Meio Ambiente (água, ar e solo)

Terceirização – BOTs se tornam mais comuns em licitações do mercado da água

Marcelo Furtado
15 de Maio de 2011
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    Revista Química e Derivados, Unidade de terceirização de serviços da Veolia

    Unidade de terceirização de serviços da Veolia…

    Em projetos grandes de BOT, além de participar das novas concorrências, a Veolia tem um contrato importante em São Francisco do Sul-SC, na unidade de decapagem e laminação a frio da ArcelorMittal, onde desde agosto de 2001 todas as utilidades do complexo siderúrgico são geridas por meio de um contrato de BOO, ou seja, não só os serviços como também os ativos serão sempre da própria Veolia. Nesse contrato, o grupo francês criou uma sociedade brasileira de propósito específico chamada CLE Brasil, responsável por gerenciar o sistema de água (potável, industrial e de incêndio), o tratamento de efluentes industriais e sanitários, o sistema de gases (ar comprimido seco, nitrogênio gasoso e hidrogênio, distribuição de gás natural), o fornecimento de energia e os resíduos da unidade. Trata-se, enfim, do mais complexo contrato de terceirização de utilidades do país.

    O peculiar na estratégia da Veolia é se preocupar tanto com as grandes contas, caso da CLE, como com os pequenos contratos de terceirização, ao contrário da Enfil, por exemplo, interessada apenas nos grandes projetos. O atendimento aos pequenos se concentra na unidade de Cotia, onde há uma moderna linha de regeneração de colunas de troca iônica terceirizadas a mais de 100 clientes industriais pequenos, com capacidade para regenerar até 70 mil litros/mês de resinas. Um serviço também em crescimento é o de recuperação de membranas de osmose reversa. Cerca de 200 membranas por mês são recuperadas por uma lavagem especial que dobra a vida útil dos elementos.

    Revista Química e Derivados, Francisco Faus, gerente geral da área de terceirização da Veolia Solutions Brasil

    … agora trabalhará mais integrada com a engenharia, diz Faus.

    Consta também da carteira de ofertas de terceirização da Veolia o aluguel de unidades móveis de osmose reversa. No momento, oito delas estão na Refinaria Gabriel Passos (Regap), de Betim-MG, para atender a uma demanda repentina de melhoria de qualidade da água desmineralizada de sistema de troca iônica, em um período de dois anos, segundo o pedido da licitação. Afora as unidades de osmose, disponíveis em carreta de 40 pés para 50 m3/h de vazão e em contêiner de 20 pés para 25 m3/h, a Veolia possui também sistema móvel avançado de clarificação Actiflo. “O aluguel de equipamentos para desmineralização tem demanda garantida. Tanto é assim que estamos construindo mais dois deles”, revelou Faus.

    Integração – Para poder atender melhor o cliente, a tendência entre os competidores é tentar abarcar o maior número possível de tecnologias e serviços que completem o tratamento de água e efluentes na unidade. Não precisa ser como o caso da Veolia na ArcelorMittal, que chega até a fornecer energia para o complexo de São Francisco do Sul, mas ter um sistema de oferta integrada facilita a venda.

    A Haztec é um exemplo clássico, até mesmo porque foi assim que o grupo se constituiu nos últimos anos, por meio da aquisição de várias empresas, cada uma delas com uma especialidade na área ambiental. Da Geoplan, o grupo herdou a experiência pioneira em BOTs para água no país; da Aquamec, a expertise como fornecedora de projetos de EPCs; da Gaiapan, o tratamento de efluentes para terceiros em unidade no Rio de Janeiro; da Nova Gerar, aterros; e da Tribel, a incineração e o coprocessamento de resíduos. Isso sem falar na experiência em remediação de áreas contaminadas, o primeiro negócio de origem da Haztec, empresa posteriormente adquirida por fundos de investimento.

    Para o superintendente da Haztec, Marcelio Fonseca, a integração, ainda em fase final de sinergia, permite que a empresa projete o sistema BOT e realize toda a operação e manutenção de águas e efluentes, além de gerenciar os resíduos sólidos do tratamento. Atualmente o grupo conta com 30 contratos ativos de BOT e cerca de dez que migraram para contratos de operação e manutenção, depois do término da amortização. “A maior parte dos clientes, depois de se tornarem proprietários da planta, prefere delegar a operação para nós”, disse. A média de duração dos contratos é de quinze anos.

    O maior contrato da Haztec, em volume de água tratada, é na Fafen, fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras em Sergipe. Trata-se de BOT de quinze anos, iniciado em 2003 e responsável pelo tratamento de 800 m3/h de água. A unidade conta com poços tubulares profundos, adutora de oito km, ETA com capacidade de armazenagem de 10 mil m3, unidade de osmose reversa com leito misto de troca iônica para fornecer 200 m3/h de água desmineralizada à caldeira da fábrica.

    Revista Química e Derivados, Estação da Bayer, em Belford Roxo-RJ, tratamento de água

    Estação da Bayer, em Belford Roxo-RJ, é um BOT para tratar água a cargo da Haztec

    Além desse contrato, a Haztec também tem BOT na Bayer, de Belford Roxo-RJ, onde capta 60 mil metros cúbicos/mês de água do poluído rio Sarapuí para transformá-la em água industrial na unidade multipropósito. A estação construída ainda na época da Geoplan contempla um tanque para clarifloculação, uma bateria de filtros (areia, bag e cartucho) e uma unidade de osmose reversa para reduzir os cloretos da água e permitir seu uso principalmente nas torres de resfriamento. Outro caso de BOT, de vinte anos, da Haztec, na produtora de metanol Prosint, no Rio de Janeiro, também capta e trata água de um canal bastante poluído, o do Cunha, que recebe fluxo contaminado e altamente salino da Baía da Guanabara. Ambos os projetos representaram grande economia de água, visto que as empresas deixaram de se abastecer da companhia de saneamento carioca (Cedae), famosa pelas altas tarifas.



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