Tensoativos – Consumo cresce, mas busca alternativas

alternativas mais eficientes e multifuncionais

O mercado nacional tem suas peculiaridades. Cerca de 60% das vendas de tensoativos se destina à limpeza doméstica, enquanto 10%, para os segmentos de higiene pessoal e de cosméticos. Na avaliação de Condutta, os produtos mais sofisticados, ou seja, aqueles menos agressivos à pele e ao meio ambiente, os mais tecnológicos e os de fonte natural tendem a ser menos consumidos pela indústria. “A otimização dos custos de produção e a maior competitividade entre os concorrentes fazem com que esses tensoativos sejam inicialmente utilizados somente em produtos com posicionamento diferenciado”, afirma. Em outras palavras, esse tipo de aditivo hoje está mais direcionado a um consumo de nicho do que de massa.

Pensando nesse cenário, com o foco no mercado de produtos de limpeza, pode-se dizer que o baixo poder aquisitivo da população brasileira, em comparação às regiões desenvolvidas, acaba se traduzindo em uma diversidade reduzida de produtos à disposição dos consumidores, assim como em formulações com menor teor de ativos. No entanto, Andrea acredita que a indústria nacional não ignora as tendências mundiais e segue trabalhando em novos formatos, produtos concentrados e de melhor sensorial. “Tais tendências, como sistemas de alta concentração e detergência, exigem formulações mais sofisticadas e com o emprego de tensoativos mais complexos”, observa.

Em âmbito mundial, os tensoativos aniônicos respondem por 50% do mercado, enquanto os não iônicos correspondem a 40% – o restante se divide entre os catiônicos e anfóteros. No Brasil, a participação de aniônicos é um pouco maior; chega a cerca de 60%. Aliás, vale lembrar que esses tensoativos, conforme explica Andrea, possuem ampla utilização em função das suas características técnicas, como boa propriedade de limpeza, elevado poder espumante e alta detergência, além daquele que talvez seja um dos principais atrativos: o custo mais acessível.

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Aplicações – Ainda sobre o mercado nacional, a maior parte dos tensoativos aniônicos incorpora as formulações de sabão em pó para roupas. Enquanto os tensoativos não iônicos apresentam maior demanda no segmento de detergente, e os catiônicos, em limpeza industrial e institucional. Georgios Theodoropoulos, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Home e Personal Care do Grupo Solvay na América Latina, acrescenta que os tensoativos catiônicos também têm relevante participação em aplicações para cabelos como condicionadores e cremes de tratamentos.

Os anfóteros, por sua vez, têm maior aplicação em segmentos de cuidados pessoais, sobretudo xampus. Menos agressivos, com maior estabilidade e menor irritabilidade nas formulações, eles são usados principalmente como cotensoativos em produtos de Home e Personal Care, sendo bastante empregados em produtos para o público infantil. “Os anfóteros e os não iônicos renováveis devem crescer em importância, principalmente em Personal Care”, vislumbra Silva.

Na Basf, aliás, os aniônicos ainda são os tensoativos de maior procura pelas indústrias do Brasil, sendo os anfóteros utilizados como secundários, a fim de suavizar seus efeitos. Formulações comercializadas na Ásia e na Europa já usam sistemas predominantemente anfotéricos e/ou contendo os não iônicos. Nesta linha, a empresa já possui soluções como os anfóteros derivados de aminoácidos e os não iônicos derivados de glucose (alquil poliglicosideos, ou APG). A saber: a Basf possui integração da cadeia na produção de anfóteros, principalmente das betaínas, em que as diaminas são muito utilizadas, sendo possível, assim, desenvolver ativos com propriedades diferenciadas para aplicações específicas.

Novos rumos – As principais rotas de produção de tensoativos aniônicos ainda fazem uso das matérias-primas de origem petroquímica. Mas a busca tecnológica por desenvolvimentos que utilizem matérias-primas de origem natural tem se destacado nos últimos anos. “É uma tendência que dificilmente vai retornar, principalmente devido a todo contexto global no que tange a sustentabilidade”, comenta Theodoropoulos.

A via biotecnológica tem sido muito estudada, buscando-se o desenvolvimento de tensoativos menos irritantes e biocompatíveis. Silva exemplifica esse movimento do setor com os bio-tensoativos, obtidos por rota biotecnológica, como é o caso dos sophorolipideos. “Estes novos materiais, além das propriedades comuns aos tensoativos, também possuem propriedade antibacterial”, afirma.

Aliás, o viés ecológico fomenta as expectativas da nova geração de consumidores. As tendências BeautyForward, pesquisa sobre os hábitos de compra feita anualmente pela Clariant para o segmento de cuidados pessoais, vão nesse sentido. Fato este que abre o mercado para formulações que não levam água (waterless) ou que são feitas com água reutilizada. Segundo Thiago Magalhães, gerente técnico de Personal Care para a América Latina da Clariant, esses produtos já começam a ser lançados em diversas categorias como ótima alternativa para atender aos consumidores conscientes a ajudar o planeta. Theodoropoulos reforça essa ideia: “temos observado demanda referente a novos formatos de produtos. É algo crescente que pode se intensificar ainda mais, principalmente para a redução do consumo e utilização de água em toda a cadeia produtiva”.

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Ao ser questionada sobre o que considera tendência para o mercado de tensoativos, Andrea não titubeia e crava: o maior uso de produtos e matérias-primas com menor impacto ambiental e a busca por formulações mais concentradas e suaves. Vale mencionar que a Oxiteno conta com uma área de pesquisa e desenvolvimento, hoje, com 13% de seus funcionários focados em soluções que reduzam o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, atendam às necessidades dos clientes da companhia. Criada em 1974, a Oxiteno foi a primeira a produzir óxido de eteno e derivados no Brasil e ocupa a posição de líder na produção de tensoativos e especialidades químicas nas Américas.

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