Têxtil

Têxtil: Aglutinantes químicos permitem desenvolver não tecidos com propriedades diferenciadas

Quimica e Derivados
20 de dezembro de 2017
    -(reset)+

    Química e Derivados, Têxtil: Aglutinantes químicos permitem desenvolver não tecidos com propriedades diferenciadas ©QD Foto: Divulgação

    Texto: Marcia Mariano

    O setor têxtil é um dos mais significativos mercados de consumo de insumos químicos no mundo, entre os quais se destacam os produtos auxiliares, imprescindíveis às etapas de fabricação e acabamento de fibras, fios e tecidos. Além dos têxteis tradicionais, o segmento de não tecidos vem se consolidando como um mercado promissor para a indústria química, tanto que empresas como Basf e Dow anunciaram recentemente inovações para aplicações industriais e descartáveis higiênicos.

    “Nossa nova dispersão acrílica apresenta efeitos extraordinários, especialmente quando se trata de não tecidos que são expostos a altos níveis de tensão térmica e mecânica”, garante Jürgen Pfister, vice-presidente de Dispersões para Adesivos e Fiber Bonding da Basf Europa. A Dow, por sua vez, informa que, até o final de 2018, uma nova resina de polietileno estará disponível ao mercado da América Latina para atender aos principais requisitos de desempenho para aplicações em artigos higiênicos e médicos.

    Estudo da consultoria internacional Smithers Pira, especialista nas cadeias globais de fornecimento de embalagens, papel e impressão, projetou um crescimento vigoroso para os não tecidos em cinco anos. Em seu último relatório, “The Future of Global Nonwovens Markets”, a agência prevê que o mercado mundial de não tecidos movimentará US$ 50,8 bilhões em 2020, ante os US$ 37,4 bilhões registrados em 2015. O consumo global, que foi de 9,0 milhões de toneladas (ou 234,8 bilhões de metros quadrados) em 2015, deve crescer 6,2% ao ano, devendo atingir 12,1 milhões de t, ou 332,4 bilhões de m², em 2020.

    Produzidos a partir de manta de fibras ou filamentos dispostos de forma aleatória, paralela ou cruzada, os não tecidos são utilizados em ampla gama de aplicações, podendo ser descartáveis ou duráveis. Para apresentar características como estabilidade dimensional, maciez, flexibilidade, entre outras, a sua estrutura porosa precisa ser consolidada. Entre os produtos químicos indispensáveis para conferir integridade, resistência e durabilidade à manta de fibras estão os aglutinantes ou látex binders (emulsões poliméricas).

    O mercado de aglutinantes químicos para a produção de não tecidos é muito grande, sendo abastecido por indústrias químicas multinacionais. Além da capacidade global destas empresas, diversos fatores impedem a expansão de formuladores locais, como o preço das matérias-primas derivadas do petróleo, que tende a permanecer baixo nos próximos anos; bem como a falta de pessoal qualificado para atuar num setor que, muitas vezes, é considerado “especialidade” têxtil, quando na verdade se trata de uma indústria com tecnologia e processos totalmente distintos da fiação e tecelagem.

    Dentre os principais campos de aplicação dos não tecidos estão filtração, calçados, confecção (vestuário e lar), automotivo, arquitetura e construção; embalagens, agronegócio, compósitos, higiene, limpeza, saúde entre outros.

    Matéria-prima – A produção mundial de petróleo, matéria-prima da qual derivam polímeros, fibras e aglutinantes, é sempre uma incerteza. Em tempos de economia instável, agrava a decisão por novos investimentos. No Brasil, as indústrias que têm menos fôlego financeiro preferem importar o produto a fabricá-lo, o que contribui para estagnação em termos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Segundo Jefferson Zomignan, presidente da Associação Brasileira de Químicos e Coloristas Têxteis (ABQCT), existem no país centenas de formuladores químicos de pequeno e médio porte atuantes no mercado têxtil. No segmento de não tecidos, entretanto, a oferta é menor. “Embora tenhamos empresas nacionais capacitadas, que concorrem com multinacionais na fabricação de produtos auxiliares, o mercado de não tecidos é uma especialização que ainda carece de expertise no Brasil. Não creio que seja questão de preço ou falta de matéria-prima, mas de desenvolvimento de novos mercados. Certamente que os custos de produção numa economia oscilante como a nossa inibem investimentos. Por exemplo, boa parte dos produtos químicos hoje importados pelo Brasil poderia ser substituída por produção local, caso tivéssemos alternativas de insumos industriais e matérias-primas”, comenta o dirigente.

    Zomignan acredita, entretanto, que a tendência é de crescimento dos não tecidos também no mercado brasileiro. “A própria empresa que dirijo, a Werken, cresceu muito nos últimos dois anos, mas ainda não atuamos no segmento de polímeros, embora esteja em nosso radar. Nosso faturamento aumentou 15%, mesmo diante do quadro de crise, demonstrando que a indústria química é um balizador do crescimento industrial”.

    Com matriz em Indaial-SC, a Werken Química é especializada em tratamento de efluentes e auxiliares têxteis (exceto engomagem) e está planejando aumentar sua produção para 2018/2019. “A formação química no Brasil precisa caminhar junto com o advento dos novos materiais, que vão exigir não só investimentos em tecnologia e know-how das empresas, mas também especialização cada vez maior dos profissionais que atuam nesta área”, acrescenta o dirigente.



    Recomendamos também:








    Um Comentário


    1. Falta no Brasil interação entre as pesquisas realizadas nas universidades e as indústrias. O empresário aqui não tem essa cultura e desconhece o quanto poderia se beneficiar com uma parceria.



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *