Terceirização – BOTs se tornam mais comuns em licitações do mercado da água

Revista Química e Derivados - Terceirização - BOTs se tornam mais comuns em licitações do mercado da águaParece estar chegando a hora de a indústria brasileira começar a aderir a uma das tendências mais importantes do mercado global de águas e efluentes: a da terceirização da operação e da manutenção das estações de tratamento. Pelo menos são estes os sinais emitidos por grandes clientes, em setores destacados da economia, que passaram nos últimos tempos a organizar concorrências para contratos do tipo BOT (build, operate and transfer) ou similares, dando provas de que muitos agora chegam a considerar seriamente a hipótese de terceirizar a operação de utilidades, para assim se concentrarem na produção propriamente dita.

O fenômeno, ainda considerado inicial, tem se mostrado mais relevante em setores como o siderúrgico e o de energia, embora existam casos isolados em demais ramos de atividade, como os mercados químico e petroquímico, de saneamento, alimentício, de shopping centers, automobilístico e até no de óleo e gás. O destaque no caso siderúrgico ocorre por causa de algumas grandes concorrências definidas recentemente e em andamento, que movimentam muito os fornecedores da área e provocam a entrada nesse segmento de “novos” players.

Dos já definidos, há dois grandes contratos: um na produtora de placas de aço Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Rio de Janeiro, do grupo alemão Thyssenkrupp em parceria com a Vale, e outro na Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil (VSB), em Jeceaba-MG. O primeiro projeto de terceirização na CSA – siderúrgica em operação desde 2010 e que por sinal teve obra atual de ampliação embargada em 10 de maio por problemas ambientais – foi vencido no final de 2008 pela EcoAqua, posteriormente adquirida pela Foz do Brasil, do grupo Odebrecht, que herdou esse contrato e outros da empresa especializada em terceirização de tratamento de água e efluentes então pertencente ao grupo português SGC.

Também o outro contrato, na VSB, pertence à Foz do Brasil – que a exemplo de todos os outros braços do grupo Odebrecht tem atuação bastante agressiva, adquirindo normalmente com linhas públicas de financiamento uma infinidade de empresas como forma de avançar na concorrência. No complexo siderúrgico de Jeceaba, em fase de comissionamento e que terá capacidade de produção de 1 milhão de toneladas de aço bruto por ano e uma laminação que produzirá 600 mil toneladas de tubos de aço sem costura/ano, a Foz realizou a melhor proposta em concorrência, assinando com a VSB contrato de DBOT (design, build, operate and transfer) no valor total de R$ 550 milhões e para um período de quinze anos. O negócio envolve a definição da tecnologia, o projeto, a construção, a montagem, a operação e a manutenção dos sistemas de tratamento de águas, resíduos e distribuição interna de energia elétrica.

Revista Química e Derivados, Marcelio Fonseca, Superintendente da Haztec, terceirização
Fonseca: mercado siderúrgico puxa a demanda da terceirização

Bom para o mercado – Iniciativas como essas duas no setor siderúrgico, apesar de terem ficado concentradas no mesmo fornecedor, são vistas de forma positiva pelos outros competidores importantes. De acordo com o superintendente operacional da Haztec, Marcelio da Fonseca, isso faz com que o conceito do BOT amadureça no mercado, provocando um efeito cascata nos demais clientes. Provavelmente a empresa com maior número de contratos de BOT, herdados da adquirida Geoplan, a Haztec, na opinião de Fonseca, pressente dessa forma um maior crescimento da terceirização em grandes clientes, em contraponto às pequenas contas. “Desde que a Haztec assumiu os negócios, há pouco mais de dois anos, percebemos que os pequenos contratos não evoluíram, mas na indústria pesada há um interesse crescente”, disse.

A opinião do executivo se funda também em outras concorrências do setor siderúrgico. Há uma no momento que agita bastante o mercado e conta com cinco consórcios em disputa. Trata-se de BOT para terceirização de toda a água de recirculação da Aços Laminados do Pará (Alpa), unidade da Vale em construção no distrito industrial de Marabá-PA, que terá capacidade anual de produção de 2,5 milhões de toneladas de placas. Com investimento total de US$ 3,2 bilhões e previsão de inauguração em novembro de 2013, a Alpa lançou a concorrência do BOT com previsão de um volume de investimento de R$ 1 bilhão e que abrangerá a construção de 12 estações de tratamento de água e cuja parte importante das obras, cerca de 35% do total, será apenas para efetuar a captação de água do rio, considerada crítica por ter variação de até 70 metros.

Essa concorrência, além de ter importância evidente por causa do montante envolvido e também por dar sequência à tendência de terceirização no setor siderúrgico, servirá ainda para revelar a maneira como a indústria brasileira encara essas modalidades de negócios. Isso porque, embora a concorrência seja para BOT, não há garantia de que a Vale realmente concretize a negociação como tal. Recentemente, o mesmo grupo fez uma concorrência para o tratamento de esgoto sanitário da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), no Espírito Santo. Depois de avaliar as propostas de BOT, e compará-las com uma compra simples da estação de tratamento em regime EPC (engineering, procurement and construction), a companhia optou pela segunda opção.

Ter declinado da terceirização em Tubarão revela um atual obstáculo para esses tipos de contrato. Empresas com crédito facilitado na praça, caso da Vale, que consegue ter acesso a dinheiro a juros baixos no mercado nacional e internacional, podem chegar à conclusão de que fica mais barato elas próprias construírem e se tornarem proprietárias da estação logo de início. E isso sem precisar pagar mensalmente a amortização da planta nos contratos de BOT. Na mesma linha de raciocínio, embora em menor grau em comparação com as empresas de primeira linha, as de menor porte no Brasil também têm conseguido relativa facilidade para financiar estações de tratamento via BNDES.

A despeito do custo do dinheiro, ainda há outra concorrência de BOT no mercado, do Estaleiro OSX, do grupo do empresário Eike Batista. Trata-se de obra de R$ 50 milhões para construção, operação e transferência depois de quinze anos dos ativos para tratamento de água, efluentes e de gestão de resíduos sólidos do estaleiro carioca. Os principais concorrentes da área participam de todas essas concorrências, que devem aumentar em número no curto prazo.

EPCistas aderem – Esta movimentação pró-terceirização ficou tão evidente que provocou a entrada de novos competidores no ramo, a maior parte deles tradicionais EPCistas, e a reestruturação estratégica de outros, que reorganizaram internamente suas unidades de negócio para atender melhor às novas demandas. Um caso exemplar ocorre com a Enfil, uma das integradoras líderes em entregas de EPCs para tratamento de água, efluentes e controle de poluição atmosférica nos setores de petróleo, petroquímica e siderurgia do país.

Segundo explicou o sócio-diretor da Enfil, Franco Tarabini, ao ser convidada por clientes importantes para fazer ofertas de BOT, a empresa incluiu em seu plano estratégico para os próximos anos – que ainda conta com a recente entrada nos setores de cogeração de energia por meio da queima de resíduos e na gestão de resíduos sólidos e remediação de áreas contaminadas – a formação de um novo braço operacional, que viria a ser a Enfil Operação e Manutenção. “Este é nosso plano a longo prazo, que está sendo arquitetado por uma empresa financeira. O provável é termos uma parceria com um fundo de investimento para assumir os altos investimentos das terceirizações”, disse.

No caso da provável futura empresa, Tarabini faz questão de ressaltar que o foco continuará a ser o mesmo da Enfil, ou seja, a indústria de base, pesada. “Imagino a empresa de BOT gerindo no máximo até oito grandes contratos, o que em termos de faturamento já é muito”, explicou. A ideia é trabalhar com os BOTs, ou outras modalidades como o DBOO (design, build, operate and own), assumindo operações e manutenções de estações de água, efluentes sanitários e industriais, água de recirculação em siderúrgicas ou petroquímicas. “Contas pequenas fugiriam do nosso escopo”, completou.

Revista Química e Derivados, Franco Tarabini, Sócio-diretor da Enfil, BOTs
Tarabini: convite para participar de concorrências de BOTs

Embora a “galinha de ovos de ouro“ da Enfil continue a ser os EPCs – segundo a expressão empregada por seu diretor que se comprova com o faturamento anual da empresa por volta de R$ 450 milhões –, Tarabini vê com muita animação o desenvolvimento do mercado de BOTs. “É muito melhor para a sobrevivência econômica de uma empresa saber que ela receberá, por contrato, pelo serviço prestado ao longo de quinze anos. Quando você é pago de uma vez só corre o risco de não saber gerir bem o recebido”, disse.

Além da importância para a sobrevivência empresarial, ter entrado no mercado de BOTs é principalmente uma resposta à demanda criada pelos clientes. “Nós só fazemos o que eles querem. Nesse ramo da indústria pesada não dá para impor nada aos clientes. São eles que direcionam nossa estratégia”, disse Tarabini. Tanto é assim que, mesmo sem ter definido o braço operacional de terceirização, a Enfil já participa das principais concorrências em consórcios. No caso da Alpa, está em parceria com a construtora UTC. “Somos referência no fornecimento ao mercado siderúrgico, por isso eles nos convidaram, mesmo sabendo que até então éramos apenas EPCistas”, disse.

Para grandes e pequenos – Outro grande grupo integrador que se movimenta para dar atenção à terceirização com mais força é a francesa Veolia. Para tanto, recentemente a empresa colocou em prática um processo de sinergia entre duas unidades de negócio até então com atuações estratégicas não muito conectadas: a de engenharia de projetos e a de prestação de serviços terceirizados.

Segundo revelou Francisco Faus, o gerente geral da área de terceirização da Veolia Solutions Brasil, o propósito tem sido fazer a sua unidade de negócios não ter a atuação limitada apenas aos serviços de regeneração de colunas de resinas de troca iônica, de recuperação de membranas de osmose reversa e locação de unidades móveis de desmineralização oferecidos pela unidade de Cotia-SP. “Agora estamos trabalhando junto com a área de design building em ofertas e concorrências de grandes projetos de BOT, BOO (build, operate and own) e afins”, disse. “Nossa tarefa é responder pela parte contratual relativa à operação e manutenção e também nos comissionamentos de unidades turn-key vendidas”, complementou Francisco Faus, executivo reincorporado à Veolia neste ano para realizar a tarefa de sinergia, depois de passar cerca de três anos na Fluid Brasil, de Jundiaí-SP.

Faz também parte da nova estratégia para o mercado de terceirização uma aliança com a empresa química Clariant, com sua área de tratamento de água e efluentes, que além de especialidades químicas também conta com equipe para prestação de serviços. “A aliança serve tanto para os grandes projetos de BOT, liderados pela equipe da engenharia, como para pequenos voltados para desmineralização ou reúso de água”, disse Faus. A Clariant tem tentado nos últimos anos conquistar pedaços do mercado nacional de condicionamento de água para torres de resfriamento e caldeiras de geração de vapor.

Revista Química e Derivados, Unidade de terceirização de serviços da Veolia
Unidade de terceirização de serviços da Veolia...

Em projetos grandes de BOT, além de participar das novas concorrências, a Veolia tem um contrato importante em São Francisco do Sul-SC, na unidade de decapagem e laminação a frio da ArcelorMittal, onde desde agosto de 2001 todas as utilidades do complexo siderúrgico são geridas por meio de um contrato de BOO, ou seja, não só os serviços como também os ativos serão sempre da própria Veolia. Nesse contrato, o grupo francês criou uma sociedade brasileira de propósito específico chamada CLE Brasil, responsável por gerenciar o sistema de água (potável, industrial e de incêndio), o tratamento de efluentes industriais e sanitários, o sistema de gases (ar comprimido seco, nitrogênio gasoso e hidrogênio, distribuição de gás natural), o fornecimento de energia e os resíduos da unidade. Trata-se, enfim, do mais complexo contrato de terceirização de utilidades do país.

O peculiar na estratégia da Veolia é se preocupar tanto com as grandes contas, caso da CLE, como com os pequenos contratos de terceirização, ao contrário da Enfil, por exemplo, interessada apenas nos grandes projetos. O atendimento aos pequenos se concentra na unidade de Cotia, onde há uma moderna linha de regeneração de colunas de troca iônica terceirizadas a mais de 100 clientes industriais pequenos, com capacidade para regenerar até 70 mil litros/mês de resinas. Um serviço também em crescimento é o de recuperação de membranas de osmose reversa. Cerca de 200 membranas por mês são recuperadas por uma lavagem especial que dobra a vida útil dos elementos.

Revista Química e Derivados, Francisco Faus, gerente geral da área de terceirização da Veolia Solutions Brasil
... agora trabalhará mais integrada com a engenharia, diz Faus.

Consta também da carteira de ofertas de terceirização da Veolia o aluguel de unidades móveis de osmose reversa. No momento, oito delas estão na Refinaria Gabriel Passos (Regap), de Betim-MG, para atender a uma demanda repentina de melhoria de qualidade da água desmineralizada de sistema de troca iônica, em um período de dois anos, segundo o pedido da licitação. Afora as unidades de osmose, disponíveis em carreta de 40 pés para 50 m3/h de vazão e em contêiner de 20 pés para 25 m3/h, a Veolia possui também sistema móvel avançado de clarificação Actiflo. “O aluguel de equipamentos para desmineralização tem demanda garantida. Tanto é assim que estamos construindo mais dois deles”, revelou Faus.

Integração – Para poder atender melhor o cliente, a tendência entre os competidores é tentar abarcar o maior número possível de tecnologias e serviços que completem o tratamento de água e efluentes na unidade. Não precisa ser como o caso da Veolia na ArcelorMittal, que chega até a fornecer energia para o complexo de São Francisco do Sul, mas ter um sistema de oferta integrada facilita a venda.

A Haztec é um exemplo clássico, até mesmo porque foi assim que o grupo se constituiu nos últimos anos, por meio da aquisição de várias empresas, cada uma delas com uma especialidade na área ambiental. Da Geoplan, o grupo herdou a experiência pioneira em BOTs para água no país; da Aquamec, a expertise como fornecedora de projetos de EPCs; da Gaiapan, o tratamento de efluentes para terceiros em unidade no Rio de Janeiro; da Nova Gerar, aterros; e da Tribel, a incineração e o coprocessamento de resíduos. Isso sem falar na experiência em remediação de áreas contaminadas, o primeiro negócio de origem da Haztec, empresa posteriormente adquirida por fundos de investimento.

Para o superintendente da Haztec, Marcelio Fonseca, a integração, ainda em fase final de sinergia, permite que a empresa projete o sistema BOT e realize toda a operação e manutenção de águas e efluentes, além de gerenciar os resíduos sólidos do tratamento. Atualmente o grupo conta com 30 contratos ativos de BOT e cerca de dez que migraram para contratos de operação e manutenção, depois do término da amortização. “A maior parte dos clientes, depois de se tornarem proprietários da planta, prefere delegar a operação para nós”, disse. A média de duração dos contratos é de quinze anos.

O maior contrato da Haztec, em volume de água tratada, é na Fafen, fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras em Sergipe. Trata-se de BOT de quinze anos, iniciado em 2003 e responsável pelo tratamento de 800 m3/h de água. A unidade conta com poços tubulares profundos, adutora de oito km, ETA com capacidade de armazenagem de 10 mil m3, unidade de osmose reversa com leito misto de troca iônica para fornecer 200 m3/h de água desmineralizada à caldeira da fábrica.

Revista Química e Derivados, Estação da Bayer, em Belford Roxo-RJ, tratamento de água
Estação da Bayer, em Belford Roxo-RJ, é um BOT para tratar água a cargo da Haztec

Além desse contrato, a Haztec também tem BOT na Bayer, de Belford Roxo-RJ, onde capta 60 mil metros cúbicos/mês de água do poluído rio Sarapuí para transformá-la em água industrial na unidade multipropósito. A estação construída ainda na época da Geoplan contempla um tanque para clarifloculação, uma bateria de filtros (areia, bag e cartucho) e uma unidade de osmose reversa para reduzir os cloretos da água e permitir seu uso principalmente nas torres de resfriamento. Outro caso de BOT, de vinte anos, da Haztec, na produtora de metanol Prosint, no Rio de Janeiro, também capta e trata água de um canal bastante poluído, o do Cunha, que recebe fluxo contaminado e altamente salino da Baía da Guanabara. Ambos os projetos representaram grande economia de água, visto que as empresas deixaram de se abastecer da companhia de saneamento carioca (Cedae), famosa pelas altas tarifas.

O superintendente da Haztec, Marcelio Fonseca, acredita que as demandas pela terceirização devem aumentar, seguindo a análise do que ocorreu com o mercado siderúrgico, hoje considerado o principal motivador do modelo de negócio. “Há pouco tempo seria uma loucura imaginar que esse setor teria a ousadia para terceirizar a água, um insumo muito importante para a produção dele”, disse. Isso significa, na sua opinião, que dentro de alguns anos outros setores, atualmente um pouco resistentes à tendência, como o de papel e celulose e o sucroalcooleiro, devem passar a considerar seriamente a opção por BOTs, BOOs, DBOTs etc.

“O siderúrgico foi dos primeiros a precisar passar por um choque de gestão, depois de crises econômicas graves. Daí a descoberta deles de que esses modelos podem ser atrativos”, afirmou Fonseca. Segundo explica o executivo, além de os clientes poderem com isso usar seus créditos para financiar obras na produção, deixando os gastos com utilidades para terceiros, há maior garantia de fornecimento do importantíssimo insumo. “Por contrato, havendo escassez de água, nós precisamos ressarci-los. Se o cliente é o responsável pelo próprio abastecimento, ele fica no prejuízo”, lembrou.

Revista Química e Derivados, Massimiliano Santavicca, Gerente comercial da Nalco, terceirização
Santavicca: em um ano no mercado da terceirização, cinco clientes

Melhorias – Se não bastassem os exemplos para mostrar a ascensão do mercado de terceirização de água e efluentes, a norte-americana Nalco, considerada a maior fornecedora global de soluções químicas na área, também colhe bons resultados de recente entrada nesse mercado no Brasil. Em apenas um ano de venda do modelo, por meio da criação da divisão Integrated Water Management (IWM), a Nalco conta hoje com cinco contratos no Brasil e 15 em toda a região sul-americana. A divisão já tem umas 150 pessoas no seu quadro de funcionários.“São contratos de terceirização de dez anos em sua maioria”, explicou o diretor da divisão, Jorge Augello. “Hoje as empresas querem ser eficientes com o mínimo de funcionários possível. Terceirizar é a melhor opção”, completou. Além da operação que inclui o tratamento químico das unidades, a Nalco passou a montar equipamentos para tratamento, com sistemas com membranas de ultrafiltração, osmose reversa e outros filtros. Embora não revele nomes de clientes, já há casos de fornecimentos de equipamentos no Brasil, segundo revelou o gerente comercial Massimiliano Santavicca.

Da mesma forma que os demais competidores, a Nalco também vê um grande interesse pela terceirização no setor siderúrgico e metal-mecânico. Fora do Brasil, porém, em países como Colômbia e Argentina, setores como o de óleo e gás também mostram interesse. No Chile, há um contrato grande com mineradora, no qual por cinco anos a Nalco tratará os efluentes do cliente. Na Argentina, há uma unidade vendida no modelo DBOOM (design, build, operate, own and maintain) que incluiu a construção de sistema avançado de clarificação, ultrafiltração, osmose reversa e eletrodeionização para polimento.

No entendimento de Augello, a grande vantagem para os clientes delegarem o tratamento a especialistas é poder conseguir economias interessantes para além da simples diminuição do quadro de funcionários próprios. Cita como exemplo o trabalho realizado em siderúrgica, onde adotaram a tecnologia chamada Pareto, de dinâmica dos fluidos, por meio da qual conseguem reduzir o consumo de produtos químicos em tratamento de efluentes em até 80% apenas com a alteração na técnica de dosagem dos produtos. Está aí mais um ponto favorável para tornar a terceirização uma onda com chance de conquistar seu espaço no mercado brasileiro de água.

 

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