Tensoativos não-iônicos diminuem necessidade de preservantes

A indústria de personal care também se mostra mais interessada em tensoativos desenvolvidos para produtos que não contenham preservantes, incluindo os tensoativos não-iônicos. De acordo com Daisy, da Dow, os próprios surfactantes podem ajudar a minimizar a necessidade de uso de preservantes, ao diminuir a água disponível para servir de meio de subsistência para micro-organismos.

Tensoativos não-iônicos é um dos tensoativos que ajuda a reduzir uso de preservantes

Entre os tensoativos com tais características, Daisy cita os tensoativos não-iônicos (entre os quais estão os produtos da linha Ecosense), os glicóis e poliglicóis (propilenoglicol, polipropilenoglicol e glicerina) e os polissacarídeos.

“Por conter muitos grupos de oxigenados em suas moléculas, eles criam pontes de hidrogênio para que possam permanecer solúveis; e, assim, reduzem a água disponível”, ela diz.

“Além disso, podem ser usados nas formulações outros componentes que não são classificados como preservantes e conservantes, mas que agem contra micro-organismos, caso de alguns extratos vegetais”, acrescenta a gerente da Dow.

Redução dos conservantes é uma tendência

Lopes, da Oxiteno, também percebe a redução dos conservantes como tendência em expansão. Segundo ele, há no portfólio de sua empresa o tensoativo Alkolan CMA – uma cocoamida MEA –, capaz de aliar a possibilidade de eliminação dos conservantes com melhor performance e elevado grau de pureza.

“É um produto com baixo teor de nitrosaminas e desempenho superior em relação ao espessamento das formulações, quando comparado com as amidas de DEA”, ele descreve.

Mas também atende a essas especificações de pureza, desempenho e eliminação de conservantes, afirma Lopes, a Linha Alkest, recentemente lançada pela Oxiteno. Não são tensoativos, mas agentes multifuncionais capazes de modificar características reológicas, como a melhoria da cremosidade. “Eles também permitem obter produtos transparentes e não deixam a pele esbranquiçada quando aplicados”, complementa Lopes.

Também a Rhodia Novecare hoje investe mais atentamente nesse segmento dos produtos de reologia para personal care, no qual lançou recentemente o Rheomer 33.

“É um agente reológico destinado às formulações de xampus e condicionadores com texturas inovadoras e melhores propriedades sensoriais, adequado especialmente para produtos que precisam de maior viscosidade, permitindo uma espuma rica e cremosa e de enxágue fácil e suave”, diz Alessandra.

A Rhodia Novecare, ela prossegue, também comercializa, com o nome comercial Jaguar, um linha de polímeros naturais obtidos do guar, um vegetal cultivado apenas nos Estados Unidos e na Índia.

“A linha contém produtos para condicionadores que tratam cabelos brancos e danificados, chamados reparadores, ou empregados em condicionadores que proporcionam cabelos com mais volume e mais sedosos”, exemplifica Alessandra.

Insumos como esses, provenientes de fontes renováveis, terão cada dia mais aproveitamento na indústria do personal care, prevê Khury, da ABC. E não apenas como tensoativos: uma empresa norteamericana conseguiu produzir no Brasil, com base na fermentação de bagaço de cana, o esqualeno, ingrediente usado há muitos anos em hidratantes, mas posteriormente abandonado porque provinha apenas de um peixe que começou a escassear. “E há também o propanodiol, um glicol obtido do milho passível de uso como umectante”, destaca Khury.

No caso específico dos tensoativos, o único diferencial ainda desfavorável àqueles oriundos de vegetais é o preço, por enquanto superior aos dos petroquímicos, em decorrência da menor escala de produção.

“Mas em termos de performance, não há nenhuma desvantagem e os produtos de origem vegetal podem ser até beneficiados nesse confronto, pois são mais versáteis, agregam aos produtos mais características, algumas nobres, como sensações mais agradáveis para a pele”, observa Khury.

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