportador da fibra de náilon já em 2004.

O nome Invista foi adotado pela DuPont para a sua fábrica de produtos têxteis no último mês de setembro. “A mudança representou mais um avanço em relação à separação da empresa de sua holding e à consolidação de sua identidade corporativa distinta e independente”, informa Rubens Approbato Machado Junior, presidente da Invista para a América do Sul. A empresa tem um faturamento anual de US$ 6,5 bilhões, 22 mil funcionários e operações em 50 países. Na América do Sul, fatura R$ 250 milhões e, além das fábricas instaladas em Paulínia (SP) e Americana (SP), também produz fibras têxteis em duas plantas localizadas na Argentina e em uma na Colômbia. No portfólio da Invista podem ser encontradas várias marcas importantes, entre as quais se destaca a Lycra.

Química e Derivados: Têxtil: textil_grafico03.De acordo com Machado, a grande preocupação da empresa nos últimos anos tem sido a de gerar produtos que atendam as exigências feitas pelo mundo da moda. “O mercado vem procurando tecidos mais inteligentes, práticos e confortáveis e temos que investir constantemente em pesquisas para satisfazer os consumidores”, diz. Para exemplificar, ele lembra do lançamento das fibras têxteis com a marca Teflon, feito no último trimestre do ano passado. “Com essas fibras são produzidos tecidos que permitem a fácil remoção de manchas”, explica.

Preocupação semelhante tem a Rhodia Poliamidas, pioneira na produção de náilon no Brasil – é dela a primeira fábrica de fibras do País, instalada na década de 50. A empresa investe por ano R$ 5 milhões no desenvolvimento de novos produtos e em ações de marketing. Detentora da marca Amni, a empresa apresentou duas novidades no ano de 2003. São os fios Am­nibiotech, produto que inibe a criação de bactérias, o que o protege contra o odor da transpiração, e o Amni UV Protection, que faz com que os tecidos protejam os usuários contra a ação dos raios ultravioletas. “As fibras dão uma proteção equivalente aos filtros solares com grau 140”, informa Lindehayn.

Outra preocupação da Rhodia é com o aumento de sua capacidade instalada. “De 2002 para cá investimos US$ 10 milhões para elevar nossa capacidade de produção em 10%”, revela Mario Lindehayn, vice-presidente da empresa. Boa parte da ampliação tem como foco a exportação. “Queremos mais que dobrar as nossas exportações para países da América do Sul. Hoje, nossas vendas externas correspondem a 10% de nosso faturamento, mas pretendemos chegar aos 15% em breve”, explica.

A saturação de oferta no mercado europeu fez com que o grupo italiano Radici decidisse investir na América Latina no final da década de 90. Após alguns estudos, nascia, em fevereiro de 1999, a Radicinylon. A empresa começou com investimentos de US$ 15 milhões, usados para montar uma planta em São José dos Campos (SP), com capacidade de produção de 450 toneladas por mês de fios. Os bons resultados obtidos fizeram com que mais US$ 30 milhões fossem investidos para o aperfeiçoamento da fábrica, que passou a produzir também os fios POY. Hoje sua capacidade de produção é de 600 toneladas de náilon por mês.

Outra empresa que pertence ao grupo italiano Radici é a Crylor, principal fabricante brasileira de fibras têxteis sintéticas acrílicas, obtidas a partir da transformação em fibras do polímero de acrílico. Estas fibras, que por suas características são bastante utilizadas pelas indústrias de malharias e cobertores, não são tão procuradas no Brasil, país de clima tropical. O consumo aparente do produto em 2002, de acordo com a Abrafas, ficou na casa das 43 mil toneladas, das quais 17,6 mil foram importadas. “Nossa capacidade instalada é de 28 mil toneladas por ano e existem boas condições para investirmos na ampliação de nossa capacidade”, avalia Walter Meyer, gerente comercial da Crylor.

Artificiais – Com o fortalecimento no mercado brasileiro e mundial das fibras sintéticas, as fibras artificiais, obtidas a partir da celulose, estão perdendo terreno. Apesar de apresentarem um conforto em muitos casos superior ao das sintéticas, as artificiais têm contra si o preço. Nesse nicho de mercado, o Brasil não só é auto-suficiente como também é exportador. Em 2002, o país consumiu apenas 23 mil toneladas de um total de mais de 32 mil toneladas que produziu. Entre os países que recebem os nossos produtos encontram-se os Estados Unidos, Comunidade Européia, Turquia e Taiwan.

Poucos são os fabricantes de viscose no mundo. No Brasil, toda a produção está concentrada na planta industrial que a Vicunha Têxtil mantém em Americana (SP). “Somos os únicos produtores de filamentos têxteis de raion viscose nos três continentes americanos. No caso das fibras cortadas de raion viscose, também chamadas de fioco, temos a única fábrica da América do Sul”, orgulha-se Silvio Ferreira Martins, diretor industrial da Vicunha.

Martins explica que a viscose fabricada aqui é obtida a partir de árvores nobres da celulose, que são tratadas a partir de vários produtos químicos, como soda cáustica e ácido sulfúrico. Os produtos químicos utilizados na sua transformação são recuperados e revendidos. “A nossa fábrica também comer­cializa sulfato de sódio e outros sub­produtos. Se não fizéssemos isso, a planta seria economicamente inviável”, revela Martins.

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