Meio Ambiente (água, ar e solo)

Terceirização – BOTs se tornam mais comuns em licitações do mercado da água

Marcelo Furtado
15 de Maio de 2011
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    Ter declinado da terceirização em Tubarão revela um atual obstáculo para esses tipos de contrato. Empresas com crédito facilitado na praça, caso da Vale, que consegue ter acesso a dinheiro a juros baixos no mercado nacional e internacional, podem chegar à conclusão de que fica mais barato elas próprias construírem e se tornarem proprietárias da estação logo de início. E isso sem precisar pagar mensalmente a amortização da planta nos contratos de BOT. Na mesma linha de raciocínio, embora em menor grau em comparação com as empresas de primeira linha, as de menor porte no Brasil também têm conseguido relativa facilidade para financiar estações de tratamento via BNDES.

    A despeito do custo do dinheiro, ainda há outra concorrência de BOT no mercado, do Estaleiro OSX, do grupo do empresário Eike Batista. Trata-se de obra de R$ 50 milhões para construção, operação e transferência depois de quinze anos dos ativos para tratamento de água, efluentes e de gestão de resíduos sólidos do estaleiro carioca. Os principais concorrentes da área participam de todas essas concorrências, que devem aumentar em número no curto prazo.

    EPCistas aderem – Esta movimentação pró-terceirização ficou tão evidente que provocou a entrada de novos competidores no ramo, a maior parte deles tradicionais EPCistas, e a reestruturação estratégica de outros, que reorganizaram internamente suas unidades de negócio para atender melhor às novas demandas. Um caso exemplar ocorre com a Enfil, uma das integradoras líderes em entregas de EPCs para tratamento de água, efluentes e controle de poluição atmosférica nos setores de petróleo, petroquímica e siderurgia do país.

    Segundo explicou o sócio-diretor da Enfil, Franco Tarabini, ao ser convidada por clientes importantes para fazer ofertas de BOT, a empresa incluiu em seu plano estratégico para os próximos anos – que ainda conta com a recente entrada nos setores de cogeração de energia por meio da queima de resíduos e na gestão de resíduos sólidos e remediação de áreas contaminadas – a formação de um novo braço operacional, que viria a ser a Enfil Operação e Manutenção. “Este é nosso plano a longo prazo, que está sendo arquitetado por uma empresa financeira. O provável é termos uma parceria com um fundo de investimento para assumir os altos investimentos das terceirizações”, disse.

    No caso da provável futura empresa, Tarabini faz questão de ressaltar que o foco continuará a ser o mesmo da Enfil, ou seja, a indústria de base, pesada. “Imagino a empresa de BOT gerindo no máximo até oito grandes contratos, o que em termos de faturamento já é muito”, explicou. A ideia é trabalhar com os BOTs, ou outras modalidades como o DBOO (design, build, operate and own), assumindo operações e manutenções de estações de água, efluentes sanitários e industriais, água de recirculação em siderúrgicas ou petroquímicas. “Contas pequenas fugiriam do nosso escopo”, completou.

    Revista Química e Derivados, Franco Tarabini, Sócio-diretor da Enfil, BOTs

    Tarabini: convite para participar de concorrências de BOTs

    Embora a “galinha de ovos de ouro“ da Enfil continue a ser os EPCs – segundo a expressão empregada por seu diretor que se comprova com o faturamento anual da empresa por volta de R$ 450 milhões –, Tarabini vê com muita animação o desenvolvimento do mercado de BOTs. “É muito melhor para a sobrevivência econômica de uma empresa saber que ela receberá, por contrato, pelo serviço prestado ao longo de quinze anos. Quando você é pago de uma vez só corre o risco de não saber gerir bem o recebido”, disse.

    Além da importância para a sobrevivência empresarial, ter entrado no mercado de BOTs é principalmente uma resposta à demanda criada pelos clientes. “Nós só fazemos o que eles querem. Nesse ramo da indústria pesada não dá para impor nada aos clientes. São eles que direcionam nossa estratégia”, disse Tarabini. Tanto é assim que, mesmo sem ter definido o braço operacional de terceirização, a Enfil já participa das principais concorrências em consórcios. No caso da Alpa, está em parceria com a construtora UTC. “Somos referência no fornecimento ao mercado siderúrgico, por isso eles nos convidaram, mesmo sabendo que até então éramos apenas EPCistas”, disse.

    Para grandes e pequenos – Outro grande grupo integrador que se movimenta para dar atenção à terceirização com mais força é a francesa Veolia. Para tanto, recentemente a empresa colocou em prática um processo de sinergia entre duas unidades de negócio até então com atuações estratégicas não muito conectadas: a de engenharia de projetos e a de prestação de serviços terceirizados.

    Segundo revelou Francisco Faus, o gerente geral da área de terceirização da Veolia Solutions Brasil, o propósito tem sido fazer a sua unidade de negócios não ter a atuação limitada apenas aos serviços de regeneração de colunas de resinas de troca iônica, de recuperação de membranas de osmose reversa e locação de unidades móveis de desmineralização oferecidos pela unidade de Cotia-SP. “Agora estamos trabalhando junto com a área de design building em ofertas e concorrências de grandes projetos de BOT, BOO (build, operate and own) e afins”, disse. “Nossa tarefa é responder pela parte contratual relativa à operação e manutenção e também nos comissionamentos de unidades turn-key vendidas”, complementou Francisco Faus, executivo reincorporado à Veolia neste ano para realizar a tarefa de sinergia, depois de passar cerca de três anos na Fluid Brasil, de Jundiaí-SP.

    Faz também parte da nova estratégia para o mercado de terceirização uma aliança com a empresa química Clariant, com sua área de tratamento de água e efluentes, que além de especialidades químicas também conta com equipe para prestação de serviços. “A aliança serve tanto para os grandes projetos de BOT, liderados pela equipe da engenharia, como para pequenos voltados para desmineralização ou reúso de água”, disse Faus. A Clariant tem tentado nos últimos anos conquistar pedaços do mercado nacional de condicionamento de água para torres de resfriamento e caldeiras de geração de vapor.



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