Meio Ambiente (água, ar e solo)

Terceirização – BOTs se tornam mais comuns em licitações do mercado da água

Marcelo Furtado
15 de maio de 2011
    -(reset)+

    O superintendente da Haztec, Marcelio Fonseca, acredita que as demandas pela terceirização devem aumentar, seguindo a análise do que ocorreu com o mercado siderúrgico, hoje considerado o principal motivador do modelo de negócio. “Há pouco tempo seria uma loucura imaginar que esse setor teria a ousadia para terceirizar a água, um insumo muito importante para a produção dele”, disse. Isso significa, na sua opinião, que dentro de alguns anos outros setores, atualmente um pouco resistentes à tendência, como o de papel e celulose e o sucroalcooleiro, devem passar a considerar seriamente a opção por BOTs, BOOs, DBOTs etc.

    “O siderúrgico foi dos primeiros a precisar passar por um choque de gestão, depois de crises econômicas graves. Daí a descoberta deles de que esses modelos podem ser atrativos”, afirmou Fonseca. Segundo explica o executivo, além de os clientes poderem com isso usar seus créditos para financiar obras na produção, deixando os gastos com utilidades para terceiros, há maior garantia de fornecimento do importantíssimo insumo. “Por contrato, havendo escassez de água, nós precisamos ressarci-los. Se o cliente é o responsável pelo próprio abastecimento, ele fica no prejuízo”, lembrou.

    Revista Química e Derivados, Massimiliano Santavicca, Gerente comercial da Nalco, terceirização

    Santavicca: em um ano no mercado da terceirização, cinco clientes

    Melhorias – Se não bastassem os exemplos para mostrar a ascensão do mercado de terceirização de água e efluentes, a norte-americana Nalco, considerada a maior fornecedora global de soluções químicas na área, também colhe bons resultados de recente entrada nesse mercado no Brasil. Em apenas um ano de venda do modelo, por meio da criação da divisão Integrated Water Management (IWM), a Nalco conta hoje com cinco contratos no Brasil e 15 em toda a região sul-americana. A divisão já tem umas 150 pessoas no seu quadro de funcionários.“São contratos de terceirização de dez anos em sua maioria”, explicou o diretor da divisão, Jorge Augello. “Hoje as empresas querem ser eficientes com o mínimo de funcionários possível. Terceirizar é a melhor opção”, completou. Além da operação que inclui o tratamento químico das unidades, a Nalco passou a montar equipamentos para tratamento, com sistemas com membranas de ultrafiltração, osmose reversa e outros filtros. Embora não revele nomes de clientes, já há casos de fornecimentos de equipamentos no Brasil, segundo revelou o gerente comercial Massimiliano Santavicca.

    Da mesma forma que os demais competidores, a Nalco também vê um grande interesse pela terceirização no setor siderúrgico e metal-mecânico. Fora do Brasil, porém, em países como Colômbia e Argentina, setores como o de óleo e gás também mostram interesse. No Chile, há um contrato grande com mineradora, no qual por cinco anos a Nalco tratará os efluentes do cliente. Na Argentina, há uma unidade vendida no modelo DBOOM (design, build, operate, own and maintain) que incluiu a construção de sistema avançado de clarificação, ultrafiltração, osmose reversa e eletrodeionização para polimento.

    No entendimento de Augello, a grande vantagem para os clientes delegarem o tratamento a especialistas é poder conseguir economias interessantes para além da simples diminuição do quadro de funcionários próprios. Cita como exemplo o trabalho realizado em siderúrgica, onde adotaram a tecnologia chamada Pareto, de dinâmica dos fluidos, por meio da qual conseguem reduzir o consumo de produtos químicos em tratamento de efluentes em até 80% apenas com a alteração na técnica de dosagem dos produtos. Está aí mais um ponto favorável para tornar a terceirização uma onda com chance de conquistar seu espaço no mercado brasileiro de água.

     



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *