Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Tendências genderless e sustentáveis aparecem com força nas inovações

Hamilton Almeida
15 de julho de 2018
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    Química e Derivados, Tendências genderless e sustentáveis aparecem com força nas inovações - FCE CosmetiqueQuímica e Derivados, Tendências genderless e sustentáveis aparecem com força nas inovações - FCE Cosmetique

    Ingredientes antipoluição, naturais e para combater os efeitos da luz azul dos dispositivos móveis ganharam evidência na Exposição Internacional de Tecnologia para a Indústria Cosmética, a tradicional FCE Cosmetique, realizada de 22 a 24 de maio no São Paulo Expo, na capital paulista. O evento atraiu um público recorde, o que pode sinalizar que os negócios do setor tendem a se incrementar ainda mais.

    Ao mesmo tempo, em um piso acima, no 31º Congresso Brasileiro de Cosmetologia, promovido pela Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), profissionais discutiram as tendências do mercado, o perfil do consumidor do futuro, rumos da maquiagem (aumentou o número de marcas específicas, a despeito da crise) e aspectos técnicos envolvendo tratamentos capilares e cutâneos.

    Os visitantes se depararam com surpresas nos dois ambientes: seja pelo maior espaço ocupado pela feira, com uma série de novos ingredientes vindo por aí, ou pela divulgação de que outras classes de consumidores pedem passagem: os integrantes do estilo genderless, que não possuem identidade de gênero (demandam produtos dissociados do masculino e do feminino) e os que seguem os preceitos orgânicos e veganos, ou são pacientes oncológicos.

    Não existem números para dar a dimensão exata do consumo de cosméticos naturais, orgânicos, veganos e sustentáveis no país, mas os estudos coincidem que o potencial de crescimento é surpreendente. Relatório da Grand View Research estima que a demanda global de produtos orgânicos de cuidados pessoais deverá atingir US$ 25,11 bilhões até 2025.

    No momento em que se divisa um boom para os produtos voltados ao público masculino – a previsão da Euromonitor é de um crescimento no Brasil de 30% até 2020 – um perfil novo de mulher busca consumir o que lhe representa maior empoderamento. Em suma, estão surgindo nichos de comércio em um contexto em que a diversidade e as preocupações com o meio ambiente e o consumo socialmente responsável se robustecem.

    O diretor da NürnbergMesse Brasil, Diego Carvalho, declarou que a área reservada aos cosméticos ficou 10% maior, em relação à edição do ano passado. Na outra ponta, a FCE Pharma também aumentou: 15%. “Concluímos uma edição histórica para ambas as feiras”, agregou João Paulo Picolo, presidente nacional da empresa organizadora. As FCE são rotuladas de principal polo de atualização profissional e negócios para as indústrias de cosméticos, medicamentos, complementos nutricionais, logística e outros serviços relacionados.

    Durante os três dias, 16.224 visitantes (foram 15.400 em 2017) percorreram os cerca de 40 mil m2 dos dois eventos, ocupados por soluções e lançamentos de 1.100 marcas. Os organizadores criaram uma nova ferramenta, um aplicativo, para que as pessoas pudessem fazer conexão com os expositores, elaborando uma agenda pessoal.

    Carvalho comemorou a entrada de novos participantes dos ramos de automação, robótica e logística na Pharma. As Rodadas de Negócios, organizadas em parceria pela Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica e de Insumos Farmacêuticos (Abiquif) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), atraíram potenciais compradores da Arábia Saudita, Turquia e Irã, gerando uma expectativa de fechamento de negócios acima de US$ 5 milhões, segundo o executivo.

    Congresso – Ao discorrer no Congresso de Cosmetologia sobre o comportamento do jovem consumidor nas redes sociais, o gerente de estratégia digital da L´Oréal, de Paris, Jonathan Biancarelli, enfatizou que eles querem participar dos processos, ajudar a criar um produto, e preferem, na gíria etária, “ficar do que namorar com as marcas”.

    Ele disse também que, graças às redes sociais, há oportunidade de dialogar com esses consumidores, ouvir as suas demandas. E aconselhou: as mensagens criadas para cada marca devem ter formatos curtos e impactantes, ser personalizadas e compatíveis com os celulares.

    No debate sobre os rumos do mercado de maquiagem para 2020, a diretora executiva da Kobo, Isabella Borges, contou que a Coréia do Sul é quem dita as tendências (inovações). Para ela, o futuro será dos produtos multifuncionais e a linha natural é uma das vias.

    O colombiano John Jiménez, da Belcorp, concordou: “O consumidor quer várias soluções: hidratante com FPS, antipoluição etc”. E revelou que, em neurociência, a cor mais favorita é o azul e as embalagens devem ser curvas ou arredondadas.

    Isabella colocou um ponto de interrogação na utilização do glitter, por ser um plástico e não haver dados sobre a sua degradação no meio ambiente, característica que não apetece muitos consumidores. Em sua opinião, a principal tendência da maquiagem é a diversidade dos nichos e a flexibilidade para seguir a moda. Nessa corrente, entram os produtos “verdes”, orgânicos e veganos e o indicado para o fitness.



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