Têxtil

Têxtil – Brasil atrai produtores mundiais do setor – Perspectivas 2020

Quimica e Derivados
2 de abril de 2020
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    QD: Com o anuncio da Lenzing de que irá inaugurar uma fábrica no Brasil em parceria com a Duratex há expectativa de que se volte a produzir fibras celulósicas no país? O consumo de fibras celulósicas tem crescido no mercado brasileiro?

    Lineu Frayha: Estamos acompanhando as tratativas para desenvolvimento de nova planta no Brasil e torcendo para que se viabilize. Há um consumo aparente expressivo de fios de viscose, em torno de 80.000 t no mercado brasileiro e investimentos nesse setor seriam muito bem-vindos. A produção local de celulose solúvel, com custos compatíveis ao do mercado internacional, indica que o caminho está correto e as análises econômicas se confirmam. Os investimentos são muito expressivos para uma nova planta no Brasil e o país precisa antes proporcionar as condições de competitividade para justificar as decisões de investir por aqui.

    QD: Segundo a Abiquim, em 2019, o volume importado de produtos químicos pelo Brasil superou 47 milhões de toneladas? Deste total quanto foi destinado à produção de fibras têxteis?

    Lineu Frayha: Dentro da matriz de fabricação de produtos químicos, sob a tutela da Abiquim, as fibras artificiais e sintéticas representam pouco mais de 1%. Mesmo assim, o volume de importações das fibras químicas em 2019 foi da ordem de 590 mil t, representando desembolsos em torno de US$ 1.080 milhões. Como se vê, são volumes expressivos para o setor industrial têxtil brasileiro, sempre ameaçado pela conjuntura internacional. Há preocupações quanto às disputas comerciais entre os EUA e a China, com o Brasil podendo se tornar o desaguadouro das mercadorias que não conseguirem entrar no mercado norte-americano.

    QD: Qual o impacto da alta do dólar para os negócios da indústria de fibras e qual as inciativas do setor no que se refere à sustentabilidade, visando o Acordo Mercosul/ União Europeia e outros acordos bilaterais?

    Lineu Frayha: Temas que demandariam um simpósio! As oscilações do dólar não são boas para ninguém. Para cima ou para baixo, não ajudam nas negociações com nossos fornecedores ou clientes. A Abrafas segue atenta ao que vem ocorrendo nesse mundo que cada vez mais demanda por produtos sustentáveis, acompanhando as principais iniciativas existentes em relação ao ciclo de vida dos produtos, aos processos de reciclagem, etc, a ponto de fazer parte do portfólio de ações no planejamento estratégico da entidade. O acordo com a União Europeia foi assinado e o setor têxtil foi muito elogiado durante as negociações por conta das iniciativas feitas junto à contraparte europeia. É um acordo que deve beneficiar a ambas as partes e esperamos que seja incorporado pelos membros da UE o quanto antes.

    QD: Quais seus planos de gestão para a Abrafas e suas expectativas para 2020/21?

    Lineu Frayha: Nosso grande desafio para os próximos dois anos é como contribuir na discussão junto ao Governo Federal, no sentido de demonstrar a necessidade premente de melhorar as condições de competitividade da indústria nacional, tão castigada nos últimos anos pelos tão conhecidos fatores que compõem o chamado Custo Brasil. Qualquer discussão sobre rebaixamento tarifário, ainda mais de forma unilateral, é totalmente inapropriada pelo grau de incerteza que gera, uma vez que esta ação, sem atuar antes em causas básicas de não competitividade da indústria, condenaria o país a uma desindustrialização ainda mais acentuada. Esta é uma questão central, não somente para a manutenção das atividades das nossas associadas no país, mas principalmente para criar as condições da volta dos investimentos e aumento da produção, tão necessários ao Brasil de hoje.

    Texto: Marcia Mariano



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