Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Tensoativos – Novos insumos vegetais melhoram função sensorial dos cosméticos

Antonio C. Santomauro
12 de dezembro de 2012
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    Vegetalização é o mote – Designado pelo termo ‘vegetalização’. o crescente emprego de produtos de origem vegetal nos tensoativos inseridos em produtos de beleza e higiene pessoal é tendência observada também por Emiro Khury, diretor técnico da consultoria e for­muladora EK Consultores, e diretor técnico da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC).

    Tal movimento, enfatiza Khury, manifesta-se mais intensamente no segmento dos tensoativos emulsifican­tes, itens de maior valor em relação aos surfactantes commoditizados. “Em vez de um etoxilado, em um emulsificante pode hoje ser usado um óleo vegetal”, ele exemplifica. “E em um emulsifi­cante isso faz muita diferença, pois além de conferir ao produto um apelo mais associado à natureza, há também uma função sensorial muito mais in­teressante, e até com a possibilidade de substituição de ingredientes usados justamente para gerar essa sensação mais agradável”, acrescenta.

    Entre os produtos de origem ve­getal atualmente mais empregados como emulsificantes, o diretor técnico da ABC inclui os ésteres (utilizados também como emolientes). Ainda im­peram, porém, nesse segmento, os produtos etoxilados, especialmente os alcoóis graxos, como o álcool cetoes­tearílico etoxilado.

    Química e Derivados, Emiro Khury, Diretor técnico da consultoria e formuladora EK Consultores / Diretor técnico da Associação Brasileira de Cosmetologia, TensoativosMas, mesmo no segmento dos surfactantes, ressalva Khury, os pro­dutos vegetalizados começam a se estabelecer: “Estou em contato com uma empresa italiana que, com óleo de oliva e de argan, começa a produzir anfóteros, utilizados como surfactantes secundários”, comentou.

    Além disso, ele observa, com o surgimento de restrições ao emprego de nitrosamidas, há alguns anos os alquil poliglicosídeos (APG) ganharam espaço como surfactantes secundários (que atuam ajustando a espuma em ca­racterísticas como volume, persistên­cia, cremosidade e suavidade). “Eles possibilitam melhor compatibilidade dérmica, e geram melhor espuma, com bolhas mais uniformes”, relata Khury.

    É exatamente com os APGs que a Dow inicia uma atuação mais inci­siva no mercado de tensoativos para personal care, mediante o lançamento mundial, no início deste ano, da linha Ecosense, atualmente com dois itens: Ecosense 919 e Ecosense 1200 (respec­tivamente, coco glicosídeo e lauril gli­cosídeo). “São derivados do amido do milho, reagidos com derivados de óleo de palma e de coco”, descreve Daisy Scarparo de Sancits, gerente técnica de home e personal care da Dow.

    Na América Latina, conta Daisy, os produtos Ecosense ainda são utiliza­dos principalmente como surfactantes secundários. “São muito interessantes. Com eles se obtêm produtos mais na­turais, melhora-se muito a questão da irritação, e há uma riqueza de espuma que o público latino-americano valoriza muito”, detalha. “Na Europa eles já começam a ser aproveitados até como surfactantes primários.”

    No Japão, alguns fabricantes de produtos de higiene pessoal já divulgam o conceito ‘amino shampoo’, conta Naoya Yamato, gerente do departamen­to de especialidades químicas da divi­são amino science da Ajinomoto. Esse conceito se refere a produtos nos quais predominam os tensoativos derivados de aminoácidos.

    Substâncias naturais com as quais são compostas as proteínas, os ami­noácidos constituem a base de todos os tensoativos da Ajinomoto, que os disponibiliza nas versões aniônicas, ca­tiônicas e anfóteras. Tais tensoativos, diz Yamato, são utilizados principalmente como surfactantes (solúveis em água) e podem substituir qualquer produto dessa categoria, mas, por conta do preço eleva­do (típico de especialidades), são usados geralmente em combinação com as com­modities usuais. “Mesmo no Japão os surfactantes derivados de aminoácidos ainda não são majoritários no mercado”, observa o diretor da Ajinomoto.

    Segundo informou, a presença dos surfactantes derivados de aminoácidos agrega às composições características de maior suavidade, além de apresentar melhores índices de sustentabilidade. “Eles propiciam uma limpeza mais suave, não agressiva, que preserva a gor­dura natural do corpo”, detalha Yamato.

    Sulfatados e etoxilados – Além de ver­sões laurílicas etoxiladas com óxido de etileno proveniente de fontes renováveis e dos APGs, o mercado dos surfactantes (os mais solúveis em água) tem outros competidores; entre eles, o lauroil sarco­sinato de sódio, um tensoativo aniônico agora disponibilizado pela Croda.

    De acordo com Renata Solfredini, gerente de marketing de personal care da companhia, tecnicamente esse aniô­nico pode substituir em um xampu qual­quer tensoativo primário conhecido, até mesmo o lauril éter sulfato de sódio. Porém, no Brasil, ele é mais utilizado como um aditivo, em princípio por ter custo mais elevado. “Aqui o consumidor ainda associa muito limpeza com espu­ma, e essas moléculas têm o baixo poder de espumação”, acrescenta Renata.

    Na Brasil, o lauroil sarcosinato de sódio encontra emprego mais intenso em segmentos como xampus premium, produtos infantis, sabonetes líquidos e de higiene íntima, e espumas de limpeza facial. “Além de diminuir a irritabilidade provocada pelos tensoativos catiônicos, ele melhora a cremosidade da espuma, e integra-se à tendência de produtos livres de sulfato”, ressalta.

    Luís Julian, coordenador de serviços técnicos da Basf em care creations para a América do Sul, também aponta ten­dências não só de produtos sem sulfatos, mas também sem etoxilação (o LESS, aliás, é sulfatado e etoxilado).



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    Um Comentário


    1. Jefferson José Nunes

      Boa tarde, onde consigo comprar o EcoSense™ 1200 (Lauryl Glucoside), Decilglucósido de coco e o Caprylyl caprilo glicosídeo no Brasil? Não consigo encontra-los.

      Obrigado.



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