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Têxtil

Têxtil: Aglutinantes químicos permitem desenvolver não tecidos com propriedades diferenciadas

Quimica e Derivados
20 de dezembro de 2017
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    Ligação química – Segundo o manual da Associação Brasileira das Indústrias de Não tecidos e Tecidos Técnicos (Abint), as propriedades das fibras/filamentos somadas às fornecidas pelo processo de fabricação, consolidação e transformação definem as características finais dos não tecidos e também o seu desempenho, sendo os ligantes a classe de produtos químicos ideais para estas etapas. Os polímeros à base de água, que podem ser acrílicos puros, estireno-acrílicos ou vinílicos, formam aglutinantes ou binders (termo em inglês) utilizados no acabamento dos não tecidos. Mas será que ligantes e aglutinantes são a mesma coisa?

    Rogerio Wehmuth, sócio-diretor da distribuidora química Quimisa, explica: “a definição de ligantes e aglutinantes é muito ampla, em alguns casos eles usam o mesmo princípio de ação, aderindo-se às fibras dos não tecidos, aumentando a coesão entre si e, consequentemente, a força das ligações da manta ou véu. Atualmente, com a evolução tecnológica dos produtos químicos, é possível conferir aos artigos tecidos ou não tecidos características nunca antes conseguidas. Existe uma infinidade de matérias-primas utilizadas como elementos aglutinantes, por exemplo, resinas poliméricas vinílicas, poliuretânicas, acrílicas, melamínicas, entre outras, cada uma é capaz de conferir característica peculiar aos não tecidos”.

    Fundada em 1959, em Brusque, a Quimisa foi uma das primeiras formuladoras brasileiras a disputar o mercado com as gigantes multinacionais na área de produtos químicos têxteis. Hoje, atuando nos setores têxtil, metalúrgico e de curtume, Quimisa possui em seu portfólio uma variedade de produtos, incluindo aglutinantes para acabamento de não tecidos. “Temos uma resina de poliuretano capaz de proteger uma infinidade de materiais contra o desgaste, rasgamento, instabilidade dimensional e formação de pilling [fibras soltas que formam as bolinhas nos tecidos]. No caso dos não tecidos, as resinas de poliuretano são excelentes opções quando se necessita estabelecer estabilidade dimensional, resistência à abrasão, ao pilling, hidrofilidade, respirabilidade e gerenciamento térmico. As resinas de fluorcarbono, por sua vez, são indicadas para conferir hidrorrepelência e efeito soil release (antimanchas). A aplicação dos aglutinantes pode ser realizada por fourlardagem [processo de impregnação], utilizando cubas em ramas,
    ou por espuma em máquinas com sistemas formadores de espuma.”

    No portfólio da Quimisa há outras especialidades voltadas ao mercado de não tecidos, como a linha Nicca Fi-None, que confere aos não tecidos sintéticos a inflamabilidade permanente, podendo ser aplicada por foulard, coating, ou espuma, bem como as linhas Sunlife NS-650 e Sunlife NL-643, utilizada na proteção contra a radiação UV.

    Desempenho dos não tecidos – Devido à capacidade de substituir materiais tradicionais, os não tecidos são fabricados em gramaturas que vão de 25 gramas por metro quadrado (mais leve) até 150 g/m² (mais pesado). Por conta das aplicações finais a que se destinam, a estabilidade termodimensional é um fator importante nestes produtos.

    Especialista no assunto, o engenheiro químico Freddy Gustavo Rewald, diretor da Não tecidos Consultoria & Assessoria, sediada em São Paulo, explica que a polimerização de resinas em não tecidos se baseia no processo de impregnação em manta, com secagem e reticulação. “A função da resina é unir as fibras umas às outras oferecendo inúmeras propriedades além da resistência mecânica. As resinas à base de melamina, por exemplo, oferecem uma boa estabilidade dimensional, porém, por terem propriedades únicas, nem sempre substituem uma resina que confere outras características ao substrato. A estabilidade termodimensional refere-se à estabilidade dimensional do não tecido que, após ser resinado, deve atender ao requisito de não variação longitudinal e transversal, quando submetido a determinada temperatura”.

    Professor durante 25 anos da Faculdade de Engenharia Industrial, de 1981 a 2006, Freddy Rewald foi pioneiro no Brasil a realizar treinamento in company para empresas na década de 1990. Ao longo desses anos, projetou, desenvolveu e implantou linhas de não tecidos em fábricas brasileiras, tendo lançado também o livro “Tecnologia dos não tecidos – das matérias-primas às aplicações finais”, um guia até hoje usado em treinamentos, escolas técnicas e faculdades.

    O consultor argumenta que, nos processos de resinagem de não tecidos, a aplicação é feita em uma única etapa e, na realidade, basta apenas contar com um bom sistema de aplicação e um forno com excelentes condições para secagem da água da resina e posterior polimerização em toda a espessura do não tecido. Rewald diz ainda que o processo não pode ser considerado ecológico – como muitos fabricantes divulgam, a não ser que a resina seja biodegradável (por exemplo, um poli-ácido láctico, PLA). “O apelo ambiental, contudo, pode advir das fibras utilizadas para a formação da manta. Alguns não tecidos são formados em base de poliéster reciclado obtidos de garrafas PET descartadas”, acrescenta.

    A manta (ainda não consolidada) formada por várias camadas de véus de fibras ou filamentos pode ser obtida por três processos distintos: via seca (dry laid); via úmida (wet laid) ou por fusão (molten laid). Segundo Freddy Rewald, a formação por via seca é ideal para utilização de ligantes no acabamento, geralmente para não tecidos agulhados, ou por fusão, que inclui os não tecidos por filamento contínuo.



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    Um Comentário


    1. Falta no Brasil interação entre as pesquisas realizadas nas universidades e as indústrias. O empresário aqui não tem essa cultura e desconhece o quanto poderia se beneficiar com uma parceria.



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