Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Tendências genderless e sustentáveis aparecem com força nas inovações

Hamilton Almeida
15 de julho de 2018
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    Na palestra “Inovação genderless baseada na neurociência”, Jiménez afirmou que “a perfumaria está experimentando a revolução de gênero”, que começou na indústria da moda. A perfumista Renata Ashcar retomou o tema, no debate sobre “O boom dos produtos masculinos”, testemunhando que “a indústria já caminha para o sem gênero. E este é um caminho sem volta”. Exemplo: já há perfumes masculinos com ingredientes adocicados, antes só utilizados nos femininos.

    Já Daniel Caldeira, diretor de P&D da Go Cosméticos, ressalvou que o desenvolvimento de formulações leva em conta aspectos que diferenciam os gêneros, pela composição bioquímica de cada um: “A maioria dos produtos femininos têm concentrações altas de silicones e óleos”. A questão, agora, é “como equilibrar as substâncias” nas novas formulações: “Quando pensamos num produto masculino, quanto devemos colocar de cada ingrediente? Quanto usar de silicone?”

    Edmar Bulla, CEO da Croma Solutions, exibiu resultados de pesquisa que mostram que, para o homem atual, cuidar da beleza não é só coisa de mulher, é cuidar da saúde. Há os que gastam o que for preciso para ficar mais bonito. Entre os produtos que os homens consomem ele citou cremes ou loções, shampoos e condicionadores, cuidados com a barba, unhas, mãos e pés, perfumes, hidratantes e esfoliantes.

    Ao abordar o assunto “Ingredientes e tecnologias sustentáveis: as tendências `verdes`”, Daniella Lopes Francischetti, da Solabia, frisou que 40% do consumidores brasileiros acham que as empresas têm que ser ambientalmente responsáveis; 48% leem os rótulos dos produtos antes de comprá-los; e 72% se sentem bem quando compram um produto que respeita a biodiversidade e os processos `verdes´ de produção.

    Daniella anunciou que a Solabia desenvolveu “uma tecnologia inovadora para a construção de ingredientes ecocosméticos”. Trata-se do SolaGreeen, a tecnologia dos superfluidos, um solvente seguro e natural (água subcrítica e CO2 supercrítico). “É inovador, funcional e de alta performance”, assegurou. Recentemente, a matriz francesa adquiriu a ilha de Ouessant, de 15 km2, na região da Bretanha, para a extração de algas. “Lá, há 60 espécies nativas e também se possibilita o cultivo”, observou. Um ativo antipoluição é produzido na Europa com essa matéria-prima.

    Pharma – O futuro do mercado farmacêutico também sofre forte influência dos meios digitais e das necessidades cotidianas dos consumidores. Rafael Lindemeyer, da Ipsos Marketing, salientou que 39% dos lares nacionais possuem alguém com hipertensão. A diabetes afeta 28%; dores de cabeça frequentes, 24%; e obesidade, 18%. “O consumidor não vai simplesmente na farmácia da esquina. Ele pesquisa na internet, troca informações até chegar à compra, que pode ou não acontecer nos estabelecimentos físicos”, observou.

    O diretor de vendas da Antares Vision, Gianfranco Lanfredi, palestrante da conferência InnoPharma, tratou da questão das empresas brasileiras que buscam se adequar à resolução 157/2017, da Anvisa, que estabelece as diretrizes para a rastreabilidade de produtos farmacêuticos. “Este é o maior desafio da indústria de embalagem farmacêutica hoje. A Turquia é o único país do mundo com um sistema de tracking totalmente implementado”, sublinhou. A operação é mais simples para a mão-de-obra, ficando as decisões mais suscetíveis a erro para as máquinas. E alertou: “Os operadores precisam ter acesso à assistência técnica a qualquer hora”.

    Na 3ª edição do Simpósio FCE-ACFB/ANF de Inovação Farmacêutica, o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Marco Antonio Stephano, falou sobre o uso da inteligência artificial e suas aplicações no desenvolvimento de novos fármacos, na caracterização de doenças e também na prospecção do processo de vacinação.

    “A inteligência artificial está aí para mudar profissões e os diagnósticos. Em um futuro próximo, por uma simples foto, pelo globo ocular, uma máquina será capaz de identificar o seu problema e indicar o remédio ou o exame adequado”, previu.

    Química e Derivados, Gonçalves: demandas atuais geram novas oportunidades

    Gonçalves: demandas atuais geram novas oportunidades

    Exposição – A Chemyunion reservou um espaço no mezanino para receber os clientes, convidando-os a experimentar produtos para pele e cabelo e conhecer os lançamentos da empresa (4MAN, Hebeatol CG e Powderfeel WR). “O consumidor quer conhecer a história, a cadeia de produção, o propósito das empresas, e ter produtos mais naturais”, avaliou Sérgio Gonçalves, diretor de marketing e negócios internacionais.

    Ele considera as demandas atuais “mais como uma oportunidade do que uma ameaça”, até porque atender esses anseios será “um diferencial competitivo no futuro. O nosso olhar é esse, sabendo que há desafios a vencer”. Aos que se preocupam com os aspectos regulatórios, aconselhou: “Não adianta discutir a lei. Ela tem que ser cumprida. Não se pode perder a perspectiva de mercado. A legislação não é disruptiva e pode provocar um certo pânico, criar um preconceito. Quem for mal informado, vai ficar olhando o mundo de dentro de uma caverna”. Gonçalves fez uma apresentação no pré-Congresso: “Estratégias de implantação para matérias-primas: case Chemyunion”.



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