Têxtil

Têxtil: Congresso debate avanços químicos e competitividade

Hamilton Almeida
30 de julho de 2004
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    Tendo como pano de fundo um cenário de novos desafios, protagonizado pela maior abertura comercial que emergirá com o fim do acordo internacional Multifibras, em 2005, cerca de 700 químicos têxteis de oito países estiveram reunidos, de 4 a 7 de agosto, no XVII Congresso Latino-Americano de Química Têxtil, nos elegantes salões do Hotel Gran Meliá, em São Paulo.

    Em tecnologia, seu principal foco, o congresso, segundo o presidente da Federação Latino-Americana de Químicos Têxteis (FLAQT), Gastão Camargo, teve como destaque os debates em torno da estamparia digital com jatos de tinta, processo que está em evolução e já permite executar vários metros por minuto. Ainda para ele, a nanotecnologia também está sendo cada vez mais aplicada no setor, assim como o encapsulamento, que libera produtos diferentes, como perfumes e bactericidas.

    Química e Derivados: Têxtil: Guimarães - Brasil precisa escolher seus nichos. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Guimarães – Brasil precisa escolher seus nichos.

    Na área de produtos químicos, Camargo aponta como novidades o desenvolvimento de corantes e produtos auxiliares de aplicação mais rápida. Destaque também para o beneficiamento de peças confeccionadas, que era um assunto de menor importância, mas hoje é um segmento forte (acabamento têxtil).

    Quando se vislumbra o potencial de crescimento da participação da China no comércio mundial de produtos têxteis, que poderia saltar de 20% para 50% a curto prazo, o diretor-presidente da GIII – Grupo de Imaginação Integração Ilimitada, Eduardo Guimarães, comenta que o momento é especial para capacitar a indústria e os recursos humanos, com o intuito de inovar produtos e processos, reposicionando a indústria brasileira no mercado global. Hoje, o Brasil participa com 1% do mercado mundial, exportando uma média de US$ 2 bilhões/ano.

    “O Brasil precisa escolher melhor os seus nichos de mercado”, defende Guimarães. Ele acha que o país é bastante competitivo em moda praia, roupão, toalhas, cama e mesa e em parte de malharia. “É possível fazer moda no Brasil”, garante.

    Com apenas três anos de existência, a GIII é uma fornecedora de produtos e soluções à medida das necessidades de cada cliente. Com essa estratégia comercial, tem crescido de 100% a 200% ao ano. Entre os seus clientes, indústrias de porte como Santista, Vicunha, Marisol, Hering, Malvi e Coteminas.

    Empresa de especialidades químicas que representa fabricantes globais nas áreas de química têxtil, couros e pigmentos (tintas e plásticos), papel e revestimentos em madeira, a GIII iniciou seus trabalhos como uma consultoria e assessoria da alemã M. Dohmen e a coreana LG Chemical. Depois, a Cromatech, empresa inglesa do ramo têxtil, e a chinesa Wonderful Jiangsu Taifeng, maior produtora de índigo do mundo, também fecharam parceria com a GIII. Guimarães relata que possui uma linha de reativos bifuncionais “extremamente competitiva e versátil”, para várias máquinas e temperaturas. Em corantes têxteis, oferece dispersos, reativos, ácidos, diretos e índigo. Também atua com auxiliares têxteis, da preparação ao acabamento, brancos óticos, pigmentos e preparações.

    No novo cenário internacional, os compostos químicos para tingir, estampar e criar efeitos especiais nos tecidos continuarão agregando valor aos produtos têxteis e fazendo a diferença ao gerar o que as economias mais carecem: empregos. Uma série de indústrias aproveitou o XVII Congresso para divulgar seus produtos. Entre elas, a Ertex Química, de Itatiba (SP), que comercializa auxiliares e produtos de acabamentos para tecidos esportivos e também possui uma linha de brancos óticos para todos os tipos de fibras (poliéster, poliamida, algodão e acetato). Ou ainda a Calquim, que conta com uma nova fábrica em Santa Catarina, e fabrica produtos para pré-tratamento, tingimento, acabamento e estamparia, e a Sintequímica, de Olinda-PE, que fabrica pigmentos em pó e em pasta e diversas dispersões pigmentárias. E a Hanier, de Nova Odessa (SP), que fornece soluções em produtos e processos para todas as etapas na indústria têxtil.

    O grande desafio do setor estará novamente em pauta este ano, no XXI Congresso Nacional de Técnicos Têxteis, que acontecerá de 7 a 11 de setembro, em Natal. Estima-se que mais de 160 trabalhos serão apresentados, incluindo 63 internacionais.



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