Têxteis: Insumos e práticas sustentáveis

Conscientização do setor promove o uso crescente de insumos e práticas sustentáveis

A indústria têxtil, em todo o mundo, ainda tem muito a empreender para se tornar plenamente sustentável, apesar dos esforços que vêm realizando para implementar condutas éticas e socioambientais em seu sistema de produção.

No Brasil, o processo de conscientização vem se acelerando nos últimos dez anos e, conforme relato de algumas das indústrias químicas fornecedoras de produtos para a indústria têxtil/confecção presentes à Febratex 2022 – feira de tecnologia e serviços voltados ao setor, realizada em Blumenau-SC, em agosto – a busca por processos mais sustentáveis aumentou nos últimos anos, seja por pressões mercadológicas ou por ganhos efetivos na redução indireta de custos.

As exigências dos compradores nacionais e internacionais também são apontadas como fator decisivo na mudança de comportamento das empresas.

A indústria química tem um papel fundamental na transformação de matérias-primas em produtos têxteis finais como vestuário, roupas de cama, mesa e banho, tecidos automotivos, etc.

O acabamento têxtil confere aos tecidos/malhas conforto, durabilidade e propriedades especiais, enquanto o beneficiamento – tinturaria e estamparia – adicionam cor e desenhos à peça, valorizando o seu visual.

Segundo o Fortune Business Insights, empresa de consultoria e pesquisa com sede na Índia, o mercado global de produtos químicos têxteis deve atingir US$ 26,40 bilhões até 2027.

A projeção, divulgada em janeiro de 2022, é baseada na análise da recuperação das empresas de todos os setores, após o impacto da pandemia de Covid-19.

Para além das questões ambientais ligadas ao processamento têxtil, as emissões de CO2, geradas pela indústria manufatureira, são outra preocupação que surge no cenário global.

De acordo com o Parlamento Europeu, a indústria têxtil/vestuário é responsável por uma quantidade significativa de emissões globais, devido às longas cadeias de suprimentos e o uso intensivo de energia.

As fábricas têxteis possuem caldeiras a lenha, carvão ou óleo e aquecedores de fluido térmico que são fontes de emissão, gerando vapores durante o tingimento, impressão e cura de corantes ou pigmentos.

No Brasil, medição realizada pela CUBi Energia, startup especializada em software de gestão de energia, sobre o consumo da indústria têxtil brasileira em 2021 destaca que a fiação foi responsável por 56,1%, ficando o beneficiamento com 24%, o acabamento com 11,9% e a tecelagem com 5,6%.

Segundo Fabiano Fabricio, analista de marketing da empresa, esses percentuais podem ser alterados conforme a defasagem dos equipamentos, processos e modelos de máquinas existentes nas fábricas.

Inovações sustentáveis

O lançamento de produtos químicos inovadores, que auxiliam na redução de consumo de água e otimização de processos na longa cadeia têxtil vem se tronando realidade no Brasil, como indicam as empresas que participaram da Febratex 2022.

AVCO – A AVCO Chemicals é uma indústria química multinacional de origem israelense presente em diversos países.

Em 2011, iniciou atuação no Brasil com uma fábrica automatizada em Maracanaú-CE, com tecnologia de última geração, elaborada com a expertise da matriz em Israel e dedicada à produção e comercialização de produtos químicos e aditivos para indústrias de todo o país.

Márcio Cantanhede, diretor comercial e de inovação, comenta que a Febratex é o evento mais importante do setor têxtil brasileiro, já que reúne os principais players desse segmento.

Têxteis: Insumos e práticas sustentáveis ©QD Foto: iStockPhoto
Cantanhede: tecido misto pode ser tingido em um só banho

“Nossa participação foi marcante e muito importante no sentido técnico e comercial, além de permitir o estreitamento dos laços com nossos clientes, parceiros e fornecedores após mais de dois anos de pandemia”.

Entre os lançamentos apresentados, Cantanhede destaca a linha de produtos para PES/PA (poliéster e poliamida), com fixador (AVCO FIX PA), doador ácido (AVCO CID HTA), detergente para sintéticos (AVCO Bioluze SPN) e dispersantes/igualizantes (AVCO LON PA e AVCO LON PES).

Com relação às linhas de corantes e pigmentos que garantem a não contaminação do meio ambiente e a otimização do tingimento, o diretor da AVCO explica que a empresa trabalha com dois corantes para as fibras de algodão: o índigo e o preto sulfuroso.

“O índigo é um produto pré-reduzido fabricado em nossa planta de Maracanaú com alto índice de automação e controle de processo, tem baixo teor de anilina e alto rendimento colorístico, enquanto o preto sulfuroso é pré-reduzido e biodegradável, com redutores à base de açúcares e baixo teor de sulfeto livre, proporcionando processos de tingimento com alto grau de ecologia, não só para o próprio processo como para o tratamento de efluentes”.

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    Há no mercado indústrias que ainda hesitam em relação ao uso de insumos naturais que possam substituir os tradicionais dispersantes, silicones e oxidantes químicos no processo têxtil, temendo não obterem a mesma qualidade, reprodutibilidade e economia de energia.

    Cantanhede garante que hoje existem várias linhas de inovação em pesquisa e desenvolvimento de novos processos e produtos que estão quebrando aos poucos os paradigmas atuais, sendo embasadas nas inovações que surgem como frutos da química verde.

    Ele destaca, entre outras alternativas, a utilização de líquido iônico (LI) como substância solvente para os tingimentos têxteis, devido ao seu baixo custo, síntese simples, elevado caráter de biodegradação e possibilidade de reúso.

    Outro fruto (da química verde) são os processos de preparação recicláveis a baixa temperatura, utilizando enzimas que reduzem cada vez mais o consumo de oxidantes, o que promove a economia de água, eletricidade, vapor e mão de obra.

    Cantanhede cita também o tratamento plasmático DBD à indústria têxtil que possui um grande potencial para melhorar as diversas operações industriais em suas várias etapas de preparação, tingimento, estamparia, acabamento, podendo ser executadas de uma forma mais rápida, o que permite reduzir a carga poluente e otimizar o consumo energético.

    Tecidos mistos – Os tecidos mistos de poliéster/algodão são amplamente utilizados na indústria têxtil, todavia seu tingimento precisa ser feito em duas etapas devido à diferença de corantes aplicados (reativo para algodão e disperso para poliéster, que exige altas temperaturas para fixação da cor).

    Diante da necessidade de se reduzir cada vez mais o volume de efluentes e diminuir o consumo de energia e de água no beneficiamento, torna-se necessário oferecer alternativas para o tingimento de misturas.

    Márcio Cantanhede informa que atualmente existe o processo chamado “1 banho 2 fases”, em que as duas fibras são tingidas em um mesmo banho, com economia de custo, água, energia e tempo.

    Para tal processo é preciso uma seleção de corantes dispersos e reativos/sulfurosos que têm características que suportam este sistema de tingimento.

    “A AVCO possui produtos auxiliares, como o antirredutor do corante reativo (AVCO SON LL), bem como um lançamento (AVCO Bioclear RW) de redutor para a lavagem redutiva do PES, atendendo às expectativas técnicas e ecológicas do processo. No caso do tingimento por exaustão, o foco é encontrar soluções que visam a diminuição ou eliminação do sal no processo”.

    CHT – Com sede localizada em Tübingen, na Alemanha – e há 45 anos presente no Brasil, com filiais em Cajamar-SP e Piracaia-SP –, a CHT é um grupo global focado no desenvolvimento, produção e vendas de especialidades químicas.

    Na feira, os principais lançamentos foram as soluções e produtos para o acabamento têxtil sustentável, como o Bio-based, que faz parte da gama BeSO ECO (Best Solutions Ecologicamente), com matérias-primas renováveis derivadas de plantas e ou outros produtos agrícolas, sendo marinhos e florestais renováveis, e também produtos biodegradáveis, capazes de se degradar em rios e mares.

    Têxteis: Insumos e práticas sustentáveis ©QD Foto: iStockPhoto
    Pinho busca eliminar insumos tóxicos e economizar energia

    “Nestas duas aéreas, estamos trazendo benefícios como matérias-primas com base em carbono não fóssil, CO2 neutro e sem acúmulo posterior no meio ambiente. Apresentamos também produtos à base de matérias-primas recicladas, derivadas do descarte ou do pós-consumo de algum produto, por exemplo, silicones de capas de celular e ou qualquer outro material como chupetas, etc. Fazemos a coleta desses materiais na Europa e no Brasil e enviamos para os EUA para fazer a transformação do material em óleo de silicone. Este óleo é purificado e enviado para a CHT Alemanha e Brasil para fazermos a reação final do silicone com outros aditivos e assim, obtermos um novo amaciante de silicone, por exemplo, Tubingal Rise. Com esse processo, a CHT contribui para a conservação dos recursos naturais, realizando de fato o conceito da economia circular.”, explica Cesar Vieira Pinho, Technical Manager Textile Solutions da CHT.

    Além de evitar o uso de substâncias tóxicas no beneficiamento, outro fator muito importante para a indústria é a redução dos tempos e das etapas de processo.

    Cesar Pinho relata os benefícios dos novos auxiliares químicos da CHT: “Temos contribuído muito com a indústria têxtil para a redução de energia nos processos industriais, como o uso de amaciantes e formadores de espuma para aplicação por espuma nos acabamentos em rama (esse método pode ser alternativo ao processo de imersão e secagem).

    Isso diminui consideravelmente a energia e consumo de água. Outro exemplo está nos auxiliares de tingimento, área na qual apresentamos o Shortcut Process, que consiste no tingimento e fixação simultâneos, o que reduz o tempo de processo, água e energia.”

    Ao citar o novo amaciante à base de silicone reciclado, lançado pela CHT, o técnico argumenta que o produto está alinhado com às exigências do mercado têxtil.

    “O ganho econômico para os nossos clientes está no alinhamento do produto acabado dele com a nova demanda do mercado em termos de processos amigáveis com o meio ambiente e economia circular, fazendo com que sua marca ganhe muito mais visibilidade.”

    Pinho comenta que, entre a variada gama de produtos químicos da CHT, a maior procura na Febratex foi pelos acabamentos especiais com foco na sustentabilidade.

    “Os clientes da área de lavanderia de jeans também apresentaram muito interesse nos nossos novos auxiliares sustentáveis, como a linha de alvejamento inteligente organIQ Family, que são produtos orgânicos e com ação biodegradável, desde a neutralização do processo, substituindo produtos como o permanganato de potássio, cloro e pedras, que ainda são muito usados para obter os efeitos de estonagem e clareamento do jeans.

    A nova solução tem a vantagem não necessitar do uso de secador para se obter os efeitos desejados, ou seja, cuidamos do meio ambiente e também da redução de energia nas lavanderias.”

    Color Química – Com 33 anos de experiência e localizada em Santa Catarina, a Color Química do Brasil é especializada em corantes e auxiliares, como agentes de fixação de corantes, cationizantes, agentes de dispersão e nivelamento, entre outros, para a indústria têxtil.

    Uma das tarefas mais difíceis enfrentadas pelas estações de tratamento de efluentes das indústrias é a remoção da cor desses compostos.

    Emilie Schwemmle, da área de pesquisa e desenvolvimento da Color Química do Brasil, conta quais as novidades da empresa para o tingimento. “Hoje, o portfólio da Color Química é composto 96% por produtos que atendem ao programa ZDHC (Zero Discharge of Hazardous Chemicals), sendo assim, quando criamos um produto já pensamos em soluções que não impactem ao meio ambiente.

    Nossos corantes possuem certificação Oeko Tex – Eco Passport que certificam produtos não prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Temos a linha Colorsupra AC NEW de reativos altamente concentrados possibilitando utilizar 30% a 40% menos corantes, sal e álcali nos tingimentos.

    Como destaque, lançado oficialmente na Febratex 2022, apresentamos o Colorativ LT, que permite que o processo de pré-alvejamento seja realizado a 75°C, resultando em menor gasto de energia para aquecimento e menor tempo de processo e taxa de perda devido à degradação do algodão.”

    Segundo ela, o Colorativ LT é um ativador da ação alvejante do peróxido de hidrogênio que veio com a proposta de otimizar o tempo, deixando o processo até 25% mais rápido, podendo reduzir em até 40% o consumo de energia. É indicado para processos por esgotamento em artigos 100% algodão ou misturas com poliéster.

    Outro lançamento da empresa foi o Colorsoft PM Conc, um amaciante combinado de aditivos e graxos modificados que proporciona o toque do algodão Pima peruano, ou seja, volumoso e macio, além de não amarelar os tecidos, mesmo com branqueador óptico, e não prejudicar a hidrofilidade do substrato. Por ser um amaciante concentrado, pode ser utilizado em menor quantidade, otimizando o envasamento e consequentemente o estoque e transporte. Ambos atendem aos requisitos do programa ZDHC.

    Tingimento – A especialista também observa que, no caso dos mistos de poliéster/algodão, tingir simultaneamente as duas fibras ainda não é uma realidade para o setor, visto que são processos bem distintos.

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    Emilie: quase todo o portfólio atende ao programa ZDHC

    “É um assunto que sempre está em pauta em eventos relacionados ao mercado têxtil, todavia, a Color Química oferece como solução produtos que reduzem os impactos nas estações de tratamento e com agilidade e assertividade no processo, reduzindo o consumo de energia e evitando reprocessamentos. Temos uma linha completa de corantes dispersos e reativos certificados Oeko-Tex e auxiliares têxteis como o Colordye IGL (acelerador de tingimento reativo) e o Colordye PCR (carrier ecológico para corantes dispersos, que atendem ao programa ZDHC.”

    Com relação ao tingimento a frio, Emilie Schwemmle afirma que a Color Química já atende demandas para o processo Cold Pad Bath há muitos anos.

    “Alguns auxiliares utilizados nesse processo são considerados commodities, como o silicato de sódio e a soda, já que o processo precisa ter pH alcalino. Contudo, contamos com a linha de dispersantes Colorsperse, além da linha de corantes Colorsupra para atender este processo.”

    Muitos profissionais do setor consideram que a impressão digital ocupará o espaço da estamparia convencional, pois reduz as enormes quantidades de água e eletricidade necessárias para a preparação de telas.

    Emilie acrescenta que para acompanhar o crescimento da estamparia digital no mercado, a Color Química já desenvolveu produtos como o Colorprint MP Full, um agente antimigrante de alta eficiência, utilizado na preparação do artigo para receber a impressão digital com corante reativo.

    Ela também considera que a indústria têxtil nacional, incluindo as lavanderias, está hoje mais desenvolvida e preparada para adotar processos amigáveis ao meio ambiente.

    “Com certeza! Os avanços tecnológicos na indústria têxtil podem ser vistos com as feiras nos últimos anos, que sempre apresentam equipamentos mais eficientes, visando economia e automação. A busca por processos mais sustentáveis também aumentou nos últimos anos e um bom exemplo é a demanda crescente por produtos eco friendly; a implantação do programa ZDHC no mercado nacional e a maior preocupação com o reaproveitamento da água utilizada no processo têxtil. O processo de lavanderia por si é uma integrante do setor têxtil e vem desenvolvendo cada vez mais novas opções para o mercado. Já temos muitos avanços tecnológicos como a máquina de corte a laser para jeans que otimiza o tempo de manufatura e a máquina geradora de ozônio que altera a estrutura da fibra em minutos, sem a necessidade de utilização de outros produtos químicos e água.”

    Fratelli Ricci – A Fratelli Ricci Brasil é uma empresa de origem italiana e atua no mercado brasileiro há 16 anos.

    Sua linha de produtos está voltada inteiramente ao setor têxtil, envolvendo pesquisa/desenvolvimento, industrialização e comercialização de produtos químicos que atendam aos seguintes segmentos do beneficiamento têxtil: lubrificantes para fiação primária e secundária, preparação, tinturaria, estamparia e lavanderia de jeans.

    Um dos destaques da empresa na feira foram os corantes 100% naturais Ricodyes para tingimento a frio. O diretor Eduardo Junger fala sobre a novidade:

    “Em consonância com demandas atuais e urgentes do mercado, apresentamos uma linha ecodesign de tintura de bases vegetais que possibilitam processos com inegável ganho ambiental e que permitem caminhar em direção ao aumento da sustentabilidade e circularidade da cadeia produtiva têxtil. Basicamente, nossos corantes e aditivos têm cerificações orgânicas como GOTS e são credenciados junto às certificadoras que atestam conformidade aos programas de redução de substâncias restritas aos químicos têxteis, como o ZDHC.”

    Junger afirma que os processos de tintura se dão basicamente sem utilização de energia térmica, desde a limpeza (preparação) até o amaciamento do tecido (acabamento).

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      “Todo o ciclo de beneficiamento, desde o material cru ao acabado final, se completa com a utilização de produtos provenientes da química verde, em comparação aos processos convencionais oriundos de petroquímicos. As fibras que se podem tingir ou estampar por este mecanismo são as celulósicas e a poliamida, na forma de peças confeccionadas, malha em rolo ou tecidos planos.”

      Em relação às vantagens dos corantes da Ricci, considerando a redução do consumo energético na indústria, o diretor da empresa acrescenta:

      “Pela nossa experiência, os tempos de processo de tingimento podem ser reduzidos em média em até um terço do tempo dos clássicos processos com corantes sintéticos, despendendo cerca 200 minutos, sem perdas de tempo e de energia com aquecimentos e resfriamentos, que são inevitáveis nos processos convencionais, e tampouco pouco consumindo a quantidade absurda de água, sobretudo na pós-lavagem que, neste caso, não é necessária. Essa pós- lavagem, aliás, é que garante que o corante “não se solte” nas lavagens domésticas da poliacrilamida. Só para dar uma ordem de grandeza, a produção de uma blusa simples de algodão requer, em média, mais de 2,7 mil litros de água.”

      Os corantes naturais são considerados ecologicamente corretos, todavia apresentam certas desvantagens no processo industrial, como baixa estabilidade frente à temperatura, oxigênio e luz, que podem afetar a qualidade e aparência dos produtos.

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      Junger: corantes naturais conseguem tingir a frio

      A esse argumento, Eduardo Junger responde: “A tecnologia dos tingimentos naturais não é nova, trata-se de conhecimento milenar de povos antigos que não tinham outro recurso senão a própria natureza como provedora de pigmentos para obtenção de cores atraentes e razoavelmente resistentes. De fato, sendo um produto de bases vegetais e, portanto, orgânico, quando comparado aos sintéticos, o corante natural exigirá do consumidor uma mudança de atitudes em relação à percepção da cor. Permitir que consumidores comprem têxteis tingidos naturalmente é vital na busca pela substituição dos corantes sintéticos, mesmo sendo ainda um conceito estranho, já que as cores sintéticas são conhecidas por serem sólidas e padronizadas. Entretanto, essa padronização artificial é a raiz do problema do fast fashion que torna tudo menos original, estimulando impulsos de consumo, intensificando os problemas ambientais à medida que as peças se tornam descartáveis muito rapidamente.”

      O diretor da Fratelli Ricci argumenta que os corantes naturais podem parecer diferentes de uma peça para outra e até desbotarem com o tempo sob influência da luz solar. “Mas os clientes buscam exatamente isso, pois cores desbotadas não precisam necessariamente serem vistas como negativas. O desbotamento das cores também abre a porta para um novo tipo de ecodesing. Feitas essas considerações, gostaria de ressalvar que os índices de solidez à luz e à lavagem, obtidos com estes corantes atuais, são bem mais elevados em relação ao que historicamente se conhecia. Eles foram implementados pela utilização de protetores de luz também de base natural.”

      MK Química – Com 43 anos de existência no mercado brasileiro, a MK Química é especialista no desenvolvimento, produção e comercialização de insumos para diversos segmentos industriais, com três unidades produtivas, localizadas em Portão-RS, Juazeiro-BA e Três Lagoas-MS.

      A empresa apresentou na Febratex 2022 novos produtos para estamparia com pigmentos que conferem toque super macio, semelhante ao dos reativos; produtos para preparação de estamparia digital com corantes reativos; além corante preto enxofre líquido reduzido, que proporciona um tingimento com baixo impacto ambiental.

      Valter Fronza, gerente da Unidade de Negócios Têxtil, detalha o diferencial dos produtos da MK Química em comparação aos auxiliares químicos convencionais.

      Têxteis: Insumos e práticas sustentáveis ©QD Foto: iStockPhoto
      Fronza: mercado nacional está atento às questões ambientais

      “No desenvolvimento de todos os produtos da MK Química são considerados requisitos de sustentabilidade, evitando substâncias restritas, com intuito de fazer com que nosso cliente alcance a maior eficiência produtiva, com maior aproveitamento dos insumos e rapidez de processos.”

      Ele diz que, algumas vezes, os produtos ‘ecológicos’ são mais caros por necessitarem de matérias-primas de produção mais complexa.

      Nesses casos, vale mais a exigência do cliente em relação aos parâmetros estabelecidos pelo mercado, sendo que o produto final também acaba tendo um valor agregado maior.

      Valter Fronza observa que o mercado têxtil nacional está mais receptivo às inovações oferecidas pela indústria química no que se refere à sustentabilidade e credita aos consumidores essa mudança de comportamento.

      “Sem dúvida, as exigências dos compradores nacionais e internacionais aumentaram muito nos últimos anos em relação à questão ambiental. Consequentemente, a indústria têxtil vem melhorando seus processos com a ajuda dos fornecedores de químicos e de equipamentos.”

      Texto: Marcia Mariano

       

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