Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tecnologias Ambientais – Sem planos, cidades podem ficar sem recursos

Marcelo Furtado
3 de março de 2014
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    Química e Derivados, Folgosi espera ano de reindustrialização

    Folgosi espera ano de reindustrialização

    Tecnologias Ambientais – Reindustrialização

    Para os fornecedores de equipamentos para saneamento, os investimentos privados do setor devem ser fundamentais para recuperar as vendas, depois de um 2013 considerado fraco, com queda na receita de cerca de 10% (faturamento oscila em R$ 1,5 bilhão), segundo levantou o Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental (Sindesam). “Estamos esperando um ano de reindustrialização do setor”, afirmou o presidente do Sindesam, Valdir Folgosi.

    “Essas concessões e PPPs, aliadas a investimentos da maior compradora do país, a Sabesp, dão esperança para um ano perigoso, com carnaval, eleições e Copa do Mundo ainda para ocorrerem”, alertou Folgosi. Para ele, ajuda também no cenário mais otimista o fato de o câmbio agora estar um pouco mais favorável, com dólar mais caro, o que deve inibir importações de equipamentos e sistemas utilizados pelo setor, sobretudo pelas concessionárias privadas e operadores envolvidos em PPPs.

    “A bandeira do Sindesam, que temos reiteradamente explicado ao governo, é a da necessidade de se passar a obrigar o conteúdo nacional em obras que utilizem recursos públicos do FGTS”, disse o presidente. A reivindicação tem lógica: utilizar recursos formados pela renda do trabalhador para favorecer fábricas no exterior, em detrimento das brasileiras, não faz sentido. Não é por acaso que o setor demitiu 15% de sua mão de obra em 2013.

    Apesar da reivindicação, os fornecedores precisam contar com a oscilação cambial, e não com políticas públicas, para proteger a produção da concorrência predatória estrangeira. Aliás, não é só esse tipo de contrassenso que ocorre no setor. Outro diz respeito à cobrança de PIS e Pasep aos operadores de saneamento, que totaliza R$ 2 bilhões ao ano, valor suficiente para financiar muitas obras.

    A esperança depositada nos investimentos das concessionárias privadas, para Folgosi, também tem a ver com a maior agilidade delas em realizar as obras. “Elas não possuem caminhos tão burocráticos como o setor público, regido pela lei de licitações e também lento para gerir os recursos”, disse. Isso não impede, porém, que o executivo veja as ações da Sabesp para o ano com bastante interesse. Há planos de ampliação na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Parque Novo Mundo, na ETE ABC e uma em andamento na ETE Barueri. “E eles também estão dando continuidade ao Programa Onda Limpa, de tratamento de esgoto no litoral”, disse. Outra companhia bastante ativa é a mineira Copasa, segundo completou Folgosi.

    Tecnologias Ambientais – Dúvidas na indústria

    No setor industrial, os associados do Sindesam esperam retomada de investimentos em alguns setores, principalmente o de papel e celulose, com várias novas obras e ampliações programadas em empresas como Suzano, Klabin, Eldorado e Fibria, e também no setor de mineração. “Como é uma indústria pesada, a volta dos investimentos em papel e celulose será muito importante para a recuperação do setor”, revelou o presidente do Sindesam, também sócio-diretor da Centroprojekt.

    A expectativa com o setor papeleiro, se confirmada, serve para compensar a grande baixa em indústrias tradicionalmente importantes, como petróleo, petroquímica e siderurgia, em época de estagnação e postergação de investimentos. Esse panorama se reflete para além dos fornecedores de equipamentos. Também indústrias especializadas em soluções químicas para tratamento de água e efluentes sentiram a queda nesses clientes importantes e, da mesma forma, aguardam retomada em papel e celulose e em nichos de aplicação, para reduzir custos de produção, em qualquer outro tipo de indústria.

    Química e Derivados, Aguiar pretende colher frutos de estratégia iniciada em 2013

    Aguiar pretende colher frutos de estratégia iniciada em 2013

    Um exemplo dessa análise ocorre na Kurita, fornecedora de soluções químicas para tratamento de água e efluentes nas mais variadas indústrias, das pesadas (refinarias, siderurgias, petroquímicas) até as menores. Depois de um 2013 considerado muito fraco, de acordo com seu superintendente, José Aguiar Jr., “talvez o pior da história recente”, segundo ele, a expectativa agora se volta para colher frutos de estratégias iniciadas durante o ano passado, como forma de compensar o baixo desempenho dos grandes clientes (entre eles Petrobras, para quem a Kurita fornece tratamento de torres de resfriamento e caldeiras em várias refinarias).

    Já sentindo o desempenho em queda dos clientes da indústria pesada, que provocaram estagnação na receita da empresa, a Kurita procurou ofertar novos produtos para aplicações até então inéditas para a empresa, muito focada em polímeros para tratamento. Um exemplo foi o descamador de fouling para membranas de osmose reversa, que já começou a ganhar mercado e ser testado em indústrias de papel e celulose e até no Projeto Aquapolo, estação de reúso de água para o polo petroquímico paulista. “Ele reduz o custo operacional das estações, o que ajuda empresas em dificuldade. E atende o setor de papel e celulose, que se mostra mais animado para investir e conta com muitas estações de osmose reversa”, explicou Aguiar.Outra aposta cujo trabalho comercial começou em 2013 e pode dar resultados em 2014 é uma linha de produtos para redução de pó em siderurgia. Aplicados em pilhas de minério, o polímero reduz umidade e volume, evitando contaminação e tornando a armazenagem mais concentrada. “Fizemos testes em grandes siderúrgicas e provavelmente devemos começar a fornecer neste ano, a despeito do desempenho fraco do setor e muito para ajudá-los a reduzir custos”, disse. Outro produto que a Kurita pretende vender para a siderurgia está voltado para o desentupimento de filtros.



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